quarta-feira, 20 de maio de 2020

A medalha de Portugal nos 50 km marcha masculinos da Taça da Europa

O evento em Cheboksary 2003 e a equipa portuguesa de 50 km, com Jorge Costa,
Pedro Martins, Mário Contreiras e Luís Gil. Fotos: LOC Cheboksary e arq. «O Marchador»
Passaram-se 17 anos sobre a conquista da primeira medalha coletiva de uma seleção portuguesa de marcha em Taças da Europa ou do Mundo da especialidade, inédita no contexto masculino.

Em maio de 2003, a cidade de Cheboksary, na Rússia, recebia a quinta edição da Taça da Europa de Marcha, numa magnífica organização do governo autónomo da Chuvásquia e à qual assistiram cerca de 75 mil pessoas.

Nos 50 km masculinos, a Rússia foi avassaladora, conquistando a medalha de ouro coletiva. German Skurygin, Aleksey Voyevodin e Semen Lovkin entraram para o pódio individual por essa ordem. A Espanha viria a garantir o segundo lugar coletivo graças às notáveis prestações dos seus três melhores atletas. Santiago Pérez, hoje o técnico nacional de marcha do país vizinho, foi o líder da equipa espanhola ao classificar-se num formidável 4.º lugar e logo atrás chegaram os seus companheiros de seleção, Francisco Pinardo (5.º) e Mario Avellaneda (7.º), com a «reserva» russa chamada Stepan Yudin intercalada na sexta posição.

A conquista da medalha de bronze pela equipa nacional de 50 km na Taça da Europa de Marcha constituiu um dos maiores sucessos internacionais da marcha portuguesa, graças a um conjunto de prestação ao nível do máximo que pode ser exigido. Tudo acabou por correr bem e estes enfermeiros, carteiros, guardas e trabalhadores hoteleiros que tiveram no bronze de Cheboksary um verdadeiro título europeu de amadores.

Pedro Martins, então o hexacampeão de Portugal da distância, fez as honras nacionais e chegou ao 10.º lugar, a melhor classificação de sempre de atletas portugueses na prova longa em Taças da Europa. Com 26 internacionalizações, viria a representar o país em 11 edições da competição, desde a estreia, na edição da Corunha, em 1996, até à edição de Múrcia, em 2015, isto de forma ininterrupta. Em Taças do Mundo foram 7 as edições em que tomou parte, de 1997 a 2012.

Jorge Costa, que começou pelos vigésimos lugares, acabou a prova precisamente em 20.º, graças a um andamento constante. Ainda assim, nas 7 edições da Taça da Europa em que participou, o seu melhor resultado foi alcançado em Metz (2009) onde foi 13.º. Com 5 Taças do Mundo no currículo, chegou às 18 internacionalizações terminando a carreira em 2011, na Taça da Europa de Olhão, precisamente na sua terra natal.

Luís Gil, que melhorou o seu recorde pessoal em quase cinco minutos, andara meio perdido na classificação até cerca dos 20 km, que cumpriu no 39.º lugar. Daí até terminar em 24.º foi uma cavalgada assente na consciência do valor e na inteligência tática. Com 6 internacionalizações divide-as por participações em três Taças da Europa e outras tantas Taças do Mundo.

Mário Contreiras foi menos feliz no regresso à seleção nacional 12 anos depois de ter estado na Taça do Mundo de San José, em 1991. Até cerca dos 30 km andou sempre em ritmo que possibilitava um recorde pessoal, mas depois dessa fase viria a abandonar queixando-se de contratura numa coxa. Representaria ainda outra vez a seleção de Portugal na Taça do Mundo de Naumburg, em 2004.

Mas não se pense que a prestação portuguesa, nomeadamente, a da equipa de 50 km, terá sido um caso meramente fortuito. Na Taça do Mundo de 2004 (Naumburg) e nas Taças da Europa de 2007 (Leamington), e 2009 (Metz), a seleção nacional classificara-se sempre em 4.º lugar. Na edição francesa ficou mesmo em igualdade pontual com a Itália que obteria a medalha de bronze por ser seu o melhor classificado na prova, resultado que teria sido diferente se, por exemplo, o mesmo facto tivesse ocorrido numa Taça do Mundo onde o critério de desempate seria em favor da equipa que primeiro fechasse com o seu terceiro elemento….

“11 vezes baixei das 4h00 e 3 vezes abaixo das 3h57”, escreveu o olímpico Pedro Martins na sua página pessoal de Facebook, ao assinalar a efeméride, acrescentando, em tom sorridente, que …fazíamos melhor a treinar que agora a maioria a competir. Outro olímpico, o Jorge Costa haveria de comentar, a propósito do tema: “Vamos vivendo das boas recordações, foi em 2003, já passaram 17 anos, e o facto é que mesmo velhos ninguém ainda fez melhor. Éramos doidos a treinar, sacrifícios que os novos não fazem e depois querem resultados.”

terça-feira, 19 de maio de 2020

Isilda Gonçalves, a primeira recordista portuguesa abaixo dos 50 minutos nos 10 km marcha

Isilda Gonçalves. Fotos: José Ganso e arquivo «O Marchador»
Foi a primeira atleta portuguesa a quebrar a barreira dos 50 minutos na distância dos 10 km marcha (49:29), efeméride que assinalamos no dia de hoje, decorridos precisamente 30 anos, feito que na época teve eco na imprensa desportiva e generalista do país.

A proeza de Isilda Gonçalves aconteceu a 19 de maio de 1990 por ocasião da realização do Grande Prémio de Marcha Atlética “Cidade do Montijo”, prova que a atleta ganhou com uma vantagem de quase cinco minutos sobre a segunda classificada, Rita Silva, uma então jovem e promissora atleta do distrito de Aveiro. Sucedia à benfiquista Ana Bela Aires na lista das recordistas nacionais, que no ano anterior fixara o recorde português com o tempo de 51:40, aquando dos Campeonatos Nacionais de Marcha, realizados em Viseu.

Nesse ano de 1990, recorde-se, despontava a rio-maiorense Susana Feitor, que tinha apenas 15 anos de idade e que meses depois conquistava o título mundial júnior. Mas era Isilda Gonçalves quem dominava a distância estandardizada no setor absoluto, liderando o ranking nacional da disciplina. Campeã nacional de marcha, foi a primeira portuguesa a participar em grandes competições internacionais, naquele ano nos Europeus de Split, em 1991 nos Mundiais de Tóquio, e em 1992 nos Jogos Olímpicos de Barcelona.

Isilda Gonçalves nasceu a 11 de novembro de 1969, tal como a sua irmã Lígia, outra das destacadas marchadoras portuguesas daquela época. Representou durante a sua carreira desportiva o União do Montijo (1986 a 1990), o Clube Desportivo do Montijo (1991 a 1996, 2001 e 2002) e o Maratona Clube do Montijo (1997 a 2000).

Fonte: Estatísticas do Atletismo Português (Manuel Arons de Carvalho)

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Evocando Ana Bela Aires no dia do seu aniversário

Ana Bela Aires nos 10.000 m marcha dos Campeonatos de Portugal de 1987, que
venceu, e em representação da A.A. Lisboa em Encontro com Madrid (1986),  provas
realizadas no Estádio Nacional (Jamor). Fotos: arquivo «O Marchador»
Ana Bela Pinto Aires, que comemora hoje mais um aniversário, foi uma das mais destacadas marchadoras portuguesas nos anos 80, tendo representado a Associação Desportiva de Oeiras (1983 e 1984), o Núcleo Desportivo de Oeiras (1985), o Clube Português de Marcha Atlética (1986 e 1987) e o Sport Lisboa e Benfica (1988 a 1991).

Nascida em Oeiras, a 18 de maio de 1968, representou a seleção nacional em duas ocasiões, ambas em 1988, uma no Encontro Internacional de Marcha ESP-FRA-ITA-POR-RDA-SWE, a 4 de junho, e a outra no Encontro Internacional de Atletismo ESP-POR-ITA (Sub-23), a 20 de agosto, nas duas vezes disputada na Corunha, e ainda participou, em representação da Associação de Atletismo de Lisboa, em meetings internacionais.

Competiu pela primeira vez numa prova de marcha no dia 16 de janeiro de 1983, no Grande Prémio da AD Oeiras “Troféu Albino Silva. Viria a casar-se com o também marchador José Urbano, outro dos grandes atletas portugueses dos anos 80 e 90 e que representou o nosso país nos Jogos Olímpicos de 1988, 1992 e 1996.

Ana Bela Aires foi campeã nacional absoluta por sete vezes e campeã nacional Sub-23 por uma ocasião, tendo batido por diversas vezes o recorde nacional Sub-20 e absoluto, na distância de 10 quilómetros (a única que então figurava no programa competitivo do atletismo feminino), no período compreendido entre 1986 e 1989, quer em provas de pista, quer na estrada, bem como nos 3.000 metros de pista coberta.

MUITOS PARABÉNS!

domingo, 17 de maio de 2020

O regresso às competições de marcha em Rumburk, na República Checa

Os vencedores dos 10.000 m, Vít Hlaváč e Anežka Drahotová, e a partida dos 5.000 m
 em Rumburk. Fotos: Atletický oddíl Vrchlabí, A Hearty Nomad e Czech Athletics.
Montagem: O Marchador
Como resultado de decisões governamentais na República Checa que visam abrandar as medidas restritivas tomadas em meados de março devido à pandemia do coronavírus, teve lugar ontem, sábado (dia 16), em Rumburk, a primeira mão da Taça de Marcha 2020 «Smola Konstrukce», uma organização local do AC Rumburk com provas na pista do Estádio Municipal para todos os escalões etários.

Na prova de 10.000 metros, registe-se os desempenhos vitoriosos de Vít Hlaváč, com 44:30.2, e da credenciada Anežka Drahotová, com 47:41.0. Ocuparam os lugares imediatos, nos masculinos, o veterano M45 Martin Nedvídek, com 45:22.4, e Rostislav Kolář, com 46:10.5, e nos femininos, a sub-20 Eliška Martínková, com 49:23.3, e Tereza Ďurdiaková, com 50:53.8.

Em prova de 5.000 metros para jovens e veteranos, referência para o primeiro lugar absoluto de Adéla Veselková, de apenas 13 anos de idade, com 25:40.2, seguida de Klára Hlaváčová, sub-18, apenas 2 segundos depois, com 25:42.5. O primeiro masculino seria Matěj Piták, de 13 anos, com 26:38.6 .

A segunda mão do evento disputa-se no próximo dia 23, em Turnov.

Principais classificações
10.000 m masculinos - geral
1.º, Vít Hlaváč, 1997 (A.C. TEPO Kladno), 44:30.2
2.º, Martin Nedvídek, 1975 (AC Rumburk, z.s.), 45:22.4
3.º, Rostislav Kolář, 1987 (SK Hranice, z.s.), 46:10.5
4.º, Jaromír Morávek, 2003 (SMOLA CHŮZE Praha), 46:42.1
5.º, Josef Smola, 1964 (SMOLA CHŮZE Praha), 53:41.3

10.000 m femininos - geral
1.ª, Anežka Drahotová, 1995 (Univerzitní sportovní klub Praha), 47:41.0
2.ª, Eliška Martínková, 2002 (AC Turnov, z. s.), 49:23.3
3.ª, Tereza Ďurdiaková, 1991 (AK Olymp Brno, spolek), 50:53.8
4.ª, Jana Zikmundová, 2002 (AC Turnov, z. s.), 54:00.6

Resultados completos, aqui.

sábado, 16 de maio de 2020

Recordando o «Cantones de La Coruña» em 1998

As vitórias de Jefferson Pérez e Annarita Sidoti no Grande Prémio da Corunha
em 1998. Fotos: Dolores Rojas. Montagem: O Marchador

A 16 de maio de 1998 a Corunha recebia mais uma edição, a 12.ª, do Grande Prémio Internacional «Cantones de La Coruña», com a vitória de dois grandes nomes da marcha atlética mundial: o equatoriano Jefferson Pérez e a italiana Annarita Sidotti.

Na prova masculina, de 20 km, o nível foi de altíssima qualidade com os quatro primeiros a realizarem marcas abaixo da casa da uma hora e vinte minutos, Jefferson Pérez, com 1:19:40 (parciais em cada 5 km de 20:22, 20:07, 19:58 e 19:13, último km em 3:38), o guatemalteco Julio Martínez (1:19:42), o mexicano Joel Sánchez (1:19:45) e o polaco Robert Korzeniowski (1:19:46).

Na prova feminina, sobre 10 km, o nível qualitativo não ficou abaixo do setor masculino. Annarita Sidotti fez valer os seus créditos vencendo com a marca de 43:31 (parciais de 21.51 e 21:40 em cada 5 km, último km em 4:14) e com mais três atletas abaixo da casa dos 44 minutos: a espanhola María Vasco (43:36, a mais rápida na segunda metade, 21:36), a italiana Erica Alfridi (43:44) e a mexicana Graciela Mendonza (43:46).

Hoje aqui, passados exatamente 22 anos, destacamos, em sinal de homenagem, os nomes dos dois vencedores e grandes atletas, que foram Jefferson Pérez, nascido em Cuenca, e que, dois anos antes, sagrara-se campeão olímpico, conquistando em três anos consecutivos (2003, 2005 e 2007) o título mundial na prova dos 20 km marcha e, em outras tantas vezes a vitória em Taças do Mundo de Marcha, e Annarita Sidotti, a malograda atleta siciliana, nascida em Gioiosa Marea, que os organizadores haveriam de a homenagear no cartaz da edição de 2015, ano da sua morte, com apenas 45 anos de idade, com a foto da sua chegada vitoriosa nos Cantones de 1998. Foi campeã europeia em 1990 (pista ao ar livre) e 1994 (pista coberta) e um ano antes desta edição dos Cantones sagrara-se, em Atenas, campeã mundial.

O êxito desta edição do Grande Prémio da Corunha, evento de grande prestígio e tradição no mundo da marcha atlética, que fora palco em 1996, da primeira Taça da Europa de Marcha, levara a que a organização (Federação Galega de Atletismo e Município da Corunha) avançasse com a ideia de ali realizar uma edição da Taça do Mundo de Marcha, desejo concretizado em 2006, num evento que se revelaria de enorme sucesso desportivo e mediático.

A classificação dos 10 primeiros nas principais provas foi a seguinte:

20 km masculinos
1.º, Jefferson Pérez (Equador), 1:19:40
2.º, Julio R. Martínez (Guatemala), 1:19:42
3.º, Joel Sánchez (México), 1:19:45
4.º, Robert Korzeniowski (Polónia), 1:19:46
5.º, Francisco J. Fernández (Espanha), 1:21:19
6.º, Valentín Massana (Espanha), 1:21:21
7.º, Valentín Kononen (Finlândia), 1:21:22
8.º, Omar Cepeda (México), 1:22:26
9.º, Alejandro Cambill (Espanha), 1:22:28
10.º, Luis García (Guatemala), 1:23:07
(...)
Participação portuguesa:
29.º, António Pereira (Boavista FC, Portugal), 1:36:38
30.º, Luís Fraga (Boavista FC, Portugal), 1:37:29
42 participantes (7 desclassificados e 4 desistentes)

10 km femininos
1.ª, Annarita Sidotti (Itália), 43:31
2.ª, María Vasco Gallardo (Espanha), 43:36
3.ª, Erika Alfridi (Itália), 43:44
4.ª, Graciela Mendoza (México), 43:46
5.ª, Rosario Sánchez (México), 44:06
6.ª, Célia Marcén (Espanha), 44:06
7.ª, Encarna Granados (Espanha), 44:12
8.ª, Teresa Linares (Espanha), 44:43
9.ª, Eva Pérez (Espanha), 45:15
10.ª, Rocío Florido (Espanha), 45:30
(...)
17 participantes

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Seleção de Portugal fez história em Chihuahua há 10 anos

Pódios da marcha feminina portuguesa em Chihuahua 2010.
Fotos: Hector Vivas e blogue de Susana Feitor
Montagem: O Marchador
Há precisamente dez anos, no dia 15 de maio de 2010, a seleção portuguesa feminina de marcha conquistava o inédito título mundial na Taça do Mundo de Marcha, que se disputara na cidade mexicana de Chihuahua, sob elevadas temperaturas atmosféricas.

Portugal apresentou-se na prova de 20 km com uma brilhante equipa, formada por Ana Cabecinha, Inês Henriques, Susana Feitor e Vera Santos. Com 13 pontos amealhados em função das classificações individuais de Vera Santos (medalha de prata), Inês Henriques (medalha de bronze) e Ana Cabecinha (8.ª classificada), a seleção portuguesa ficou à frente da Espanha (22 pontos), da China (32 pontos) e da favorita Rússia (33 pontos). Susana Feitor, que tinha a preparação atrasada em virtude de uma lesão contraída no inverno foi, ainda assim, 16.ª classificada.

A marcha feminina que em 2008, também na Taça do Mundo, em Cheboksary, na Rússia, havia conseguido outro resultado de grande expressão, com a conquista da medalha de prata, atravessou em dez anos (2005 e 2015), um período dourado para as cores portuguesas onde obteve quatro medalhas coletivas em Taças da Europa (uma de ouro em 2005) e outras quatro medalhas em Taças do Mundo.

As marchadoras com maior número de participações em Taças do Mundo são: Susana Feitor, com 10 presenças (1993-2016), Inês Henriques, com 9 (2012-2018), Vera Santos, com 8 (2012-2016) e Ana Cabecinha, também com 8 (2004-2018), são as atletas com maior número de participações em Taças do Mundo de Marcha/Mundial de Seleções de Marcha.

Vera Santos falou-nos dos conturbados dias que antecederam a sua viagem para Chihuahua:

“A Taça do Mundo de Chihuahua teve um misto de emoções. Na altura, o espaço aéreo estava condicionado por uma nuvem vulcânica. Eu queria viajar, juntamente com o meu treinador, uma semana antes da competição e não conseguimos logo em Lisboa viajar para Madrid. Foi o passar dos dias, pensava que já não conseguia seguir viagem, mas consegui viajar à quinta-feira, chegando à sexta-feira de manhã para competir ao sábado de tarde”.

E das emoções vividas na competição…

“Eu estava muito bem preparada. Tinha preferido fazer o estágio no meu local habitual e realizando uma competição do Circuito Mundial só com objetivo fazer um treino forte, sem desgastar, da qual consegui ficar muito próximo do recorde pessoal e vencido. Mas Chihuahua era diferente, era em altitude com temperaturas altas. Fiz uma competição sempre no grupo da frente, a maior parte na liderança, só não conseguindo responder ao ataque da marchadora espanhola María Vasco nos últimos 800m do final. Ela sabia que eu estava muito bem, tínhamos realizado estágio no mesmo local e fez a sua parte. Fiquei muito feliz, mesmo com as dificuldades que tinha tido na viagem, sem adaptação ao clima. Só podia estar satisfeita com o meu desempenho e, de novo, dois anos depois, conseguia subir ao pódio, estando entre as melhores marchadoras do mundo”.

A atleta olímpica concluiu analisando a prestação da equipa:

“Em termos da equipa, para mim não foi uma surpresa subirmos ao pódio, porque tínhamos uma grande seleção. A grande adversária era a Rússia mas para mim, as condições atmosféricas que se faziam sentir eram favoráveis à nossa equipa. Tudo era possível, e conseguimos, passados dois anos, voltarmos a subir ao pódio, desta vez no lugar mais alto, ouvindo o nosso hino”.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Viajando pelos Grandes Prémios de Marcha: Grândola

Fotomontagem: O Marchador
O Grande Prémio de Marcha Atlética de Grândola foi um dos eventos mais emblemáticos e acarinhados de quantos os realizados no nosso país e em que num sem número de vezes proporcionaram a queda de recordes pessoais e nacionais nas principais distâncias da especialidade, tanto no setor masculino (20 km) como no setor feminino (10 km/20 km).

Foram 19 as edições realizadas, a primeira a 22 de junho de 1991 e as restantes, que se prolongariam até 2010, com uma interrupção em 2008, quase sempre disputadas na primeira quinzena de janeiro, estabelecendo-se, ao longo de várias edições, uma parceria entre o Clube Recreativo “O Grandolense” e a Câmara Municipal de Grândola.

A autarquia de Grândola assumiu-se como o grande suporte do Grande Prémio, que contou com o apoio institucional do Setor de Marcha da Federação Portuguesa de Atletismo e a colaboração técnica da Associação de Atletismo de Setúbal que juntou ao evento a realização dos seus campeonatos distritais de marcha.

Tal foi a importância do evento no conjunto das provas do calendário nacional da especialidade (e eram várias as iniciativas do género, disseminadas pelo território nacional) que era ponto de observação dos atletas com vista à definição de seleções nacionais em encontros internacionais de marcha.

Uma das caraterísticas de marca da organização da prova, que tinha por palco um agradável circuito, eram os cuidados que a Câmara Municipal colocava no seu embelezamento, na informação ao público, na escolha de adequadas faixas musicais e até no convívio final.

Aos Grandes Prémios de Grândola, que a Câmara Municipal colocava à disposição de atletas, treinadores e dirigentes um autocarro que partia de Lisboa, acorriam um número muito significativo de atletas de norte a sul do continente, das regiões autónomas e de Espanha. A própria Câmara chegou a apoiar a realização de estágios da seleção nacional de marcha.

A nível individual, José Urbano, do Sport Lisboa e Benfica, e Isilda Gonçalves, do Clube Desportivo do Montijo, foram os vencedores da edição inaugural (1991). João Vieira e Susana Feitor, em representação do Clube de Natação de Rio Maior, foram os atletas mais destacados no historial da competição, o primeiro com 9 vitórias e a segunda com 14. Susana Feitor viria mesmo a bater o recorde nacional dos 10 quilómetros na IV edição, disputada a 15 de janeiro de 1994, com o tempo de 43:30, recorde que ainda se encontra em vigor nos escalões Sub-20 e Sub-23, ela que nesse ano conquistava a medalha de prata nos 5.000m marcha dos Mundiais de Juniores, realizados em Lisboa. Curiosamente, também nessa mesma edição de 1994, Inês Henriques triunfava no escalão de iniciadas, depois de em 1993 ter ganho a prova de infantis, e Sofia Avoila vencia no escalão de juvenis sagrando-se, no ano seguinte, campeã europeia de juniores.

Para a memória bem pode ficar a história dos três velhos que numa dessa edições assistiam às provas próximo de uma das extremidades do percurso. Pacatamente encostado ao tronco de uma árvore, cana na mão, comentava um, lá do fundo da sua pachorra, enquanto via passar alguns atletas já visivelmente cansados:

- Isto é um balanço! Isto é um balanço!

Respondeu-lhe um dos companheiros:

- É, isto é um balanço. E é um balanço difícil!


Para a história do Grande Prémio de Grândola fica o registo dos nomes dos vencedores absolutos nas principais provas:

1991: José Urbano (SL Benfica) e Isilda Gonçalves (CD Montijo);
1992: José Urbano (SL Benfica) e Isilda Gonçalves (CD Montijo);
1993: José Urbano (SL Benfica) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
1994: José Magalhães (AC Alfenense) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
1995: José Magalhães (AC Alfenense) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
1996: Sérgio Vieira (CN Rio Maior) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
1997: Sérgio Vieira (CN Rio Maior) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
1998: João Vieira (CN Rio Maior) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
1999: João Vieira (CN Rio Maior) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
2000: José Urbano (SL Benfica) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
2001: João Vieira (CN Rio Maior) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
2002: José Urbano (SL Benfica) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
2003: João Vieira (CN Rio Maior) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
2004: João Vieira (CN Rio Maior) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
2005: João Vieira (CN Rio Maior) e Kristina Saltanovic (Interwalk-LTU);
2006: João Vieira (CN Rio Maior) e Inês Henriques (CN Rio Maior);
2007: João Vieira (CN Rio Maior) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
2008: Não se realizou;
2009: João Vieira (CN Rio Maior) e Vera Santos (JOMA);
2010: Sérgio Vieira (CN Rio Maior) e Susana Feitor (CN Rio Maior).

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Dominic Ndigiti forçado a trabalhar nas obras

Dominic Ndigiti. Fotos: Citizen Digital, Oliver Ananda/Sportpicha
e Angwenyi Gighana/The STAR. Montagem: O Marchador
Dominic Samson Ndigiti, marchador queniano de 20 anos de idade, campeão de África sub-20 em Abidjan-2019 e bronze nos Campeonatos do Mundo de Atletismo de sub-18 em Nairobi-2017, vê-se obrigado a trabalhar nas obras para sobreviver face à paragem do desporto no seu país e no mundo pela situação de pandemia causada pelo covid-19.

Em entrevista publicada ontem no «The STAR» de autoria de Angwenyi Gighana, Ndigiti refere que tem como sustento o atletismo e manifesta-se ansioso por voltar às lides competitivas em pista ou estrada quando a pandemia estiver contida.

A sua rotina atual passa por levantar-se cedo para realizar uma sessão de treino antes de ir trabalhar nas obras, de forma temporária (ganha cerca de 3 euros por dia), ou construir «jikos», nome atribuído a fogões de cerâmica usados no seu país e que funcionam à base de lenha, carvão vegetal ou serradura. Já se dedicava a esta última atividade quando era mais jovem e antes mesmo de praticar o atletismo.

Ndigiti espera que alguns dos atletas mais jovens possam vir também a beneficiar da verba atribuída pela World Athletics ao Quénia para amenizar os efeitos provocados pelo coronavírus. Refere que eles representam o futuro da modalidade, muitos deles o ganha-pão das respetivas famílias.

Os Jogos Olímpicos de Tóquio em 2021 constituem um objetivo para Dominic Ndigiti.

terça-feira, 12 de maio de 2020

Érica Sena em tempos de confinamento

Erica Rocha de Sena. Fotos: Wagner Carmo/CBAt e facebook da própria
Montagem: O Marchador
A excelente marchadora brasileira, que há poucos dias - dia 3 deste mês de maio - completou 35 primaveras, aniversário pelo qual a equipa de “O Marchador” lhe endereça os parabéns (atrasados), foi a primeira atleta na modalidade do atletismo brasileiro a superar a marca mínima imposta pela World Athletics para os Jogos Olímpicos de Tóquio.

Vivendo em Cuenca, no Equador (é casada com o também marchador e seu treinador, Andrés Chocho), Érica Sena segue as decisões governamentais do país, que impôs severas medidas restritivas em face da pandemia causada pela Covid-19, treinando-se em casa. “Estão sendo momentos difíceis dentro de casa. Adaptamos alguns treinos, mas é complicado treinar só em esteira”, refere a atleta ao site da CBAt.

Sete vezes campeã brasileira e vice-campeã pan-americana em 2015 (Toronto) e medalha de bronze em 2019 (Lima) na prova dos 20 km marcha, Érica foi ainda medalha de bronze no Campeonato Mundial de Seleções, em Roma 2016 e quarta classificada nos dois últimos mundiais de atletismo, em 2017 e 2019.

É a melhor marchadora brasileira de todos os tempos tendo obtido a sétima posição nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, o melhor resultado de sempre de uma especialista brasileira em provas de marcha naquele evento. Confessa que o seu objetivo passa por lutar por uma medalha nos Jogos de Tóquio, entretanto adiados para 2021.

Com um recorde pessoal de 1:26:59, obtido nos mundiais de Londres, em 2017, Érica Rocha de Sena surge em posição de grande destaque no ranking mundial da disciplina, ocupando a terceira posição, com 1254 pontos, apenas atrás das chinesas Hong Liu e Shenjie Quiyang, as três igualmente nos lugares do pódio da classificação geral do Challenge Mundial de 2019.

Fonte: CBAt

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Dunfee com lugar garantido para Tóquio

Evan Dunfee nos 50 km em Wajima 2019.
Foto: Twitter do próprio. Montagem: O Marchador
Depois de muitas semanas de incerteza e que culminaram com o adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio para 2021, a Federação de Atletismo do Canadá decidiu colocar o foco nos desempenhos entretanto conseguidos pelos seus atletas, nomeando já para esse evento desportivo à escala planetária dois maratonistas (Trevor Hofbauer e Dayna Pidhoresky) e um marchador de 50 km, neste caso Evan Dunfee.

Dunfee vê assim reconhecida pela sua federação, e para o efeito, a marca de 3:48:54 conseguida em Wajima, em abril de 2019, quando foi 7.º classificado na prova aberto dos campeonatos japoneses de 50 km, tendo por base determinação do Comité Olímpico Internacional em que os atletas que tenham obtidos os mínimos de participação (50 km, 3:50:00) os manterão para 2021.

Como referido pelo atleta, na ocasião não atribuiu grande significado ao mínimo olímpico obtido até porque iria ter mais oportunidades, algo que a realidade atual mostra bem o contrário pela situação de pandemia causada pelo covid-19. Hoje sente-se muito feliz por se ter qualificado cedo, recordando a situação peculiar da troca de sapatos ocorrida durante a prova, cerca dos 41 km.

Relembre-se que Evan Dunfee, entre vários desempenhos internacionais relevantes, foi 4.º classificado nos 50 km dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016, com um recorde pessoal e nacional de 3:41:38, e nos recentes mundiais de Doha (2019) obteve a medalha de bronze também na distância de 50 km.

domingo, 10 de maio de 2020

Faleceu Vítor Cabral

O malogrado jovem marchador Vítor Cabral.
Fotos: Erica Dias/O Marchador, Carla Nobre e António Sousa.
Montagem: O Marchador
O jovem marchador Vítor Cabral morreu este sábado, vítima de um acidente de viação ocorrido na autoestrada do Norte (A1) quando, por volta das 14.00 horas, perdeu o controlo da viatura, na qual seguia sozinho, tendo a mesma capotado.

Militar da Guarda Nacional Republicana, Vítor Cabral regressava a casa depois de ter prestado serviço no Posto Territorial de Rio Maior, distrito de Santarém, onde se encontrava destacado. No momento do trágico acidente, que se deu numa descida, em curva, na zona de Santa Maria da Feira, chovia com intensidade.

Com apenas 22 anos de idade, completados no dia 1 do corrente mês, Vítor Duarte Palmeira Cabral era natural de Oliveira do Douro. Orientado tecnicamente pelo antigo atleta olímpico António Pereira, deixa nos seus muitos amigos a recordação da exemplaridade das suas atitudes, a alegria e a dedicação que colocava em tudo no que se empenhava.

Em 2011, como infantil, participou em provas de marcha pelo Clube de Atletismo de Avintes. De 2015 (Sub-18) a 2019 (Sub-23) fê-lo em representação do Clube de Futebol de Oliveira do Douro, tendo-se transferido na presente época para o Centro de Atletismo de Seia mantendo, no entanto, uma estreita ligação ao clube da sua terra natal.

Foi campeão nacional individual em 2019 e 2020 na categoria de sub-23, nos 35 km marcha em estrada, e em finais de janeiro do corrente ano, campeão coletivo absoluto pelo CA Seia, ainda nos 35 km. Foi várias vezes medalhado em competições nacionais e regionais.

À família, amigos e camaradas, a equipa de «O Marchador» expressa as mais sentidas condolências.

sábado, 9 de maio de 2020

Europeus de sub-18 em Rieti disputam-se em 2021

Davide Finocchieti na chegada da prova de marcha masculina em Gyor 2018.
Foto: Zimbio. Montagem: O Marchador
Os Campeonatos da Europa de Atletismo para atletas da categoria sub-18 a disputar na cidade italiana de Rieti, inicialmente previstos para o período de 16 a 19 de Julho/2020 mas adiados por força da situação do novo coronavírus, estão agora confirmados para o próximo ano, no mesmo local, em data a indicar.

A decisão foi tomada ontem (dia 8) por ocasião da reunião «online» do Conselho Associação Europeia de Atletismo.

Rieti receberá assim em 2021 a terceira edição do evento, depois de Gyor em 2018 e Tbilisi em 2016.

Recordamos que os campeões nas provas de marcha (10.000 m masculinos e 5.000 m femininos) foram, em 2016, Łukas Niedziałek (Polónia) e Meryem Bekmez (Turquia), e em 2018, Davide Finocchietti (Itália) e Hanna Zubkova (Bielorrússia).

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Recordando o recorde mundial do guatemalteco Julio Martínez em 1999

Julio Martínez em competição, com a equipa da Guatemala
numa das edições da Corunha, e na atualidade.
Fotos: Prensa Libre/Guatemala e arquivo «O Marchador»
Montagem: O Marchador
Foi no dia 8 de maio de 1999, portanto há precisamente 21 anos, na cidade alemã de Eisenhüttenstadt, durante o VI Grande Prémio Internacional de Oder-Neibe, que Julio Martínez cometeu a proeza de bater o recorde mundial dos 20 km marcha com o tempo de 1:17:46. Com este resultado, o marchador centro-americano superava por dezoito segundos o anterior máximo mundial, que desde 1994 estava na posse do chinês Bo Lingtang.

Naquele evento classificaram-se nos lugares imediatos três mexicanos: Alejandro López (1:17:56), também ele com marca superior à do anterior recorde mundial, Joel Sánchez (1:19:00) e Daniel García (1:19:05). O alemão Andreas Erm foi quem quebrou a hegemonia latino-americana ao classificar-se na quinta posição, com 1:19:24. Entretanto, e daí para cá, o recorde de Martinez foi suplantando por outros cinco marchadores: Paquillo Fernández, Jefferson Peréz, Vladimir Kanaykin, Yohann Diniz e Yusuke Susuki.

Este feito de Julio Martínez constituiu o maior sucesso do desporto da Guatemala e um enorme impulso na atração de jovens guatemaltecos para a marcha atlética culminando, nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, com a medalha de prata de Erick Barrondo, a única medalha alcançada por desportistas guatemaltecos em Jogos Olímpicos, mas prosseguindo, nos dias de hoje, com outros atletas a obterem resultados de valia internacional.

Julio Martínez era treinado por José Alvarado, um nome conceituado no mundo da marcha. Mexicano de nascimento, foi treinador de campeões como Ernesto Canto e Carlos Mercenario, mas no final da década de 80 do século passado decidiu iniciar um projeto novo: promover a marcha atlética na Guatemala, país fronteiro com o México. Aí viu um projeto seu ser aprovado pelo Comité Olímpico da Guatemala, logo começando a trabalhar com um pequeno grupo de marchadores.

No regresso à Guatemala, Julio Martínez era aguardado por milhares de pessoas nas imediações do aeroporto La Aurora e nas artérias que o conduziriam, em viatura descapotável, num enorme cortejo automobilístico, à Praça do Obelisco, no centro da cidade onde aí foi recebido por muita gente que saudava o herói com cartazes e bandeirinhas, tendo sido condecorado pelo presidente da Câmara Municipal da capital com a Ordem Carlos “Pepino” Toledo. O próprio Presidente da República recebera-o no Salão Nobre do aeroporto manifestando o seu orgulho e agradecimento, em nome do povo guatemalteco.

Julio René Martínez Sicán, que completará 47 anos de idade em setembro próximo, registaria ainda outro excelente resultado, aquando da Taça do Mundo de Podebrady, em 1997, onde foi quinto classificado com a marca de 1:18:51. Participou nos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996, Sydney 2000, e Atenas 2004. Advogado de profissão, mantém a sua ligação ao desporto, integrando o Departamento Jurídico da Confederação Desportiva Autónoma da Guatemala.

quinta-feira, 7 de maio de 2020

No aniversário de Sérgio Galdino

O marchador olímpico brasileiro Sérgio Galdino.
Fotos: O Globo e António Prado/Fesporte
Montagem: O Marchador
Sérgio Vieira Galdino, que foi um dos mais destacados marchadores brasileiros de todos os tempos, completa no dia de hoje 51 anos de idade, aniversário pelo qual a equipa deste blogue lhe endereça os parabéns desejando-lhe muita saúde e felicidades.

Galdino é de uma região no Brasil com muitas tradições na marcha atlética – Blumenau, no Estado de Santa Catarina, que tem fornecido muitos e bons valores no contexto da especialidade, em representação das seleções brasileiras de atletismo em importantes eventos internacionais.

Com quatro anos de idade saiu com a sua família do município de Armazém, onde nasceu, rumo a Blumenau e aos quinze anos iniciava-se no atletismo pelas mãos do seu professor de Educação Física na escola, tendo depois sido encaminhado para Fundação  de Desporto de Blumenau para treinar com o prof. Ivo da Silva. O sucesso foi inegável ao ponto de representar o Brasil em nada menos de três Jogos Olímpicos: Barcelona (1992), Atlanta (1996) e Atenas (2000), somando-se ainda, entre várias outras competições internacionais, seis participações em Campeonatos Mundiais de Atletismo.

Com um vasto e rico currículo desportivo, destaca-se-lhe, no plano nacional, a subida ao lugar mais alto do pódio em campeonatos nacionais de 20 e 50 km marcha e a conquista de 16 medalhas de ouro nos Jogos Abertos de Santa Catarina. No plano internacional, importa referir o sexto lugar conseguido nos 20 km marcha dos Mundiais de Estugarda, em 1993.

Ainda na prova dos 20 km marcha, outro dos grandes marcos na carreira desportiva de Sérgio Galdino deu-se quando na cidade alemã de Eisenhüttenstadt, a 14 de maio de 1995, bateu o recorde brasileiro e sul-americano na distância, realizando o tempo de 1:19:56. Só 21 anos depois, outro grande atleta brasileiro – Caio Bonfim, haveria de o suplantar nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro 2016 (1:19:42).

Sérgio Galdino, que é formado em Educação Física, exercendo a atividade na Prefeitura Municipal de Blumenau, é atualmente o vice-presidente da Federação Catarinense de Atletismo e continua ligado à marcha atlética, agora na função de treinador.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Evocando Mário Paiva, antigo presidente da AA Lisboa

Mário Paiva numa das Festas Anuais da Marcha Atlética no início da década de 80.
Fotos: arquivo «O Marchador»
Foi no início dos anos 80 que a marcha atlética conseguiu começar a ver reconhecida a sua condição de especialidade atlética com estatuto igual ao das restantes disciplinas da modalidade.

Num exemplo para as restantes associações de atletismo do país, a Associação de Atletismo de Lisboa demonstrou pela marcha atlética um respeito institucional pioneiro, acarinhando-a e permitindo algumas originalidades, com a constituição da Comissão Regional de Marcha.

Durante 10 anos, o motor do apoio da AAL à marcha foi o seu presidente, o Dr. Mário Paiva. A ele deve a marcha atlética os primeiros passos seguros da caminhada que trouxe a disciplina ao nível que atualmente patenteia. É também a ele que todos devemos o exemplar contributo para que o desporto seja cada vez mais rico, mais diversificado e mais praticado pela juventude.

Mas onde tudo começa? Foi Aires Denis, o grande pioneiro da marcha atlética portuguesa, quem contara como se deram os primeiros passos na tentativa de institucionalização da disciplina no nosso país: “… como não se fazia marcha em Portugal, lembrámo-nos (referia-se ao francês Raymond Ysmal, seu colega na empresa Telemec, onde ambos trabalhavam) de ir à Federação propor que se fizesse marcha. A Federação não atou nem desatou e a coisa assim ficou. Depois fomos à Associação de Lisboa. Foi aí que se formou um grupo que ficou dentro da Associação e começámos a trabalhar para se desenvolver a marcha. Foi aí que a marcha nasceu. O Dr. Mário Paiva colaborou, ajudou, facilitou-nos tudo. Fiquei lá como diretor responsável pela marcha. Começámos a organizar provas aqui e além…”

Mário Luiz Salvo Paiva foi um desportista eclético tendo praticado, além do atletismo (100/200 metros e estafeta 4x100 metros pela equipa do SL Benfica), o futebol, o ténis de mesa, o basquetebol, o voleibol e o andebol. Foi presidente da Associação de Atletismo de Lisboa de 1978 a 1989 e presidente da Assembleia Geral de 1990 a 1997. Foi ainda Assessor para o Planeamento e desenvolvimento do Desporto na Câmara Municipal de Lisboa e Delegado Regional de Lisboa e Vale do Tejo do Instituto Nacional do Desporto.

Com uma vida dedicada ao desporto, Mário Paiva, de trato afável e conversador nato, foi distinguido e galardoado por diversas entidades públicas e desportivas, em reconhecimento do seu notável trabalho desenvolvido, das quais destacamos as seguintes:

Medalha de Mérito Desportivo, atribuída pelo Governo Português;

Medalha de Bons Serviços Desportivos, atribuída pelo Governo Português;

Diploma da IAAF, hoje WA (World Athletics);

Homenagem pública na cerimónia dos 25 anos da Marcha Atlética Portuguesa (Santa Maria da Feira, 1999);

Um bem haja, Dr. Mário Paiva.

terça-feira, 5 de maio de 2020

Gennady Solodov, 1934-2020

Gennady Solodov em competição no Encontro URSS-EUA
em Moscovo-1963 e no uso da palavra. Fotos: Min. Desportos
da Chuváchia e arquivo de Mikhail Takuntsev.
Montagem: O Marchador
Gennady Stepanovich Solodov, antigo marchador olímpico da União Soviética, faleceu no passado dia 2 de maio aos 85 anos de idade.

Solodov, nascido a 6 de outubro de 1934 na cidade de Kurgan, na região de Chelyabinsk, integrou a poderosa seleção da URSS no período de 1959 a 1968, tendo participado nos Jogos Olímpicos de Roma (1960) e de Tóquio (1964), nestes últimos a obter o 5.º lugar nos 20 km.

Venceu em duas ocasiões, 1961 e 1963, ambas em Moscovo, os 20 km marcha do então tradicional encontro entre a União Soviética e os Estados Unidos da América, saiu vitorioso no Memorial Znamensky de 1961, com 1.28.16 na mesma distância, e teve ainda posições honrosas em vários eventos, tais como as Espartaquiadas e campeonatos nacionais, onde pautavam companheiros seus, como Veniamin Soldadenko e Vladimir Golubnichy, entre outros.

Residiu em Sochi desde 1976, mudando-se depois para Rudny, no Cazaquistão. Em 1999 foi viver para Cheboksary, capital da Chuváchia, onde desempenhou funções de treinador principal na escola de marcha atlética dessa república.

À família, amigos e comunidade russa de marcha, o blogue «O Marchador» expressa as suas condolências.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Minsk em 2022

Vadim Devyatovsky em entrevista à STV e grupo de marchadores
num evento em Minsk/2019. Fotos: BFLA e STV
Montagem: O Marchador
Em entrevista concedida à estação bielorrussa de televisão STV pelo presidente da Federação de Atletismo da Bielorrússia, Vadim Devyatovsky, este referiu que em recente conferência «online» com a World Athletics ficou decidido que o Campeonato do Mundo de Seleções de Marcha, que teria lugar no fim de semana passado (2/3 maio) e que entretanto foi adiado por força da situação do Covid-19, está agora remarcado para abril de 2022.

Devyatovsky adiantou que, quando ainda se encontrava em aberto a possibilidade de realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio, as inscrições preliminares para o evento de marcha em Minsk apontavam para um número recorde de participantes.

Será a primeira vez que teremos 4 anos a separar 2 edições deste importante evento mundial, sabendo-se que a mais recente foi disputada em 2018, em Taicang, na China.

Aguarda-se agora pela data concreta em anúncio da World Athletics.

domingo, 3 de maio de 2020

Evocando Carlos Mercenario no dia do seu aniversário

Carlos Mercenario a vencer os 20 km na Taça do Mundo de Nova
Iorque 1987, com recorde do mundo, e a obter a medalha de prata
nos 50 km dos Jogos Olímpicos de Barcelona 1992.
Fotos: Paperblog e fb de Carlos Mercenario
Montagem: O Marchador
Carlos Mercenario Carbajal, nascido na Cidade do México, é um dos grandes marchadores mundiais nas décadas de 80 e 90, e completa hoje 53 anos de idade, motivo pelo qual a equipa do blogue “O Marchador” lhe envia os parabéns!

Em 1986, Mercenario participava nos primeiros campeonatos mundiais de juniores, competição organizada pela primeira vez pela IAAF e que teve lugar em Atenas. Ele que estava habituado a treinar-se com os campeões olímpicos Daniel Bautista e Raúl González, para a distância de 20 km, percebeu que o ritmo para os 10.000 metros marcha era necessariamente outro e daí alguma frustração com o 7.º lugar alcançado.

No dia 3 de maio de 1987, em Nova Iorque (Central Park), perfazem hoje exatamente 33 anos, na segunda jornada da Taça do Mundo de Marcha, hoje com a designação de Campeonato do Mundo de Seleções de Marcha, o então jovem atleta azteca defrontava os melhores do mundo na distância dos 20 km e a sua estreia em eventos internacionais absolutos de primeira grandeza marcaria um momento inesquecível.

Mercenario ganhava a prova, à frente de dois atletas russos, estabelecendo um novo recorde mundial na distância dos 20 quilómetros marcha, com o tempo de 1:19:24, destronando o checo Josef Priblinec que fizera o tempo de 1:19:30, na Taça do Mundo de Marcha, que tivera lugar a 24 de setembro de 1983, em Bergen, na Noruega.

Para Carlos Mercenario era apenas o início de uma excelente carreira internacional que o levaria a vencer os 50 km das Taças do Mundo de Marcha de 1991, em San José, EUA, com um recorde pessoal de 3:42:03, e 1983, em Monterrey, México, e a conquistar a medalha de prata nos 50 km marcha dos Jogos Olímpicos de 1992, em Barcelona, na distância de 50 km, a “cereja no topo do bolo”, seguindo a tradição de grandes conquistas olímpicas do desporto mexicano através de marchadores como José Pedraza, Daniel Bautista, Ernesto Canto, Raúl González, Joel Sánchez e Bernardo Segura.

Retirado da alta competição em 2001, Carlos Mercenario tem exercido relevantes cargos desportivos na esfera governativa. Na família, a tradição continua através do seu filho, Carlos Emiliano Mercenario Arsof, que participou nos Mundiais Sub-18 de Nairobi, em 2017, e tem como sonho alcançar uma marca nos 20 km marcha que lhe permita chegar aos Jogos Olímpicos em 2021.

sábado, 2 de maio de 2020

3.000 m Marcha femininos em pista coberta (2020)

Ana Cabecinha, recordista nacional e líder indoor 2020. Foto: ADAL
Para Ana Cabecinha, do Clube Oriental de Pechão, bastou apenas uma prova para assumir a liderança destacada da temporada em recinto coberto, com a marca de 12.34.10 aos 3.000 metros, acumulando o título nacional absoluto individual (Pombal, 29/2).

Com um recorde pessoal, e nacional, de 14.17,93 obtido em 2015, a marca deste ano de Cabecinha supera a que havia registado em 2019, também na condição de líder, com 12.49,80.

A segunda posição é ocupada por Vitória Oliveira, do Sporting Clube de Braga, abaixo dos 13 minutos, com 12.57,44, e a terceira por Carolina Costa, sub-23 do Sporting Clube de Portugal, com 13.05,85, ambas com recordes pessoais e como resultado do confronto que as opôs na Final do Campeonato de Clubes de I Divisão (Braga, 22/2).

Em comparação com 2019, saíram beneficiadas as médias das marcas, quer das 3 primeiras, com 12.52,46 (13.09,17 em 2019), quer ainda das 10 primeiras (incluem 3  atletas da categoria sub-20), com 13.34,54, contra 13.40,64 no ano passado).

O setor feminino contou com um expressivo número de atletas a competir sobre 3.000 metros em pista coberta, 74, destas 31 já veteranas, a faixa etária mais expressiva (42%), em parte explicável por ser a distância do campeonato da ANAV.

10 melhores portuguesas em 2020
1.ª, Ana Cabecinha, 35 anos (CO Pechão), 12:34.10 - Pombal, 29/2
2.ª, Vitória Oliveira, 27 anos (SC Braga), 12:57.44 - Braga, 22/2
3.ª, Carolina Costa, 21 anos (CO Pechão), 13:05.85 - Braga, 22/2
4.ª, Mara Ribeiro, 24 anos (SL Benfica), 13:33.21 - Pombal, 1/2
5.ª, Joana Pontes, 19 anos (Leiria MA), 13:37.50 - Braga, 7/3
6.ª, Maria Bernardo, 20 anos (CO Pechão), 13.42.18 - Braga, 7/3
7.ª, Adriana Ornelas, 17 anos (ADR Água de Pena), 13:50.74 - Braga, 7/3
8.ª, Ana Monteiro, 21 anos (GD Estreito), 14:03.35 - Braga, 7/3
9.ª, Raquel Pimentel, 18 anos (CF Oliveira Douro), 14.07.70 - Pombal, 15/2
10.ª, Bruna Marques, 17 anos (CF Oliveira Douro), 14:13.98 - Braga, 7/3
(...)

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Inês Henriques faz hoje 40 anos

Inês Henriques. Foto: Miguel Silva/SOL Digital
Inês Henriques completa no dia de hoje 40 primaveras, efeméride pelo qual a equipa de “O Marchador” regista aqui a data e endereça-lhe os parabéns.

Figura de proa da marcha atlética portuguesa, Inês Henriques é uma das pioneiras na distância dos 50 km marcha, da qual regista o seu nome na lista de recordistas mundiais, estando no restrito grupo de portugueses que conquistaram a medalha de ouro em Europeus e Mundiais de Atletismo.

Representando o Clube de Natação de Rio Maior desde que, aos 12 anos de idade, iniciou-se no atletismo, orientada tecnicamente por Jorge Miguel, também o seu treinador de sempre, a atleta ribatejana participou nos Jogos Olímpicos de Atenas 2004, Londres 2012 e Rio de Janeiro 2016.

É a única das marchadoras portuguesas a vencer em todas as distâncias e escalões etários dos Nacionais de Marcha em estrada, primeiro nas provas de Infantis (1993) e Iniciados (1994 e 1995) do denominado “Torneio Nacional Marchador Jovem”, depois com a conquista dos títulos nacionais de Sub-18 (1996 e 1997), de Sub-20 (1998 e 1999), de Sub-23 (2000, 2001 e 2003) e absolutos de 20 km (2006, 2009, 2011, 2016 e 2018), de 35 km (2017 e 2018) e de 50 km (2017).

Anteontem cumpriu um desejo antecipando a comemoração do seu 40º aniversário (a proibição de circulação entre concelhos neste fim de semana, devido à pandemia da Covid-19, impediu-a de o realizar no dia de hoje) ao percorrer em corrida os cerca de 53 quilómetros que a separam da sua casa, em Vale do Medo (Rio Maior), até ao Santuário de Fátima (Ourém), em 4:22.56 horas. Na sua página do Facebook deixou a seguinte mensagem: “Quando começas a duvidar das tuas próprias capacidades, desafia-te e demonstra a ti mesmo que és capaz. Muito feliz e realizada por alcançar o meu objetivo de hoje! 16 anos depois, já não me lembrava das muitas subidas”.