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quarta-feira, 29 de maio de 2019

Luis Chocho homenageado pela Confederação Sul-americana de Atletismo

Luis Chocho ladeado por Helio Gesta de Melo e Manuel Bravo.
Foto: Federación Ecuatoriana de Atletismo

Luis Chocho Sanmartin, treinador equatoriano da disciplina de marcha, foi homenageado pela Confederação Sul-americana de Atletismo (CONSUDATLE) com o grau de “Maestro do Desporto”, por ocasião da realização da 51.ª edição dos Campeonatos Sul-americanos que decorreram no último fim de semana em Lima, no Perú.

É a primeira vez que um treinador da especialidade de marcha do subcontinente americano recebe o galardão que premeia uma vida dedicada ao desporto e, especialmente, naquela área específica do atletismo onde Chocho treinou atletas de primeira grandeza no panorama nacional e internacional e em que se destaca, sobretudo, a figura do campeão olímpico Jefferson Pérez.

Chocho, pai de Andrés (marchador internacional de alto nível e o atual campeão pan-americano dos 50 km marcha), nasceu a 15 de fevereiro de 1957, na localidade de Santa Isabel, mas desde cedo, com 11 anos de idade, acompanhou os seus pais a Cuenca onde aqui concluiu os seus estudos universitários. Pioneiro na especialidade no seu país, emprega o seu saber a ensinar centenas de jovens, pelo menos, desde o ano de 1979.

Quem conhece bem “Lucho”, como carinhosamente é tratado pelos seus amigos, vê nele um lutador e que nunca se dá por vencido. Muito disciplinado, segue com o seu projeto na Escola de Atletismo “Luis Chocho”, numa especialidade que no Equador tem sido sinónimo de sucesso ao mais alto nível mundial.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Campeã olímpica Hong Liu: perfil

Hong Liu foi a primeira na meta nos mundiais de Pequim,
em 2015. Foto: sportschau.de
O Rio de Janeiro trouxe à marchadora chinesa Hong Liu a consagração que lhe faltava: o título de campeã olímpica, depois de ter conquistado os ceptros de campeã do mundo (juniores e absoluto), da Ásia e da China, além de se ter alcandorado ao recorde mundial dos 20 km marcha, que detém, com 1.24.38 h (Corunha, 6/6/2015).

Nascida numa família de camponeses em Maio de 1987, no distrito de Anfu (província de Jiangxi, região montanhosa do leste da China), Hong Liu começou a dar nas vistas quando em 2003, apenas um ano depois de se iniciar na prática da marcha atlética, alcançou os primeiros resultados significativos, com realce para os 22.36,6 m nos 5000 metros marcha dos Campeonatos da China de Atletismo para juvenis (sub-18), em Yangzhu, onde foi terceira classificada.

Dois anos depois, nos nacionais de juniores de 2005, em Nanning, conquistaria o primeiro título de campeã nacional (20 km, 1.32.20), melhorando o desempenho no ano seguinte com as estreias internacionais. Primeiro, na Taça do Mundo da Corunha (6.ª nos 20 km femininos, 1.28.59); depois, nos mundiais de juniores de Pequim, onde venceu os 10 mil metros marcha femininos, com 45.12,84 m; por fim, triunfando nos 20 km femininos dos Jogos Asiáticos de Doha (Catar), com 1.32.19 h.

Já como sénior, Hong Liu registou a estreia olímpica nos Jogos de Pequim de 2008, com um quarto lugar (1.27.17), que repetiria em Londres-2012 (1.26.00), ainda que neste último caso tenha acabado por aceder ao terceiro posto, após a desclassificação da russa Olga Kaniskina, segunda na meta mas apanhada nas malhas da luta contra a dopagem, conforme anunciado pelo Tribunal Arbitral do Desporto de Lausana em Março de 2016.

O ano de 2009 conheceu uma Liu medalhada pela primeira vez numa grande competição internacional ao mais alto nível, terminando na terceira posição nos 20 km femininos dos mundiais de Berlim. De novo por posterior desclassificação de Kaniskina (que fora a primeira na meta), Liu subiu ao segundo lugar, numa prova em que o título de campeã e a medalha de ouro acabaram por ser entregues à irlandesa Olive Loughnane.

No final desse ano, Hong Liu passou a ser orientada pelo técnico Sandro Damilano, que dirige o centro de treino de marchadores de Saluzzo, em Itália, onde Liu veio mais tarde a instalar-se e a ter entre os colegas a consagrada marchadora italiana Elisa Rigaudo, com quem tinha disputado as medalhas nos Jogos de Pequim.

O primeiro título mundial absoluto surgiu em Daegu (Coreia do Sul), cidade que acolheu os Campeonatos do Mundo de Atletismo de 2011, de cujos 20 km marcha femininos Liu saiu vencedora, com 1.30.00 h (Kaniskina, de início com 1.29.42, viria mais tarde a ser desclassificada por dopagem). Voltaria a ganhar quatro anos depois, nos mundiais de Pequim, onde foi, aí sim, a primeira na meta, com o mesmo tempo que a compatriota Xiuzhi Lu (1.27.45).

O título olímpico averbado no Rio de Janeiro veio apenas confirmar Hong Liu como a mais credenciada marchadora mundial da actualidade.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Campeão olímpico Matej Tóth: perfil


Matej Tóth, campeão olímpico dos 50 km marcha.
Foto: EPA
O eslovaco Matej Tóth assinou nos 50 km marcha dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro aquele que é o mais importante registo da sua carreira competitiva. Ao mesmo tempo tornou-se o primeiro eslovaco campeão olímpico no atletismo desde 1993 (ano do reconhecimento do Comité Olímpico Eslovaco, que antes de 19 de Agosto de 2016 tinha oito títulos olímpicos, mas apenas em canoagem). Em toda a história olímpica moderna e tendo em conta que a Eslováquia integrou o Império Austro-húngaro ate à I Guerra Mundial e depois a Checoslováquia até 1992, Matej Tóth é o segundo eslovaco campeão olímpico no atletismo, precedido por outro fabuloso marchador, Jozef Pribilinec, campeão dos 20 km marcha nos Jogos de Seul, em 1988, então representando a Checoslováquia.

À partida para a prova no Rio de Janeiro, Tóth era um dos indiscutíveis favoritos. Como mais alguns (poucos) outros, era um dos nomes em quem facilmente se apostaria para a conquista do título de campeão na distância mais longa do programa olímpico do atletismo. Outros poderiam ter ganho, mas a maior figura do atletismo eslovaco da actualidade a todos se impôs na fase decisiva da prova. E dessa forma se apoderou do ceptro de campeão olímpico dos 50 km.

Nascido a 10 de Fevereiro de 1983, Matej Tóth teve o primeiro grande sucesso a nível mundial quando, em 2010, na cidade mexicana de Chihuahua, venceu a prova de 50 km da Taça do Mundo de Marcha. Um ano depois, na Taça da Europa de Marcha de Olhão (Portugal), repetiria a dose mas na distância mais curta (20 km). Nessa distância continuaria a frequentar o pódio nas edições seguintes da Taça da Europa – 3.º e Dudince-2013 e 2.º em Múrcia-2015 –, tendo neste último ano alcançado o título mundial dos 50 km nos Campeonatos do Mundo de Atletismo realizados em Pequim.

Pelo meio, nos europeus de Zurique de 2014, foi segundo nos 50 km, com 3.36.21 h, marca que teria bastado e sobrado para vencer todas as anteriores edições dos campeonatos europeus da distância ou ainda quase todas as edições dos mundiais e dos Jogos Olímpicos, mas que naqueles campeonatos da Europa foi insuficiente para superar o francês Yohann Diniz, que bateu o recorde mundial com impressionantes 3.32.33 h.

Matej Tóth iniciou-se na prática da marcha atlética aos 13 anos, na cidade natal de Banská Bystrica, terra de mineiros. As primeiras provas, no âmbito escolar, despertaram no jovem atleta o desejo de participar um dia nos Jogos Olímpicos, sonho que viria a concretizar-se em 2004, ano em que nos Jogos de Atenas participou nos 20 km, terminando no 32.º lugar.

Durante anos, Tóth teve presença discreta nas competições internacionais em que tomou parte, poucas vezes acabando próximo do pódio, sobretudo em competições absolutas (isto é, fora do âmbito universitário ou dos campeonatos de juvenis e juniores). A primeira excepção aconteceu nos europeus de Gotemburgo de 2006, com o sexto lugar nos 20 km. Depois, foi preciso esperar três anos pelos mundiais de Berlim de 2009 para voltar aos dez primeiros (8.º nos 20 km e 9.º nos 50 km). Por fim, em 2010, a vitória em Chihuahua confirmou a classe mundial do marchador eslovaco.

Matej Tóth tem nas distâncias olímpicas recordes pessoais estabelecidos no mais renomado torneio de marcha do seu país, o Grande Prémio de Dudince. Nos 20 km, 1.19.48 h (22/3/2014); nos 50 km, 3.34.38 h (21/3/2015).

Jornalista por formação académica, Matej Tóth precisou de grande paciência e de frieza táctica para ser campeão olímpico no Rio de Janeiro. Soube esperar que os mais imprudentes fraquejassem e teve a coragem para resistir e na fase mais difícil desferir o ataque decisivo. É desta fibra que se faz um campeão. Esperemos pelos próximos episódios.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Campeão olímpico Zhen Wang: perfil

Zhen Wang, campeão olímpico dos 20 km marcha.
Foto: AIFA
Os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro já proporcionaram um título olímpico na marcha atlética, no caso ao vencedor dos 20 km masculinos, Zhen Wang, da República Popular da China. Com 1,77 m de altura e 63 kg de peso, Zhen cumpre 25 anos de idade no próximo dia 24, tendo nascido em Suihua, que, com cinco milhões e 500 mil habitantes, é o segundo distrito mais populoso da província Heilongjiang, a província mais a norte da China, separada da Rússia pelo rio Amur (designado na China por rio do Dragão Negro).

Zhen Wang iniciou-se na prática da marcha quando ainda frequentava o ensino básico e começou a notabilizar-se ao mais alto nível desportivo quando, aos 16 anos, treinado pelo consagrado ex-marchador Liu Yunfeng, venceu o campeonato chinês de juniores de 30 km marcha, distância que cumpriu em 2.08.46 h. A estreia na distância longa (50 km) ocorreria em 2009, ainda antes de completar 18 anos, obtendo nos Jogos Nacionais da China o sexto lugar, com a marca de 3.53.00 h. Até à actualidade, não mais voltou a competir sobre essa distância.

Mas o mais significativo desempenho no escalão de juniores ocorreria numa fase bastante adiantada da época de 2009/2010, quando na final do Challenge Mundial de Marcha da AIFA (em Pequim, a 18 de Setembro de 2010) iria registar nos 10 km 37.44 m, marca que constituiu e se mantém como recorde mundial de juniores na distância em estrada. Tinha então 19 anos e 25 dias.

Já entrado no escalão de seniores, Zhen alcançaria em Daegu (Coreia do Sul) a medalha de prata dos 20 km masculinos, superado apenas pelo colombiano Luis López. De início, a vitória foi atribuída ao russo Valeriy Borchin, que foi consagrado no pódio com a medalha de ouro, mas acabaria três anos e meio depois por ter de devolver a medalha por desclassificação devido a dopagem, sendo a classificação corrigida.

Zhen Wang repetiria o segundo lugar nos mundiais de 2015 (Pequim), perdendo desta feita para o espanhol Miguel Ángel López. Entre estas duas competições ficaram algumas das provas mais relevantes do marchador chinês. Desde logo o magnífico recorde pessoal nos 20 km, estabelecido em Taicang a 30 de Março de 2012, durante a etapa chinesa do Challenge Mundial de Marcha, e cifrado em 1.17.36 h, marca que constitui também recorde da China e da Ásia. Por sinal, a mesma jornada em que a compatriota Liu Hong também estabeleceu os máximos pessoal, chinês e asiático dos 20 km femininos, com 1.25.46 h (recordes que já não vigoram).

Mas também a vitória na Taça do Mundo de Marcha de Saransk, em 2012 (1.19.13), e ainda o terceiro lugar nos Jogos Olímpicos de Londres, igualmente em 2012 (1.19.25), a que se junta, mais recentemente, a vitória nos 20 km dos Mundiais de Marcha por Selecções, em Roma, a 7 de Maio deste ano, com 1.19.22 h.

A consagração individual com a primeira medalha de ouro numa competição mundial absoluta sem ser por equipas surgiu agora no Rio de Janeiro, confirmando (se tal ainda fosse necessário) Zhen Wang como uma das figuras de topo da marcha atlética mundial, treinado desde finais de 2011 pelo credenciado técnico italiano Sandro Damilano.

À semelhança do que acontece com outras grandes figuras de diferentes especialidades do atletismo, Zhen Wang é representado pelo agente holandês Jos Hermens, antigo corredor olímpico de 10 mil metros.