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domingo, 11 de agosto de 2019

José Pinto nos Jogos Olímpicos de Los Angeles

José Pinto nos Jogos Olímpicos de Los Angeles
Recordando: há 35 anos, José Pinto nos 50 km dos Jogos Olímpicos de Los Angeles

Completam-se hoje 35 anos sobre o dia em que José Pinto participou na prova dos 50 km marcha dos Jogos Olímpicos de 1984, realizados em Los Angeles (EUA), sendo ainda nos dias de hoje o atleta masculino na referida disciplina a ter obtido o melhor resultado no maior evento desportivo à escala mundial.

Proveniente da famosa escola de marcha atlética do Sport Lisboa e Benfica, dinamizada por Francisco Assis na década de 70 do século passado, José Luís França Abranches Pinto passou a representar o Clube de Futebol “Os Belenenses” numa estratégia que visava disseminar a especialidade por vários clubes da capital.

Foi a primeira figura da marcha portuguesa a conquistar destaque internacional. Foi o primeiro marchador português a obter mínimos para uma grande competição internacional, no caso os Campeonatos Europeus de Atenas, em 1982, e foi ele o primeiro campeão nacional dos 50 km e recordista na distância durante 21 anos.

“Isto, realmente, correu-me bem. Calcule que até os campeões, os primeiros, vieram falar comigo e dar-me os parabéns. Nunca me tinha acontecido.” Foi esta a impressão que mais marcou José Pinto após a prova de 50 km dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, a 11 de agosto de 1984.

O marchador do Belenenses fora 8.º classificado e recebera os cumprimentos dos adversários, entre os quais algumas das melhores figuras mundiais da modalidade. Dias antes, a 5 de Agosto, Pinto tinha-se tornado o primeiro marchador português a participar em provas de marcha de Jogos Olímpicos, terminando em 26.º nos 20 km. Não se adaptara ao calor, mas isso serviu-lhe de lição para a prova mais longa. E assim ganhou o respeito da elite mundial da marcha.

Terminados os Jogos, José Pinto voltava à vida do costume: erguer cedo para o treino matinal da madrugada lisboeta, ida para o trabalho em Alhandra e regresso ao fim da tarde para o segundo treino, nas imediações do Estádio do Restelo. Com esta massa se fez um campeão.

sábado, 10 de agosto de 2019

Os Campeonatos de Lisboa nos anos 80 – III

Samuel Gines, Miguel Prieto, Carlos Montes e José Dias.
Foto: arquivo O Marchador
1985. Em Belém. Na Praça do Império, mesmo em frente ao Mosteiro dos Jerónimos, num circuito com um perímetro de mil metros, teve lugar a terceira edição dos Campeonatos de Lisboa de Marcha Atlética “Troféu Aires Denis”, justíssima homenagem ao “pai” da marcha atlética portuguesa, evento que contou com a presença estrangeira recorde de nove atletas espanhóis e um italiano.

José Pinto, o nome mais ilustre da marcha atlética portuguesa naquela década, venceu a prova dos 30 km com um novo recorde nacional de 2:14:32. Meses antes, nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, conseguira a proeza de se classificar no 8.º lugar da prova dos 50 km marcha, a menos de um minuto de Jorge Llopart que em 1980, nos Jogos de Moscovo, fora vice-campeão olímpico.

Pinto foi o primeiro marchador português a obter mínimos para grandes competições internacionais de atletismo: os Europeus de Atenas, em 1982, os, Mundiais de Helsínquia, em 1983, e os Jogos Olímpicos, em 1984. Seria, nesse ano, homenageado pela Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, quando da realização do seu excelente Grande Prémio, e eleito pelo Clube Português de Marcha Atlética “O Marchador do Ano”, prémio que receberia no decorrer da festa anual da especialidade.

Ainda na prova dos 30 km masculinos, que contou com uma participação recorde de 19 atletas, os madrilenos Samuel Gines, Miguel Prieto e Carlos Montes, por esta ordem, classificar-se-iam a seguir a Pinto, enquanto, no top-10, juntar-se-iam os portugueses José Dias, José Tavares e António Rosa, o espanhol Josep Vinuesa, outro português, José Gonçalves, e o italiano Piergiorgio Andreotti, que aqui saudamos, vendo-o, ainda hoje, com toda a vitalidade, a participar em europeus e mundiais de veteranos. Na prova feminina (5 km), Paula Gracioso prosseguia, ano após ano, o seu domínio avassalador no panorama nacional, vencendo uma vez mais, numa época em que bateu vários recordes nacionais.

Ainda nesse evento, o registo de na prova dos 15 km juniores masculinos, os dois primeiros terem sido os espanhóis Olegário Regidor (1:08:38) e José Rodriguez (1:10:06) e a curiosidade de na prova destinada ao escalão de juvenis, ganha pelo benfiquista Paulo Pires, ter participado o que é hoje o presidente da Junta de Freguesia de Marvila (Lisboa), José António Videira.

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Os Campeonatos de Lisboa nos anos 80 – II

José Pinto (centro), com Aires Denis (esq.) e Mário Paiva.
Foto: arquivo O Marchador
1984. Na segunda edição dos campeonatos lisboetas de marcha atlética “Troféu Aires Denis”, realizada na Praça do Império, em Belém, o “olímpico” José Pinto, do Belenenses, que seria homenageado nesse ano pelo Grupo dos Mil do seu clube, registaria a melhor marca portuguesa de sempre nos 30 km marcha (2:15:40), ganhando oito minutos e 50 segundos ao espanhol Samuel Gines, segundo classificado e então quarto melhor atleta do país vizinho, que fora especialmente convidado para esta edição, enriquecida ainda com a presença de outro atleta espanhol, o júnior Juan de Lucas, segundo classificado.

O pódio da principal distância masculina ficou completo com Francisco Reis, atleta da compacta e histórica agremiação do Clube de Futebol Santa Iria, que veria ainda dois dos seus atletas, José Tavares e Paulo Alves, classificarem-se nas posições 5 e 6, respetivamente. O programa masculino incluiu a prova de 5 km para juvenis, ganha por Paulo Santos, e de 15 km para juniores, vencida por Jorge Esteves, ambos vindo a representar, nos anos seguintes, a seleção portuguesa em europeus e mundiais de juniores. O visiense Carlos Albano, grande pioneiro, não faltou à chamada, sendo o quarto classificado, numa prova em que também se classificaram José Gonçalves e José Dias, com 13 atletas alinhados à partida.

Na prova feminina, de 10 km, a júnior Paula Gracioso, do Olivais Sul, a mais destacada marchadora portuguesa daqueles tempos, haveria de bater a melhor marca absoluta feminina na distância em Portugal. Nas restantes provas do programa dos campeonatos da capital registar-se-iam triunfos de Ana Bela Aires, no escalão juvenil, e de Ana Batuca, no escalão sénior, ambas em representação da Associação Desportiva de Oeiras, clube que, a par do Centro de Cultura e Desporto de Olivais Sul, predominava na especialidade feminina em Portugal.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Os Campeonatos de Lisboa nos anos 80 – I

Josep Vinuesa (esq.), Eduardo Amoros (16), Francisco Reis
(65) e Hélder Oliveira (atrás), nos Campeonatos de Lisboa
de Marcha de 1983. Foto: arquivo O Marchador
1983. Já lá vão 36 anos. A 30 de janeiro daquele ano, a Associação de Atletismo de Lisboa, por proposta da então Comissão Regional de Marcha, organizou os primeiros Campeonatos de Lisboa (estrada), disputados na distância de 30 km (apenas na vertente masculina), associando-se ao programa outras provas para diferentes escalões etários e em ambos os sexos. À competição, levada a efeito, nos seus três primeiros anos, na zona de Belém, foi dado o nome de “Troféu Aires Denis”, em homenagem a um dos pioneiros e dinamizadores da especialidade em Portugal, nascida na época de 1974/1975. Aires Denis, que durante alguns anos integrou a Direção da AAL, realizou um notável trabalho de desenvolvimento da marcha atlética, não só pela região de Lisboa e arredores, mas levando a mensagem um pouco por todo o país, numa primeira fase, ajudado pelo seu colega francês Raymond Ysmal, que o contagiara com a paixão pela marcha.

José Pinto, atleta do Clube de Futebol “Os Belenenses”, o maior expoente da disciplina no nosso país nas primeiras décadas da disciplina - o primeiro marchador português a representar o país em grandes eventos internacionais, em 1982, nos Europeus de Atenas (20 km), em 1983, nos Mundiais de Helsínquia (20 e 50 km), e em 1984, nos Jogos Olímpicos de Los Angeles (20 e 50 km) -, venceu a competição que para ele representou um bom teste para os primeiros 50 km marcha realizados em Portugal e que viriam a ter lugar em Alenquer, em junho desse ano.

A apadrinhar o evento lisboeta, que teve lugar em Belém, onde agora se situa o Museu da Fundação EDP (MAAT) e que contou com o apoio e incentivo de Mário Paiva (à data presidente da AAL), estiveram entre nós dois especialistas espanhóis da região da Catalunha, onde residia a força da marcha atlética no país vizinho: Eduardo Amoros e Josep Vinuesa, ambos terminando, depois de José Pinto, os dois registando o mesmo tempo. Hélder Oliveira, José Domingues e José Dias (por esta ordem), concluíram a prova, na qual também alinharam Jorge Esteves, Manuel Piteira, Paulo Machado, José Cândida, Francisco Reis, Raúl Francisco e Francisco Alves.

Para Vinuesa, uma palavra muito especial de reconhecimento e agradecimento pelo que fez pela marcha atlética portuguesa, incentivando à sua cimentação naqueles tão difíceis anos de implantação e fazendo disso eco por essa Europa fora através do seu excelente boletim mensal “Marcha Española”, riquíssimo em notícias sobre acontecimentos relacionados com a especialidade no mundo inteiro e numa era onde a Internet ainda estava longe de ser real. Um forte abraço!