quinta-feira, 2 de julho de 2020

Ivan Pushkin celebrou 90 anos

Ivan Pushkin. Fotos: Emmanuel Tardi e Fakty
Montagem: O Marchador
Ivan Alekseevich Pushkin, marchador ucraniano master, completou 90 anos de idade no passado dia 30 de junho.

Ivan tem um curioso percurso na marcha atlética, disciplina que iniciou a prática apenas aos 81 anos. Foi graças à filha Victoria que, vendo o pai, reformado de uma longa carreira militar e aborrecido em casa, ouviu na rádio existirem treinos da marcha para todas as idades no parque de Kiev.

Primeiro, levado pela curiosidade e vontade de conviver, Ivan integrou-se num grupo e começou a aprender a marchar. Decorrido um mês participava na sua primeira prova e depois foi sempre a ganhar o gosto. Seguiu-se a participação em vários eventos nacionais e internacionais masters, nestes em Campeonatos do Mundo e da Europa, onde completou todas as distâncias das provas, mesmo a mais longa de 30 km, e sempre a conquistar medalhas.

Das provas mais difíceis que disputou destaca o Campeonato do Mundo em Porto Alegre, no Brasil, onde participou nos 5, 10 e 20 quilómetros, esta última distância debaixo de chuva torrencial, tendo sido o único atleta da sua faixa etária a terminar a prova. Acumulou nesses campeonatos três medalhas de ouro para Ucrânia.

Em 2018 foi eleito pela EMA - European Masters Athletics como o melhor atleta do ano na disciplina da marcha atlética por ter ganho todas as provas de âmbito europeu e mundial na categoria M85, sendo ainda recordista do mundo dos 10 km com marca de 1.13.52, obtida em Lyon, França, em 2015 .

Ao longo da sua curta carreira para idade participou em 20 Campeonatos do Mundo e da Europa, com uma coleção de 39 medalhas: 29 de ouro, 8 de prata e 2 de bronze.

Поздоровлення від чистого серця, Ivan!

Colaboração: Kristina Saltanovic

quarta-feira, 1 de julho de 2020

No aniversário de Jefferson Pérez

Jefferson Pérez. Foto: Manuel Quizhpe/EL COMERCIO. Caricatura: La Mula
Montagem: O Marchador
Jefferson Pérez nasceu em Cuenca, no Equador, no dia 1 de julho de 1974, completando no dia de hoje 46 anos de idade, motivo pelo qual a equipa deste blogue saúda-o, enviando-lhe os PARABÉNS!

Considerado um dos melhores tecnicistas do mundo na marcha, senão o melhor, Jeferson Pérez iniciou-se na prática da especialidade aos 12 anos de idade, na sua terra natal, localizada a cerca de 2600 metros acima do nível do mar, inspirado nos feitos do seu compatriota Rolando Vera que na década de 80 era o melhor fundista sul-americano.

Em 1989, com apenas 14 anos de idade, foi campeão sul-americano no escalão Sub-20 e no ano seguinte surpreendeu com o terceiro lugar do pódio nos Campeonatos Mundiais Sub-20 que tiveram lugar em Plovdiv, na Bulgária, alcançando em 1992, em Seul, na Coreia do Sul, o título mundial na categoria.

Com vários títulos mundiais no seu currículo, foi nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, que alcançou a glória vencendo os 20 km marcha e tornando-se o mais jovem atleta (22 anos) a sagrar-se campeão olímpico, feito único na história do desporto equatoriano. Ao chegar ao seu país cumpriu a promessa de fazer uma caminhada de 459 quilómetros, entre Quito, capital do país e Cuenca, atravessando localidades situadas entre os 2.500 metros e os 4.800 metros de altitude.

Formado em Administração de Empresas e Engenharia, Jefferson Pérez, Herói Nacional do Equador, dá o seu nome a dezenas de escolas, ruas, avenidas e instalações desportivas do país. Lembrando às gerações de jovens do seu país o dia da conquista da medalha de ouro em Atlanta, o Governo do seu país celebra a 26 de julho de cada ano, o Dia do Desporto Equatoriano.

Muchas felicidades, Jefferson!

terça-feira, 30 de junho de 2020

«Road to Tokyo» lançado pela World Athletics

Imagens: World Athletics. Montagem: O Marchador
A World Athletics criou recentemente uma ferramenta que possibilita aos atletas com pretensões a participar nos próximos Jogos Olímpicos, reagendados para o período de 23 de julho a 8 de agosto de 2021, saber qual a sua situação concreta, no plano classificativo, sendo certo que na disciplina da marcha poderão estar presentes 60 atletas em cada uma das três provas do evento: 20 e 50 km masculinos e 20 km femininos.

O sistema implementado de forma online [aqui] e designado de  “Road to Tokyo” permite que se conheça em tempo real o processo de seleção, bastando para tal procurar-se na dita ferramenta a disciplina que se pretende, o país, o estatuto, aqui podendo ver-se os que já obtiveram os mínimos olímpicos (qualificação direta), os que estão colocados nos primeiros sessenta do ranking mundial (já descontando os países com mais de três atletas por disciplina), num processo que se iniciou em janeiro de 2019, interrompido a 6 de abril deste ano e que recomeçará a 1 de dezembro próximo, e os que estão próximos do acesso aos Jogos, através do ranking.

Relativamente às provas de marcha, é de notar que há algumas especificidades a ter em conta para a validação de resultados para o referido ranking, nomeadamente, a obrigatoriedade de contarem com a presença de, pelo menos, três juízes internacionais (WA ou de Área) com o número de pontos a atribuir a depender da categoria do evento e da distância e que pode vir a revelar-se um fator importante.

No setor feminino, além dos 20 km contam ainda provas de 5 e 10 km, enquanto no setor masculino, na seleção para os 20 km, contabilizam-se ainda as de 10 e 15 km, e para os 50 km, além destes, incluem-se, para o efeito, as distâncias de 20, 30 e 35 km.

Dos atletas portugueses na disciplina da marcha (Inês Henriques, obviamente candidata aos JO, focará os seus objetivos nos 20 km), a situação atual é a seguinte, tendo em conta os dados fornecidos pela World Athletics:

Qualificação direta:

João Vieira – 50 km - 3:46:38, Alytus, 19-05-2019 (mínimos: 3:50:00).

Em lugar de apuramento, pelo sistema de quotas (3 por país):

Ana Cabecinha – 20 km: 33.ª (1173 pontos).

Próximo do acesso, pelo sistema de quotas (3 por país):

Pedro Isidro – 50 km: 69.º (1026 pontos).

A lista final será conhecida a 2 de junho de 2021, para os 50 km marcha masculinos, e a 1 de julho de 2021, para os 20 km marcha masculinos e femininos.

Se agora terminasse o processo de qualificação (mínimos e/ou lugar no ranking) para Tóquio, cinco países teriam o número máximo de atletas (9) nas três provas: Itália, Japão, China, Espanha e Ucrânia. A Europa estaria representada por 22 países, a América por 11, a Ásia por 5, a África por 4 e a Oceania por 2.

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Madarász e Köpp vencem em Banská Bystrica, Eslováquia

Os pódios das principais provas de 10 km e a frente feminina.
Fotos: IG Viktória Madarász e FB Dusan Genov
Montagem: O Marchador
No retorno competitivo da marcha atlética na República da Eslováquia, foram forasteiras as vitórias nas principais provas de 10 km da quarta edição do Meeting Internacional da disciplina em Banská Bystrica, evento realizado no passado sábado (27/6), com a participação de atletas nacionais e oriundos da Alemanha, Hungria, Lituânia e República Checa.

Nos femininos, a húngara Viktória Madarász, do Újpesti Torna Egylet, que assumiu a liderança isolada cerca dos 3 km de prova, venceu com a marca de 46.52, cortando a meta 10 segundos antes da segunda classificada, a eslovaca Mária Katerinka Czaková (47.02), do clube organizador, o ŠK Dukla oz Banská Bystrica. A terceira posição foi alcançada pela checa Tereza Durdiaková, com 47.58. A primeira atleta sub-20, foi a também checa Eliška Martíková, com 49.32, quarta na classificação geral.

Nos masculinos, o alemão Leo Köpp, do LG Nord Berlin, com 41.11, impôs-se na parte final da prova ao vencedor em 2018 e 2019, o eslovaco Miroslav Úradník, do ŠK Dukla oz Banská Bystrica, que obteve mais 5 segundos (41.16). Fechou o pódio o checo do A. C. TEPO Kladno A, Vít Hlaváč, com 42.22, significativamente melhor do que obtivera (43.22) ao vencer há uma semana em Milovice. Nas categorias sub-20 e sub-18, vitórias e recordes pessoais para o eslovaco Daniel Kováč, com 43.47, e para o checo Jaroslav Morávek, com 44.51.

Como notas finais, os desempenhos de Tiziana Spiller (Budapest Honvéd), com 24.42, e Karin Devaldová, 2003 (AK Slavia TU Košice), com 24.53, ambas nos 5 km sub-18 femininos, de Jakub Bátovský (ŠK BCF Dukla Banská Bystrica), com 13.56 nos 3 km sub-16 masculinos, e de Lukáš Rosenbaum (ŠK BCF Dukla Banská Bystrica), com 4.20, e Petra Kusá (Athletic club ZTS Martin), com 4.34, nas provas de 1 km masculina e feminina respetivamente.

Os resultados completos do evento podem ser consultados aqui.

Principais classificações
10 km masculinos - absolutos
1.º, Leo Köpp, 1998 (LG Nord Berlin), 41.11
2.º, Miroslav Úradník, 1996 (ŠK Dukla oz Banská Bystrica), 41.16
3.º, Vít Hlaváč, 1997 (A. C. TEPO Kladno A), 42.22
4.º, Miklós Srp, 1993 (Budapest Honvéd), 43.27
5.º, Daniel Kováč, 2001 (ŠK ŠOG Nitra), 43.47 - 1.º, sub-20
6.º, Norbert Tóth, 2001 (Hunyadi DSE), 44.50 - 2.º, sub-20
7.º, Jaroslav Morávek, 2003 (SMOLA CHŮZE Praha), 44.51 - 1.º, sub-18
8.º, Patrik Nemčok, 2003 (ŠK BCF Dukla Banská Bystrica), 46.18 - 2.º, sub-18
9.º, Francesco-Marco Tommasino, 1993 (LG Nord Berlin), 46.42
10.º, Tomáš Mencel, 2004 (Athletic club ZTS Martin), 48.50 - 3.º, sub-18
11.º, Michal Duda, 2004 (ŠK BCF Dukla Banská Bystrica), 49.10 - 4.º, sub-18
12.º, Adam Nosal, 2004 (Athletic club ZTS Martin), 51.56 - 5.º, sub-18
13.º, Vence Gál, 2001 (Miskolci Sports School Hungary), 54.41 - 3.º, sub-20
14.º, Leon Bank, 2003 (Miskolci Sports School Hungary), 54.56 - 6.º, sub-18
15.º, Tamás Konczvald, 2004 (Miskolci Sports School Hungary), 56.02 - 7.º, sub-18
16.º, Dávid Varga, 2001 (Miskolci Sports School Hungary), 56.04 - 4.º, sub-20
17.º, Benjamin Soltész, 2000 (Hunyadi DSE), 57.03
18.º, Richard Pastorek, 2004 (ŠK BCF Dukla Banská Bystrica), 58.04 - 8.º, sub-18
19.º, Brook Simons, 2004 (ŠK BCF Dukla Banská Bystrica), 1.01.20 - 9.º, sub-18
20.º, Nyerges Balázs, 2001 (Hunyadi DSE), 1.03.01 - 5.º, sub-20
Desclassificado: Levente Gonda, 2003 (Budapest Honvéd) - sub-18.

10 km femininos - absolutos
1.ª, Viktória Madarász, 1985 (UTE - Újpesti Torna Egylet), 46.52
2.ª, Mária Czaková, 1988 (ŠK Dukla oz Banská Bystrica), 47.02
3.ª, Tereza Durdiaková, 1991 (AK Olymp Brno), 47.58
4.ª, Eliška Martíková, 2002 (AC Turnov), 49.32 - 1.ª, sub-20
5.ª, Alžbeta Ragasová, 2002 (AK Spartak Dubnica nad Vahom), 49.51 - 2.ª, sub-20
6.ª, Rita Récsei, 1996 (Budapest Honvéd), 50.42
7.ª, Hana Burzalova, 2000 (AK Spartak Dubnica nad Vahom), 51.27
8.ª, Austéja Kavaliauskaité, 2000 (INTERWALK Sports Club), 53.52
9.ª, Dóra Csörgő, 2001 (Hunyadi DSE), 54.12 - 3.ª, sub-20
10.ª, Jana Zikmundova, 2002 (AC Turnov), 54.22 - 4.ª, sub-20
11.ª, Anna Jezsoviczki, 2002 (Hunyadi DSE), 1.05.52 - 5.ª, sub-20

domingo, 28 de junho de 2020

Brundage, a marcha e as dores de parto

Avery Brundage. Foto do busto: Asian Art Museum
Montagem: O Marchador
Os defensores de causas empenham-se com frequência na luta por ideais a partir de casos concretos em que os seus princípios são postos em causa. É uma dessas situações que está a ser vivida nos Estados Unidos, daí irradiando para cidades em vários países a propósito da morte de George Floyd, em Mineápolis. A onda de indignação contra o assassínio de Floyd por agentes da polícia daquela cidade ganhou expressão mundial e esteve na origem de acções de protesto contra o racismo que incluíram manifestações de rua, declarações nas redes sociais e deliberações institucionais.

Uma das repercussões da onda de protestos foi a decisão tomada pelo Museu de Arte Oriental de São Francisco (EUA) de retirar o busto do patrono do museu, Avery Brundage, do átrio de entrada no edifício. Brundage, que presidiu o Comité Olímpico Internacional (COI) durante 20 anos a partir de 1952, era um industrial abastado de Chicago, reconhecido também pela faceta de coleccionador de arte oriental. A colecção que reuniu era composta por mais de seis mil peças, que acabaram doadas à cidade de São Francisco para criação de um museu temático.

Mas Avery Brundage tinha sido também um praticante de desporto, dedicado sobretudo ao atletismo, tendo participado nos Jogos Olímpicos de Estocolmo, em 1912, nas competições de pentatlo e decatlo.

O interesse de Brundage pelas provas combinadas manteve-se por vários anos, tendo sido campeão nacional dos EUA de «all-round» em 1914, 1916 e 1918. A composição do «all-round» quase se confundia com a do decatlo, mas na verdade tinha algumas diferenças: as dez provas era disputadas de seguida num único dia, com intervalos de cinco minutos entre cada uma, e o programa incluía, por exemplo, concurso de martelão e uma prova de marcha de meia milha (aproximadamente 805 metros). Tão difícil era esta competição (sobretudo para os atletas mais jovens) que a federação de atletismo dos Estados Unidos decidiu reconfigurá-la para o conjunto de provas que na actualidade compõem o decatlo.

A propósito dos desempenhos de Avery Brundage nas provas de marcha daqueles «decatlos» em que participou, vale a pena recordar o que terá afirmado em dada ocasião: «A marcha é o mais próximo que um homem pode experimentar em relação às dores de parto.»

A declaração seria, certamente, um exagero que para ser compreendido obrigaria a conhecer o contexto em que foi produzida, mas esta não deixa de ser uma afirmação clara da impressão que a marcha atlética causava no homem que liderou os destinos dos atletas dos Estados Unidos enquanto presidente da federação de atletismo e do comité olímpico dos EUA durante um quarto de século (além dos 20 anos, depois, a dirigir o COI).

Personalidade controversa, Avery Brundage morreu na Alemanha em 1975, deixando a memória de simpatias pelo nazismo, de convicções anti-semitas e de atitudes racistas. Foi por sua decisão (mas não actuando sozinho) que Tommie Smith e John Carlos foram expulsos da Aldeia Olímpica dos Jogos do México de 1968 e da missão olímpica dos EUA após a manifestação de solidariedade com o Black Power que protagonizaram durante a cerimónia protocolar dos 200 metros (atletismo).

As dúvidas sobre a nobreza das convicções políticas de Avery Brundage têm agora nova expressão com a decisão tomada pela direção do museu de São Francisco.

sábado, 27 de junho de 2020

European Athletics organizou Webinar para Oficiais Internacionais

Imagens: Zoom. Montagem: O Marchador
A Associação Europeia de Atletismo (EA) organizou na passada quinta-feira (25/6) um primeiro seminário online destinado a oficiais internacionais para comunicar a nova estrutura e principais alterações ao Regulamento de Competição e Técnico da World Athletics, bem como obter feedbacks, especialmente na fase atual do Covid-19, através de recurso digital e em tempo real dos mais de 100 participantes de várias nacionalidades.

As informações e preleções estiveram a cargo de Sandrine Glacier, do Departamento de Competições da Associação Europeia de Atletismo, e do italiano Luca Verrascina, e no papel de moderador o holandês Niels Van Der Aar Niels, estes ambos Oficiais Técnicos Internacionais.

Foi apresentado o novo calendário de cursos e exames para renovações dos vários painéis, ainda este ano no formato online, e até 2022.

Houve igualmente contributos para o esclarecimento de algumas situações técnicas da parte da holandesa Sylvia Barlag, do Conselho da World Athletics, e do húngaro, Imre Matrahazi Imre, Oficial Técnico Internacional.

A abertura do seminário foi marcado por um momento de silêncio em homenagem a Svein Arne Hansen, presidente da presidente da Associação da Associação Europeia de Atletismo, recentemente falecido.

De entre os portugueses participantes no seminário online, e para além do prestigiado oficial técnico Internacional Jorge Salcedo, uma referência para os elementos da marcha atlética, José Dias, Vasco Guedes, Joaquim Graça e José Ganso, Juízes Internacionais, e Luís Dias, Delegado Técnico.

sexta-feira, 26 de junho de 2020

No aniversário de José Henriques

O multifacetado José Henriques. Fotos: RUN 4 FFWPU, Atletismo Magazine
e fb José Henriques. Montagem: O Marchador

O nosso querido amigo José Henriques completa no dia de hoje a bonita idade de 81 anos, aniversário pelo qual a equipa deste blogue endereça-lhe os parabéns desejando-lhe muita saúde e felicidades.

Presidente do Centro de Atletismo das Galinheiras e treinador de jovens atletas, alguns dos quais hoje são figuras de relevo no atletismo nacional, José Henriques, desde que, em 1979, com um grupo de miúdos, fundou a coletividade, tem realizado uma obra notável constituindo, desde então, um alicerce fundamental na criação de infraestruturas de apoio ao desenvolvimento de atividades sociais, culturais e desportivas no bairro.

Muitas vezes elogiado pelos governantes desportivos do nosso país, ele próprio dá o exemplo participando regularmente em competições de marcha (há décadas o faz), que se realizam por esse país fora (é certo que agora existem menos atividades que no passado) e organizando o seu Grande Prémio com o sucesso reconhecido por todos, os de cá e os de fora que nele participam e onde não falta o habitual convívio com a gentileza do oferecimento do beberete na sede do clube, após as provas.

Foi campeão e recordista nacional do salto com vara, participou em vários Campeonatos Europeus e Mundiais de Veteranos, mas foi na especialidade da marcha, principalmente nos escalões jovens, numa dedicação sem limites que, graças ao Zé Henriques, a “semente frutificou” com jovens atletas por si orientados a baterem recordes nacionais e alguns a representarem a seleção nacional em encontros internacionais.

Um abraço amigo!

quinta-feira, 25 de junho de 2020

50 km Marcha: de Alenquer a Helsínquia (1983)

Foto: Revista Atletismo. Montagem: O Marchador
A 25 de junho de 1983 tinha lugar em Portugal, e concretamente na Vila de Alenquer, a primeira prova de 50 km marcha. O evento teve por objetivo proporcionar a José Pinto (CF Belenenses), o melhor marchador português de então, a obtenção do mínimos na distância para participar nos primeiros Campeonatos Mundiais de Atletismo, que naquele ano se disputariam em Helsínquia.

A organização do evento coube ao Clube Português de Marcha Atlética e ao Sporting Clube de Alenquer (*). A prova disputou-se num circuito que media cerca de 5.898 metros e, além da participação do atleta do Belenenses que, naturalmente, venceu com grande vantagem, classificaram-se também Paulo Alves (CF Santa Iria), Francisco Alves (CF Belenenses), José Domingues (AD Oeiras), José Dias (CCD Olivais Sul) e Joaquim Matameu (Individual).

Para José Pinto o objetivo foi plenamente alcançado. Com um tempo de 4:06:03 conseguia os mínimos para os Mundiais (4:10:00), classificando-se em Helsínquia na 16.ª posição, e ainda os mínimos para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 1984 (4:08:00), onde foi 8.º classificado.

(*) Imagem do regulamento da competição:


quarta-feira, 24 de junho de 2020

Há 30 anos, os juízes de marcha no Encontro Internacional Portugal-Espanha

Juízes de marcha e Jorge Salcedo no Portugal - Espanha em Viseu 1990.
Foto: arquivo «O Marchador»
Foi a 24 de junho de 1990 que se realizou em Portugal o primeiro e único evento internacional de marcha atlética (estrada), juntando na cidade de Viseu as seleções de Portugal e de Espanha (10 km Sub-20 masculinos, 20 e 35 km seniores masculinos e 10 km seniores femininos), numa quente tarde de domingo, numa organização da Associação de Atletismo de Viseu e da Federação Portuguesa de Atletismo.

Especialmente no dia de hoje, recordamos os nomes dos juízes de marcha que atuaram pela primeira vez num certame internacional da especialidade, sete dos dez que integravam o principal painel de especialistas portugueses do nível mais elevado em Portugal, formado nesse ano de 1990.

De pé, da esquerda para a direita, Ana Toureiro, que foi juiz internacional da European Athletics (EA), hoje afastada das lides do atletismo, José Ganso, atualmente um dos juízes portugueses integrantes do painel internacional de especialistas da EA, Carlos Albano, o atleta-pioneiro da marcha portuguesa, participante na primeira vez que Portugal se fez representar numa Taça do Mundo de Marcha, em Nova Iorque (1987), e José Dias, que se estreara internacionalmente no meeting da Corunha (6 países), em 1988, e que viria a ser indicado, em junho de 1991, para o painel da IAAF (hoje World Athletics). À direita, o nosso amigo Jorge Salcedo, uma referência mundial da arbitragem no atletismo.

Ainda na foto, agachados (da esquerda para a direita), podemos observar André Brito, que foi juiz internacional do painel da EA, ainda plenamente ativo no exercício da arbitragem, Paulo Alves, o juiz-chefe do Portugal-Espanha que, mais tarde, viria a dedicar-se ao triatlo, tendo desempenhado funções relevantes nesta área tendo, enquanto atleta alcançado títulos nacionais na marcha e representado a seleção portuguesa de Sub-23, e o saudoso José Baptista, falecido no ano passado e que foi um dos primeiros dirigentes do setor da marcha.

terça-feira, 23 de junho de 2020

Ron Daniel em dia de aniversário

Ron Daniel. Na foto acima na companhia da sua esposa Maryanne.
Fotos: USATF Connecticut, fb Ron Daniel e vídeo/RaceWalk
Montagem: O Marchador
No dia de hoje assinalamos o 79.º aniversário do nosso amigo Ronald Daniel, dos Estados Unidos da América, razão pela qual endereçamos-lhe os parabéns, com votos de felicidades!

Com uma longa carreira dedicada à marcha atlética no seu país, Ron Daniel colaborou recentemente com a Fundação de Marcha Atlética dos EUA, liderada por Jeff Salvage, na realização de um vídeo para um projeto de avaliação na área do ajuizamento. Desempenhou funções relevantes na área do dirigismo no seu país, nomeadamente, presidindo à Comissão Nacional de Marcha.

Numa faceta mais visível da sua atividade, no plano internacional, Ron integrou durante vários anos o principal painel de juízes internacionais de marcha da World Athletics, com uma ou outra interrupção pelo meio, isto até à certificação de 2010, curiosamente, ingressando neste ano a sua mulher, Maryanne Daniel, acompanhando-a assiduamente às competições internacionais da World Athletics para a qual é nomeada, sempre atento às contingências do ajuizamento, como pudemos constatar nos recentes Mundiais de Doha.

Foi um dos primeiros juízes internacionais a ingressar no painel internacional de especialistas, na primeira metade da década de 80. As principais provas da World Athletics onde atuou foram os Campeonatos Mundiais de Atletismo de Osaca, em 2007, tendo aí desempenhado as funções de Juiz-chefe, e os Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004.

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Vít Hlaváč e Anežka Drahotová vitoriosos em Milovice

As provas de 10 km e 5 km em Milovice, Rep. Checa.
Fotos: Miriam Stewartová. Montagem: O Marchador
Na continuação de eventos que vão tendo lugar na República Checa, disputou-se no passado sábado (20/6) a Taça de Marcha Atlética da Cidade de Milovice, no distrito de Nymburk, com a participação de mais de 100 atletas, evento que constituiu a primeira ronda das ligas nacionais (Extra, I e II).

Sob constante chuva e uma temperatura a rondar os 15 graus Celsius, sagraram-se vencedores absolutos das principais provas na distância de 10 km, nos masculinos, Vít Hlaváč, do A.C. TEPO Kladno A., com 43:22, com parciais regulares de 21:40 e 21:42 em cada metade, e nos femininos, Anežka Drahotová, da Univerzitní Sportovní Klub Praha, com 46:35, registando 23:37 e 22:58 em cada 5 km e o último quilómetro em 4:27.

Na classificação masculina (28 atletas), Hlaváč foi seguido do eslovaco Michal Morvay, a representar o Hvězda Pardubice z.s., com 43:31 e uma forte segunda légua (21:35) e de Lukáš Gdula, também deste clube, com 45:30. De notar ainda, nas quarta e quinta posições da geral, o sub-18 Jaromír Morávek, do SMOLA CHŮZE Praha, com um recorde pessoal de 46:30, e o veterano M45 Martin Nedvídek, AC Rumburk, z.s., com 46:45.

No setor feminino (21 atletas), os restantes lugares do pódio absoluto foram ocupados pelas atletas do AK Olymp Brno, spolek A, com recordes pessoais e marcas abaixo dos 50 minutos, através de Tereza Ďurdiaková, com 49:18, e da sub-20 Alžbeta Ragasová, com 49:52.

Referência ainda para a distância de 5 km (II liga), com o primeiro lugar masculino a ser atribuído a Martin Nedvídek, com a marca de passagem da prova de 10 km, 22:57, e a vitória feminina a pertencer à sub-20 Eliška Martínková, do AC Turnov, zs, com 23:26.

Os resultados completos podem ser consultados aqui.

Um belo e completo álbum de fotos de Miriam Stewartová pode ser visto aqui.

Principais classificações
10 km masculinos - geral
1.º, Vít Hlaváč, 1997 (A. C. TEPO Kladno A), 43:22
2.º, Michal Morvay, 1996 (Hvězda Pardubice z.s.), 43:31
3.º, Lukáš Gdula, 1991 (Hvězda Pardubice z.s.), 45:30
4.º, Jaromír Morávek, 2003 (SMOLA CHŮZE Praha), 46:30
5.º, Martin Nedvídek, 1975 (AC Rumburk, z.s.), 46:45
6.º, Vojtěch Ambrož, 1991 (SK Nové Město nad Metují), 49:18
7.º, Filip Hejkrlík, 1979 (Athletic Club Ústí n/L. z.s.), 50:16
8.º, Alexandr Malysa, 1997 (VSK Univerzita Brno), 51:17
9.º, Filip Veselouš, 1995 (VSK Univerzita Brno), 52:26
10.º, David Šnajdr, 1971 (SK Nové Město nad Metují), 52:45
11.º, Robert Hurdálek, 2003 (SK Nové Město nad Metují), 53:45
12.º, Tomáš Vojtíšek, 1973 (AC Moravská Slavia Brno, spolek), 54:19
13.º, Daniel Balicz, 2002 (AC Mladá Boleslav z.s.), 54:59
14.º, Jiří Jon, 1968 (SK Nové Město nad Metují), 55:43
15.º, Miroslav Fliegl, 1954 (AC Domažlice, z. s.), 56:38
16.º, Luděk Šolc, 1961 (AC Mladá Boleslav z.s.), 57:18
17.º, Zbyněk Herman, 1969 (TJ Lokomotiva Břeclav), 57:31
18.º, Antonín Kozelka, 1985 (TJ Sokol Hradec Králové), 58:39
19.º, Zdeněk Simon, 1960 (Univerzitní sportovní klub Praha), 59:16
20.º, Jakub Zajíc, 1989 (TJ Sokol Kolín-atletika), 1:04:54
21.º, Petr Adam, 1950 (SK Nové Město nad Metují), 1:05:42
22.º, Adam Matulka, 2001 (AK ŠKODA Plzeň), 1:06:01
23.º, Václav Mráz, 1983 (A. C. Sparta Praha), 1:06:51
24.º, Horst Kiepert, 1951 (MBB-SG Augsburg), 1:08:29
25.º, Jaromír Hloch, 1992 (TJ Lokomotiva Břeclav), 1:10:05
26.º, Jakub Jon, 2001 (SK Nové Město nad Metují), 1:10:43
27.º, Milan Zeibert, 1963 (TJ Spartak Třebíč, spolek), 1:16:22
28.º, Stanislav Marek, 1942 (TJ Spartak Třebíč, spolek), 1:18:42

10 km femininos - geral
1.ª, Anežka Drahotová, 1995 (Univerzitní sportovní klub Praha), 46:35
2.ª, Tereza Ďurdiaková, 1991 (AK Olymp Brno, spolek A), 49:18
3.ª, Alžbeta Ragasová, 2002 (AK Olymp Brno, spolek A), 49:52
4.ª, Hana Burzalová, 2000 (AK Olymp Brno, spolek B), 52:49
5.ª, Štěpánka Pohlová Kučerová, 1987 (TJ Sokol Hradec Králové), 53:16
6.ª, Klára Hlaváčová, 2003 (A. C. TEPO Kladno A), 53:53
7.ª, Naděžda Dušková, 1980 (TJ Dukla Praha), 56:26
8.ª, Veronika Janošíková, 1998 (AK Olymp Brno, spolek A), 57:46
9.ª, Jana Vildová, 1979 (TJ VTŽ CHOMUTOV,z.s.), 57:51
10.ª, Michaela Bakliková, 2001 (AK ŠKODA Plzeň), 58:40
11.ª, Lenka Slabáková, 1966 (AC Moravská Slavia Brno, spolek), 58:43
12.ª, Martina Netolická, 1982 (AC Slovan Liberec, z.s. A), 1:00:19
13.ª, Stella Sobotková, 2001 (TJ Lokomotiva Beroun z.s.), 1:00:28
14.ª, Kristýna Denková, 2002 (TJ VTŽ CHOMUTOV,z.s.), 1:03:48
15.ª, Pavla Cinkánová, 2001 (AC Slovan Liberec, z.s. A), 1:03:58
16.ª, Hana Růžičková, 1990 (AK ŠKODA Plzeň), 1:04:58
17.ª, Štěpánka Šlichtová, 2003 (TJ VTŽ CHOMUTOV,z.s.), 1:06:02
18.ª, Petra Jeníková, 1996 (Spartak Praha 4), 1:07:43
19.ª, Jaroslava Pokorová, 1972 (AK ŠKODA Plzeň), 1:08:22
20.ª, Šárka Valášková, 2002 (A. C. Sparta Praha), 1:11:51
21.ª, Eliška Jelínková, 2004 (AC Mladá Boleslav z.s.), 1:11:52

domingo, 21 de junho de 2020

Faleceu Svein Arne Hansen, Presidente da European Athletics

Svein Arne Hansen. Foto: Giuseppe Bellini/Getty Images
Aos 74 anos de idade, faleceu no dia de ontem (20), em Oslo, Svein Arne Hansen, presidente da Associação da Associação Europeia de Atletismo (EA). Desde a criação da EA, em 1970, Svein Arne foi o quinto presidente na história da entidade para a qual fora eleito em 2015, reconduzido no ano passado para mais um mandato de quatro anos.

A 15 de março deste ano, sofrera um derrame cerebral, motivo pelo qual foi internado de urgência, em estado grave.

Dobromir Karamarinov, presidente interino da Associação Europeia de Atletismo, manifestou-se profundamente triste ao saber da morte de Svein Arne Hansen referindo-o como sendo um grande líder, um visionário do desporto e uma figura carismática na família do atletismo. “Era muito querido por todos aqueles que o conheciam bem e, acima de tudo, era um amigo dos atletas. Perdemos um grande homem”, acrescentou Karamarinov.

Jorge Salcedo, que integrou o Conselho Executivo da EA durante décadas, expressou as suas condolências à família de Sven Arne, referindo ser uma grande perda para o atletismo e para os amigos que mais de perto privaram com ele.

Neste momento de tristeza, expressamos os nossos mais profundos sentimentos à família e amigos de Svein Arne Hansen.

sábado, 20 de junho de 2020

Alytus a 18 de setembro de 2020

Alytus 2020. Foto: Alfredas Pliadžio/LLAF. Montagem: O Marchador
O Festival Internacional de Marcha Atlética de Alytus, na Lituânia, inicialmente previsto para 5 de junho passado, tem já nova data: 18 de setembro de 2020.

O evento que integra o «Permit Meeting» da Associação Europeia de Atletismo e constitui campeonato nacional de marcha, teve a sua primeira edição em 1975, e este ano somará 46 edições.

Como é habitual, as principais provas a disputar serão os 20 km e os 10 km sub-20, para masculinos e femininos, com todas as informações a constaram do Manual de Equipas no «site» do Comité Organizador Local [aqui].

Em 2019, Alytus foi palco da Taça da Europa de Marcha, cujos vencedores nas principais provas foram Živilė Vaiciukevičiūtė (Lituânia) e Perseus Karlström (Suécia), nos 20 km, e Eleonora Giorgi (Itália) e Yohann Diniz (França), nos 50 km.

sexta-feira, 19 de junho de 2020

José Pinto faz hoje anos

José Pinto nos 50 km dos Jogos Olímpicos de Los Angeles (1984) e na atualidade.
Fotos: arquivo O Marchador e Atletismo Magazine. Letras: Vexels
Montagem: O Marchador
José Pinto completa no dia de hoje 64 anos de idade, aniversário pelo qual a equipa de “O Marchador” envia-lhe um forte abraço de parabéns.

Foi o primeiro marchador português de classe internacional e um dos atletas pioneiros da marcha atlética no nosso país, descoberto para a especialidade no verão de 1975 quando, pela pista de tartan do campo secundário do Sport Lisboa e Benfica, acorriam muitos jovens, estimulados e entusiasmados pela prática do atletismo total em ações promovidas pela Direção-Geral de Desportos, sob coordenação do Professor Francisco Assis.

Foi recordista nacional dos 20 km marcha no período compreendido entre 1982 e 1985, batendo por oito vezes a melhor marca nacional, e também em 1989. Foi igualmente recordista nacional nos 50 km marcha de 1983 até fevereiro de 2004, período durante o qual também melhorou o recorde nacional em oito ocasiões, nesse período temporal vestindo as cores do Clube de Futebol “Os Belenenses”.

Ainda nos dias de hoje, sempre que a sua atual atividade profissional o permite (gere, com Agostinho Madaleno, o Paraki - Snack Bar, em Setúbal), vai mantendo a sua boa forma física, através da realização de atividades de marcha e corrida, participando em algumas provas de masters, como presenciamos no último Grande Prémio de Marcha Atlética das Galinheiras, levado a efeito na pista do Lumiar, em Lisboa.

José Pinto, que foi o primeiro especialista português a participar nuns Europeus de Atletismo (1982), nuns Mundiais de Atletismo (1983) e nuns Jogos Olímpicos (1984) é o único marchador português masculino que se classificou num dos oito primeiros lugares em Jogos Olímpicos - foi oitavo nos 50 km marcha dos Jogos de Los Angeles, proeza que mereceu na época grande destaque mediático e marcou um novo e grande impulso para a especialidade no nosso país.

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Álvaro Martín Uriol no dia do seu aniversário

A vitória de Álvaro Martín nos Europeus de Berim 2018 e na pista municipal com o
seu nome em Llerena, na companhia da mãe e irmã. Fotos: Twitter de Álvaro Martín
e Manuel Toro/El Periodico Extremadura. Montagem: O Marchador
Álvaro Martín completa hoje 26 anos de idade, motivo pelo qual a equipa de “O Marchador” endereça-lhe os parabéns, com votos de felicidades.

Com um recorde pessoal nos 20 km marcha de 1:19:36, obtido no Campeonato do Mundo de Seleções de Marcha, realizado em Roma, em 2016, onde se classificou na terceira posição, o atual campeão europeu dos 20 km marcha (Berlim 2018) já realizou os exigentes mínimos para os Jogos de Tóquio, conseguidos nos Cantones da Corunha, em junho do ano passado, com o tempo de 1:20:50.

Participou em dois Jogos Olímpicos, o primeiro em 2012, em Londres, com apenas 18 anos de idade, e os segundos em 2016, no Rio de Janeiro, sempre na especialidade dos 20 km marcha. Abriu a sua já expressiva carreira internacional aos 16 anos de idade nos Jogos Olímpicos da Juventude, em Singapura 2010.

Álvaro Martín passou a fase de confinamento na sua terra natal, em Llerena, na Extremadura, província de Badajoz, isto depois de dez anos a viver em Madrid.

De uma família de desportistas com ligação ao atletismo, Álvaro foi o primeiro a iniciar-se no atletismo. Aos 9 anos de idade, uma visita ao seu colégio do treinador Juan Méndez, deixou-o fascinado. Entretanto, como já assistimos a iguais episódios de outros atletas, a entrada na disciplina da marcha deveu-se a um mero acaso. No verão, o seu clube necessitava de alguém para a marcha a fim de competir na Liga de Clubes e assim Àlvaro Martín decidiu experimentá-la não sem alguma dificuldade no princípio em assimilar a técnica.

Depois, foi o que se viu com a conquista de pódios nas mais importantes competições do país vizinho e os êxitos conquistados além-fronteiras. A sua irmã, Marcarena Martín (27 anos), também marchadora, foi a primeira a ingressar na especialidade e uma inspiradora para o seu irmão. A irmã mais nova, Paloma (21 anos), compete nos 800 metros, e até a mãe, Marcarena Uriol, veterinária de profissão, foi atraída para a disciplina, participando regularmente em provas organizadas em Portugal (Santo António dos Cavaleiros e Galinheiras), com presenças em Europeus e Mundiais de Masters. Agora todos dão o seu apoio a Álvaro nos treinos, após o longo período de confinamento porque passou o desporto espanhol.

quarta-feira, 17 de junho de 2020

FPA retoma competições nacionais em Julho e Agosto

Imagens: FPA. Montagem: O Marchador
A Federação Portuguesa de Atletismo apresentou o seu programa de retorno à competição, que pode ser consultado aqui, com os eventos nacionais (pista) a decorrerem em apenas quatro fins de semana, no período compreendido entre 25 de julho e 16 de agosto, em locais e horário ainda a designar.

Assim, teremos as seguintes competições:

25/26 de julho: Fase de Apuramento do Campeonato de Clubes

1 de agosto: Campeonato Nacional de Sub-18

2 de agosto: Campeonato Nacional de Sub-20

8/9 de agosto: Campeonato de Portugal

15/16 de agosto: Final do Campeonato Nacional de Clubes

As competições, todas em distância até 5.000 metros, serão realizadas em sistema de contrarrelógio, com partida de um atleta de 10 em 10 segundos (partindo em primeiro lugar o que tiver melhor tempo e assim sucessivamente), com um máximo de oito atletas por prova, um grupo de quatro atletas nas pistas 1 a 4 e outro grupo de quatro atletas nas pistas 5 a 8, com os mínimos de participação nos eventos individuais a definir oportunamente pela FPA.

Durante as provas, que terão um máximo de oito atletas, as eventuais ultrapassagens terão de ser feitas com duas pistas de intervalo, estando previstas penalizações de tempo em caso de incumprimento.

Também, relativamente aos juízes, há um conjunto de normas, pautadas pelas regras de distanciamento, que devem ser respeitadas e que, igualmente, podem aqui ser consultadas.

terça-feira, 16 de junho de 2020

Perseus Karlström em tentativa de recorde em Eskilstuna

Perseus Karlström durante e no final da prova, com comentários em direto no YouTube
de Evan Dunfee. Imagens: YouTube, Perseus Karlström, Evan Dunfee e Giphy.
Montagem: O Marchador
No primeiro dia de reabertura da atividade competitiva na Suécia, encerrada devido à pandemia COVID-19, o desafio estava lançado com a realização no domingo (14/6) de uma prova oficial de 15.000 metros marcha na pista do Estádio Ekängen, em Eskilstuna, em que Perseus Karlström, vencedor dos 20 km Taça da Europa de Marcha em Alytus 2019 e bronze nos mundiais de Doha 2019 (20 km), tentaria superar a melhor marca nacional na posse de Stefan Johansson (SJ), com 58:52.9, registo de passagem obtido há 28 anos em Fana, Noruega (1992).

O desfecho final não foi exatamente o desejado mas ainda assim Perseus Karlström, que manifestara algumas dificuldades físicas alguns dias antes da prova, empenhou-se verdadeiramente obtendo relevante performance final, com 59.22,3, e registos intermédios de 19.37.5 aos 5.000 metros (SJ, 19:46.4), e 39:32.0 (SJ, 39:26.7). As últimas duas léguas foram percorridas em 19:54.5 e 19:50.3, os últimos 1.000 metros em 3:52, e a última volta de 400 metros em 1:30.

Karlström, em representação do clube local, o Eskilstuna FI, foi acompanhado nesta jornada por Christer Svensson, do Växjö AIS, que obteve 1:15:34.2 (5.000 m, 24:55.0;  10.000 m, 50:15.5), e Anders Wahlström, do Södra Ölands GK, que não concluiria a competição.

A prova foi transmitida em direto no YouTube, com bom desempenho comentarista ao vivo, desde o Canadá, do especialista de 50 km Evan Dunfee, a rever [aqui].

Em entrevista no final da prova, Karlström, esgotado pelo tremendo esforço mas feliz pelo resultado obtido, mesmo que não batido o recorde nacional, referiu que nas próximas horas iria celebrar o aniversário da sua avó de 97 anos de idade, que antes da prova lhe disse: «O quê? Vais fazer 15 km outra vez? Isso é tão estúpido!» A boa disposição não faltou ...

Fonte: Swedish Race Walking

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Kristina Saltanovic com Recorde da Europa Indoor W45

Kristina Saltanovic na pista coberta de Braga, quando da apresentação da prova e em
competição. Imagem: FPAtletismo TV. Foto: António Sousa Photography
Montagem: O Marchador
Foi no decorrer da primeira jornada da Final da I divisão do Campeonato Nacional de Clubes de pista coberta, disputada em Braga (22 fev.), que a lituana Kristina Saltanovic, em representação da Juventude Vidigalense, bateu o Recorde da Europa da categoria W45 nos 3.000 metros marcha com a marca de 14:00.40.

Kristina Saltanovic, dois dias após completar 45 anos de idade, retirou 19 segundos e 74 centésimos ao anterior registo de 14:20.14 na posse da alemã Nicole Best, desde 20/02/2013 em San Sebastian (Espanha), por ocasião dos Campeonatos da Europa de Veteranos de pista coberta (EVACI).

Cumpridas as formalidades tendentes à ratificação do recorde (formulário/photo finish/controlo do teste zero), a informação consta da lista atualizada (a 12/6) de Recordes da Europa em pista coberta no «site» da European Masters Athletics [aqui].

Muitos parabéns, Kristina!

domingo, 14 de junho de 2020

Comité Olímpico Internacional redefine medalhas de Londres 2012

A reunião do Comité Olímpico Internacional e as chinesas Shenjie Qieyang (prata)
e Hong Liu (bronze) em Londres 2012. Fotos: Greg Martin/IOC, China News
e Feng Li/Getty Images Europe. Montagem: O Marchador
O Comité Executivo do Comité Olímpico Internacional (IOC) em reunião no passado dia 10 de junho em Lausanne, Suíça, presidida por Thomas Bach, aprovou a recolocação de medalhas nas edições dos Jogos Olímpicos de Verão em Londres 2012 e Rio 2016, de Inverno em Sochi 2014, e da Juventude em Buenos Aires 2018.

Particularmente no caso da marcha atlética e dos 20 km marcha femininos em Londres 2012, prova ganha pela russa Yelena Lashmanova, confirma-se a ascensão ao segundo lugar, e consequente medalha de prata, da chinesa Shenjie Qieyang, e ao terceiro (bronze) da sua compatriota Hong Liu, como resultado da desclassificação por dopagem da russa Olga Kaniskina, que fora segunda classificada, e que veria anulados pelo Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) os resultados entre agosto de 2009 e outubro de 2012.

Face à desclassificação por valores anormais no passaporte biológico de outra russa na mesma prova, Anisya Kirdyapkina, antes na quinta posição, a classificação já modificada pela World Athletics (WA) das finalistas (oito primeiras), que integra três chinesas (2.ª, 3.ª e 4.ª), duas espanholas (6.ª e 8.ª) e a portuguesa Ana Cabecinha (7.ª), é a seguinte:

1.Yelena LASHMANOVA (RUS) 1:25:02
2. Shenjie QIEYANG (CHN) 1:25:16
3. Hong LIU (CHN) 1:26:00
4. Xiuzhi LU (CHN) 1:27:10
5. Elisa RIGAUDO (ITA) 1:27:36
6. Beatriz PASCUAL (ESP) 1:27:56
7. Ana CABECINHA (POR) 1:28:03
8. María VASCO (ESP) 1:28:14

Quanto às restantes portuguesas participantes na prova, Inês Henriques sobe à 13.ª posição (antes 15.ª) e Vera Santos à 46.ª (antes 49.ª), aqui incluindo-se a anulação do resultado (passaporte biológico) da turca Semiha Mutlu (antes 47.ª).

Refira-se ainda que a lituana Kristina Saltanovic, residente em Portugal há vários anos e que foi a melhor representante do seu país na prova, ascendeu à 19.ª posição (antes 21.ª).

sábado, 13 de junho de 2020

Zivile Vaciukeviciute termina carreira desportiva

Živilė Vaiciukevičiūtė. Fotos: J. Stacevičiaus/LRT e Alfredo Pliadžio/LLAF
Montagem: O Marchador
A marchadora Zivile Vaciukeviciute, eleita pela Federação de Atletismo da Lituânia como a «Melhor Atleta 2019», decidiu surpreender-nos a todos e acabar a carreira desportiva com apenas 24 anos de idade.

Zivile justificou a sua decisão com o cansaço acumulado ao longo de anos e muitos meses fora de casa, mas com planos bem definidos para o seu futuro. Sempre dedicada e cumpridora a atleta não imaginava continuar a sua vida no desporto e ponderara dedicar-se à família depois dos Jogos Olímpicos de Tóquio, supostamente em 2020.

Só que a pandemia de COVID-19 e o cancelamento ou adiamento de provas mudou-lhe os planos, com Zivile a tomar a decisão e a contactar a sua federação. Esta, perante o inesperado e até mesmo inacreditável, pediu à atleta algum tempo para que pudesse repensar a sua decisão, no intuito de completar o ciclo olímpico. Porém a decisão estava ponderada e tomada, com Zivile a agradecer ao treinador Viktoras Meskauskas por todo o trabalho e tempo dedicado.

Zivile, irmã de outras também marchadoras, a gémea Mónika e Gintare, mais velha, cedo entrou no mundo da marcha atlética. Ambas evidenciaram-se ainda como infantis e bateram muitos recordes nacionais, e já nas categorias de sub-18 e sub-20 participavam em muito eventos internacionais, em campeonatos, Taças do Mundo e da Europa de Marcha.

Mas Zivile conseguiu ir mais longe e em 2016, com apenas 20 anos da idade, qualificou-se e participou nos Jogos Olímpicos em Rio de Janeiro. Embora a classificação tenha sido modesta (56.º lugar), a experiência foi valiosa e no ano seguinte a atleta obteve a medalha de bronze nos Campeonatos da Europa de Atletismo Sub-23 em Bydgoszcz, algo inédito para marcha atlética na Lituânia. Em 2018 alcançou um fantástico 5.º lugar nos 20 km marcha dos Campeonatos da Europa em Berlim, registando a segunda melhor marca de sempre do seu país, com 1.28.07.

Sempre com a motivação em alta enfrentou «em casa», em Alytus, as suas principais adversárias na Taça da Europa de Marcha de 2019, obtendo uma histórica vitória e a marca de 1:29:48 que lhe proporcionava a qualificação directa para Tóquio. Seguiu-se a participação nos mundiais de Doha, aquém do esperado pois cedo se quedou por posições recuadas (seria 23.ª classificada), mas o seu foco era a preparação para os Jogos Olímpicos.

Em recente entrevista, Zivile Vaciukeviciute referiu que apesar dos êxitos conseguidos, e em especial depois de vencer a Taça da Europa de Marcha, nunca se sentiu verdadeiramente recompensada, portanto a decisão de terminar a carreira não foi difícil de tomar.

O Blogue «O Marchador» formula a Zivile votos de muitas felicidades na sua vida pessoal e sucesso profissional.

Colaboração: Kristina Saltanovic

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Zoë Eastwood-Bryson nomeada Juíza do Ano na Austrália

Imagens: Athletics Australia. Montagem: O Marchador
A juíza internacional de marcha Zoë Eastwood-Bryson, foi distinguida pela Federação de Atletismo da Austrália com o título de “Oficial do Ano 2019” em reconhecimento da sua dedicação e do trabalho produzido ao mais alto nível do ajuizamento na modalidade do atletismo.

Os outros distintos nomeados para o referido título foram Kerry Boden (ACT), Rosemary Coleman (TAS), Peter Grant (SA), Andrea Hallet (VIC), Janet Nixon (NSW), Helen Roberts (QLD), Sandra Speers (TAS) e Matthew Vine (WA).

Na certificação de 2014, levada a efeito pela IAAF (agora World Athletics), Zoë ascendeu ao Painel de Juízes Internacionais de Marcha, o mais elevado na estrutura da WA, renovando a condição por um novo período de quatro anos na certificação de 2018. A Austrália é um dos países no mundo com uma maior quantidade de juízes internacionais de marcha, possuindo duas juízas no painel da World Athletics e três no painel da Oceania.

Em 2015 Zoë integrou a equipa de juízes internacionais nomeada para os Campeonatos Mundiais de Atletismo que tiveram lugar em Pequim. Em 2017 atuou nas provas de marcha dos Mundiais de Jovens, em Nairobi, e em 2018 fez parte do júri do Campeonato do Mundo de Seleções de Marcha, que tiveram por palco a cidade chinesa de Taicang.

Juiz-chefe nos últimos Campeonatos da Oceania, disputados em 2019, Zoë Eastwood-Bryson estava no corrente ano designada para chefiar a equipa de juízes internacionais de marcha para o Campeonato do Mundo de Seleções de Marcha que iria ter lugar no primeiro fim de semana de maio, em Minsk, na Bielorrússia e ainda nomeada, pela primeira vez, para a maior competição de todas, os Jogos Olímpicos de Tóquio, ambos os eventos adiados devido à situação de calamidade decorrente da pandemia gerada pelo Coronavírus (Covid-19).

Estou muito orgulhosa e honrada por ter sido premiada pela Athletics Australia para Oficial do Ano 2019. É para mim um privilégio ajuizar marchadores e marchadoras e assistir à sua evolução na carreira desportiva. Como muitos oficiais, nós ajuizamos provas de juniores e de seniores. Este tem sido um ano particularmente difícil para atletas e juízes e o que eu espero é que o mundo volte ao normal, mais cedo do que tarde. Se alguém quer seguir a carreira de juiz, seja a que nível for, eu encorajo. Somos uma família.”, comentou desta forma a juíza australiana a propósito da premiação com que foi distinguida  e a quem aproveitamos para endereçar os nossos PARABÉNS!

quinta-feira, 11 de junho de 2020

O recorde mundial de Raúl González há 42 anos

Raúl González em Los Angeles 1984 e na atualidade.
Fotos: Steve Powell/Getty Images, Dominio Medios e Poděbradské Noviny.
Montagem: O Marchador
Um dos momentos de grande significado para Raúl González deu-se a 11 de junho de 1978, assinala-se hoje 42 anos. O atleta mexicano alcançava um recorde mundial de grande qualidade nos 50 km marcha da mítica prova de Podebrady, Checoslováquia, hoje República Checa. Fez 3:41:20, batendo pela segunda vez o seu próprio recorde mundial, marca que nos dias de hoje mantém-se como recorde do México. A 23 de abril desse mesmo ano, na cidade mexicana de Mixhuca, fizera 3:45:52.

González foi um dos melhores marchadores mexicanos de todos os tempos. Formado na famosa escola de marcha mexicana dirigida por Jersy Hausleber, tinha vencido, quatro anos antes, os 50 km da Taça do Mundo de Milton Keynes (Reino Unido), e haveria de enriquecer, ainda mais, o seu currículo, ao vencer a prova longa da Taça do Mundo de Bergen, em 1983, concluindo nesse mesmo ano os 50 quilómetros marcha dos primeiros Campeonatos Mundiais de Atletismo, realizados em Helsínquia, na quinta posição.

A primeira vez que o vimos numa grande competição internacional foi na Taça do Mundo de Marcha de 1981, em Valência. A grande classe patenteada pelo atleta mexicano na prova de 50 km deixou-nos realmente impressionados. Naquele quente domingo de maio, num circuito de dois quilómetros, no sentido ida e volta que integrava a pista de tartan das instalações desportivas da cidade, localizado a poucos metros da bela praia de El Saler, González viria a ganhar a medalha de ouro com o tempo de 3:48:30, terminando com quase quatro minutos de vantagem sobre o segundo classificado, o alemão Hartwig Gauder.

Raúl González participou em três Jogos Olímpicos. Estreia-se nos 20 km dos Jogos de Montreal, em 1976, concluindo a prova na 5.ª posição. Em 1980, nos Jogos de Moscovo é 6.º, igualmente nos 20 km. Mas o seu grande momento registou-se nos Jogos de Los Angeles, em 1984, ao sagrar-se campeão olímpico dos 50 km, onde obteve também a medalha de prata nos 20 km, atrás do compatriota Ernesto Canto.

quarta-feira, 10 de junho de 2020

Podebrady a 10 de outubro de 2020

Foto: LOC Podebrady. Montagem: O Marchador
O tradicionalíssimo evento internacional de marcha em Podebrady, na República Checa, inicialmente previsto para 4 de abril e adiado por força da situação de emergência decretada no país devido ao coronavírus, tem já marcada a edição de 2020 para o dia 10 de outubro.

O evento, em 88.ª edição, integra o «Permit Meeting» da Associação Europeia de Atletismo e um Encontro entre seleções nacionais da França, Hungria, Irlanda, Itália, Lituânia e República Checa, constituindo ainda campeonato nacional, integrando como principais provas do programa os 20 km e 10 km sub-20 para masculinos e femininos.

A Federação de Atletismo da República Checa, como entidade organizadora, disponibiliza no «site» da competição [aqui] o regulamento e processo de inscrições.

De recordar que Podebrady receberá três edições consecutivas dos Campeonatos da Europa de Seleções de Marcha, em 2021 (16 de maio), 2023 e 2025.