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| Fotos: Blogue «Em defesa do Benfica» e Jornal «O Benfica» Montagem: O Marchador. |
A 2 de novembro de 1975, o Torneio dos Bairros do Sport Lisboa e Benfica integrou, pela primeira vez, provas de marcha atlética. Cinquenta e um anos depois, a efeméride constitui uma boa oportunidade para recordar como nasceu e se desenvolveu a marcha na cidade de Lisboa e, em particular, como encontrou no Benfica um espaço decisivo para a sua afirmação.
A marcha atlética na cidade de Lisboa começou a ser praticada em agosto de 1975, quando um grupo de jovens aspirantes à prática do atletismo apareceu na então pista de tartan do Benfica, anexa ao antigo Estádio da Luz, onde decorriam torneios de captação promovidos pela Direção-Geral dos Desportos.
Ávidos por iniciarem uma carreira competitiva, esses jovens estavam longe de imaginar que a marcha viria a constituir o seu principal foco de atenção e uma parte marcante do seu percurso desportivo.
Um dos técnicos da DGD (Direcção-Geral dos Desportos) era o professor Francisco Assis, que colocava os jovens a experimentar as diferentes especialidades do atletismo. Especialista nas disciplinas de meio-fundo e fundo, Assis frequentara anteriormente um estágio em França, onde tivera oportunidade de observar os marchadores da seleção gaulesa no pleno exercício da sua preparação para importantes competições internacionais.
Regressou desse estágio com uma convicção bem vincada: a marcha atlética, então uma ilustre desconhecida em Portugal, salvo algumas aparições esporádicas noutros pontos do país, merecia ser integrada no plano de formação das atividades desenvolvidas na pista da Luz. E foi assim que, a par das corridas, dos saltos e dos lançamentos, a marcha passou também a fazer parte da família do atletismo naquele contexto.
Depois dos primeiros treinos e testes, foram vários os atletas que aderiram à iniciativa, juntando ao entusiasmo pela prática daquela que era, na altura, uma especialidade ainda pouco conhecida em Portugal, um forte espírito de confraternização e amizade.
E Francisco Assis, como que querendo passar o testemunho, orientou aqueles que mais se destacaram para que prosseguissem a sua ligação à especialidade, não apenas enquanto atletas, mas também como futuros dirigentes e treinadores.
Foi um enorme desafio, ao qual se agarraram com todo o entusiasmo, lançando-se assim os alicerces para a consolidação da marcha atlética, principalmente num clube com enorme projeção na modalidade e que poderia constituir, no plano estratégico e institucional, uma importante rampa de lançamento.
As primeiras medidas levadas a efeito no clube, que contava no seu seio com dirigentes da craveira de Américo Ferreira e Arnaldo Santos, passaram pela integração da marcha no programa de atletismo do chamado “Torneio dos Bairros”, competição que atraía anualmente a participação de muitos jovens.
E foi assim que, a 2 de novembro de 1975, se realizou a primeira prova de marcha integrada naquele torneio: os 5 quilómetros, disputados num circuito em estrada situado na zona onde hoje se encontra o Centro Comercial Colombo, com partida e chegada na pista do Benfica.
A adesão foi espetacular. Embora os resultados não constituíssem o fator mais importante, a participação revelou-se um excelente estímulo para que aqueles dedicados atletas prosseguissem, com redobrado entusiasmo, as funções que lhes tinham sido confiadas.
Pouco depois, foi criada a Comissão Dinamizadora de Marcha do Sport Lisboa e Benfica, formada por Luís Dias, José Dias, José Pinto e, mais tarde, Jorge Abrantes. A comissão viria a desempenhar um papel muito importante no lançamento de novas ideias, na dinamização da especialidade e na participação de atletas do SLB em provas que, entretanto, se realizavam em várias zonas do país.
Uma das mais emblemáticas viria, aliás, a nascer no ano seguinte, 1976: o primeiro Grande Prémio de Marcha Atlética da Urgeiriça.
O próprio Sport Lisboa e Benfica viria também a organizar alguns grandes prémios num circuito em estrada que circundava o antigo Estádio da Luz, sempre com o entusiasmo e o empenho do saudoso Arnaldo Santos.
Arnaldo Santos viria posteriormente a ser presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Atletismo, tendo-lhe sido concedida, a título póstumo, a Placa de Honra ao Mérito, a mais alta distinção atribuída pela Federação a juízes e árbitros da estrutura do atletismo português.
Foram, assim, dados os primeiros passos de uma história que começara quase por acaso, numa pista de tartan, com um grupo de jovens à procura de uma oportunidade para praticar atletismo, e que acabaria por encontrar na marcha atlética uma paixão que marcou o seu percurso pessoal e desportivo, e, para alguns, uma atividade à qual dedicariam muitos anos como atletas, treinadores, dirigentes e juízes.
Passados 51 anos, vale a pena recordar esses primeiros passos e, sobretudo, aqueles que os deram. Porque é também através da memória das pessoas, dos clubes e das iniciativas que se constrói a história de uma modalidade.










