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terça-feira, 4 de janeiro de 2022

João Vieira é 5º no Ranking de Mérito da Track and Field News

João Vieira nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Foto: Tiago Petinga/LUSA
Montagem: O Marchador

A posição do marchador português reflete a sua prestação olímpica

* Um artigo de Pedro Peixoto

Foram divulgados os rankings de mérito da revista norte-americana Track and Field News (T&FN), uma das poucas publicações distinguidas com o Heritage Award da Federação Internacional de Atletismo.

Nos 50km marcha, João Vieira é considerado o 5º melhor especialista em 2021, correspondendo exatamente ao lugar em que ficou nos Jogos.

Estes rankings da T&FN – que nada têm a ver com as listas de marcas obtidas ou com os Rankings da World Athletics – baseiam-se nos princípios estabelecidos em 1948 por Don Potts e Roberto Quercetani: Honras conseguidas (leia-se classificações em provas importantes ou records obtidos), confrontos diretos e sequencia de marcas.

Numa especialidade em que os atletas não se multiplicam em provas, muito pelo contrário, é natural que a competição mais importante, neste caso os Jogos Olímpicos, fosse a determinante e naturalmente assim foi.

Os seis primeiros classificados dos Jogos ocupam as posições 1 a 6 do ranking, seguidos pelo vencedor dos fortíssimos campeonatos do Japão, onde se obtiveram as melhores marcas do ano; os 7º e 8º de Saporo ficaram nas posições seguintes, fechando com o vencedor do campeonato chinês.

Ranking
1º DAWID TOMALA (Polónia)
2º JONATHAN HILBERT (Alemanha)
3º EVAN DUNFEE (Canadá)
4º MARC TUR (Espanha)
5º JOÃO VIEIRA (Portugal)
6º MASATORA KAWANO (Japão)
7º SATOSHI MARUO (Japão)
8º BIAN TONGDA (China)
9º RHYDIAN COWLEY (Austrália)
10º LUO YADONG (China)

domingo, 29 de setembro de 2019

Suzuki é campeão do mundo de 50 km. Vieira ganha prata


A festa dos medalhados.
Fotos: IAAF - Getty Images e Trent Stellingwerff
O japonês Yusuke Suzuki sagrou-se esta madrugada campeão do mundo de 50 km marcha, durante a segunda jornada da 17.ª edição dos mundiais de atletismo, em Doha, no Catar. Suzuki creditou-se com 4.04.20 h, adiante do português João Vieira (4.04.59) e do canadiano Evan Dunfee (4.05.02), resultados que espelham as enormes dificuldades impostas aos atletas pelas condições de clima que caracterizam aquela região da Península Arábica.

Yusuke Suzuki liderou a prova desde o início, primeiro integrando um grupo que assumiu o comando da competição nos metros iniciais, depois já isolado (ainda no primeiro quilómetro). Apenas por breves momentos o japonês teve companhia próxima, no caso com a presença do recordista mundial da distância Yohann Diniz cerca dos dez quilómetros, mas o francês voltaria a atrasar-se logo de seguida, abandonando a competição e a defesa do título conquistado há dois anos em Londres quando ainda estavam decorridos apenas 16 quilómetros.

Até final, Suzuki fez uma caminhada isolada, apenas criando alguma expectativa sobre as suas condições para levar o esforço até final nas ocasiões (pelo menos três) em que quase parou para se refrescar.

Mas a prova acabaria por assumir contornos de emoção e incerteza na luta pelos restantes lugares do pódio. Na fase inicial, o eslovaco Matej Tóht, o mexicano Isaac Palma e o japonês Tomohiro Noda assumiram a composição do grupo de perseguição. Noda abandonaria pouco antes de cumpridos 15 quilómetros e o grupo seria depois passado por novos perseguidores da liderança: o chinês Qin Wang e o norueguês Håvard Haukenes, aos quais se juntaria pouco mais à frente o equatoriano Claudio Villanueva. O atleta da Noruega acabaria desclassificado perto dos 40 quilómetros, cerca de um quarto de hora depois da desistência do chinês e quase ao mesmo tempo em que o sul-americano também abandonava.

Entretanto, assomavam à luta pelas medalhas os chineses Wenb in Niu e Yadong Luo, o canadiano Evan Dunfee e o português João Vieira. E a prova ganhava de repente um interesse redobrado, cm grande incerteza sobre quem conseguiria conquistar os lugares do pódio.

Acabaria por prevalecer o mais velho de todos, graças a uma prova cumprida em ritmo crescente, que começou acima dos cinco minutos por quilómetro e terminou com 4.34 m na meia volta final, o quilómetro mais rápido do português, a fim de garantir o segundo lugar após a ultrapassagem de Niu e defendê-lo depois perante a recuperação avassaladora de Dunfee.

Para Suzuki, era a consagração de campeão do mundo. Para João Vieira era um fabuloso prémio para uma carreira agora coroada não apenas com uma medalha de prata de nível mundial mas também com a condição de mais velho medalhado de sempre em mundiais de atletismo (43 anos). Um resultado que só não surpreende no marchador do Sporting Clube de Portugal pela demonstração que fez ao longo da carreira da capacidade de bem gerir cada época e as expectativas perante as grandes competições internacionais. Para Dunfee, era a confirmação da grande valia do canadiano, uma prenda saborosa em dia de aniversário cumprido à hora do início da prova.

A competição foi disputada com temperatura ambiente nunca inferior a 30ºC e 70 por cento de humidade relativa. Alinharam à partida 46 atletas, tendo terminado 28. Foram registadas 14 desistências e quatro desclassificações. Nesta prova esteve em funcionamento o sistema de paragem de penalização de cinco minutos («penalty zone», ou p.z.) para atletas com três notas de desclassificação, com a quarta nota a determinar a eliminação do concorrente.

Classificação
50 km masculinos
1.º, Yusuke Suzuki (JPN - Japão), 4.04.20
2.º, João Vieira (POR - Portugal), 4.04.59
3.º, Evan Dunfee (CAN - Canadá), 4.05.02
4.º, Wenbin Niu (CHN - China), 4.05.36
5.º, Yadong Luo (CHN - China), 4.06.49
6.º, Brendan Boyce (IRL - Irlanda), 4.07.46
7.º, Carl Dohmann (GER - Alemanha), 4.10.22
8.º, Jesús Ángel García (ESP - Espanha), 4.11.28
9.º, Maryan Zakalnytskyy (UKR - Ucrânia), 4.12.28
10.º, Narcis Stefan Mihaila (ROU - Roménia), 4.13.56
11.º, Quentin Rew (NZL - Nova Zelândia), 4.15.54
12.º, Ato Ibañez (SWE - Suécia), 4.17.04 p.z.
13.º, Rafał Augustyn (POL - Polónia), 4.20.25
14.º, Mathieu Bilodeau (CAN - Canadá), 4.21.13
15.º, Artur Mastianica (LTU - Lituânia), 4.21.54
16.º, Michele Antonelli (ITA - Itália), 4.22.20
17.º, Alexandros Papamichail (GRE - Grécia), 4.22.39
18.º, Horació Nava (MEX - México), 4.24.16
19.º, Marc Tur (ESP - Espanha), 4.24.38 p.z.
20.º, Jarkko Kinnunen (FIN - Finlândia), 4.25.36
21.º, Arnis Rumbenieks (LAT - Letónia), 4.28.18
22.º, Artur Brzozowski (POL - Polónia), 4.30.17 p.z.
23.º, Jonathan Hilbert (GER - Alemanha), 4.30.43
24.º, Marc Mundell (RSA - África do Sul), 4.41.39
25.º, Valeriy Lіtanyuk (UKR - Ucrânia), 4.42.18
26.º, Bence Venyercsán (HUN - Hungria), 4.45.04
27.º, Hayato Katsuki (JPN - Japão), 4.46.10
28.º, Rafał Sikora (POL - Polónia), 4.50.08
Desclassificados: Cameron Corbishley (GBR - Grã-Bretanha), Håvard Haukenes (NOR - Noruega), Dominic King (GBR - Grã-Bretanha) e Ruslans Smolonskis (LAT - Letónia).
Desistentes: Ivan Banzeruk (UKR - Ucrânia), Teodorico Caporaso (ITA - Itália), Andrés Chocho (ECU - Equador), José Ignacio Díaz (ESP - Espanha), Yohann Diniz (FRA - França), Dzmitry Dziubin (BLR - Bielorrússia), Máté Helebrandt (HUN - Hungria), Tomohiro Noda (JPN - Japão),
Isaac Palma (MEX - México), Veli-Matti Partanen (FIN - Finlândia), Nathaniel Seiler (GER - Alemanha), Matej Tóth (SVK - Eslováquia), Claudio Paulino Villanueva Flores (ECU - Equador) e Qin Wang (CHN - China).