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| A equipa do ajuizamento da marcha em Birmingham. Foto: EA/LOC Birmingham 2026. Montagem: O Marchador. |
A 27.ª edição dos Campeonatos Europeus de Atletismo, realizada de 9 a 16 de agosto, em Birmingham, ficará registada na história da marcha atlética europeia por várias razões. Uma delas foi a estreia, no programa dos Campeonatos, das novas distâncias de meia-maratona e maratona, disputadas num circuito de estrada com um quilómetro de perímetro, instalado no centro da cidade.
Num único dia, as quatro provas de marcha tiveram início às 7h30 e reuniram 108 atletas, em representação de 19 países.
Mas, para além dos atletas e dos resultados, existe uma outra componente fundamental numa competição desta dimensão: o ajuizamento. É sobre o trabalho dos juízes especialistas de marcha que este artigo pretende lançar um olhar mais atento.
Uma equipa internacional de especialistas
Para assegurar a arbitragem das quatro competições, a European Athletics nomeou uma equipa internacional constituída por juízes especialistas de marcha dos níveis Gold e Silver da World Athletics: Mara Baleani (ITA), na qualidade de Juiz-Chefe; Martin Skarba (SVK); Guillermo Sandino (ESP); Jenni Lattinen (FIN); Miloslav Lapka (CZE); Petar Peev (BUL); e Kristina Saltanovic (LTU).
A Juiz-Chefe contou com Jane Pidgeon (GBR) como Assistente, enquanto Jerry Watson ficou responsável pela coordenação da Zona de Penalização. A função de Secretário foi desempenhada por Steve Taylor (GBR).
Uma equipa internacional, experiente e especializada, cuja missão passa muitas vezes despercebida ao grande público, mas que assume uma importância decisiva para garantir o cumprimento das regras e a igualdade de condições entre todos os concorrentes.
A tecnologia ao serviço dos juízes
Birmingham trouxe também uma interessante demonstração da crescente utilização da tecnologia na arbitragem da marcha atlética.
Munidos de aparelhos eletrónicos, os juízes puderam transmitir de forma rápida as suas decisões, nomeadamente as advertências e as faltas assinaladas aos atletas. A informação das faltas surgia depois no enorme quadro eletrónico, permitindo o acompanhamento praticamente em tempo real das decisões dos juízes de marcha.
Um pormenor particularmente interessante era a colocação da bandeira correspondente ao país do atleta junto da respetiva indicação de falta, tornando a informação imediatamente identificável.
Mas o sistema não terminava no quadro eletrónico. As informações transmitidas pelos juízes eram igualmente encaminhadas para o computador, onde ficaram registados os dados necessários à elaboração da folha eletrónica da arbitragem.
Deste modo, todo o trabalho dos juízes especialistas ficou documentado de forma rápida, organizada e precisa, permitindo uma análise posterior muito mais detalhada das suas decisões.
O que dizem os números?
A análise das quatro provas permite também retirar algumas conclusões interessantes.
Foram registadas 69 notas de desclassificação (RC): 46 por suspensão (~) e 23 por flexão (<). As suspensões representaram, assim, 66,67% do total, enquanto as infrações por flexão corresponderam a 33,33%.
Mas há outro dado que merece especial destaque.
Dos 108 atletas participantes, 69 não registaram qualquer nota de desclassificação (RC), o equivalente a 63,89% do total. E se referirmos àqueles atletas que não lhes foram anotadas advertências (YP) ou faltas, o número continua a ser particularmente expressivo: 42.
Numa análise por países, e considerando o número de atletas que terminaram as provas com a chamada “folha limpa”, isto é, sem qualquer reparo por parte dos juízes (YP ou RC) a Espanha destacou-se claramente, com 8 atletas sem qualquer RC entre os 12 participantes. Seguiram-se a Itália, também com 5 atletas, num universo de 12 participantes e a Grécia, com 5 atletas em 10. A realização deste estudo deveu-se à análise das folhas de resultados, já que nas folhas dos juízes não estão assinalados os atletas que exibiram uma técnica irrepreensível aos olhos dos juízes.
Estes números permitem, assim, destacar o desempenho não apenas dos atletas, mas também das escolas nacionais de marcha e do trabalho desenvolvido na preparação técnica dos seus representantes.
Colaboração: José Ganso.
