terça-feira, 14 de abril de 2020

Confinado mas não parado, Yohann Diniz experimenta a apneia

Yohann Diniz. Foto: facebook do próprio
O adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio para 2021 mantém Yohann Diniz confinado a casa, em Soissons, mas não o impede de procurar manter-se em forma e até de experimentar novas actividades. O recordista mundial dos 50 km marcha dizia há poucos dias à Rádio Monte Carlo (RMC) que está a procurar tirar partido deste período especial para experimentar a apneia.

Para o marchador francês, o adiamento dos Jogos até pode ter funcionado como uma espécie de «pausa» na preparação, mas é preciso não baixar os braços e, mesmo aos 42 anos, procura manter a actividade física apesar das particularidades da época que se atravessa. Em Soissons, onde se mantém com a família, Diniz faz por passar uma hora no exterior. «Dei uma volta aqui ao pé de casa, mas não há por cá ninguém. É difícil cruzar-se com alguém. Limito-me a fazer alguma manutenção», declarou à RMC.

Mas o actual contexto também dá espaço para novas experiências e foi assim que Yohann Diniz decidiu dar atenção ao mergulho livre, variante do mergulho feita em apneia, ou seja, sem apoio à respiração, ao contrário do mergulho autónomo, em que se usa máscaras e botijas de oxigénio.

O interesse de Diniz pelo mergulho livre tem já alguns anos e vem do tempo em que conheceu Guillaume Nery, que apelida de «papa do mergulho livre». «Trocámos correspondência, falámos do treino da respiração. Ele deu-me vários conselhos para melhorar a minha capacidade pulmonar», recorda Yohann Diniz.

Amante da natação, o ex-campeão mundial dos 50 km marcha (Londres-2017) aproveita o tempo de que dispõe para ver vídeos de mergulho. Quanto a praticar, limita-se por agora a usar uma esferográfica para exercícios de respiração. «Aprendemos a fazer circular o ar mais devagar. Fazemos isso por períodos de tempo, que podem ser de 30 segundos, depois 45, um minuto, um minuto e 15, minuto e meio...», afirma.

A apneia está muitas vezes associada a façanhas de nadadores em mar aberto, mas Yohann Diniz não se considera nenhum Jacques Mayol, uma das grandes figuras da história do mergulho sem botijas de ar. Prefere, isso sim, concentrar-se na esferográfica, que deixa entrar apenas uma quantidade mínima de ar. «Permite economizar e é esse o objectivo do exercício. No final aumenta a capacidade ventilatória da caixa torácica», explica.

Uma melhoria da capacidade respiratória que, depois do confinamento, numa fase de carreira com os últimos desafios, poderá fazer grande diferença.

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Adiado o Grande Prémio da Corunha

A edição de 2019 e o pódio dos 20 km.
Fotos: fb Gran Premio Internacional de Marcha Los Cantones
Montagem: O Marchador
O XXXIV Grande Prémio Internacional de Marcha Cantóns da Coruña – Sergio Vázquez, que estava programado para se realizar no próximo dia 30 de maio, acaba de ser adiado, de acordo com um comunicado conjunto, difundido no dia de hoje pela Federação Galega de Atletismo e pelo Concello da Coruña.

Algumas das razões invocadas prendem-se pela situação de confinamento que se verifica atualmente no território espanhol e que, previsivelmente, prolongar-se-á pelo mês de maio – os atletas espanhóis estão impedidos, neste período, de se treinarem na via pública – inviabilizando também, do ponto de vista legal, a realização do evento.

Por outro lado, as provas que se viessem a realizar até 30 de novembro do corrente ano não contariam para o ranking da WA nem as marcas obtidas que superassem os mínimos fixados para os Jogos Olímpicos de 2021 seriam consideradas válidas até à referida data. No entanto, a organização mantém o propósito de realizar a prova ainda no decorrer do presente ano pelo que estabelecerá contactos com a World Athletics e os restantes organizadores dos eventos que integram o Challenge Mundial de Marcha, tendente à tomada de uma decisão final.

Relembramos que o Grande Prémio da Corunha, cuja primeira edição teve lugar em 1987, é a única no mundo, no setor da marcha, a ser galardoado pela World Athletics com o título de Património Mundial do Atletismo.

Na edição de 2019 o nível foi excecional tendo contado com a participação de 112 atletas nos 20 km masculinos, ganhos pelo japonês Toshikazu Yamanishi (1:17:41), os vinte primeiros a registarem tempos abaixo da uma hora e vinte minutos, enquanto nas mulheres, prova ganha pela equatoriana Glenda Morejón (1:25:29), foram setenta e oito as que alinharam à partida, com as dezasseis primeiras a realizarem tempos abaixo da uma hora e trinta e um minutos. Em 2015 a chinesa Hong Liu bateu o recorde mundial feminino na distância, com o tempo de 1:24:38.

Em todo o mundo, o novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de um milhão e oitocentas mil pessoas desde que a doença foi conhecida, das quais morreram mais de 112.000.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, tendo a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarado o estado de pandemia.

domingo, 12 de abril de 2020

Lembrando os Campeonatos de Clubes de Lisboa – 1983

A equipa do CCD Olivais Sul participante nos campeonatos
de clubes 1983. Foto: arquivo «O Marchador»
Hoje, com a fotografia apresentada, recordamos uma prova que constituiu um marco para o desenvolvimento da marcha atlética em Portugal nos seus primeiros 10 anos desde que ressurgiu no panorama do atletismo nacional: período de 1974 a 1984.

Numa iniciativa que visava a implementação da disciplina em Lisboa, a Associação de Atletismo de Lisboa organizava, pelo segundo ano consecutivo, o Campeonato de Clubes de Lisboa, uma competição de cariz coletivo que premiava, nos vários escalões etários, os clubes que globalmente apresentassem melhores resultados.

O evento teve lugar na pista do Estádio Nacional, no Jamor, em jornada dupla, realizada no fim de semana de 9 e 10 de julho de 1983 e onde compareceram mais de uma centena de jovens praticantes da especialidade e em que numa só prova, a dos 1.000 metros infantis masculinos, haveriam de alinhar à partida 32 atletas.

Nesses tempos, a Associação Desportiva de Oeiras, com prevalência no setor feminino, o Clube de Futebol de Santa Iria, com maior incidência no setor masculino, e o Centro de Cultura e Desporto de Olivais Sul, eram os clubes com maior destaque na marcha quer sob o ponto de vista quantitativo quer na dimensão qualitativa de vários dos seus representantes. Também o Clube de Futebol “Os Belenenses” e o Sporting Clube de Alenquer apresentavam-se regularmente nas provas com atletas que representaram ou viriam a vestir as cores da seleção nacional.

Foi esse o retrato da participação no Campeonato de Clubes de 1983 de que resultaram vitórias coletivas da AD Oeiras (femininos) e do CF Santa Iria (masculinos) e maiores destaques, no plano individual, de José Pinto (CF Belenenses) e Paula Gracioso (CCD Olivais Sul) que estabeleceriam novos recordes nacionais absolutos, o primeiro nos 10.000m e a segunda nos 5.000m.

Com a especialidade a integrar paulatinamente o programa dos campeonatos nacionais de atletismo nos seus diversos escalões, os responsáveis da marcha atlética de então, em colaboração com diversas entidades públicas e coletividades, organizavam provas um pouco por todo o país, como foram os casos dos bem-sucedidos eventos em Lisboa, Santa Iria de Azóia, Vila Franca de Xira, Alenquer, Beja e Urgeiriça (Viseu).   

Na foto, que representa a equipa do CCD Olivais Sul, participante na segunda edição dos Campeonatos de Clubes, podemos ver, em primeiro plano (de pé), José Pagamim (responsável pelo departamento de atletismo do clube), Vítor Barata (atleta veterano que, na qualidade de motorista da DGD, muito apoiou atletas de diversos clubes à deslocação a eventos fora de Lisboa), Paula Gracioso, Artur da Silva Ferreira (treinador) e José Dias.

sábado, 11 de abril de 2020

Tom Bosworth, um carismático marchador

Tom Bosworth em Doha 2019 e quando do seu 1.º título nacional
em 2010. Fotos: Sam Barnes/SportsFile e twitter Tom Bosworth
Montagem: O Marchador
O credenciado marchador britânico Tom Bosworth, poucos dias antes do adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio para 2021, anunciou que terminaria a sua carreira desportiva caso o evento fosse cancelado, tendo já salvaguardada a qualificação direta com a marca de 1.20.53 nos 20 km realizados na Taça da Europa de Marcha de Alytus 2019.

Anunciado pelo próprio Bosworth, cumpre hoje 10 anos desde que conseguiu o seu primeiro título nacional nos 20 km disputados no Victoria Park em Londres (11-4-2010), então na categoria sub-23 e com um registo quase 12 minutos mais lento (1:31:06) que o seu atual recorde pessoal.

Decorrida uma década, e aos 30 anos de idade, completados em janeiro passado, é detentor de 1:19:38 aos 20 km, marca obtida em 2018 nos Jogos da Commonwealth em Gold Coast, Austrália, onde foi medalha de prata, e tem no seu expressivo curriculum um sexto lugar nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro 2016 (20 km, 1:20:13). Nos recentes mundiais de Doha 2019 foi sétimo classificado, redimindo-se da traumática desclassificação na edição de Londres 2017.

A muito complicada situação a nível mundial relacionada com o novo coronavírus, que a todos afeta, interrompeu o que parecia ser o início de 2020 brilhante para Bosworth face aos registos cronométricos já conseguidos: 18:20.97 nos 5.000 metros na pista coberta em Glasgow (23/2) e 39:10 nos 10 km em Coventry (1/3), ambos recordes absolutos da Grã-Bretanha.

Esperamos que em breve, tanto quanto possível, tudo volte ao normal!

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Evocando Pietro Pastorini, hoje aniversariante

Pietro Pastorini no uso da palavra durante a Gala da Marcha
Atlética em Lomello, em novembro passado.
Foto: FIDAL - Comitato Regionale Lombardia
Montagem: O Marchador
O treinador italiano Pietro Pastorini, profundo conhecedor da marcha atlética, com mais de quarenta anos de experiência na especialidade, cumpre hoje 83 primaveras, motivo pelo qual a equipa de “O Marchador” endereça-lhe os parabéns, com votos de felicidades e muita saúde.

Treinou vários atletas de classe internacional que alcançaram, ao todo, 14 medalhas internacionais em grandes eventos. Citando apenas alguns, relembramos os sucessos de atletas por ele treinados: Michele Didoni, campeão mundial dos 20 km em Gotemburgo, em 1995, Giovanni Perricelli, medalha de prata dos 20 km, também naquela edição dos mundiais de atletismo (hoje treinador da mundialmente conhecida Eleonora Giorgi), e Erica Alfridi, medalha de prata nos Europeus de Budapeste, em 1998. Treinou também as internacionais suíças, as irmãs Polli (Laura e Marie), e atualmente orienta outros atletas, entre os quais o internacional Stefano Chiesa.

Pietro nasceu em Galliavola, província de Pádua, no dia 10 de abril de 1937. Antigo praticante da modalidade, tirou em 1970 o seu certificado de técnico de atletismo e especializou-se na marcha começando em 1973 a trabalhar num projeto desportivo com jovens de ambos os sexos, sendo um dos principais impulsionadores da implementação da marcha feminina em Itália, a par de Fulvio Villa e Gianni Mauri, o que levou a que o seu compatriota, Primo Nebiolo, eleito em 1981 presidente da IAAF (hoje com a designação de World Athletics) a introduzisse no âmbito de eventos a nível mundial. Integrou o setor técnico da marcha da Federação Italiana de Atletismo (FIDAL), tendo trabalhado, entre outros, com Sandro Damilano.

Um dos aspetos mais relevantes da personalidade do amigo Pietro Pastorini é a sua humildade e afabilidade. Apesar do seu extenso e rico currículo, não raras vezes pede a opinião sobre aspetos específicos de atletas orientados por si, seja a colegas seus (treinadores), seja a juízes especialistas de marcha.

Em 30 de novembro do ano passado organizou em Lomello (Pavia), com o apoio da Câmara Municipal, da FIDAL Lombardia, e de outras entidades, uma magnífica Gala da Marcha Atlética, com a presença de antigas glórias da marcha italiana e em que foram homenageados os grandes atletas italianos da atualidade, seguindo-se um colóquio onde destacadas figuras da marcha atlética discutiram aspetos relevantes no âmbito do setor.

Tanti auguri Pietro!

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Tallent procura redenção em Tóquio

Jared Tallent em selo editado pelos Correios Australianos.
Imagem: Australia Post Collectables
O australiano Jared Tallent, uma das maiores figuras mundiais da marcha atlética, decidiu adiar o seu afastamento das lides competitivas para depois dos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, evento em que buscará redenção após lhe ter sido «roubado» o seu momento de glória em Londres 2012, nos Jogos da XXX Olimpíada.

Tallent, que subiu ao pódio por quatro vezes em 3 Jogos Olímpicos (2008-2012-2016), viria a sagrar-se campeão olímpico nos 50 km em Londres 2012, onde terminara em segundo lugar, após a desclassificação por doping do russo Sergey Kirdyapkin, o que apenas aconteceu em março de 2016.

Na imagem ao lado, o selo editado em julho de 2016 pelos Correios Australianos, da autoria da designer Simone Sakinofsky, em reconhecimento pela medalha de ouro olímpica de Tallent.

No Rio de Janeiro 2016 esteve muito próximo de cortar a meta em primeiro lugar quando liderava os 50 km já bem perto do final, sendo ultrapassado na última volta de 2 km pelo eslovaco Matej Tóth, o vencedor.

A sua grande motivação em Tóquio, como afirmou, será vencer a prova de 50 km.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Mundiais de Eugene marcados para 2022, de 15 a 24 de julho

Imagens: WA e LOC Eugene. Montagem: O Marchador
Depois do adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio para 2021, a World Athletics (WA) comunicou hoje que os Campeonatos do Mundo de Atletismo de Eugene, Oregon, Estados Unidos da América, reagendados para 2022, serão realizados no período de 15 a 24 de julho.

Esta decisão da WA surge em articulação com outros eventos internacionais já previstos para 2022, nomeadamente a XXII edição dos Jogos da Commonwealth em Birmingham, de 27 de julho a 7 de agosto, e os Campeonatos da Europa de Atletismo (com provas de marcha) de Munique, de 15 a 21 de agosto.

Para a disciplina da marcha atlética, com provas previstas nos programas dos três referidos eventos, será, em pouco mais de um mês, um período de intensa atividade competitiva ao mais alto nível.

Qualificação para Tóquio reinicia-se a 1 de dezembro

Montagem: O Marchador
O processo de qualificação por marcas ou pelos «rankings» tendo em vista os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, a realizar em 2021, fica suspenso desde 6 de abril a 30 de novembro do corrente ano, conforme ontem anunciado pela World Athletics (WA). As marcas que se vierem a realizar neste período contarão apenas para efeitos estatísticos, incluindo-se a possibilidade de serem batidos recordes mundiais ou de áreas.

Quer isto dizer que o dia 1 de dezembro (3.ª feira) inclusive marcará o reinício da qualificação olímpica para os atletas que participem em eventos nacionais ou internacionais de marcha que se disputem a partir dessa data.

A WA clarifica ainda que todos os atletas que já obtiveram os mínimos de participação (50 km masc., 3:50:00; 20 km, 1:21:00 masc./1:31:00 fem.) de 1 de janeiro de 2019 a 5 de abril de 2020 continuam qualificados, sendo elegíveis para as seleções dos seus países.

O términus do novo período de qualificação olímpica termina no dia 31 de maio para os 50 km marcha masculinos e no dia 29 de junho para os 20 km masculinos e femininos.

Aguardemos agora pelo reagendamento dos eventos internacionais em 2021 (e até aos Jogos) no âmbito da World Athletics e das respetivas Áreas, sabendo que essa informação será determinante para a definição dos calendários das federações nacionais.

O «press-release» da World Athletics pode ser lido aqui.

terça-feira, 7 de abril de 2020

Firson Almir Nascimento, 1937-2020

Firson Almir Nascimento.
Foto: José Dias
O ex-presidente da Federação Brasiliense de Atletismo, hoje designada por Federação de Atletismo do Distrito Federal, Firson Nascimento, faleceu esta segunda-feira (dia 6), aos 83 anos de idade.

Firson Nascimento vivia há cerca de dois anos em Lisboa, com a sua esposa, filha e neta. Personalidade de fino trato, era um atento observador do fenómeno desportivo e frequentemente dirigia-se-nos com palavras simpáticas a propósito de artigos expressos neste blogue.

Nascido a 1 de abril de 1937, na Foz do Iguaçu, Estado do Paraná, Firson Nascimento era licenciado em Educação Física, tendo sido um dos dirigentes que chefiou a delegação brasileira à Taça do Mundo de Marcha, que teve lugar na Corunha em 2006. Acompanhou, também em funções oficiais, outras seleções brasileiras a grandes eventos internacionais, nomeadamente os mundiais em Paris e Osaka. No período de 2005 a 2009 integrou a Comissão de Orçamento e Finanças da CBAt, então presidida por Roberto Gesta de Melo.

A primeira vez em que estabelecemos o contacto pessoal foi em Brasília, no ano de 2006, aquando da realização de uma ação de formação e certificação de juízes de atletismo, vocacionada especificamente para a área da marcha atlética. O seu sentido de organização, disponibilidade e grande afabilidade foram notas que pudemos destacar com muito apreço ficando, desde então, o registo de uma boa e sincera amizade.

A Confederação Brasileira de Atletismo, através de Warlindo Carneiro da Silva Filho, presidente do Conselho de Administração, em comunicado difundido hoje no seu site, decretou luto oficial de três dias.

À família e amigos, a equipa de «O Marchador» expressa as mais sentidas condolências.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

García Bragado vai até aos Jogos de Tóquio, aos 51 anos

Jesús Ángel García Braga. Foto: El Periódico/Jordi Cotrina
Montagem: O Marchador
Jesús Ángel García Bragado, carinhosamente tratado por “Chuso” mantém os firmes propósitos de terminar a sua carreira nos Jogos Olímpicos de Tóquio, usando o seu último dorsal, isto, apesar de ter de esperar até agosto de 2021 para poder marchar nos seus derradeiros 50 quilómetros.

“Penso que Tóquio 2021 assinalará a última prova de 50 km marcha (é sabido que a partir daí a prova será substituída no programa dos Jogos Olímpicos pela distância de 35 km) e pretendo continuar a lutar por esse objetivo”, declarou o atleta madrileno a The Tactical Room, consciente de que, no presente momento, o mais importante é preservar a saúde.

García Bragado, que no verão do próximo ano terá 51 anos de idade, é o atleta no mundo inteiro, a par da jamaicana/eslovena Marlene Ottey, com o maior número de presenças em Jogos Olímpicos - sete, e continuando para Tóquio seria o primeiro a chegar às oito participações.

Sempre participando em provas de 50 km, a sua estreia deu-se nos Jogos de Barcelona, em 1992, conquistando diplomas olímpicos nos Jogos de Atenas 2004, onde foi quinto classificado, e nos de Pequim 2008, onde chegou em quarto.

Nos treze campeonatos mundiais em que participou (um recorde absoluto), o maior destaque vai para os de Estugarda, em 1993, onde conquistou a medalha de ouro, sendo ainda vice-campeão em 1997, 2001 e 2009, sexto em 2003, quinto em 1995 e, finalmente, oitavo nos mundiais de Doha, no ano passado, perante condições estremas de calor e humidade. Aqui, com o seu resultado, praticamente garantiu o apuramento direto para os próximos Jogos Olímpicos.

domingo, 5 de abril de 2020

Evocando Hélder Oliveira

Hélder Oliveira, do início da carreira aos Jogos Olimpicos de Seul.
Foto do arquivo O Marchador e imagens vídeo YouTube
Montagem: O Marchador
Hélder Manuel das Dores Oliveira nasceu em Olhão, a 13 de setembro de 1960, e iniciou-se na marcha atlética no ano de 1981 revelando-se, desde então, um dos melhores marchadores nacionais e um modelo inspirador para uma geração de atletas, sobretudo na região do Algarve, uma das que registou no país um maior nível de desenvolvimento nas últimas décadas.

Em representação do Sporting Clube Olhanense, estreou-se nas lides competitivas no dia 11 de janeiro de 1981, nos 5.000 metros marcha do Grande Prémio Sumol, organizado pelo Clube de Futebol “Os Belenenses” na então pista de cinza do Estádio do Restelo, vindo no seu ano de estreia a bater o recorde nacional dos 10.000 metros, em 1982 o dos 5.000 metros e em 1985 o da prova da hora.

Durante a década de 80 manteve-se sempre no topo nacional e foi por escassíssimos dois segundos que no GP “Planície Dourada”, realizado em Beja, a 24 de abril de 1982, não alcançou os mínimos exigidos, prova em que José Pinto se qualificou para os Campeonatos Europeus de Atenas.

Amigo dos companheiros de competição, independentemente da filiação clubística, nunca regateou palavras de estímulo aos mais novos. Veria premiado a dedicação à marcha atlética com a presença nos Jogos Olímpicos de 1988 – sonho de qualquer atleta – juntando-se em Seul, na Coreia do Sul a outros dois grandes expoentes da marcha atlética portuguesa daqueles tempos: José Pinto e José Urbano.

José Pinto, que foi o decano dos marchadores portugueses, um dos pioneiros no ressurgimento da especialidade no nosso país, na década de 70, haveria de dizer que “o Hélder Oliveira teve o prémio que já justificava havia vários anos. Ele foi um grande atleta – isso é indiscutível -, fez história em Portugal, foi impagável em determinadas situações, no companheirismo e no atleta que era”.

Campeão nacional dos 20 km marcha em 1985 e 1987, Hélder Oliveira representou o SC Olhanense (1972 a 1980 na corrida, 1981 a 1983 na marcha), GD Vilamoura (1984), Louletano DC (1985 e 1986), Sporting CP (1987 a 1989) e Imortal DC (1990 e 1991).

No seu percurso internacional participou em vários eventos realizados no estrangeiro, com prestações destacadas. Além dos Jogos de Seul, a cereja no topo do bolo, representou as cores da seleção portuguesa nas Taças do Mundo de 1987 (Nova Iorque), 1989 (L’Hospitalet, Barcelona), 1991 (San José, Califórnia) e nos Campeonatos da Europa de Pista Coberta de 1987 (Liévin, França) e de 1990 (Glasgow, Escócia). Nesta última vertente haveria de estabelecer o recorde nacional, precisamente em Liévin (19.53,51), tendo à sua frente, passados todos estes anos, apenas mais cinco atletas (José Urbano, o atual recordista na distância, os irmãos João e Sérgio Vieira, Miguel Carvalho e Pedro Isidro), o que releva a sua imensa qualidade num tempo onde os apoios económicos eram escassos.

Hélder Oliveira, funcionário da Câmara Municipal de Olhão (área do lazer e do desporto), desenvolve no seu município um vasto conjunto de atividades físicas vocacionadas para o bem-estar da população e era um dos grandes rostos da organização dos Nacionais de Marcha deste ano dos 20 km marcha, adiados para momento oportuno, atentas as ponderosas razões de salvaguarda da saúde (Codiv-19) que Portugal e o Mundo atualmente atravessam.

Desde 1988, com o lançamento do programa “Marchas Passeio”, da DGD, que Hélder Oliveira não abranda um momento. São as marchas no concelho, são as marchas solidárias, são os corta-matos escolares concelhios e os eventos de marcha e corrida, integrados no programa “Corridas à Sexta” e realizados por toda a região do Algarve, é toda a coordenação do grupo de marcha e corrida “Mexe-te Mó”, com a adesão regular de mais de uma centena de participantes, é a descoberta e a certificação de seis novos percursos pedestres, num constante rodopio.

São várias as condecorações e honrarias que o carismático Hélder Oliveira já recebeu de entidades públicas das quais destacamos, em 1986, a atribuição pela Junta de Freguesia de Olhão da Medalha de Honra da Freguesia e, em 1988, a concessão pela Câmara Municipal de Olhão da Medalha de Mérito Desportivo. Ainda na década de oitenta havia sido agraciado pela Junta de Freguesia de Quelfes com a Medalha de Honra – Grau Ouro.

sábado, 4 de abril de 2020

Kozell bate recorde W65 do Canadá nos Campeonatos Indoor de Ontário

A recordista W65 do Canadá, Kris Kozell (dorsal 918),
pose feminina e a partida conjunta da prova de marcha.
Fotos: John MacMillan/Ontario Masters
Montagem: O Marchador
Kris Kozell, marchadora de 67 anos do Ontario Racewalk, esteve em evidência por ocasião da 50.ª edição dos Campeonatos de Ontário de Atletismo Veterano em Pista Coberta, disputados em Toronto (8/3), ao bater o recorde do Canadá da categoria W65 nos 3.000 metros marcha, com 17:46.49, marca que pela tabela de graduação internacional corresponde a 85.70% e equivale a um registo de 13:30.96.

O anterior recorde nacional pertencia a Teresa Chiozza, com 18:06.32 em 2007. Kozell superou igualmente o recorde dos campeonatos de Ann Marie Rosenitsch, com 19:14.0 desde 2007.

Nos masculinos, os principais desempenhos foram conseguidos por David Swarts, atleta M50 dos E.U. América, a participar extra-campeonato, com 14:26.30 (83.44%, 12:36.72), por Jianping Xu, M50, o campeão nacional da categoria e representante do Dundas Valley, com 15:27.01 (77.98%, 13:29.75).

Os campeonatos estavam posicionados uma semana antes do Nacional previsto para Saint John, New Brunswick (14-15/3), evento entretanto cancelado pela crise do COVID-19. Igual cancelamento teve o Mundial de Atletismo para Veteranos marcado para o verão deste ano em Toronto, conforme noticiado no «O Marchador», aqui.

Classificações
3.000 m masculinos - marca final (age-grading)
M50
1.º, David Swarts, M54 (E.U. América - extra), 14:26.30 (12:36.72 - 83.44%)
2.º, Jianping Xu, M54 (Dundas Valley), 15:27.01 (13:29.75 - 77.98%)
3.º, George Maniatogiannis, M53 (Toronto RW), 19:58.59 (17:26.97 - 60.31%)
M55
1.º, Daniel O'Brien, M55 (Individual - extra), 16:40.42 (13:56.76 - 75.46%)
M60
Desclassificado: Janusz Tarnawski, M60 (Individual - extra).

3.000 m femininos - marca final (age-grading)
W45
1.ª, Blanka Smetana, W45 (Toronto RW), 18:35.68 (17:12.01 - 67.34%)
W55
1.ª, Katharine Cashman, W59 (Toronto RW), 18:35.32 (15:46.02 - 73.47%)
2.ª, Nicky Slovitt, W59 (Ontario Racewalk), 19:35.63 (16:37.17 - 69.70%)
W65
1.ª, Kris Kozell, W67 (Ontario Racewalk), 17:46.49 (13:30.96 - 85.70%)
2.ª, Anne De Thy, W66 (Ontario Racewalk), 19:24.55 (14:45.53 - 78.48%)

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Campeonatos de Marcha da Bulgária, em Pomorie (resultados)

Os campeonatos da Bulgária em Pomorie em imagens várias, entre
as quais os vencedores Yordan Dimitrov (dorsal 2910) e Alten
Atanasova (230). Fotos: Município de Pomorie.
Montagem: O Marchador
Na bela cidade búlgara de Pomorie, na costa do Mar Negro, tiveram lugar os Campeonatos Nacionais de Marcha em Estrada (7/3), evento que contou com meia centena de participantes e foi organizado pela Federação de Atletismo da Bulgária, pelo Município de Pomorie, com a ilustre presença do seu presidente Ivan Alexiev, e ainda pelo Clube de Atletismo 2004 de Pomorie.

As principais provas foram disputadas na distância de 10 km e destinadas aos escalões de sub-20 e seniores femininos e de sub-18, sub-20 e seniores masculinos. Os sub-18 femininos competiram na distância dos 5 km.

No setor feminino, as três primeiras classificadas em termos absolutos foram atletas da categoria sub-20 e todas representando o SKLA Dobrudzha, com destaque para Alten Atanasova, a obter 57.45, seguida de Reni Hineva (1.01.51) e Mira Nikolova (1.03.20). Pouco depois desta entrava a primeira sénior, Maria Angelova (SK Mizija, 1.03.28). Em prova separada de 5 km sub-18, sagrou-se campeã Aleksandra Bekiarova, do SKLA Dobrudzha, com 29.28.

No setor masculino, o melhor foi o M50 Yordan Dimitrov, do SK Atletik 91 V. Tarnovo, com 56.09, seguido de Nikolay Shopov, M45 do KLA Spartak, com 57.23, e Atanas Atanasov, M45, do SK Atlet 2004, com 57.29, todos atletas veteranos a competirem como seniores. Os títulos individuais sub-20 e sub-18 foram alcançados por Teodor Kurtev (SKLA Shumen, 58.02) e Georgi Georgiev (SKLA Dobrudzha, 1.00.20), respetivamente.

Nos mais jovens, 2 km para a categoria sub-16, vitórias de Kristian Ivanov (11.33) e Iliyana Borisova (11.38), ambos do SHLA Shumen.

Colaboração: Kristina Saltanovic

Principais classificações
10.000 m femininos - geral
1.ª, Alten Atanasova, 2002 (SKLA Dobrudzha), 57.45 - 1.ª, sub-20
2.ª, Reni Hineva, 2002 (SKLA Dobrudzha), 1.01.51 - 2.ª, sub-20
3.ª, Mira Nikolova, 2002 (SKLA Dobrudzha), 1.03.20 - 3.ª, sub-20
4.ª, Maria Angelova, 1980 (SK Mizija), 1.03.28 - 1.ª, sénior
5.ª, Ivanina Petkova, 1997 (SKLA Shumen), 1.04.32 - 2.ª, sénior
6.ª, Stanislava Petrova, 1993 (SKLA Dobrudzha), 1.08.52 - 3.ª, sénior
7.ª, Viktorija Peneva, 2001 (SKLA Shumen), 1.09.23 - 4.ª, sub-20
8.ª, Yolina Atanasova, 1998 (SKLA Novi Pazar), 1.11.25 - 4.ª, sénior
9.ª, Petina Hristova, 2002 (SKLA Shumen), 1.12.25 - 5.ª, sub-20
10.ª, Yovka Niagolova, 1957 (SKLA Dobrudzha), 1.25.44 - 5.ª, sénior
Desistente: Maya Zhekova, 1994 (SK Atlet 2004) - sénior.

10.000 m masculinos - geral
1.º, Yordan Dimitrov, 1969 (SK Atletik 91), 56.09 - 1.º, sénior
2.º, Nikolay Shopov, 1973 (KLA Spartak), 57.23 - 2.º, sénior
3.º, Atanas Atanasov, 1972 (SK Atlet 2004), 57.29 - 3.º, sénior
4.º, Teodor Kurtev, 2001 (SKLA Shumen), 58.02 - 1.º, sub-20
5.º, Ivan Ivanov, 2003 (SKLA Dobrudzha), 58.33 - 2.º, sub-20
6.º, Petr Lalov, 1992 (SK Mizija), 1.00.03 - 4.º, sénior
7.º, Georgi Georgiev, 2003 (SKLA Dobrudzha), 1.00.20 - 1.º, sub-18
8.º, Erkan Zakir, 2004 (SKLA Shumen), 1.04.03 - 3.º, sub-20
9.º, Radoslav Svirecov, 2000 (SK Atlet 2004), 1.04.18 - 5.º, sénior
10.º, Stanislav Tanchev, 1975 (SKLA Dobrudzha), 1.05.19 - 6.º, sénior
11.º, Taliat Taliatov, 2002 (SKLA Dobrudzha), 1.05.47 - 4.º, sub-20
12.º, Petr Dimov, 2003 (SKLA Dobrudzha), 1.07.14 - 2.º, sub-18
13.º, Melih Mehmed, 2002 (SKLA Shumen), 1.09.50 - 5.º, sub-20
14.º, Cvetan Cviatkov, 2003 (SKLA Shumen), 1.10.06 - 3.º, sub-18
15.º, Nayden Petrov, 2003 (SKLA Shumen), 1.10.09 - 4.º, sub-18
Desistentes: Berke Ainur, 2002 (SKLA Shumen) - sub-20 e Edis Ihsan, 2000 (SKLA Shumen) - sénior.
Desclassificado: Stanimir Cvetkov, 1988 (SK Mizija) - sénior.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Veteranos irlandeses nos nacionais indoor em Athlone (resultados)

Cerimónia de premiação feminina e foto de família dos
participantes masculinos da marcha em Athlone.
Fotos: Justin Lane e Monaghan Phoenix AC
Montagem: O Marchador
A pista coberta de Athlone recebeu os Campeonatos da Irlanda de Atletismo para Veteranos (8/3), com as provas de 3.000 metros marcha para masculinos e femininos a terem como vencedores absolutos Ross Alexander, M35, do Coolquill A.C., com 15:03.62, e Maggie Helen O`Connor,W45, do St. Joseph's A.C., com 16:11.56, atletas que na véspera já tinham tomado parte nos nacionais de estrada em Raheny (St. Anne’s Park), ele nos 10 km e ela nos 20 km.

Nos masculinos, com 13 participantes, os segundo e terceiro classificados na meta foram Patrick Murphy, M55 (Castleisland A.C., 15:16.16) e, 2 centésimos de segundo depois, Colm Walsh, M40 (Mullingar Harriers A.C., 15:16.18). Nos femininos, com 6 atletas, os mesmo lugares da geral foram ocupados por Rachel Conlon, W35 (Calry A.C., 16:33.88) e Brid Lawlor, W60 (St. Joseph's A.C., 19:59.19).

Uma nota para o concorrente mais idoso, da categoria M85, Con Hearty (Dundrum South Dublin A.C.), oitavo na geral, com 20:24.96.

Classificações
3.000 m masculinos - geral/escalão
1.º, Ross Alexander (Coolquill A.C.), 15:03.62 - 1.º, M35
2.º, Patrick Murphy (Castleisland A.C.), 15:16.16 - 1.º, M55
3.º, Colm Walsh (Mullingar Harriers A.C.), 15:16.18 - 1.º, M40
4.º, John Joe Lawlor (St. Joseph's A.C.), 17:46.70 - 1.º, M50
5.º, Sean Mcmullin (Mullingar Harriers A.C.), 17:47.71 - 1.º, M70
6.º, Michael O`Connor (Farranfore Maine Valley A.C.), 19:10.09 - 2.º, M70
7.º, John Laste (Clonmel A.C.), 19:10.80 - 2.º, M55
8.º, Con Hearty (Dundrum South Dublin A.C.), 20:24.96 - 1.º, M85
9.º, David Kissane (St. Brendan's A.), 21:32.51 - 1.º, M65
10.º, Martin O Brien (Templemore A.C.), 21:57.90 - 1.º, M60
11.º, Danny Sharkey (Letterkenny A.C.), 22:24.48 - 2.º, M60
12.º, Macartan Kieran (Monaghan Phoenix A.C.), 22:57.30 - 2.º, M65
Desclassificado: Eamonn Gahan (Lusk A.C.) - M40.

3.000 m femininos - geral/escalão
1.ª, Maggie Helen O`Connor (St. Joseph's A.C.), 16:11.56 - 1.ª, W45
2.ª, Rachel Conlon (Calry A.C.), 16:33.88 - 1.ª, W35
3.ª, Brid Lawlor (St. Joseph's A.C.), 19:59.19 - 1.ª, W60
4.ª, Colette Brennan (St Abbans A.C.), 20:44.94 - 1.ª, W55
5.ª, Anne Gormley (Donore Harriers), 22:10.53 - 2.ª, W55
6.ª, Tracey Malone (St. Joseph's A.C.), 23:22.18 - 1.ª, W40

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Cancelados os Campeonatos do Japão de 50 km marcha, em Wajima

O cartaz do evento previsto para este ano e Hirooki Arai felicitado
pelo presidente da Câmara de Wajima na edição de 2015.
Fotos (arquivo): Wajima Omiyage
Montagem: O Marchador
Seguindo uma tendência generalizada por todo o mundo de cancelamentos ou adiamentos de eventos desportivos, esta prova no Japão, que já havia sofrido modificações no programa-horário nomeadamente com o corte nas provas destinadas aos juniores (10 km) e outros escalões jovens (3 e 5 km), não fugiu à regra.

Os motivos invocados pela organização do evento para o cancelamento dos campeonatos prendem-se, naturalmente, com a necessidade de conter a propagação do Coronavírus CODIV-19, prova para a qual seria selecionado um atleta para os Jogos Olímpicos e à qual estavam convidados a atuar vários juízes estrangeiros, alguns do continente europeu que, por sua vez, se viram na necessidade de declinar a participação atendendo às restrições de viagens no espaço aéreo para fora do continente europeu.

A 104.ª edição dos campeonatos, que estavam agendados para 12 de abril próximo, seriam realizados, uma vez mais, em Wajima, na Prefeitura de Ishikawa, nos termos de um contrato estabelecido entre as autoridades locais e a Federação Japonesa de Atletismo, em vigência há mais de trinta anos.

Nas últimas três grandes competições internacionais sempre houve atletas japoneses no pódio dos 50 km marcha, nos Jogos Olímpicos de 2016 (Rio de Janeiro) com a medalha de bronze alcançada por Hirooki Arai, nos Mundiais de Atletismo de 2017 (Londres) por Hirooki Arai (prata) e Kai Kobayashi (bronze) e nos Mundiais de 2019 (Doha) a medalha de ouro por Yusuke Suzuki.

Indicamos, a seguir, os nomes e marcas dos campeões japoneses dos 50 km marcha nos últimos quinze anos:

2005 - Yuki Yamazaki (3:50:39)
2006 - Yuki Yamazaki (3:43:38)
2007 - Yuki Yamazaki (3:47:40)
2008 - Yuki Yamazaki 3:41:55
2009 - Yuki Yamazaki 3:40:12
2010 - Yuki Yamazaki 3:46:56
2011 - Koichiro Morioka (3:44:45)
2012 - Yuki Yamazaki (3:41:47)
2013 - Takayuki Tanii (3:44:25)
2014 - Takayuki Tanii (3:41:32)
2015 - Hirooki Arai (3:40:20)
2016 - Takayuki Tanii (3:44:12)
2017 - Hirooki Arai (3:47:18)
2018 - Tomohiro Noda (3:45:56)
2019 - Yusuke Suzuki (3:39:07)

Colaboração: Tomoya Ishii

terça-feira, 31 de março de 2020

O regresso de Kovalenko após 3 anos de suspensão por doping

Nazar Kovalenko este mês nos 20 km de Ivano-Frankivsk.
Foto: Nataliia Chopova photographer
Os Campeonatos da Ucrânia no passado dia 14/3 em Ivano-Frankivsk marcaram o regresso às lides competitivas de Nazar Kovalenko (3.º nos 20 km, com 1:21:55), atleta de 31 anos de idade, que apenas uns dias antes, a 8/3, terminara um período de suspensão de 3 anos por dopagem, com base em anomalias no seu passaporte biológico a 11/5/2012.

O castigo aplicado a Kovalenko, e já cumprido por este, apenas ontem (30/3) constou da informação periodicamente divulgada pela Unidade de Integridade do Atletismo da World Athletics, indicando-se ainda que foram anulados os resultados obtidos pelo atleta nas provas em que participou no período de 11 de maio de 2012 a 17 de maio de 2015.

O período de anulação de resultados atrás referido abrange, entre outros, os seguintes eventos internacionais (sempre em 20 km): 2012, Taça do Mundo de Saransk (6.º), Jogos Olímpicos de Londres (27.º); 2013, Taça da Europa de Dudince (22.º), Universíadas de Kazan (10.º); 2014: Taça do Mundo de Taicang (10.º), Campeonato da Europa de Zurique (14.º); 2015, Taça da Europa de Múrcia (18.º). Neste último caso, e em termos coletivos, resulta que a Ucrânia perderá para a Espanha a terceira posição do pódio nos 20 km masculinos.