quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Taça de Natal em Yverdon-les-Bains, Suíça (resultados)

Os participantes bem dispostos à partida, a disputa entre Luís Correia
e Come Martin, e Kathrin Schulze, 
a folgada vencedora.
Fotos: 
Emmanuel Tardi e Jérôme Genet
Montagem: O Marchador
O português Luís Correia, do CM Cour Lausanne, com 43.36, e a austríaca Kathrin Schulze, do IAC Pharmador, com 51.42, triunfaram nas provas de 10 km da 33.ª edição da Taça de Natal organizada pelo CM Yverdon e realizada no domingo passado (13 Dez.) em Yverdon-les-Bains, na Suíça, com muito nevoeiro e a temperatura a rondar os 2 graus Celcius.

Nos masculinos, Luís Correia (M35) repetiu as vitórias alcançadas em 2012 e 2014, agora com registo bem significativo, cortando a meta com apenas 2 segundos de avanço sobre o jovem francês Come Martin (Annecy H. Savoie Athlé., 43.38). Mais distante terminaria na terceira posição o veterano M55 Patrick Bonvarlet (Décimes Mezyeu Athlé., 51.56). Na posição logo a seguir chegaria o suíço de 15 anos de idade Nathan Bonzon (CM Monthey, 53.46).

Nos femininos, Kathrin Schulze voltou a saborear o primeiro lugar que alcançara em 2010 e com larga vantagem sobre as suas competidoras mais diretas, a francesa Sarah Lacroix (Léman Athlétic Club, 54.05) e Marie Rigolet (RCHJ Morez Fr., 56.50), ambas sub-18.

O evento tem já data marcada para 2016, no dia 11 de Dezembro.

Colaboração: Emmanuel Tardi

Classificações
10 km masculinos
1.º, Luís Manuel da Silva Correia, 1978 (CM Cour Lausanne), 43.36
2.º, Come Martin, 1995 (Annecy H. Savoie Athlé.), 43.38
3.º, Patrick Bonvarlet, 1960 (Décimes Mezyeu Athlé.), 51.56
4.º, Nathan Bonzon, 2000 (CM Monthey), 53.46
5.º, Gérard Perez, 1951 (RCHJ Morez), 53.51
6.º, Azzouz Seffari (Lyon Athlétisme), 54.35
7.º, Patrick Gavillet, 1968 (CM Cour Lausanne), 55.15
8.º, Guillaume Pommaz, 2001 (CM Monthey), 58.20
9.º, Bernard Haffner, 1946 (Lyon Athlétisme), 59.13
10.º, Jacques Frete, 1957 (FCG Athlétisme), 59.25
11.º, Régis Brière, 1968 (Doubs Sud Athlé.Pontarlier), 1.00.47
12.º, Jean Pierre Pin, 1949 (EA Bourg en Bresse), 1.01.22
13.º, Claude Berner, 1963 (CME La Poste), 1.03.18
14.º, Claude Greber, 1957 (CME La Poste), 1.07.02
15.º, Alexis de Coppet, 1938 (CM Yverdon), 1.07.37
16.º, Emmanuel Tardi, 1967 (LP Longjumeau), 1.08.43
17.º, Daniel Pasche, 1953 (CM Monthey), 1.09.58
18.º, Gérald Boos, 1954 (CM Yverdon), 1.12.03

10 km femininos
1.ª, Kathrin Schulze, 1981 (IAC Pharmador), 51.42
2.ª, Sarah Lacroix, 1998 (Léman Athlétic Club), 54.05
3.ª, Marie Rigolet, 1998 (RCHJ Morez Fr.), 56.50
4.ª, Micaela Benzi, 1982 (Athlética Sandro Calvesi IT.), 59.04
5.ª, Emilie Bailly Bassin, 1998 (RCHJ Morez Fr.), 59.10
6.ª, Sylvie Regnier, 1962 (EA Bourg en Bresse), 59.12
7.ª, Millija Zinkovska, 1981 (CM Yverdon), 1.01.25
8.ª, Hélène Milliet, 1956 (Chassieu Athlétisme), 1.01.40
9.ª, Martine Sonnois, 1959 (RCHJ Morez Fr.), 1.04.32
10.ª, Heidi Maeder, 1943 (FV Cour Lausanne), 1.05.06
11.ª, Patricia Pastore, 1965 (RCHJ Morez Fr.), 1.07.34
12.ª, Béatrice Petetin, 1969 (RCHJ Morez Fr.), 1.08.59
13.ª, Liuba Lacroix, 1987 (CM Yverdon), 1.10.28
14.ª, Hélène Baptiste, 1950 (CM Yverdon), 1.13.00

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Recordes nos campeonatos australianos em Melbourne

Os participantes nos 50 km vencidos por Evan Dunfee e, em cima,
Quentin Rew e Regan Lamble (20 km). Fotos: Athletics Australia.
Montagem: O Marchador
Evan Dunfee venceu a prova dos 50 km marcha dos campeonatos australianos, que tiveram lugar este domingo (13 Dez.), em Melbourne, obtendo um novo recorde do Canadá, com o excelente tempo de 3.43.45, e melhorando em mais de três minutos a sua anterior melhor marca pessoal. Na segunda posição classificou-se Chris Erickson, que conquistou o título australiano na disciplina, com 3.54.10, assegurando um lugar na seleção nacional para os Jogos do Rio de Janeiro.

Mas não se ficaram por aqui as boas marcas obtidas, na generalidade, pelos atletas que participaram na competição dos 50 km, realizada no Parque Fawkner, num circuito de 2 quilómetros, com uma temperatura que chegou, no máximo, aos 28 graus centígrados, num percurso muito do agrado dos atletas.

Dos oito atletas que alinharam à partida (o canadiano Benjamin Thorne, medalha de bronze nos mundiais de Pequim, não concluiu), os seis primeiros realizaram mínimos olímpicos, sendo de registar o desempenho do sul-africano Marc Mundel ao realizar 3.54.12, novo recorde do seu país e de África na distância.

Nos 20 km masculinos, Quentin Rew, da Nova Zelândia, venceu com um novo recorde pessoal de 1.22.58, e mínimos para os Jogos. Nos juniores masculinos, 10 km, Tyler Jones venceu com o tempo de 42.48, numa prova em que os cinco primeiros finalizaram com marcas abaixo dos 45 minutos.

Nos 20 km femininos, Regan Lamble obteve a marca de 1.30.45, mínimo olímpico, aprestando-se para a sua terceira participação nos Jogos, ficando a 42 segundos da sua melhor marca. Destaque para o novo recorde pessoal de Stephanie Stigwood, com 1.32.22, melhorando a sua marca em mais de três minutos, e para Alana Barber, com 1.32.50, um novo recorde nacional da Nova Zelândia. Nas juniores (10 km), Zoe Hunt venceu com 47.41, e tal como o vencedor masculino no escalão, assegurou os mínimos para os mundiais de juniores.

Classificações
50 km masculinos - campeonatos abertos
1.º, Evan Dunfee, Canadá (1990), 3.43.45
2.º, Chris Erickson (1981), 3.54.10
3.º, Marc Mundel, África do Sul (1983), 3.54.12
4.º, Brendon Reading (1989), 3.55.03
5.º, Ian Rayson (1988), 3.55.17
6.º, Inaki Gomez, Canadá (1988), 4.04.12
7.º, Danny Hawksworth (1979), 4.58.30
Desistente: Benjamin Thorne, Canadá (1993).

20 km femininos
1.ª, Regan Lamble (1991), 1.30.45
2.ª, Stephanie Stigwood (1990), 1.32.22
3.ª, Alana Barber, Nova Zelândia (1987), 1.32.50
4.ª, Rachel Tallent (1993), 1.34.16
5.ª, Tanya Holliday (1988), 1.34.56
6.ª, Nicole Fagan (1989), 1.37.59
7.ª, Kristie Goznik (1993), 1.41.37
Desistentes: Jillian Hosking (1987) e Kelly Ruddick (1973).

20 km masculinos
1.º, Quentin Rew, Nova Zelândia (1984), 1.22.58
2.º, Rhydian Cowley (1991), 1.24.35
3.º, Michael Hosking (1985), 1.26.16
4.º, Jay Felton (1995), 1.31.43
5.º, Stuart Kollmorgen (1969), 1.43.54
6.º, Jason Kozica (1987), 1.49.31
7.º, James Christmass (1967), 1.52.30
Desistente: Isamu Fujisawa, Japão (1987).

10 km femininos sub-20
1.ª, Zoe Hunt (1997), 47.41
2.ª, Tayla-Paige Billington (1997), 51.15

10 km masculinos sub-20
1.º, Tyler Jones (1998), 42.48
2.º, Kyle Swan (1999), 43.01
3.º, Adam Garganis (1997), 43.03
4.º, Declan Tingay (1999), 44.14
5.º, Carl Gibbons (1996), 44.32
6.º, Emmet Brasier (1998), 46.24
7.º, Reese Walmsley (1998), 50.00

5 km femininos sub-18
1.ª, Eliza Clarke (2000), 25.53

5 km masculinos sub-18
1.º, Corey Dickson (2002), 26.28
2.º, Hayden Walmsley (2001), 27.11

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Kristina Saltanovic e Vítor Ramos vencem marcha no G.P. Natal EDP em Lisboa

As partidas das provas de marcha na Praça dos Restauradores.
Fotos: Atletismo Magazine. Montagem: O Marchador
Os marchadores do SL Benfica, a olímpica lituana Kristina Saltanovic, com 14.05, e o júnior Vítor Ramos, com 13.52, foram os vencedores absolutos das provas de 3 km marcha, ela pela 6.ª vez (2004-2005-2009-2011-2012-2015), ele pela primeira vez, provas essas disputadas na avenida da Liberdade em Lisboa, em circuito de 1 km em sobe e desce com a meta instalada na Praça dos Restauradores, a contar para o tradicional Grande Prémio de Natal EDP, globalmente na sua 58.ª edição mas no caso da disciplina da marcha a completar 37 edições.

Se nas principais provas de corrida se assistiu a um renovado e dinâmico evento a que se deveu a organização do Maratona Clube de Portugal, com transmissão em directo pela TVI, entrevistas, etc, já as provas de marcha, da responsabilidade da Associação de Atletismo de Lisboa, foram votadas ao abandono (e com as inscrições a serem pagas nos 3 km!), sem pódios, sem resultados e com as situações caricatas do costume, inclusivamente a colocar em causa a integridade física dos atletas, entre as quais, e por mais que uma vez, quando do enchimento de insufláveis obstruindo a via na passagem de marchadores.

Houve ainda lugar a actividade de marcha atlética para os mais jovens, em participação reduzida, apurando-se como os primeiros masculinos e femininos a cortar a meta, os infantis Leandro Francisco (CAG, 5.13) e Mara Mendes (ACRM, 6.16) na prova de 1 km (benj B/inf), e os sportinguistas Paulo Martins, juv. (9.22), e Catarina Santos, ini. (10.26), na prova de 2 km (ini/juv).

Veja a reportagem fotográfica (fotos de Zé Gaspar) do nosso parceiro «Atletismo Magazine» aqui.

Classificações
3 km femininos – geral juniores/seniores/veteranos
1.ª Kristina Saltanovic (SL Benfica), 14.05
2.ª, Catarina Anastácio (CDR Ribeirinho), 15.27
3.ª, Felicidade Rosa (CA Galinheiras), 16.00
4.ª, Maria Orlete Mendes (CA Galinheiras), 18.04
5.ª, Cristina Leonor (GR Quinta da Lomba), 19.04

3 km masculinos – geral juniores/seniores/veteranos
1.º, Vítor Ramos (SL Benfica), 13.52
2.º, Carlos Paiva (CA Galinheiras), 14.43
3.º, Paulo Afonso (GA Fátima), 15.01
4.º, Paulo Cunha (CA Galinheiras), 15.09
5.º, Paulo Ramos (CA Galinheiras), 16.08
6.º, Rui Rodrigues (ACR Mealhada), 16.14

2 km femininos – geral iniciados/juvenis
1.ª, Catarina Santos (Sporting CP), 10.26
2.ª, Ana Leonor (CDR Ribeirinho), 10.48
3.ª, Inês Pinto (SC Reboleira/Damaia), 12.15
4.ª, Inês Carvalho (ACR Mealhada), 13.06

2 km masculinos – geral iniciados/juvenis
1.º, Paulo Martins (Sporting CP), 9.22

1 km femininos – geral benj. B/infantis
1.ª, Mara Mendes (ACR Mealhada), 6.16
2.ª, Miriam Fernandes (CA Galinheiras), 6.19
3.ª, Joana Veríssimo (ACR Mealhada), 6.19
4.ª, Sara Sarmento (ACR Mealhada), 7.12

1 km masculinos – geral benj. B/infantis
1.º, Leandro Francisco (CA Galinheiras), 5.13
2.º, Edgar Osório (SC Reboleira/Damaia), 5.27
3.º, Guilherme dos Santos Rodrigues (JO Monte Abraão), 5.31
4.º, Gonçalo Martins (CA Galinheiras), 6.18
5.º, Rúben Pina (ACR Mealhada), 6.19

domingo, 13 de dezembro de 2015

Centro de Atletismo das Galinheiras celebrou 36.º aniversário

Jorge Máximo (CML), José Henriques (CAG) e o bolo de aniversário.
Fotos: O Marchador
Foram muitos os convidados que se associaram, este sábado, a mais uma comemoração de aniversário do Centro de Atletismo das Galinheiras, uma coletividade do distrito de Lisboa que tem prestado, nas últimas décadas, um importante contributo para o desenvolvimento da marcha atlética no nosso país.

A registar a presença, no almoço comemorativo, de Jorge Máximo, vereador da Câmara Municipal de Lisboa e de António Alexandre Monteiro, presidente da Associação Nacional de Atletismo Veterano, para além dos dirigentes máximos da Junta de Freguesia de Santa Clara, e dos presidentes das Associações de Atletismo e de Andebol, de Lisboa.

Uma nota muito especial para outra presença ilustre, a de Mário Paiva, antigo presidente da Associação de Atletismo de Lisboa nos anos 70 e 80, e que apoiou significativamente os primeiros passos da especialidade no nosso país. Ele que foi um dos homenageados na gala comemorativa dos 25 anos da marcha atlética em Portugal, que teve lugar em 1999, no Europarque, em Santa Maria da Feira. 

Foram entregues emblemas (“pins”) aos sócios que perfizeram 10 e 25 anos de filiação ao clube, e prestada homenagem aos atletas do clube que mais se evidenciaram na época finda, um ou outro com prestações internacionais de relevo, ao nível de veteranos. 

Mereceram especial destaque, também no âmbito da marcha atlética, as distinções à veterana Maria Orlete Mendes, medalhada nos europeus da categoria, e ao jovem Peter Gomez, este, essencialmente pelo facto de, apesar de transferido para outro clube (JOMA), não ter esquecido as “origens” ao agradecer na sua página de facebook, o apoio que o CAG lhe proporcionou.

Na sessão dos habituais discursos, foi realçado o trabalho desempenhado pelos dirigentes do CAG, no plano cultural, social e desportivo, com o presidente do clube, José Henriques, a agradecer as palavras de incentivo e a enaltecer as conquistas dos atletas do seu clube salientado, ainda, a função da coletividade enquanto catalisadora de projetos de vida para a juventude do bairro, de um modo saudável e abrangente.

Depois de os convivas cantarem os parabéns pelos 36 anos do Centro de Atletismo das Galinheiras, e brindados com uma fatia do gigantesco e majestoso bolo de aniversário, acompanhado de champanhe, a festa prolongou-se pela tarde dentro com uma excelente sessão de fado.

sábado, 12 de dezembro de 2015

IAAF ratificou mínimos de Miguel Carvalho nos 50 km marcha

Miguel Carvalho na competição em Leiria.
Fotos: ADAL. Montagem: O Marchador
A Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF) ratificou esta semana os mínimos olímpicos que Miguel Carvalho havia realizado na prova dos 50 km marcha, competição integrada no 1.º Challenge de Leiria em marcha atlética, uma organização do Leiria Marcha Atlética Clube, que teve lugar a 22 de novembro.

A competição não constava da listagem de provas válidas para obtenção de mínimos para os Jogos Olímpicos, apesar da organização do evento ter dirigido o pedido à FPA, ao que se sabe, com antecedência e esta apenas ter solicitado a ratificação da marca, na segunda-feira seguinte ao da realização da competição.

O jovem marchador de Rio Maior, que se estreou duplamente, com a camisola benfiquista ao peito e a competir na prova mais longa do programa oficial do atletismo, realizou a marca de 4:00:47 h, suplantando o mínimo olímpico que a Federação Portuguesa de Atletismo estipulou em 4:02:00 h. De notar que o da IAAF é de 4:06:00 h.

A marca de Miguel Carvalho, de 21 anos, constitui um novo recorde nacional da categoria sub-23, suplantando largamente a anterior melhor marca nacional que era pertença de Paulo Pires, atleta do Clube de Futebol “Os Belenenses”, desde 19 de março de 1989, com 4:36:32, quando competiu nos Campeonatos de Portugal, disputados em Viseu.

E é pena que a Miguel Carvalho (ou a outro atleta nacional) não seja proporcionada, nesta época, a honra de se sagrar campeão nacional, tendo realizado uma marca que em 30 anos de história de Campeonatos de Portugal de 50 km marcha, abruptamente interrompidos pela FPA, apenas José Pinto, José Urbano, José Magalhães, Pedro Martins, Jorge Costa e João Vieira fizeram melhor. 

Desde que se realizou em Portugal a primeira prova de 50 km marcha, em Alenquer, a 25 de junho de 1983, em que o emblemático José Pinto, com a marca de 4:06:03, viria a conseguir os mínimos para os mundiais de Helsínquia, apenas dois atletas suplantaram, em estreia, a marca de Miguel Carvalho. São os casos de dois atletas de eleição: José Urbano, que nos Campeonatos de Portugal de 1992, em Rio Maior, realizou o tempo de 3:59:33 h, e João Vieira, o atual recordista nacional, que na edição dos mesmos campeonatos, em 2004, em Beja, bateu, então, o recorde nacional, com o tempo de 3:52:00.

Jorge Miguel, treinador de Miguel Carvalho, em entrevista ao Jornal “Record”, declarou que o excelente resultado alcançado na distância não constituiu surpresa dado os indícios revelados nos treinos, e numa prova de 35 km. Mais referiu que a grande aposta é nos 20 km onde prevê que possa suplantar, com alguma facilidade, o mínimo olímpico fixado pela FPA (1:23:00). Profetiza que, ainda esta época, Miguel Carvalho discuta com os gémeos os primeiros lugares nos 20 km marcha.

Recorde-se que nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro haverá uma diferença de 7 dias entre a realização da prova dos 20 km (12 de agosto) e da dos 50 km (19 de agosto) e é provável que alguns marchadores compitam nas duas provas.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Torneio de Inverno para Veteranos da A. A. Porto com provas marcha

Uma fase da prova masculina com Vitor Cabral (juv.),
Paulo Abreu (M40), Augusto Cardoso (M40) e Rúben
Santos (ini.). Foto: fb de Vitor Cabral
A Associação de Atletismo do Porto fez disputar no dia 5 de Dezembro (sábado), na pista de atletismo do Estádio Prof. Dr. José Vieira de Carvalho, na Maia, um Torneio Regional de Inverno para Veteranos com a inclusão no programa de provas de marcha de 5.000 metros masculinos (pista 1) e 3.000 metros femininos (pista 5), iniciativa ainda pouco habitual da parte das associações distritais.

As provas foram maioritariamente participadas por atletas «extra», por um lado em virtude de serem de escalões de iniciados a juniores, como previsto no regulamento, se bem que nos femininos tenham tomado parte infantis e até uma benjamim (autorizada pelo DTR), e, por outro lado, de não serem filiados na A.A. do Porto, como foi o caso de veteranos das associações de Aveiro, Porto e Guarda.

Os primeiros a cortar a meta foram atletas de associações vizinhas, nomeadamente António Pereira (M40), do SC Braga, com 23.32,5 nos 5.000 m e Sandra Silva (W40), do GRECAS, com 14.37,7 nos 3.000 m. As posições seguintes em termos absolutos foram para atletas jovens, com boas marcas, nos masculinos, Vítor Cabral (juv., 24.41,8) e Rúben Santos (ini., 24.52,0) ambos do CF Oliveira do Douro, e nos femininos, Lara Martins (juv., 17.04,3) e Raquel Pimentel (ini., 17.06,2) ambas do CD do Candal.

Já os primeiros veteranos e representantes de clubes da A.A. do Porto foram os atletas das categorias de 50 anos ou mais, José Magalhães, M60 (AC Alfenense, 27.27,1) e Manuela Silva, W50 (CF Oliveira do Douro, 25.58,6.

Globalmente, o Clube Futebol Oliveira do Douro venceu coletivamente o torneio em masculinos e femininos.

Classificações absolutas/provisórias
3.000 metros femininos
1.º, Sandra Silva, 1975, W40 (GRECAS - Vagos), 14.37,7 - extra
2.º, Lara Martins, 1999, juvenil (CD Candal), 17.04,3 - extra
3.º, Raquel Pimentel, 2001, iniciada (CD Candal), 17.06,2 - extra
4.º, Mariana Lopes, 2002, infantil (CD Candal), 17.42,0 - extra
5.º, Daniela Lopes, 2000, iniciada (CD Candal), 19.12,6 - extra
6.º, Filipa Diamantino, 2002, infantil (CD Candal), 19.21,5 - extra
7.º, Cláudia Carvalho, 1997, júnior (CF Oliveira do Douro), 19.27,5 - extra
8.º, Beatriz Gonçalves, 2004, Benj. B (CD Candal), 22.09,3 - extra
9.ª, Manuela Silva, 1965, W50 (CF Oliveira do Douro), 25.58,6

5.000 metros masculinos
1.º, António Pereira, 1975, M40 (SC Braga), 23.32,5 - extra
2.º, Vítor Cabral, 1998, juvenil (CF Oliveira do Douro), 24.41,8 - extra
3.º, Rúben Santos, 2000, iniciado (CF Oliveira do Douro), 24.52,0 - extra
4.º, Augusto Cardoso, 1970, M40 (ACR Senhora do Desterro), 24.52,3 - extra
5.º, José Magalhães, 1954, M60 (AC Alfenense), 27.27,1
6.º, Diogo Peixoto, 1999, juvenil (CD Candal), 28.32,5 - extra
7.º, Paulo Abreu, 1971, M40 (Boavista FC), 29.06,2
8.º, Manuel Marques, 1978, M35 (CF Oliveira do Douro), 29.52,1
9.º, Aurélio Costa, 1968, M35 (AC Alfenense), 31.18,2
10.º, Carlos Ferreira, 1962, M50 (ESCMOV), 36.15,4
? Pedro Policiano, 1977, M35 (AC Alfenense).

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

4 cidades candidatas a organizar o Campeonato das Nações

Foto: Getty Images/IAAF. Montagem: O Marchador
Guayaquil (Equador), Roma (Itália), Monterrey (México) e Kiev (Ucrânia), apresentaram, através das respetivas federações de atletismo, as suas candidaturas à realização do próximo Campeonato do Mundo de Nações em marcha atlética, que vai ter lugar nos dias 7 e 8 de maio de 2016. Como é do conhecimento geral, a competição estava inicialmente marcada para Cheboksary, na Rússia, mas devido à suspensão, pela IAAF, da federação russa de atletismo devido aos casos generalizados de doping, o organismo máximo do atletismo mundial anulou todos os eventos internacionais que estavam programados para aquele país.

O processo de escolha da cidade que albergará o Campeonato do Mundo de Nações será célere, usando-se meios eletrónicos, nomeadamente através da votação, pelos membros do Conselho da IAAF, da cidade escolhida, a anunciar no dia 7 de janeiro. Para o mundial de juniores, marcado para 19 a 24 de julho de 2016, e que estava designado para a cidade russa de Kazan, candidataram-se Perth (Austrália), Bydgoszcz (Polónia), e uma cidade da Índia, que será revelada em breve, mas que poderá ser Nova Deli.

Com poucos meses de preparação para o evento pode-se afirmar que é muito positivo o surgimento, no caso específico da marcha atlética, de quatro candidaturas (a Austrália, que inicialmente manifestara intenções de se candidatar, acabou por não confirmar o propósito), e o próprio presidente da IAAF, Sebastian Coe, mostrou-se muito agradado, declarando que “atenta a rapidez do processo e à existência de sete federações de cinco continentes interessadas em apresentar candidaturas, isto é um claro sinal que estas competições têm um potencial enorme”.

Das quatro candidaturas à organização do evento, que exige um orçamento avaliado em cerca de um milhão de dólares, Monterrey é a única cidade que recebeu a competição, nomeadamente em 1993. A Itália já acolheu o evento em 1963 (Varese), 1965 (Pescara) e em 2002 (Turim). A edição inaugural teve lugar na cidade suíça de Lugano, em 1961, estreando-se o setor feminino em 1979, na cidade alemã de Eschborn.

Atletas de inegável classe mundial inscreveram os seus nomes na lista de vencedores do evento. Entre estes, contam-se, pelos países que agora se candidatam à organização da competição, os seguintes nomes: Daniel Bautista (1777, 1979), Ernesto Canto (1981), Carlos Mercenário (1987), Daniel García (1993), Bernardo Segura (1999), nos 20 km, Raúl González (1977, 1981, 1983), Martín Bermudez (1979), Carlos Mercenário (1991, 1993), nos 50 km, todos pelo México, Jefferson Pérez (1997, 2002, 2004), pelo Equador, Abdon Pamich (1961), nos 50 km, e Erica Alfridi (2002), nos 20 km femininos, ambos pela Itália, e Ruslan Dmytrenko (2014), nos 20 km, pela Ucrânia.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Brasileiro Hiago Garcia nas malhas do doping russo?

Hiago Garcia na Rússia.
Foto: Mikhail Lyamukov/GloboEsporte.com
Há cerca de 2 anos, o blogue «O Marchador» noticiou [aqui] o facto do jovem marchador brasileiro, Hiago Garcia Pereira, estar felicíssimo por ter sido então convidado a treinar-se no Centro Olímpico de Marcha Atlética em Penza, na Rússia.

Conciliando estudos naquele país com a carreira de marchador, Hiago, agora sob a orientação técnica de Aleksey Voevodin, foi denotando progressos assinaláveis, entre os quais a melhoria por larga margem do seu recorde pessoal nos 20 km, passando-o para 1.28.23, ao ser 2.º classificado, embora «extra» na prova de sub-23 da Taça da Rússia de Marcha Atlética, disputada em Cheboksary, em 6 de Setembro passado, também anunciado no blogue [aqui].

Contudo, no que aparenta ser, para já, um estranho caso, a publicação australiana «Heel and Toe Online» de 8 Dez. dá conta da Agência Russa Antidopagem (Rusada) ter publicado em 6 de Novembro passado na respectiva página de internet [aqui], a pena de suspensão por 4 anos do atleta por dopagem, com o período da mesma a iniciar-se em 16 de Julho de 2015.

Apesar da inelegibilidade anunciada pela Rusada, a verdade é que Hiago não só competiu em solo russo em 6 de Setembro como atrás referido, como ainda participou no dia 28 de Novembro no Troféu Norte-Nordeste disputado no Recife (PE), onde é dado como desistente (DNF) [aqui].

Perguntas se impõem: será que o Hiago Garcia foi notificado da decisão sancionatória da Rusada? E, no caso de ter sido, quando e como foi notificado. Será que quando competiu em Cheboksary (6 Set.) e no Recife (28 Nov.) já tinha conhecimento formal da suspensão que lhe tinha sido imposta?

Aguardam-se desenvolvimentos sobre este caso, sendo certo que, até ao momento, e pelo que se sabe, a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) não terá emitido qualquer comunicado sobre a matéria.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

16.º G.P. Celorico da Beira integrou iniciativa «Sport 4 All»

A frente da prova masculina. Foto: Celorico da Beira TV
Sérgio Vieira, do SL Benfica, com 44.43, e Daniela Cardoso, do Leiria MA, com 47.32, foram os vencedores das principais provas de 10 km da 16.ª edição do Grande Prémio de Marcha de Celorico da Beira e Memorial «Carlos Amaral», realizadas no sábado passado (5 de Dezembro) numa organização da Câmara Municipal de Celorico da Beira e da Associação de Atletismo da Guarda, com esta entidade a fazer disputar em simultâneo o seu campeonato distrital.

Rui Coelho (45.25) e Pedro Santos (45.44), ambos do CA Seia, fecharam o pódio masculino absoluto, enquanto Pedro Martins (48.46) da mesma equipa entrava no 5.º lugar mas para efeitos do campeonato distrital, assegurando o respectivo título coletivo, cujos pontos contribuíram de forma significativa para o triunfo coletivo global no grande prémio. Amaro Teixeira (Leiria MA, 47.47) foi o 4.º classificado.

No setor feminino, o pódio absoluto ficou preenchido com Vitória Oliveira (48.51), do Sporting CP, e Vera Portela (1.00.05), do Leiria MA.

Nos mais jovens, referência para a marca de 25.50 nos 5 km obtida pela atleta juvenil Inês Reis, do Penta Clube da Covilhã.

A classificação geral colectiva apurou 3 clubes, com o Centro de Atletismo de Seia a ser primeiro, com 53 pontos, seguido do Grupo Desportivo de Moure - Porto (47 pontos) e dos Serviços Sociais do Pessoal do Município de São João da Madeira - Aveiro (42 pontos).

Apesar do investimento da autarquia local na atribuição de prémios monetários aos melhores classificados na marcha atlética em valor que ultrapassou as oito centenas de euros, a adesão de especialistas ficou aquém das expectativas, com um total de 38 participantes.

A iniciativa levada a cabo neste dia desportivo na vila de Celorico da Beira, globalmente designada por «Sport 4 All», teve várias escolhas para quem quis tomar parte, a caminhar, marchar, correr, participar em aulas de zumba e exercícios em powerstation.

Os resultados oficiais do evento de marcha atlética, podem ser consultados aqui.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Fernando Elias (Brasil), o demolidor de recordes – III

Fernando Elias na actualidade, concedendo uma entrevista à rádio
e exibindo alguns dos seus troféus. Fotos remetidas pela família Elias.
Apesar do sucesso desportivo na sua carreia, recheada pela obtenção de várias vitórias e títulos nacionais, o sonho de participar nuns Jogos Olímpicos se esfumou. Em 1976 a tristeza invadiu-lhe a alma por não ter sido selecionado para participar nos Jogos Olímpicos de 1976, em Montreal, apesar de ter conseguido realizar os mínimos. Mas, agora que os Jogos Olímpicos visitam o país, pela primeira vez, Fernando Elias poderá ter a oportunidade de transportar o facho olímpico e assim, de certa forma, tomar parte nesse que é um dos maiores acontecimentos à escala planetária. Ele, na primeira pessoa:

“Jogos Olímpicos de Montreal (1976).

Consegui obter o índice olímpico para os Jogos Olímpicos de Montreal em três ocasiões, foram competições nas cidades de São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, porém mesmo com a obtenção do índice, os dirigentes da CBD (Confederação Brasileira de Desportos), órgão que regulamentava o atletismo à nível nacional na época, decidiram não levar nenhum atleta da marcha atlética. Essa decisão me causou profunda tristeza com o esporte que eu sempre amei, e começou a me mostrar que o esporte possui muitos outros fatores que algumas vezes são mais fortes que os resultados e o desempenho dos atletas.

Títulos e Recordes

Durante minha carreira na marcha atlética eu participei de competições nas mais variadas distâncias. Entre elas de 2Km, 3km, 5km, 10km, 20km, 30km e 50Km, consegui vencer em todas as distâncias e em muitas delas quebrei recordes. Cheguei a disputar cerca de 22 competições por ano.
Consegui vários títulos de campeão paulista (17 vezes) e estadual (8 vezes).Obtive êxito em Campeonatos brasileiros e Sul-americanos. Na marcha atlética quebrei 33 recordes em várias distâncias. Como andarilho participei e venci competições de 6 horas, 12 horas e 24 horas, sendo que nessas distâncias também quebrei recordes.
Estabeleci 36 recordes durante minha carreira, fato que originou apelido de “Demolidor de Recordes”. Esse apelido foi dado por jornalistas de um famoso jornal esportivo do Brasil (A Gazeta Esportiva) na época em que eu competia. 

Treinamento

Como no início da minha carreira eu não possuía apoio e nem suporte de instituições esportivas, eu improvisava meus treinamentos no quintal da minha casa. Eu tracei uma linha formando um percurso de 24 metros no perímetro do meu quintal. Dessa forma todos os treinamentos que me levaram a várias vitórias, inclusive à vitória que resultou na quebra do recorde sul-americano dos 50km de marcha atlética em 1972, foram executados no meu quintal. Cheguei a treinar mais de 18Km nessa mini-pista de 24m, que resultava em mais de 750 voltas.

Naquela época eu treinava e competia usando um tênis “conga”, que era um calçado muito popular no Brasil, mas certamente pouco apropriado para a disputa de uma competição tão técnica como a marcha atlética, porém como eu tinha limitações financeiras tinha que improvisar para continuar praticando o esporte que tanto gostava. Uma outra diferença nos meus treinamentos é que eu amarrava sobre os meus calçados uma placa de ferro maciço que pesava quase 1kg. Na época eu acreditava que esse fato fortalecia minha musculatura e auxiliava no aprimoramento da minha técnica de marcha. Coincidência ou não, eu competi por mais de 30 anos sem nenhuma lesão grave.

Treinador

No final da minha carreira como atleta, tive a oportunidade de atuar como técnico/treinador de vários atletas da modalidade marcha atlética que representaram o Brasil em várias competições internacionais como Jogos Olímpicos e Campeonatos Mundiais, entre eles estão: Claúdio Luiz Bertonlino, Jocimar de Carvalho, Ademir Domingues e Cícero Sabino de Moura.

Motivação

Minha maior motivação sempre foi entrar em uma competição e conseguir o melhor resultado possível. Sempre busquei a melhor técnica alinhada com o melhor desempenho. As competições e treinamentos sempre foram momentos mágicos que me propiciavam uma plena sensação de realização. A marcha atlética propiciou muitas coisas além da minha realização pessoal e esportiva. Devo muitos momentos maravilhosos da minha vida à essa modalidade linda!

"O Marchador" agradece, especialmente, o contributo inestimável de Fernando Elias, dos filhos deste,  Jamile, Fernando e Tiago, pela peça apresentada e ricamente desenvolvida, e ainda pelo seu trabalho de pesquisa e recolha da vasta documentação, inserta na imprensa brasileira da época.

Também, o nosso obrigado a Mário dos Santos Júnior, que nos forneceu a "dica" ao assinalar, na sua página de facebook, o aniversário de Fernando Elias, elogiando as suas qualidades humanas e de atleta.

Um BEM-HAJA a todos!

domingo, 6 de dezembro de 2015

Susana Feitor é destaque no Diário de Notícias

Foto: Pedro Rocha / Global Imagens / DN
O Diário de Notícias, um dos títulos mais importantes da imprensa nacional, com 150 anos de história, dá hoje grande destaque, pela pena do jornalista Rui Marques Simões, à atleta Susana Feitor, prestigiada marchadora portuguesa, com um percurso desportivo, no plano nacional e internacional, de inegável qualidade. Com a devida vénia, “O Marchador” transcreve um excerto da referida peça.

A ícone da marcha nacional concilia o desporto com um curso de gestão. Em 2016 quer participar nos Campeonatos do Mundo e não descarta Jogos Olímpicos

Se, em 1990, tivessem dito àquela miúda "inocente, inexperiente no atletismo e na vida" que ia passar os 25 anos seguintes entre a elite nacional e mundial da marcha atlética, ela não teria acreditado - "de maneira nenhuma". Mas o tempo passou, desde que conquistou o título mundial de juniores e, aos 40 anos, com 15 medalhas internacionais no currículo, ela lá continua. Susana Feitor começa a abrandar o ritmo - para conciliar a alta competição com o curso de Gestão - mas não a ambição: em 2016 quer participar no novo Campeonato do Mundo de equipas (antiga Taça do Mundo) e não descarta os Jogos Olímpicos.

"Estou numa fase de transição. Como uma larva que se transforma em borboleta, estou a deixar o casulo, a minha zona de conforto, que é praticar desporto de alto rendimento", descreve a marchadora ao DN. Mas, ao contrário do que acontece na natureza, a metamorfose não é assim tão simples. "Não está a ser fácil. Estou a adaptar-me. Ando cansada, sempre com vontade de dormir...", descreve Susana Feitor, sobre o processo de conciliar os treinos diários com as aulas na Escola Superior de Desporto de Rio Maior.

A nova vida chega aos 40 anos, quando a atleta começa a pensar no adeus à marcha - que ainda não tem data marcada. "Para conseguir resultados desportivos de alto nível o foco na performance tem de ser total. Por isso é que não tenho um curso ainda: adiei, adiei...", recorda Susana Feitor, que não conseguiu fazer mais do que "uma ou duas cadeiras por ano", enquanto esteve inscrita em Ciências do Desporto, na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa. Agora, o foco mudou: a marchadora voltou à cidade-natal, escolheu Gestão para poder aplicar a experiência adquirida em mais de duas décadas de ligação ao atletismo e ao movimento olímpico, e tem de conciliar os dois mundos.

Fernando Elias (Brasil), o demolidor de recordes – II

Fernando Elias vitorioso. Fotos remetidas pela família Elias.
Montagem: O Marchador
Em 1970, a Federação Paulista de Atletismo, presidida por António Santarnecchi, cria um departamento de marcha e, em 1973, os campeonatos brasileiros de atletismo integram, pela primeira vez, a disciplina no seu programa. Fernando Elias conquista o título nacional, fazendo história na disciplina. Assim, narra-nos o seu percurso desportivo:

“ O Início:

Em 1949 com 14 anos, era morador do bairro da Mooca na cidade de São Paulo, e escutei a narração da famosa corrida de rua São Silvestre no rádio com meu pai, e após o término da competição eu disse ao meu pai que um dia seria um atleta tal qual os corredores, e que um dia ainda iria participar da corrida de São Silvestre. Como eu tinha um grave problema respiratório que me prejudicou durante toda infância e adolescência, meu pai me disse que esse tipo de esporte era somente para pessoas muito fortes fisicamente, e que eu teria dificuldades em fazê-lo.

Após 10 anos, já adulto eu comecei a me envolver com o pedestrianismo. Iniciei fazendo treinamentos leves e na primeira competição que participei em corrida de rua obtive a última colocação. Em 1959, decidi participar da corrida preliminar da São Silvestre, porém a mesma não foi realizada devido à uma forte chuva, dessa forma todos os inscritos foram convidados à participar da famosa corrida de São Silvestre. Naquele ano cerca de 1200 atletas participaram da corrida e nessa competição eu conquistei a 608ª colocação. Esse resultado me motivou muito, e a partir de então resolvi me dedicar mais aos treinamentos. Sentia que a promessa feita ao meu querido pai havia sido cumprida. (Acabei participando de várias outras edições da São Silvestre).

Em 1970 iniciei os treinamentos na modalidade de marcha atlética. Comecei me inscrevendo numa competição que tinha ido apenas para assistir. Eram 10Km de marcha atlética e a mesma fora vencida pelo atleta Ricardo Nuske, o segundo lugar ficou com o atleta Sebastião Bueno do Prado que era meu amigo e grande incentivador da modalidade junto do sr. Antonio Santarnecchi, que introduziu a marcha atlética no Brasil. Nessa competição consegui o 3º lugar. Após o término dessa competição acreditei que havia descoberto a modalidade a qual deveria me dedicar. Assim intensifiquei meus treinamentos em marcha atlética buscando o aprimoramento técnico. Obtive minha primeira vitória em uma competição no mesmo ano na pista do Centro Olímpico do Ibirapuera. Essa foi a primeira vitória da minha carreira na marcha atlética e depois dessa competição todas as minhas colocações em competições oficiais foram logradas com pódio.

Competições marcantes:

- Primeiro 50Km de Marcha Atlética, em dezembro de 1971 na pista do Gremio da Policia Militar do Estado de São Paulo. Naquele dia a competição iniciou-se com 7 atletas, porém somente eu terminei a competição com o tempo de 5h:58m. Recebi a medalha de primeiro colocado e me chamou a atenção o fato de não haver a gravação da competição na mesma. Questionei ao Antonio Santarnecchi, que fazia parte da organização da competição qual o motivo da medalha não possuir as informações da competição e ele me respondeu sorrindo que era porque ninguém acreditava que algum atleta conseguiria completar os 50Km. Essa expectativa pessimista se dava devido ao fato de que 3 anos antes (1968) quando se realizaram os Jogos Panamericanos na cidade de São Paulo não houve nenhum competidor brasileiro na competição de 50Km de marcha atlética. Para muitos essa competição era considerada loucura.

-Campeonato Brasileiro de Atletismo em 1973, na pista da PUC em Campinas. A competição era de 20Km e consegui vencer com o tempo de 1h:40m;4s que foi registrado como recorde brasileiro e sul-americano da modalidade.

- Segunda competição de 50Km de marcha Atlética. Competição dos Autonomistas em 1972 realizada na cidade de São Caetano do Sul. Nessa competição eu conquistei o primeiro lugar com o tempo de 4h38m13s, esse resultado foi lançado como um dos melhores resultados das 3 Américas na época e foi registrado como recorde brasileiro. Com o término da competição o sr. Antonio Santarnecchi, que já era um grande amigo e incentivador da minha carreira, se lançou às minhas pernas e começou a chorar. Ele levou pra casa minha camisa e bradava afirmando que o que eu tinha feito era algo impossível e que marcaria a história da modalidade no país. Algum tempo depois (Abril/1976), já com 41 anos de idade, eu consegui quebrar esse mesmo recorde com o tempo de 4h:27m que permaneceu como recorde brasileiro dos 50km de marcha atlética por mais de 15 anos.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Fernando Elias (Brasil), o demolidor de recordes – I

Fernando Elias, o 1.º da direita na 3.ª fila, na equipa ADC Pirelli.
Foto remetida pela família Elias.
“O Brasil tem heróis que quase ninguém conhece. Tenho orgulho de apresentar a vocês Fernando Elias, o "Demolidor de recordes". Um atleta que galgou sozinho os degraus do esporte. Foi campeão paulista, brasileiro, sulamericano, panamericano de Marcha Atlética. Isso num tempo em que a modalidade era praticamente inexistente no Brasil”.

Quem assim o descreve na sua página de facebook “Cidades, pessoas e decisões” é Eduardo Reina, jornalista, sobrinho do ex-recordista brasileiro dos 50 km marcha e que o blogue “O Marchador” dá a conhecer aos seus leitores. Uma fantástica história, a de Elias, que começou a praticar a marcha atlética aos 35 anos, e que o próprio, com a participação dos seus filhos, nos relata, desfiando momentos de uma vida marcante no plano pessoal e desportivo.

Fernando Elias nasceu em 22 de setembro de 1935, no Bairro da Mooca, em São Paulo. Filho de pais emigrantes da Croácia, teve uma infância marcada por dificuldades económicas, mas foi no seu problema de saúde – dificuldades respiratórias – que residiu a maior preocupação da família, impedindo-o de brincar normalmente com as outras crianças do bairro. Em adulto viu no desporto uma oportunidade de ouro para mudar a sua vida.

A 3 de abril de 1976 (ainda a marcha atlética portuguesa dava os seus primeiros e decisivos passos, depois de fugazes aparições em 1913 e e em meados do século XX), Elias estabeleceria um novo recorde brasileiro dos 50 km marcha, com o tempo de 4:27:30, resultado obtido em Santo André, localidade onde ainda vive atualmente. Tinha 41 anos de idade quando obteve tal marca, ainda hoje bem dentro dos 20 melhores registos brasileiros de todos os tempos. Resistiu 15 anos até ser batida por Paulo Roberto Ávila, a 3 de março de 1991

Fernando Elias bateu, em 36 ocasiões, o recorde nacional em provas de marcha atlética, com as dificuldades acrescidas de quem se treinava sozinho e em que o acompanhamento nas várias vertentes do desporto de alta competição, que hoje são condições essenciais para a evolução, no plano internacional, de um desportista de eleição, inexistentes naquele tempo.

Os seus feitos desportivos, na década de setenta e oitenta, foram de tal modo relevantes que um jornal desportivo de referência, “A Gazeta Esportiva”, o apelidou de “Demolidor de Recordes”.

O atual recordista brasileiro dos 50 km marcha, Mário José dos Santos Júnior, convidado a falar de Fernando Elias, não é parco em elogios:

“Fernando Elias foi e sempre será o maior marchador de 50km brasileiro de todos os tempos, pelo espírito desbravador, pela raça, garra e deteminação jamais visto em um atleta, por dezenas de recordes batidos, inclusive no mesmo ano. Ficou conhecido como destruidor de recordes, em uma época em que a estrutra esportiva era mínima ou nenhuma, nao existia suplementacão, treinamento científico e material esportivo adequado, o que faz do Sr. Elias um superhumano. Cidadão de bom caráter, sempre lutou pelo crescimento da modalidade em nosso país. Sinto apenas pelos dirigentes da época que não olharam para este magnífico atleta, pois hoje certamente teríamos uma medalha olímpica nos 50km de marcha atlética. Comparando o atual recorde brasileiro (minhas 3h55) com a marca do Fernando Elias (4h27) há 30 anos, dá pra perceber o quanto sou um atleta medíocre ao lado do lendário Fernando Elias. Toda vez que estou com preguiça para treinar ou com receio da chuva, lembro que o Sr. Elias fez 2800 de 20m no quintal de casa em um dia chuvoso para não perder o dia de treino.”