sábado, 20 de agosto de 2011

Benjamín Sánchez sai da selecção espanhola para os mundiais

Benjamín Sanchéz tinha obtido em Olhão a melhor marca pessoal
do ano. Foto: O Marchador
O marchador Benjamín Sánchez é uma das quatro baixas da selecção de Espanha para os mundiais de Daegu divulgadas esta semana pela federação espanhola de atletismo. O atleta de Múrcia informou os responsáveis federativos do seu actual baixo nível de forma, em consequência da lesão que o impedira já de competir nos Campeonatos de Espanha de Atletismo, realizados em Málaga nos dias 6 e 7 de Agosto.

Benjamín Sánchez é este ano o quarto melhor espanhol nos 20 km, com a marca de 1.24.12 h, resultado obtido na Taça da Europa de Marcha de Olhão, onde terminou na quarta posição, tendo sido o melhor espanhol na prova.

Com a saída do atleta do UCAM-Athleo Cieza, a representação masculina de Espanha nos 20 km marcha dos mundiais de Daegu fica limitada a Francisco Fernández e a Miguel Ángel López.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Julia Takacs ganha título mundial universitário

Depois do título espanhol e de vários recordes nacionais
de sub-23, Julia Takacs venceu nas Universíadas.
Foto: O Marchador
Completando uma época em que se impôs como umas das melhores marchadoras de Espanha da actualidade, Julia Takacs venceu hoje os 20 km marcha femininos dos Jogos Mundiais Universitários, a decorrer na cidade chinesa de Shenzhen. A atleta espanhola registou 1.33.51 h, marca muito condicionada pelas condições atmosféricas, com 27ºC e 88 por cento de humidade à partida. Ainda que a humidade descesse ao longo da prova para menos de 70 por cento, a temperatura subiu até aos 31 graus, compreendendo-se assim que a marca da vencedora tenha ficado tão longe do recorde dos Jogos, cifrado em 1.30.43 h, marca obtida há dois anos, em Belgrado, pela russa Olga Mikhailova.

Também russas foram as duas medalhadas a acompanhar Takacs no pódio: Tatyana Shemyakina (1.34.23) e a vice-campeã europeia de sub-23 Nina Okhotnikova (1.35.10).

Ao contrário do que sucedeu na prova masculina de marcha, estes 20 km femininos tiveram uma fase inicial de domínio das atletas da "casa", com preponderância de Yang Shi e Shanshan Wang. De resto, nas voltas iniciais rolou-se pouco melhor que a cinco minutos por quilómetro. No entanto, a meio da prova, Julia Takacs passou a impor o seu ritmo ao grupo da liderança, iniciando-se nesse momento a quebra das chinesas, todas creditadas à partida com recordes pessoais abaixo da hora e meia.

Pouco mais adiante começavam as russas a atrasar-se em relação à marchadora de Espanha, que ficou isolada no início da penúltima volta de dois quilómetros. Primeiro foi Nina Okhotnikova a ceder, depois Shemyakina, de nada valendo a esta última o máximo pessoal de 1.25.46 h ou a melhor marca na época de 1.28.55 h. Para Julia Takacs havia ainda o feito de alcançar para Espanha a primeira medalha de ouro em provas femininas em toda a história do atletismo nas Universíadas.

Quem mais atrás vinha fazendo uma prova de sabedoria táctica era a checa Lucie Pelantova, sempre numa atitude discreta no final do pelotão da líder e resistindo sucessivamente aos aumentos de velocidade impostos na frente. Acabaria por impor-se até às concorrentes chinesas, para terminar numa excelente quarta posição.

Nota ainda para o abandono de ambas as atletas brasileiras, Cisiae Lopes e Érica Sena, de início bem posicionadas no grupo da frente, mas que acabariam por abandonar no final da segunda légua.

Classificação:
1.ª, Julia Takacs (Espanha), 1.33.51
2.ª, Tatyana Shemyakina (Rússia), 1.34.23
3.ª, Nina Okhotnikova (Rússia), 1.35.10
4.ª, Lucie Pelantova (Rep. Checa), 1.36.14
5.ª, Yang Shi (China), 1.37.35
6.ª, Yawei Yang (China), 1.39.45
7.ª, Federica Ferraro (Itália), 1.40.40
8.ª, Agnieszka Szwarnog (Polónia), 1.41.21
9.ª, Shanshan Wang (China), 1.41.37
10.ª, Rebecca Lee (Austrália), 1.41.54
11.ª, Zuzana Schindlerova (Rep. Checa), 1.42.03
12.ª, Laura Reynolds (Irlanda), 1.43.27
13.ª, Maria Czakova (Eslováquia), 1.43.36
14.ª, Nicole Fagan (Austrália), 1.48.02
15.ª, Erandi Uribe (México), 1.48.52
16.ª, Kumiko Okada (Japão), 1.54.07
Desistiram: Christin Else (Alemanha), Elena Kruchinkina (Rússia), Cisiane Lopes (Brasil) e Érica Sena (Brasil)

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Andrey Krivov triunfa nos Jogos Mundiais Universitários

Andrey Krivov na Taça da Europa de Marcha, em Olhão.
Foto: O Marchador
O russo Andrey Krivov venceu esta manhã (madrugada em Portugal) os 20 km marcha masculinos dos Jogos Mundiais Universitários, que até terça-feira decorrem na cidade chinesa de Shenzhen. Com a prova a iniciar-se às 7h30 da manhã já com 28ºC de temperatura e 79 por cento de humidade, o marchador eslavo creditou-se com 1.24.15 h, marca apenas suficiente para um atleta que este ano já realizou 1.20.16 h e que detém um recorde pessoal de 1.19.06 h, em ambos os casos as melhores credenciais entre todos os participantes.

Andrey Krivov cumpriu a primeira metade da competição em regime de contenção, lançando o assalto à medalha de ouro à entrada da terceira légua.

Até esse momento, as despesas da prova tinham corrido por conta de um grupo em que se destacava o brasileiro Moacir Zimermann, que à passagem aos 10 quilómetros registava nove segundos de avanço sobre os perseguidores. O brasileiro acabaria por ceder na segunda metade da competição, terminando na quarta posição, com 1.25.06 h.

Acesa foi a luta pelo segundo lugar, travada entre o russo Mikhail Ryzhov e o equatoriano Cristian Andres Chocho. Com o sul-americano condicionado por duas notas de desclassificação, não foi difícil a Ryzhov forçar um pouco na parte final e cumprir os últimos dois quilómetros em 8.27 m, contra 8.45 m de Chocho. Foram os 18 segundos decisivos para que a Rússia garantisse a conquista das medalhas de ouro e de prata, ficando o atleta do Equador com a de bronze.

Decepcionantes foram os desempenhos dos atletas da "casa", a não irem além dos 7.º, 12.º, 13.º e 20.º lugares. Bem mais interessantes foram as provas de Inaki Gomez (Canadá) e Marius Ziukas (Lituânia), com presença discreta na primeira metade (entre o 11.º lugar e o 16.º) mas que acabariam por evoluir até às 5.ª e 6.ª posições no final.

Uma nota ainda para assinalar que, sem surpresa, as difíceis condições atmosféricas não permitiram bater qualquer recorde pessoal.

Classificação:
1.º, Andrey Krivov (Rússia), 1.24.15
2.º, Mikhail Ryzhov (Rússia), 1.24.26
3.º, Cristian Andres Chocho (Equador), 1.24.44
4.º, Moacir Zimmermann (Brasil), 1.25.06
5.º, Inaki Gomez (Canadá), 1.26.21
6.º, Marius Ziukas (Lituânia), 1.26.30
7.º, Zelin Cai (China), 1.26.55
8.º, Caio Bonfim (Brasil), 1.27.19
9.º, Jakub Jelonek (Polónia), 1.27.26
10.º, Federico Tontodonati (Itália), 1.27.32
11.º, Lukasz Nowak (Polónia), 1.27.53
12.º, Wei Yu (China), 1.28.51
13.º, Wenbin Niu (China), 1.29.10
14.º, Evan Dunfee (Canadá), 1.29.13
15.º, Brendan Boyce (Irlanda), 1.29.48
16.º, Brendon Reading (Austrália), 1.30.26
17.º, Andrey Ruzavin (Rússia), 1.30.38
18.º, Daichi Aono (Japão), 1.32.00
19.º, Michael Doyle (Irlanda), 1.32.48
20.º, Tao Yang (China), 1.33.01
21.º, Ricard Rekst (Lituânia), 1.33.43
22.º, Lo Choon Sieng (Malásia), 1.38.12
Desclassificados: Carl Dohmann (Alemanha) e Ian Rayson (Austrália)

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Federação suíça selecciona Marie Polli para Daegu

Marie Polli, em Olhão, a caminho dos mínimos para Daegu.
Foto: O Marchador
A Suíça estará representada nas provas de marcha dos mundiais de Daegu através de uma atleta que competirá nos 20 km femininos, Marie Polli, conforme foi divulgado esta segunda-feira pela federação helvética. A delegação suíça aos mundiais de atletismo, que se realizam de 27 de Agosto a 4 de Setembro, será composta por 10 atletas (seis mulheres e quatro homens), além de duas estafetas para os 4x100 metros.

Habitual frequentadora dos centros portugueses de treino para realização de estágios, Marie Polli representa o S.A.L. Marcia Lugano e detém mínimos B, graças ao resultado de 1.35.37 h obtido a 21 de Maio último, durante a Taça da Europa de Marcha realizada em Olhão (na foto).

Laura Polli, irmã de Marie, também obteve mínimos B, neste caso durante o 9.º Memorial Mario Albisetti, em Lugano, a 20 de Março, mas, tratando-se de marca de valor inferior (1.37.41), acabou preterida em favor da irmã mais velha.

Em todo o caso, a marcha suíça terá ainda outro "representante" na Coreia do Sul, através de Frédéric Bianchi, que desempenhará as funções de juiz-chefe de marcha, depois de o ter feito já nos Jogos Olímpicos de Pequim (2008) e nos mundiais de Berlim (2009).

Não sendo um país que dê cartas no panorama internacional da marcha atlética da actualidade, a Suíça não deixa de ter pergaminhos nas grande competições, ou não se tratasse da pátria de algumas figuras históricas da modalidade, como são os casos de Arthur Schwab, vice-campeão de 50 km nos europeus de Turim de 1934 e nos Jogos Olímpicos de Berlim de 1936, Fritz Schwab, campeão dos 10 mil metros marcha nos europeus de Bruxelas de 1950, vice-campeão nos europeus de Oslo de 1946, medalha de prata na mesma distância nos Jogos Olímpicos de Helsínquia de 1952 e medalha de bronze nos 10 km nos Jogos Olímpicos de 1948 (Londres), e Gaston Godel, medalha de prata nos 50 km nos mesmos Jogos de Londres.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Londres terá provas abertas de marcha durante os Jogos Olímpicos

Londres espera muitos praticantes e adeptos da marcha
em 2012. Foto: metro.co.uk
A Associação Britânica de Marcha Atlética (ABMA) vai organizar em Londres, durante a celebração dos Jogos Olímpicos de 2012, duas provas de marcha abertas a atletas de qualquer idade, país ou valia. As provas terão as distâncias de 5 km e 10 km e serão levadas a efeito na tarde do dia 7 de Agosto do ano que vem.

Para o efeito será utilizado um percurso dotado de medição certificada, sendo o ajuizamento assegurado por juízes da especialidade, alguns dos quais a actuar nas competições olímpicas.

Nesse dia 7 de Agosto, terça-feira, o programa olímpico de atletismo tem um intervalo entre as 12h30 e as 18h30, momento em que as duas provas abertas serão realizadas. A organização espera a presença de toda a comunidade de marchadores para uma jornada de convívio e boa disposição, celebrando a marcha atlética.

A ABMA faz um convite mundial para a participação de praticantes e adeptos da marcha atlética para tomarem parte nestas provas ou, se assim preferirem, apenas assitir às provas e conversar com outros intervenientes.

As provas oficiais de marcha do programa olímpico de Londres-2012 realizam-se num circuito traçado frente ao Palácio de Buckingham nos dias 4 e 11 de Agosto do próximo ano, pelo que até os atletas olímpicos poderão vir a comparecer neste encontro menos formal.

Em breve serão divulgados pormenores acerca desta sessão de provas abertas de marcha, com especial interesse, está claro, na determinação do local do evento. Em todo o caso, a ABMA garante que as provas terão lugar numa zona de fácil acesso, não afastada do centro da cidade e bem servida de transportes públicos.

A organização afiança que nas provas abertas participarão campeões do passado e tantos do presente quantos seja possível levar lá.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

EUA vs. Canadá em juniores, com vitória do país anfitrião

Foto de família de ambas as formações,
com Abby Dunn(1.º plano) a 2.ª da esq.
e Ben Thorne (3.º plano) o 4.º atleta da esq.
Foto: facebook de Erika Shaver.
Os Estados Unidos da América venceram o Canadá (24 pontos contra 20) na 23.ª edição do encontro internacional de marcha para juniores em estrada entre estes dois países vizinhos, disputado no domingo (14 de Agosto) em Boston.

Abby Dunn (EUA, 25.54) e Ben Thorne (Canadá, 44.13) foram os vencedores individuais das provas de 5 km femininos e 10 km masculinos disputadas sob uma humidade elevada (70%). Apesar disso, ambos os atletas superaram largamente as suas prestações no encontro do ano passado onde tinham obtido respectivamente as 4.ª (27.13,0) e 5.ª (50.41,3) posições.

5 km femininos
1.ª, Abby Dunn (EUA), 25.54
2.ª, Erica Shaver (EUA), 26.31
3.ª, Katelyn Ramage (Canadá), 26.54
4.ª, Courtney Williams (EUA), 27.13
5.ª, Hana Ready (Canadá), 27.36
6.ª, Melanie Reum (Canadá), 28.07
7.ª, Molly Josephs (EUA), 28.37
8.ª, Anne Voyer (Canadá), 28.57

Colectivamente:
1.º, EUA 15 pontos; 2.º, Canadá 7 pontos.

10 km masculinos
1.º, Ben Thorne (Canadá), 44.13
2.º, Bruno Carriere (Canadá), 49.30
3.º, Alejandro Chavez (EUA), 50.24
4.º, Johnathan Hallman (EUA), 51.12
5.º, Nathaniel Roberts (EUA), 53.59
6.º, Kevin Gaiesky (Canadá), 59.01

Colectivamente:
1.º, Canadá 13 pontos; 2.º, EUA 9 pontos.

Classificação colectiva global (masc. + fem.):
1.º, EUA 24 pontos; 2.º, Canadá 20 pontos.

domingo, 14 de agosto de 2011

Saransk recebe fórum internacional sobre desporto


O líder da República da Mordóvia, Nikolay Merkushin (esq.),
e o presidente da Federação Russa de Atletismo, Valentin
Balakhnichyov. Foto: O Marchador

De 8 a 11 de Setembro do corrente ano terá lugar em Saransk, na Rússia, um importante fórum desportivo internacional denominado “Rússia, país do desporto”, envolvendo 11 modalidades desportivas.

Atletas, dirigentes e treinadores de todas as regiões da Rússia, bem como delegações provenientes da Ucrânia e da Bielorrússia, rumarão à capital da Mordóvia, que, durante três dias, será palco de provas desportivas em que tomarão parte campeões olímpicos, da Europa e do mundo. Por sua vez, estão agendadas para o referido período grandes manifestações desportivas e de lazer com a participação massiva de crianças das escolas da República da Mordóvia.

Finalmente, é esperado o contributo dos melhores especialistas desportivos da Rússia na discussão e aprofundamento de temas de grande relevância desportiva na actualidade, tendo ainda sido convidados “experts” internacionais, como são os casos, entre outros, de Maurizio Damilano, presidente do comité de marcha da AIFA, e de Nicola Maggio, juiz internacional de marcha.

Note-se que a marcha atlética, na região autónoma russa da Mordóvia, faz parte do programa escolar, sendo anualmente escolhidos os jovens mais talentosos a fim de frequentarem um centro de treinos especializado sob a orientação do conceituado treinador de marcha Viktor Cheguin.

O sucesso desportivo alcançado a nível internacional pelos marchadores russos oriundos da Mordóvia, região com pouco mais de 300 mil habitantes, é verdadeiramente espantoso. Veja-se, como exemplos, os casos de Olga Kaniskina e Valery Borchin, nos 20 km, e Sergey Kirdapkin, nos 50 km, vencedores dos últimos campeonatos mundiais, realizados em Berlim.

Para tal facto não serão alheios, certamente, os meios humanos e materiais colocados à disposição dos atletas. Centros de treino e de estágios altamente apretrechados, destinados a marchadores, têm sido contruídos, nos últimos tempos pelo governo liderado por Nikolay Merkushin, ele próprio um profundo conhecedor e apaixonado da especialidade, cuja Taça do Mundo será realizada, no próximo ano, precisamente em Saransk.

sábado, 13 de agosto de 2011

Grandes Figuras da Marcha Mundial (3) – Norman Read

Norman Read vencendo nos Jogos de Melbourne, em 1956.
Foto: Public Record Office Victoria
Era Londres e corria o ano de 1948. A capital inglesa, ainda não totalmente refeita da destruição provocada pelos bombardeamentos alemães durante a II Guerra Mundial, empenhara-se ao máximo para receber com dignidade os primeiros Jogos Olímpicos do pós-guerra. Os combates, travados até três anos antes, tinham ceifado a vida de centenas de campeões olímpicos em grande parte da Europa e no Pacífico. Uma nova geração de desportista renascia. Em Londres, uma das novas vedetas era o marchador sueco John Ljunggren, brilhante vencedor da prova de 50 km marcha.

Entre os espectadores que assistiram à prova contava-se um jovem à beira de completar 17 anos, nascido em Portsmouth: Norman Richard Read. De tal forma se deixou impressionar pela prestação do sueco que logo ali decidiu que seria marchador de competição e que iria esforçar-se ao máximo para também competir nos Jogos Olímpicos.

No início da década de 50 tornava-se já campeão britânico de juniores, mas no escalão sénior a sua figura seria relegada para planos secundários perante a superioridade de atletas bem mais experientes. Não foi seleccionado para os Jogos de 1952, em Helsínquia, mas assistiu às competições na capital finlandesa, aproveitando para estabelecer contactos com a delegação da Nova Zelândia, Impaciente, decidiu então mudar-se para este país, o que fez em 1953. Aí prosseguiu a actividade desportiva, visando preparar-se para a participação nos Jogos Olímpicos de Melbourne, na Austrália, marcados para 1956. Mas, chegado aos antípodas, confrontou-se com uma dura realidade: o calendário competitivo da Nova Zelândia para a marcha atlética era muito pobre, em contraste com o seu hábito de competir com frequência na região britânica de onde provinha.

Com a aproximação dos Jogos de 1956 e competindo conforme ia tendo oportunidade, Norman Read fez chegar alguns resultados à Associação Britânica de Atletismo, solicitando a inclusão na equipa nacional que iria a Melbourne. Vendo indeferido o pedido, uma vez que a equipa de três marchadores já estava preenchida com Donald Thompson, Albert Johnson e Eric Hall, voltou-se para a federação neo-zelandesa, que veio a seleccioná-lo para aquela competição, depois de se certificar junto do Comité Olímpico Internacional de que o atleta era elegível para a sua equipa.

Em Melbourne, à partida para os 50 km, o favoritismo ia para o soviético Evgueni Maskinskov, a quem Read foi cedendo sempre a liderança. Mas por volta dos 42 quilómetros de prova, o neo-zelandês atacou com determinação. O seu plano resultara e, ao ultrapassar o soviético, a surpresa deste era evidente. Norman Read afirmaria em conferência de imprensa: «Quando ultrapassei Maskinskov, ele tinha uma expressão de surpresa, talvez até de choque. Nesse momento, penso que ambos sabíamos que seria eu o vencedor.»

E foi. Quando entrou no estádio, os milhares de compatriotas que preenchiam parte da bancada erromperam em aplausos, saudando os seus dois minutos de vantagem sobre o soviético, que ganharia a medalha de prata. Depois de dar a volta de honra, Read ainda teve tempo para esperar o terceiro classificado, nada menos que o sueco Ljunggren, já com 37 anos, o mesmo que oito anos antes fora o impulso determinante para aquele sucesso.

A Nova Zelândia nunca foi país de grandes contactos internacionais de marcha atlética, estando os seus atletas limitados à participação nas competições oficiais. Por isso, poucas foram as oportunidades para que Norman Read repetisse o sucesso de Melbourne, sendo até dos campeões olímpicos de marcha menos conhecidos. Até aos Jogos de 1960, em Roma, onde foi 5.º nos 20 km e desistiu nos 50 km, só poucos meses antes do encontro olímpico voltou a representar a Nova Zelândia, desta vez numa prova de 3000 metros em pista, durante um encontro entre a selecção do seu país e uma representação do estado australiano de Victoria, obtendo o terceiro lugar. Mais tarde viria a competir nos Estados Unidos, na África do Sul e na Austrália. Após a conquista de dezenas de títulos nacionais e de uma medalha de ouro olímpica, Norman Read terminaria a carreira competitiva em 1979, com 48 anos, competindo numa prova de 50 km de um encontro entre o seu país e a Austrália.

Retirado da competição, viria integrar o painel de juízes de marcha da Federação Internacional, tendo desempenhado essas funções nos Jogos da Comunidade Britânica de 1986 e 1990 e ainda nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992.

Norman Read morreu a 22 de Maio 1994, em consequência de ataque cardíaco durante uma prova de ciclismo para veteranos, quando era presidente da Federação Neo-zelandesa de Atletismo. Até ao final da vida, Read nunca deixou de se considerar, com muita honra, «um kiwi com sabor a maçã», numa alusão ao facto de ter sido um neo-zelandês que começou por ser inglês.

Currículo
Nome: Norman Richard Read
Naturalidade: Portsmouth (Grã-Bretanha)
Data de nascimento: 13/8/1931

«Palmarès»
1956: campeão olímpico dos 50 km (Melbourne)
1956: campeão nacional de 20 km e de 50 km
1957: campeão nacional de 20 km e de 50 km
1959: campeão nacional de 20 km e de 50 km
1960: campeão nacional de 20 km e de 50 km
1960: 5.º classificado nos 20 km dos Jogos Olímpicos de Roma
1961: campeão nacional de 20 km e de 50 km
1964: campeão nacional de 50 km
1965: campeão nacional de 20 km e de 50 km
1965: estabelece o recorde neo-zelandês de 50 milhas marcha (7.49.52 h)
1966: 3.º classificado nas 20 milhas marcha dos Jogos da Comunidade Britânica, em Kingston (Jamaica)
1967: campeão nacional de 50 km
1969: campeão nacional de 50 km
1969: 2.º classificado nos 20 km dos Jogos da África do Sul
1979: última competição internacional – 50 km no encontro Nova Zelândia–Austrália (Auckland)

Versão revista do texto publicado no boletim «O Marchador» n.º 26, de Janeiro de 1999.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Veteranos reformulam calendário mundial

Os atletas veteranos passam a ter mundiais de ar livre e de
pista coberta em anos alternados. Foto: WMA
Por ocasião dos recentes mundiais de Sacramento, a assembleia geral da Associação Mundial de Veteranos, reunida a 14 de Julho, decidiu atribuir os Campeonatos do Mundo de Pista Coberta de 2014 a Budapeste, capital da Hungria, para terem lugar em Março ou Abril daquele ano. No que à marcha diz respeito, estes campeonatos incluirão provas de 3000 metros em pista e de 10 km em estrada.

Por sua vez, os mundiais de ar livre de 2015 foram atribuídos à cidade francesa de Lyon e decorrerão em Julho ou Agosto desse ano. O respectivo programa incluirá as mesmas distâncias das provas de marcha sobre as quais foi possível competir em Sacramento: 5000 m em pista e 10 e 20 km em estrada.

Após os campeonatos de Lyon, os mundiais de veteranos passam a ter lugar em anos pares, enquanto os campeonatos do mundo de pista coberta passam a realizar-se em anos ímpares. Assim, em 2016 volta a haver mundiais de ar livre, a terem lugar na cidade australiana de Perth no mês de Outubro. Esta alteração visa evitar que depois de 2013 tenham lugar no mesmo ano os campeonatos do mundo de ar livre e os Jogos Mundiais de Veteranos. No Verão de 2013, os Jogos Mundiais de Veteranos vão decorrer em Turim (Itália) e os Campeonatos Mundiais de Veteranos serão organizados em Porto Alegre (Brasil).

Em última análise, a intenção é vir a transformar futuramente os Jogos  Mundiais de Veteranos em certame olímpico para o escalão, o que daria uma continuidade de Jogos Olímpicos para juventude, para «seniores» e para veteranos, além de Jogos Paraolímpicos.

Os últimos Jogos Mundiais de Veteranos tiveram lugar em Sydney (Austrália) em 2009 e registaram a participação de 28 mil atletas. Para Turim-2013 são esperados nada menos de 50 mil, provenientes de 100 países e competindo em 28 modalidades.

A próxima grande competição mundial de atletismo para veteranos com marcha atlética no programa são os Mundiais de Pista Coberta em Jyvaskyla, na Finlândia, marcados para 3 a 8 de Abril de 2012.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Jerzy Hausleber homenageado no México

Jerzy Hausleber e a placa que dá o seu nome à pista do
Centro Nacional de Alto Rendimento. Foto: Mexsport
O conceituado treinador Jerzy Hausleber foi alvo de uma homenagem no passado dia 29 de Julho na Cidade do México, num testemunho de apreço da comunidade desportiva mexicana para com o homem responsável pelo fabuloso desenvolvimento da marcha atlética mexicana nos últimos 45 anos. À cerimónia, levada a efeito no Centro Nacional de Alto Rendimento (CNAR), compareceram dirigentes desportivos, amigos e autoridades desportivas nacionais, entre as quais o presidente da Federação Mexicana de Associações de Atletismo, Antonio Lozano, o subdirector do Conselho Nacional do Desporto, Alejandro Cárdenas, e o director do CNAR, Gustavo Sanciprián, além dos atletas medalhados olímpicos Ernesto Canto, Carlos Mercenario e Joel Sánchez.

Durante a sessão, a pista de atletismo do CNAR foi baptizada com o nome «Professor Jerzy Hausleber. «Nunca pensei que depois dos 70 anos teria uma pista com o meu nome», afirmou Hausleber, a dois dias de completar 81 anos.

Jerzy Karol Hausleber Roszezewska nasceu a 1 de Agosto de 1930, mudando-se ainda muito novo com a família para Gdansk. Aí sofreu as agruras da II Guerra Mundial, que lhe levou quatro irmãos mais velhos. Sobrevivendo à guerra, tal como os pais, era nos estaleiros dessa próspera cidade portuária do Mar Báltico que trabalhava ao mesmo tempo que desempenhava as funções de treinador nacional de marcha da Polónia quando, nos primeiros dias de Maio de 1966, recebeu do ministro do Desporto a informação de que teria de viajar para o México a fim de trabalhar com os marchadores mexicanos que estavam a preparar-se para os Jogos Olímpicos de 1968.

Depois de ter desenvolvido estudos superiores em Arquitectura Naval e em Educação Física, Jerzy Hausleber achou que poderia ser interessante a missão que lhe era atribuída no México, a dois anos de a capital desse país receber os Jogos Olímpicos e num momento em que a sua carreira profissional parecia estagnada, tanto no estaleiro naval como na pista de atletismo. Chegado à Cidade do México, logo foi encaminhado para o Centro Desportivo Olímpico Mexicano (então ainda por concluir), para assumir a orientação técnica dos marchadores mais destacados, e para o Instituto de Desenvolvimento Desportivo, para fazer detecção de valores.

Até aos Jogos teve de preparar os melhores marchadores do país, que não tinham expressão internacional, num mundo em que a marcha era dominada por atletas da União Soviética, da
Grã-Bretanha e de Itália. Mas com tanto empenho e tanta qualidade desenvolveu o seu trabalho que acabou por levar José Pedraza à medalha de prata dos 20 km marcha dos Jogos Olímpicos de 1968.

O contrato olímpico terminava em Novembro desse ano, mas o sucesso desportivo e o apelo que já sentia pela sua nova terra levaram-no a permanecer no México, cuja cidadania viria a obter em 1984, juntando-a à nacionalidade polaca.

Ao longo de quatro décadas, Jerzy Hausleber foi o treinador responsável por nada menos de 118 medalhas conquistadas por marchadores mexicanos em grandes competições internacionais, entre Jogos Centroamericanos, Jogos Pan-americanos, Taças do Mundo de Marcha, Campeonatos Mundiais de Atletismo e Jogos Olímpicos, com natural destaque para as medalhas de ouro olímpicas obtidas por Daniel Bautista (20 km, Montreal-1976), Ernesto Canto (20 km, Los Angeles-1984) e Raúl González (50 km, Los Angeles-1984).

Aos 81 anos, mesmo sofrendo de problemas cardíacos e articulares, Jerzy Hausleber mantém-se ligado à actividade da marcha mexicana, já não como treinador de atletas, que deixou de ser em 2004, mas na formação de treinadores e na apresentação de comunicações com que, pelo seu exemplo, pretende motivar as novas gerações de atletas e de treinadores de marcha.

Como referiu o presidente da federação mexicana no agradecimento que fez a Hausleber durante a cerimónia de 29 de Julho, há poucas pessoas no mundo com tão grande impacte sobre a experiência desportiva de um país, transformando-a praticamente sozinho numa potência mundial de determinada modalidade. É esse o grande legado que um dia Jerzy Hausleber deixará ao México, um país que em 1966 pouco ou nada contava no concerto internacional do desporto e que poucos anos depois era reconhecido como pátria dos melhores especialistas mundiais da marcha atlética.

Nas palavras de um jornalista que relatou a homenagem a Hausleber, referindo-se à relação entre o treinador e a sua pátria adoptiva, «sem ele, esta disciplina estaria órfã de sonhos».

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Irlanda divulga selecção para Daegu

Olive Loughnane volta a ser a
esperança irlandesa nos mundiais.
Foto: O Marchador
Olive Loughnane, Robert Heffernan e Colin Griffin são os três marchadores integrados na selecção de 17 atletas que representará a Irlanda nos próximos Campeonatos Mundiais de Atletismo, a realizar em Daegu a partir de 27 de Agosto próximo, segundo divulgou esta terça-feira a Federação Irlandesa de Atletismo.

A atleta do Loughrea Athletic Club, vice-campeã do mundo em 2009 (Berlim), tem 35 anos e fez uma época com um empenho competitivo sempre centrado no objectivo principal: a presença nos mundiais da Coreia. Nos últimos meses, o segundo lugar no Grande Prémio de Dublin, atrás da chinesa Liu Hong, foi o principal desempenho da atleta, que em Maio tinha sido desclassificada na Taça da Europa de Olhão, quando atacava o primeiro lugar.

Também Robert Heffernan está seleccionado para Daegu, tendo mínimos tanto nos 20 km como nos 50 km. Décimo classificado na Taça da Europa e desistente no Grande Prémio de Dublin devido a lesão, o marchador do Togher Athletic Club tem ainda alguns dias para dicidir em qual das provas alinhará nos mundiais. Por agora, tudo parece indicar estar em boas condições, considerando o resultado obtido este fim-de-semana nos Campeonatos da Irlanda – 10 km em 40.12 m, após uma sessão matinal de treino de 20 km.

Quem não tem dúvidas sobre a prova em que alinhará em Daegu é Colin Griffin, creditado com mínimos apenas na distância longa. Acabado de regressar de um estágio em altitude realizado em Itália, o marchador do Ballinamore Athletic Club deverá tentar nos mundiais da Coreia pôr fim à série de maus resultados nas edições precedentes dos campeonatos do mundo: desclassificação em 2007 (Ósaca) e desistência em 2009 (Berlim).

Também Laura Reynolds (20 km fem.) e Brendan Boyce (20 km masc.) averbaram mínimos (B) para os mundiais de Daegu mas têm apontado com prioridade para a presença nos XXVI Jogos Mundiais Universitários, que esta sexta-feira se iniciam em Shenzhen, capital da província chinesa de Guangdong (20 km masculinos no dia 18; 20 km femininos, dia 19).

Kinnunen e Kaasalainen, campeões da Finlândia

Jarkko Kinnunen, especialista de 50 km que é campeão
de 20 km. Foto: racewalk.com
Realizando a sua melhor marca pessoal, Jarkko Kinnunen venceu os 20 km marcha dos Campeonatos da Finlândia, no tempo de 1.23.40 h, acumulando uma vantagem de mais de três minutos sobre Heikki Kukkonen, o segundo classificado. Kinnunen, que é verdadeiramente um especialista de 50 km, possui como recorde pessoal na distância a boa marca de 3.47.36 h, que correspondeu ao 9.º lugar nos mundiais de Berlim, em 2009 (na foto).

Nos 10 km marcha femininos, também com recorde pessoal, a internacional finlandesa Karolina Kaasalainen, presença habitual em estágios no Algarve, levou a melhor sobre a sua mais directa competidora, Anne Halkivaha, as únicas a baixar dos 50 minutos.

Os campeonatos tiveram lugar em Turku, a 4 de Agosto, proporcionando os seguintes resultados:


20 km marcha masculinos
1.º, Jarkko Kinnunen, 1.23.40
2.º, Heikki Kukkonen, 1.26.51
3.º, Antti Kempas, 1.28.07
4.º, Matias Korpela, 1.31.48
5.º, Eemeli Kiiski, 1.32.02
6.º, Aleksi Ojala, 1.34.13
7.º, Timo Viljanen, 1.35.15

10 km marcha femininos
1.ª, Karolina Kaasalainen, 47.01
2.ª, Anne Halkivaha, 48.20
3.ª, Henrika Parviainen, 51.01
4.ª, Mikaela Lafbacka, 51.04
5.ª, Tiina Muinonen, 51.53
6.ª, Erika Parviainen, 52.07
7.ª, Saara Mondillo, 52.33
8.ª, Marika Peltoniemi, 52.54

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Kate Veale vence Campeonatos da Irlanda em tempo recorde

Kate Veale, nova recordista irlandesa de 5000 m marcha.
Foto: O Marchador
A menina-prodígio da marcha atlética irlandesa, a jovem Kate Veale, de 17 anos de idade, obteve um novo recorde nacional feminino de 5000 m marcha de juvenis, juniores, sub-23 e absolutos no fantástico tempo de 21.30,18 minutos.

A proeza foi obtida no decorrer da primeira jornada dos campeonatos do seu país, realizados no último fim-de-semana, no Morton Stadium Santry, em Dublin. Laura Reynolds, que detém, nos 20 km marcha, os mínimos B para Daegu, foi a segunda, a quase dois minutos da vencedora.

Kate Veale, que possuía antes como melhor a marca de 21.45,59 m, obtida um mês antes, nos mundiais de juvenis de Lille, onde se sagrou campeã, alcança assim o seu segundo recorde nacional absoluto.

Na prova masculina, de 10.000 metros, disputada na segunda jornada (dia 7), Robert Heffernan saiu vitorioso, apesar de a sua participação ter estado em dúvida até ao último momento. O atleta, nas últimas semanas, tem sido atingido por lesões que o têm impedido de preparar-se convenientemente para os mundiais de Daegu.

Resultados
5.000 metros marcha femininos
1.ª, Kate Veale, 21.30,18
2.ª, Laura Reynolds, 23.22,53

10.000 metros marcha masculinos
1.º, Robert Heffernan, 40.12,64
2.º, Colin Griffin, 41.22,28
3.º, Tom Bosworth, 42.07,11
4.º, Brendan Boyce, 43.49,11
5.º, Cian Mc Manamon, 43.57,14
6.º, James Treanor, 46.48,14
7.º, David Kidd, 47.44,02
8.º, Timothy Healy, 49.33,77
9.º, Michael Moran, 50.22,31
10.º, Robert O’Neill, 54.57,88

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Francisco Fernández de novo campeão de Espanha

Mais um título nacional para Paquillo Fernández.
Foto: AEMA
Francisco Fernández venceu este domingo os 10 mil metros marcha dos Campeonatos de Espanha de Atletismo, que decorreram em Málaga, alcançando o seu terceiro título nacional nessa distância. O atleta de Granada terminou com 40.55,62 m, numa competição muito condicionada pelo calor, registando-se à partida 37ºC ao nível da pista.

Tal como sucedera na véspera durante a prova feminina de marcha, ganha por Julia Takacs, estes 10 mil metros tiveram um vencedor que se isolou definitivamente ao segundo quilómetro, deixando a companhia de Jesús García (que seria desclassificado a pouco mais de meia prova) e de Miguel Ángel López.

Até final, de novo o «festival» de dobragens, a que escaparam apenas os segundo e terceiro classificados, respectivamente Miguel Ángel López (41.52,42) e José Ignacio Díaz (42.40,01).

No final da prova, o novo campeão manifestou-se satisfeito com o seu desempenho, queixando-se apenas do calor. E acrescentou que nos mundiais de Daegu irá competir pela primeira vez de forma descomprometida, dado que neste momento ninguém lhe exige medalhas.

Ainda sobre Daegu afirmou esperar uma prova lenta, com esta realizada em Málaga e pela mesma razão: há-de estar temperatura elevada.

Classificação
1.º, Francisco Fernández, 40.55,62
2.º, Miguel Ángel López, 41.52,42
3.º, José Ignacio Díaz, 42.40,01
4.º, Luis Corchete, 43.40,55
5.º, Francisco Arcilla, 44.29,88
6.º, Juan Molina, 44.56,33
7.º, Alex Flórez, 44.57,68
8.º, Claudio Villanueva, 45.43,65
9.º, Ferran Collados,47.00,04
10.º, Mario Sillero, 47.40,97
Desistiram: Luis Alberto Amezcua, Ivan Pajuelo e Juan Porras.
Desclassificado: Jesús García

domingo, 7 de agosto de 2011

Julia Takacs vence Campeonatos de Espanha

Julia Takacs, a nova campeã de Espanha.
Foto: O Marchador
Talvez não reunisse o maior favoritismo à partida mas Julia Takacs venceu esta sábado de forma indiscutível os 10 mil metros marcha femininos dos Campeonatos de Espanha de Atletismo, que estão a decorrer em Málaga, creditando-se com 44.05,41 m. Na prova que encerrava a primeira jornada, a atleta do Puerto Alicante impôs desde início um ritmo demolidor, a que apenas María Vasco ousou corresponder, mas só no primeiro quilómetro.

Depois de uns mil metros iniciais percorridos em 4.31 m, Julia Takacs acelerou para fazer entre os 1000 e os 2000 metros o quilómetro mais rápido da prova (4.18) e isolar-se no primeiro lugar, que não mais deixaria até final.

Por essa altura, María José Poves também se destacava da portuguesa Vera Santos na luta pelo terceiro lugar, enquanto a campeã em título e recordista da distância Beatriz Pascual dava mostras de não se integrar na luta pelo pódio, vindo a desistir ainda cedo.

Definidas as posições e marcados os ritmos de cada atleta, nada mais de relevante sucedeu até final, com Takacs a dobrar sucessivamente as atletas em pista, à excepção da segunda classificada, María Vasco, que estava a uns 150 metros da meta quanto a nova campeã terminou.

Com 22 anos e poucas semanas depois de ter conquistado a medalha de bronze  nos Campeonatos da Europa de Sub-23, Julia Takacs alcançou o primeiro título nacional absoluto, sucedendo a Beatriz Pacual, que há um ano triunfou nos campeonatos celebrados em Avilés.

Classificação
1.ª, Julia Takacs, 44.05,41
2.ª, María Vasco, 44.45,18
3.ª, María José Poves, 46.25,68
4.ª, Vera Santos, 46.39,73
5.ª, Ainhoa Pinedo, 47.34,85
6.ª, Lorena Luaces, 47.58,46
7.ª, Myriam Fernández, 48.33,77
8.ª, Eva Iglesias, 48.58,21
9.ª, María Larios, 51.57,49
10.ª, Andrea Cabre, 54.48,51
Desistiu: Beatriz Pascual
Desclassificada: María Dolores Marcos


sábado, 6 de agosto de 2011

Monica Equixua e Omar Segura, campeões do México

Partida para os 20 km marcha masculinos. Foto: Federação Mexicana de Associações de Atletismo
A 91.ª edição dos campeonatos mexicanos de atletismo, que estão a decorrer este fim-de-semana na Cidade do México, tiveram sexta-feira, no primeiro dia de competições, a disputa dos 20 km marcha masculinos e femininos.

Na competição feminina participaram 17 atletas, com destaque para as duas primeiras classificadas, Monica Equixua e Rosalia Ortiz, que asseguraram a presença, pela selecção mexicana, nos Jogos Pan-americanos que terão lugar no próximo mês de Outubro, em Guadalajara. Note-se que Monica é esposa de Daniel García, campeão mundial de 20 km marcha em 1997 (Atenas) e medalha de bronze em igual distância nos mundiais de Sevilha, em 1999.

Nos homens, com 43 atletas a alinharem na partida, o triunfo sorriu a Omar Segura, que cruzou a linha de meta com uma vantagem de 21 segundos sobre Pedro Gómez.

Notada a ausência de uma das figuras de topo da marcha mexicana da actualidade, Eder Sánchez.

Classificações (cinco primeiros):
20 km marcha femininos
1.ª, Monica Equixua, 1.37.25
2.ª, Rosalia Ortiz, 1.38,07
3.ª, Sandra Nevarez, 1.44,05
4.ª, Sara Martínez, 1.44,05
5.ª, Erandi Uribe, 1.45.39

20 km marcha masculinos
1.º, Omar Segura, 1.24,55
2.º, Pedro Gómez, 1.25,16
3.º, Alvaro García, 1.27.55
4.º, Ever Palma, 1.28.16
5.º, Claudio Erasmo, 1.29.09

Érica e Moacir vencem 20.000 m marcha do Troféu Brasil Caixa

Érica Rocha de Sena e Moacir Zimmermann.
Fotos: Dorival Rosa, Wagner Carmo e Cbat
Érica Rocha de Sena e Moacir Zimmermann venceram no dia de ontem os 20.000 metros marcha, realizados na pista do Estádio Ícaro de Castro Melo, em S. Paulo, provas integradas no Troféu Brasil Caixa de Atletismo, a maior competição de clubes de atletismo da América Latina e que este ano reuniu perto de 800 atletas, representando 75 clubes.

Com uma baixa temperatura, a rondar os doze e os dezasseis graus centígrados, disputou-se na parte da manhã a prova feminina, tendo Érica Sena vencido muito confortavelmente com o tempo de 1.35.29,6 h, o que constitui novo recorde brasileiro em pista. O anterior máximo era pertença de Cisiane Dutra Lopes (segunda classificada na prova), com 1.35.49,6 h, marca obtida este ano, em Buenos Aires, nos sul-americanos.

No final da competição, a atleta pernambucana afirmou que sabia estar a atravessar um bom momento de forma e elogiou o desempenho do seu técnico, Vanthauze Marques, destacando ainda os bons efeitos de um estágio em altitude realizado em Cuenca, no Equador.

Ao cair da tarde, deu-se o tiro de partida para a prova masculina, com o atleta de Blumenau (Santa Catarina) Moacir Zimmermann a vencer destacadamente, no excelente registo de 1.21.02,5 h, novo recorde do torneio.

O anterior melhor tempo era de 1.21.30,8 h, obtido por Marcelo Moreira Palma há mais de 20 anos, o que atesta a valia da marca, que ficou a apenas quatro segundos do recorde brasileiro de pista, em posse de Caio Sena Bonfim (1.20.58,5).

Moacir, após concluir a competição, afirmou que o êxito se deveu ao trabalho intensivo que tem levado a efeito nos últimos tempos, concentrando-se, a partir de agora, nos mundiais de Daegu e nos Pan-americanos de Guadalajara.

Destacou também a importância da marcha atlética na sua cidade: “Lá pratica-se a marcha assim como aqui em S. Paulo as pessoas correm.”

As competições enquadraram-se no grupo de provas que a AIFA estabelece como válidas para a participação nos grandes eventos internacionais, daí, um dos pressupostos, a integração na equipa de arbitragem de juízes internacionais de marcha como foram os casos de Nilton Cesar Ferst (juiz-chefe, Brasil), Magdalena Caisabanda (Equador), Jorge Bona (Argentina) e Bernadete Conte (Brasil), tendo ainda actuado os juízes de marcha do nível mais elevado do painel brasileiro, Florenilson Itacaramby de Almeida e Ubiratan Martins Júnior. Kioki Iha foi a secretária.

Classificação dos cinco primeiros

20.000 metros marcha femininos
1.ª, Erica Rocha de Sena, 1.35.29,6
2.ª, Johana Ordónez (Equador), 1.41.00,3
3.ª, Geovana Irusta (Bolívia), 1.42.16,2
4.ª, Elianay Santana da Silva Pereira, 1.46.29,7
5.ª, Liliane Priscile Barbosa, 1.48.16,9

20.000 metros marcha masculinos
1.º, Moacir Zimmermann, 1.21.02,5
2.º, Rolando Saquipay (Equador), 1.23.19,9
3.º, Caio Oliveira de Sena Bonfim, 1.26.10,2
4.º, Jonathan Riekmann, 1.26.10,2
5.º, Mário José dos Santos Júnior, 1.29.16,6

Colaboração: Nilton Ferst

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Campeonatos de Espanha para ver em directo na internet

María Vasco vai procurar em Málaga o 16.º título nacional
da sua carreira. Foto: O Marchador
Os Campeonatos de Espanha de Atletismo, que este fim-de-semana têm lugar em Málaga, constituem a derradeira oportunidade para obtenção de míninos para os mundiais de Daegu, no final do mês. No entanto, no caso da marcha atlética, a selecção espanhola para os campeonatos do mundo está definida, pelo que a realização destes campeonatos terá o interesse centrado em exclusivo na luta pelos títulos nacionais.

Entre todos os mais de seiscentos inscritos, os saltadores em altura Javier Bermejo e Ruth Beitia são os que mais títulos nacionais conquistaram, nada menos que 16 cada um, entre competições de ar livre e de pista coberta. Nas senhoras, a marchadora María Vasco vem logo a seguir, com 15 títulos, tantos quantos a varista Naroa Agirre. Já nos masculinos, Francisco Fernández apresenta 12 títulos nacionais, currículo superado apenas pelo «líder» Bermejo.

Com provas de 10 mil metros tanto nos sector feminino como no masculino, o campeão em título entre os homens, Miguel Ángel López, apresenta-se creditado com a melhor marca do ano em curso (40.21,60), havendo mais três atletas abaixo dos 42 minutos: Francisco Arcilla (41.11,00), José Ignacio Díaz (41.12,00) e o júnior Luis Alberto Amezcua (41.34,13). No entanto, outros atletas estão inscritos com marcas de 20 km, sendo os casos mais destacados os de Benjamín Sánchez (1.24,12) e Mikel Odriozola (1.24.26). A lista de inscrições inclui todos os seis marchadores masculinos espanhóis seleccionados para os campeonatos do mundo.

Pontos de maior interesse desta prova deverão ser a luta entre Miguel López e o recordista espanhol Francisco Fernández pelo título e a expectativa pelo desempenho do jovem Amezcua e do consagrado Juan Molina, este ano muito apoquentado por lesões.

Nos femininos, as principais favoritas apresentam-se creditadas com marcas que não na distância em que vão competir: Beatriz Pascual, recordista de Espanha dos 10 mil metros marcha, tem este ano 21.32,18 m aos 5000 metros, enquanto María Vasco, recordista nacional dos 20 km, surge sem indicação de marca. Nas restantes inscritas, realce para Julia Takacs, com 44.59,79 m aos 10 mil, registando-se ainda a referência à portuguesa Vera Santos, com a melhor marca entre as creditadas com resultados na dupla légua (43.52,72). Outro nome a considerar nesta prova será o de María José Poves, já seleccionada com Pascual e Vasco para Daegu.

Estes 91.os Campeonatos de Espanha de Atletismo terão transmissão integral em directo na internet, através do «site» da federação espanhola (www.rfea.es). Tanto no sábado como no domingo, as jornadas têm início às 9h00 (8h00 em Portugal continental), sendo divididas em sessões da manhã e da tarde. Os 10 mil metros marcha femininos têm lugar sábado, a partir das 21h35 (20h35 de Portugal continental); os 10 mil metros marcha masculinos realizam-se domingo, a partir das 18h05 (17h05).