sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Bagio suspenso por dopagem

foto: Jesus Diges/EFE
José Alessandro Bagio, atleta brasileiro especialista de marcha atlética, está suspenso preventivamente devido à realização, após denúncias anónimas, de dois controlos antidopagem que resultaram positivos.
A suspensão de Bagio foi anunciada esta quinta-feira pela Confederação Brasileira de Atletismo, depois de conhecidos os resultados dos testes, um realizado fora da competição, após um treino, a 9 de Setembro, em Timbó, Santa Catarina, e outro, a 15 do mesmo mês, em São Paulo, depois de ter competido no Troféu Brasil/Caixa de Atletismo.
O atleta catarinense, que já participou em dois Jogos Olímpicos (Atenas-2004 e Pequim-2008), nos 20 km marcha, tendo sido 14.º classificado em ambas as provas, acusou o uso de uma substância anabolizante proibida, o 19-norandrosterona.
A substância proporciona um maior volume de massa muscular ao atleta e, por vezes, alguma agressividade.
O tempo mínimo de suspensão para este tipo de casos é dois anos, salvo decisão em contrário do Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Brasil.

Veteranos competem dia 19 na pista coberta de Pombal


fotos: Masters Athletic Portugal
Os veteranos portugueses vão ter os seus campeonatos nacionais de pista coberta, no dia 19 de Dezembro (domingo), em Pombal.
A organização é da responsabilidade da Associação Nacional de Atletismo Veterano (ANAV), estrutura ligada à Federação Portuguesa de Atletismo e que tem sede no Largo da Lagoa, 15-B, em Linda-a-Velha, contando com a participação do corpo de juízes da Associação Distrital de Atletismo de Leiria.
O programa incluirá provas de marcha na distância de 3000 metros masculinos e femininos, com partida marcada para as 15h00 de domingo.
Serão distribuídas medalhas aos três primeiros classificados de cada escalão, prevendo-se a participação, entre outros, da campeã europeia e mundial de veteranos, Alice Fernandes (F55), na foto, atleta do Grupo Desportivo da Lourocoope.
O pavilhão da Expocentro, por força dos constrangimentos que se depararam na utilização da pista da Nave Desportiva de Espinho, será palco, nesta época de Inverno, de quase todas as competições nacionais de pista coberta. A estrutura foi aí colocada pela FPA em 2006, após ter sido utilizada nos mundiais de pista coberta realizados em Lisboa, no ano de 2001.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Novo painel de Juízes de Marcha da Associação Europeia de Atletismo

Com a realização, em Setembro de 2009, em Leeds, da certificação para juízes de marcha de área – Europa (nível II da AIFA), foi constituída a nova equipa para o período de 2010 a 2014, no total de 22 elementos.
Por regras estabelecidas pela mais alta instância do atletismo mundial, os juízes formadores que estavam integrados no painel dos juízes internacionais de marcha (nível III da AIFA) tiveram de abandoná-lo e integrar em 2007, o nível II, casos de Pater Marlow e Luis Saladie.
Em finais de Outubro 2010, com a realização da certificação para o mais elevado escalão do ajuizamento mundial (nível III), levada a efeito em Paris, o painel da AEA fixou-se em 23 elementos. Naturalmente e por inerência, os 17 juízes europeus que integram o nível III, referência feita na peça de 26-11, deverão igualmente constituir-se parte do painel da AEA.
Eis, então, a constituição do painel europeu (nível II da AIFA):
Ana Toureiro (Portugal), Peter Marlow e Noel Carmody (Grã-Bretanha), Luis Saladie e Sergio Solana (Espanha), Jens Grunberg, Manfred Bott e Melchior Christian (Alemanha), Can Korkmazoglu (Turquia), Anne-Christine Blachere, Herve Desmoulins e Gérard Lelievre (França), Joseph Ferrugia (Malta), Zoi Gini (Grécia), Orsolya Gruber (Hungria), Anna Johannesson (Suécia), Jekaterina Jutkina (Estónia), Michal Krynicki (Polónia), Maris Peterson (Rússia), Rudolf Cogan (República Checa), Vesna Repic (Sérvia), Inge-Marie Scholer (Dinamarca), e Alexandru Stefan (Roménia).
De registar que Can Korkmazoglu é também Oficial Técnico Internacional.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

OJE - "Benefícios da marcha na doença de Alzheimer"

«O Jornal Económico» («OJE») apresenta na edição de 7 de Dezembro, na rubrica «maisSaúde», um artigo de Luís Gouveia Andrade, médico, director-geral da InfoCiência, sobre os «Benefícios da marcha na doença de Alzheimer».
Recomenda-se a leitura do texto, bem assim como os comentários que suscitou aos bloguistas de «O Marchador» e que se publica no final.

OJE - 7 Dez.2010 (3.ª feira)


ESTUDOS recentes sugerem que caminhar cerca de 8 Km por semana ajuda a abrandar a progressão da doença cognitiva observada em doentes idosos já com disfunção cognitiva ligeira no contexto da Doença de Alzheimer.
Mesmo nas pessoas saudáveis e com boa função cognitiva, a realização de actividade física ajuda a travar o declínio cognitivo.
Apenas nos Estados Unidos estima-se que existam 2,4 a 5,1 milhões de pessoas afectadas por Alzheimer com um declínio irreversível e devastador na memória e raciocínio.
Considerando que não existe ainda uma cura para esta doença, é importante procurar formas de aliviar a progressão da doença e dos seus sintomas.
A marcha de 8 Km por semana parece proteger a estrutura cerebral durante 10 anos em doentes com Alzheimer e perturbação cognitiva ligeira, sobretudo nas áreas cerebrais relacionadas com a memória e aprendizagem. Nos adeptos dessa marcha, a perda de memória foi também mais lenta durante cinco anos.
Este estudo envolveu 426 adultos ao longo de 20 anos e os resultados revelaram que, quanto maior o envolvimento em actividade física, maior o volume cerebral, sinal de menor taxa de morte de células cerebrais.
A actividade física tem um efeito protector semelhante nas capacidades cognitivas de adultos saudáveis, embora, para estes, a distância recomendada seja de 9,5 Km por semana.
Considerando que a doença de Alzheimer é uma doença devastadora para a qual não existe cura, saber que medidas simples como esta podem ajudar é uma excelente notícia.
Todos conhecemos os benefícios do exercício físico. Saber que a marcha aumenta a resistência do cérebro a esta doença e reduz a perda de memória ao longo do tempo reforça a importância do exercício físico nas nossas vidas.
E não esqueça: o exercício físico aumenta ainda o fluxo sanguíneo ao cérebro, melhora a função cardíaca, reduz o risco de obesidade, melhora a resistência à insulina, reduz o risco de diabetes e reduz a pressão arterial. E todos estes factores aumentam o risco de doença de Alzheimer.
Importa, naturalmente, não exagerar. Todo o exercício físico deve ser feito de forma moderada e, sobretudo, vigiada.
Eis um excelente exemplo de sintonia entre corpo e cérebro.
Um corpo saudável, bem exercitado, em boa forma, contribui de forma decisiva para que possa usufruir de todas as suas capacidades intelectuais.
Mente sã em corpo são. É um lugar-comum. Mas é bem verdade…
Fonte: Reunião da Sociedade Note Americana de Radiologia, 29 Nov. 2010

Prosa notável, já se vê. Bom, mas, na verdade, apetece dizer que todo o artigo é um equívoco. Ou, então, resultou de alguma noite mal dormida do colunista português, que, à falta de melhor para escrever, tratou de reproduzir as tontices alheias sem dar por nada.
Primeiro recomenda-se no artigo que se ande 8 ou 9,5 km por semana, conforme já se tenha a doença ou se seja saudável. Mas quem é que tem o descaramento de propor que se ande estas distâncias em sete dias? Pouco passa de um quilómetro por dia. Lá em casa, uma pessoa vai à casa de banho três ou quatro vezes por dia, mais três ou quatro à cozinha, mais duas ou três à mesa, junta-lhe duas idas ao telefone e mais duas a abrir a porta a quem bateu - ainda não saiu de casa e já despachou quase metade do quilómetro que lhe propuseram para o dia. Se depois for à farmácia, ou à mercearia, ou ao talho, ou ao médico, ou ao clube do bairro, lá fica o resto caminhado. Tudo sem nunca ter ouvido ninguém recomendar que se andasse aquele quilometrozito diário.
Depois, uma notável estimativa: «Apenas nos Estados Unidos estima-se que existam 2,4 a 5,1 milhões de pessoas afectadas por Alzheimer.» Espantoso, tanto rigor! Repare-se que não são 2,4 a 2,5 milhões. Nem sequer 2,4 a 3 milhões. Não! São «2,4 a 5,1 milhões». Ou seja, um intervalo entre um valor e mais do que o seu dobro. Qualquer coisa parecida com dizer que em Portugal há entre 9 milhões e 19 milhões de habitantes. Para quem fez aquela estimativa, se dois milhões e meio de doentes com alzheimer nos EUA não chegarem, junta-se três milhões que não faz mal. Mais milhão menos milhão, talvez dê certo. Que importância tem, quando se trata de doentes, se calhar muito velhos? Aquele país não é para velhos.
Por fim, a referência final à fonte: o artigo foi publicado originalmente pela Sociedade Norte Americana de Radiologia. De radiologia? Nada haverá contra os radiologistas, mas no meio de tanta anormalidade, parece que publicar um estudo sobre alzheimer numa revista de radiologia seja só mais um requinte de humor. Não pode ser outra coisa.
Afinal, que conclusão se pode tirar da leitura de tão douto artigo? Talvez esta: os marchadores portugueses podem ficar descansados, porque, com tanta marcha nos seus treinos, nem aos 200 anos vão ficar doentes. Pelo menos com alzheimer.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Apresentação de Fraser McKinney na conferência de Leeds

O blogue "O Marchador" publica na secção "Técnica" (ao cimo da página) a apresentação de Fraser McKinney na 1.ª Conferência Europeia de Marcha Atlética, realizada em Leeds, nos dias 5 a 7 de Novembro.
Fraser McKinney é investigador em Fisioterapia na Universidade de Carnegie, com trabalhos centrados na prevenção de lesões. O seus estudos, com maior incidência nos praticantes de marcha atlética, de corrida e de basquetebol, dão especial atenção a marcadores de desempenho como a flexibilidade, o ritmo cardíaco e a biomecânica. É da sua experiência que resulta a apresentação feita na conferência de Leeds.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Santa Fé recebeu seminário para juízes de marcha

A AIFA (Associação Internacional de Federações de Atletismo), através do Centro Regional de Desenvolvimento, sediado na cidade argentina de Santa Fé, organizou de 2 a 5 deste mês um curso de formação e certificação destinada a juízes de marcha, uns já integrados no painel sul-americano de especialistas (nível II da AIFA), outros na qualidade de candidatos, no total de 13 elementos.
Luis Saladie (Espanha) foi o prelector e examinador da actividade, que incluiu sessões teóricas, práticas e de análise de situações reais em vídeo.
Participaram na certificação, Nilton Ferst e Bernadete Conte (Brasil), Jorge Bona, Ileana Antinori e Javier Vallejos (Argentina), Karina Alarcon (Bolívia), Héctor Ibarra (Chile), César Mejía (Colômbia), María del Carmen Campoverde (Equador), Manuel Carrasco (Panamá), Washington Garcia e Jorge Castro (Peru) e Raomir Salcedo (Venezuela).
Após ser dada a conhecer a constituição do novo painel para o período de quatro anos, a Confederação Sul-Americana de Atletismo (Consudatle) fará a designação dos juízes que actuarão nas principais competições do subcontinente americano.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Luís Gil (Marítimo) e Daniela Cardoso (Vermoil) repetem vitórias em Celorico da Beira

Luís Gil venceu, este sábado, os 10 km absolutos (45.19 m) do Grande Prémio de Celorico da Beira repetindo,assim, o triunfo do ano passado. Pedro Martins (CA Seia) foi segundo, com 45.46 m, e Pedro Santos (CIA Ilha Azul), o terceiro, com 45.47 m.
Até metade da competição seguiam na frente da prova Luís Gil, Pedro Martins e Pedro Santos quando o atleta nortenho, a representar as cores madeirenses do Clube Sport Marítimo, imprimiu forte ritmo que o isolou no comando até ao final da prova (22.42 m na primeira légua e 22.37 m na segunda).
Na principal prova feminina, também de 10 km, destaque para a vitória, muito disputada, de Daniela Cardoso, do Atlético Clube de Vermoil, ainda júnior até ao final do ano, sobre Liliana Martins (GCA Donas), 54.00 m e 54.01 m. Nove segundos depois chegaria à meta Marisa Soares Pereira, agora representando o Gira Sol. De registar, em relação às três primeiras, uma segunda légua bem mais forte que a primeira, melhor 56, 49 e 40 segundos, por esta ordem da primeira à terceira.
Apesar de as marcas dos vencedores deste ano serem melhores que as dos próprios no ano anterior, a verdade é que permanecem inalterados os recordes do evento, mesmo que disputado em circuitos distintos: Sérgio Vieira, 42.12 m logo na 1.ª edição (1996) e Susana Feitor, 45.48 m em 2000.
De notar o trabalho de reportagem, com destaque para a principal prova masculina, narrada e fotografada, em cima da hora, no Facebook, pelo FeraSportive, dando aos leitores internautas a possibilidade de irem acompanhando as peripécias competitivas.
Na rede social do clube há um variado álbum de fotografias alusivas ao certame.

Disponíveis os resultados provisórios de Celorico da Beira, 4 de Dezembro

Consulte os resultados provisórios do 11.º Grande Prémio de Marcha Atlética de Celorico da Beira na secção de «Calendário», ao cimo da página, situação possível pela gentileza e colaboração do FeraSportive – União Atlética da Guarda e da organização local.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Carlos Albano, o pioneiro da marcha atlética em Portugal

Quando a marcha atlética ressurgiu em Portugal, no final de 1974, Viseu foi um dos pólos de desenvolvimento da especialidade. Nesse Verão, Carlos Albano, acompanhado de familiares (o primo Fonseca e Costa, hoje conceituado treinador de atletismo, e o amigo Rui Mingas, mais tarde embaixador de Angola em Lisboa), tinha assistido à transmissão televisiva dos Campeonatos da Europa de Atletismo, disputados em Roma. E a curiosidade foi-lhe aguçada ao ver imagens das provas de marcha, especialidade estranha para aquele funcionário das Minas da Urgeiriça.
O interesse suscitado levou-o a participar na primeira prova de marcha realizada em Portugal depois das experiências dos anos de 1911/1912. Foi no Parque do Fontelo, naquela cidade, no dia 1 de Dezembro de 1974, e logo nessa ocasião venceu, aplicando os rudimentos técnicos entretanto aprendidos. Era o início de uma carreira de grande dedicação à modalidade, que contemplou a presença em competições internacionais, incluindo a Taça do Mundo de Marcha de 1987, em Nova Iorque, a primeira em que Portugal se fez representar.
Depois veio o incentivo à realização, durante muitos anos, do Grande Prémio da Urgeiriça e a formação como juiz, vertente que nunca suscitou em Carlos Albano grande gosto, dada a dificuldade de mostrar raquetas de advertência.
Aos 65 anos, o sempre jovem Carlos Albano mantém-se ligado ao atletismo e qualquer encontro ocasional em algum lugar onde haja uma prova para disputar dá sempre aos antigos colegas a grande alegria do seu convívio.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

11.º Grande Prémio de Marcha Atlética de Celorico da Beira, 4 de Dezembro

Consulte o regulamento do 11.º Grande Prémio de Marcha Atlética de Celorico da Beira e memorial “Carlos Amaral” na secção de «Calendário», ao cimo da página.
Na lista dos vencedores absolutos masculinos e femininos de todas as edições já realizadas, nos homens é João Vieira, medalha de bronze nos últimos Campeonatos da Europa (Barcelona, 2010), quem detém maior número de triunfos (1997, 1999, 2000 e 2008), seguido do atleta da "casa" Pedro Martins (2002, 2006 e 2007).
Nas senhoras, Susana feitor, com quatro vitórias (1996, 1997, 1999 e 2000), segue claramente na dianteira, sendo curioso verificar-se que nas restantes seis edições houve seis diferentes vencedoras.
A organização anunciou que se encontram inscritos 75 atletas provenientes de 8 distritos. Prevista igualmente a presença de uma delegação espanhola.

O mundo de Vittorio Visini e seus amigos

O responsável técnico pela marcha em Itália, Vittorio Visini, figura história da marcha internacional, criou em 2008 um «site» para publicação de álbuns com fotografias ou filmes de marcha atlética de todo o mundo. A página tem o endereço www.multimediavisini.com e acolhe os visitantes com uma composição musical conhecida.
Mergulhando no «site» pode então aceder-se a blocos de imagens organizados por épocas ou grandes eventos, preenchidos por fotos da marchadores de numerosos países, incluindo Portugal. Os visitantes que não dominem a língua italiana podem optar por uma qualquer de 43 línguas (português é uma delas, nas versões brasileira e europeia) para navegação na página, o que nalgumas secções facilitará a descodificação da informação.
Os interessados em disponibilizar documentos fotográficos ou videográficos para este projecto podem fazê-lo usando a funcionalidade criada na página para esse efeito.
Dedicado a uma das figuras lendárias da marcha italiana, Pino Dordoni (campeão europeu dos 50 km em 1950 e campeão olímpico na mesma distância em 1952), o Multimédia Visini proporciona ainda um motor de busca com acesso directo a fotografias de mais de 1330 atletas identificados um a um.
Vittorio Visini foi, também ele, um marchador olímpico, tendo participado em três edições dos Jogos. Em 1968, no México, foi 6.º nos 50 km; quatro anos depois, em Munique, foi 8.º nos 20 km e 7.º nos 50 km; por fim, nos Jogos de Montreal de 1976, terminou os 20 km no 8.º lugar. As suas melhores marcas pessoais nas distâncias olímpicas foram de 1.25.49 h nos 20 km (1981) e 3.56.04 h nos 50 km (1978).

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Faleceu Ferreira Gonçalves, antigo director da Associação de Atletismo de Lisboa

António Ferreira Gonçalves que foi director e colaborador da Associação de Atletismo de Lisboa durante mais de 30 anos, faleceu no passado dia 30 de Novembro.
Tendo iniciado funções na AAL em 1976, Ferreira Gonçalves foi de uma exemplar dedicação à causa do atletismo.
Sempre disponível para a realização de tarefas indispensáveis ao apetrechamento das provas de marcha atlética, Gonçalves fê-lo continuadamente com boa vontade e mestria.
Das boas recordações do seu convívio com as gentes da marcha, há pelo menos duas que retemos na memória: em 1978, aquando da deslocação a Barcelona da selecção de Lisboa que incluía, pela primeira vez, marchadores (10.000 metros pista), a fim de participar no (então) tradicional Barcelona-Lisboa-Madrid, e em 1983 na deslocação de uma delegação de Lisboa a Barcelona, numa viatura, para participar numa das mais prestigiadas competições internacionais da época, o Grande Prémio de L’Hospitalet.
Na foto, Ferreira Gonçalves, na fila de trás, o 2.º a contar da esquerda (em 17.04.1983, Montjuic, Barcelona).
Os nossos respeitosos sentimentos á família.

Alterações da regra 230 (2010)

Na reunião que levou a efeito no passado mês de Agosto, na Ucrânia, o Conselho da IAAF aprovou algumas alterações da redacção da regra 230 (Marcha Atlética) do Regulamento Técnico Internacional, as quais entraram de imediato em vigor.
No que respeita à própria definição de marcha atlética, o segundo período do ponto 1 da referida regra passa a ter a seguinte redacção:
«A perna que avança deve estar estendida (isto é, não dobrada pelo joelho) desde o momento do primeiro contacto com o solo até à passagem pela posição vertical».
Na redacção até então vigente, determinava-se que «A perna que avança terá que estar estendida […]».
Procedeu-se, também, à alteração da alínea (a) do ponto 3, que regula os poderes de desclassificação do Juiz-Chefe de Marcha na parte final das provas das principais competições internacionais e que passa a estabelecer que:
«Nas competições realizadas segundo a regra 1.1 (a), (b), (c), (d) e (f), o Juiz-Chefe tem o poder de desclassificar o atleta nos últimos 100 metros, quando o seu modo de progressão infrinja obviamente o cumprimento da Regra 230.1 […]».
Esta nova redacção vem, assim, uniformizar o espaço de aplicação deste poder do Juiz-Chefe de Marcha, uma vez que tal poder era aplicável nos últimos 100 metros das provas realizadas totalmente dentro do estádio ou totalmente fora do estádio, assim como dentro do estádio no caso das provas realizadas fora do estádio e terminadas no estádio.
Verifica-se, igualmente, a modificação do conceito de advertência, que agora é designado pelo próprio objecto que o materializa – a raqueta amarela –, cuja utilização passa a ser regulada da seguinte forma pelo ponto 4 da regra 230:
«Quando o juiz não estiver completamente satisfeito relativamente ao total cumprimento da definição do ponto 1 pelo atleta, aquele mostrará a este, quando possível, uma raqueta amarela indicando a infracção que é cometida. Não será mostrada ao atleta uma segunda raqueta do mesmo juiz pelo mesmo motivo […]».
Anteriormente, a advertência constituía uma informação fornecida pelo juiz ao atleta de que, na opinião do primeiro, o segundo se encontrava em risco de infringir alguma das condições da regra de definição da marcha atlética.
A versão em língua portuguesa que aqui expomos da nova redacção da regra 230 é uma tradução sem carácter oficial da versão em língua inglesa que foi divulgada após a realização da aludida reunião do Conselho da IAAF.

Autor: Joaquim Graça

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Faleceu Sylvia Markham, antiga juíza internacional de marcha

Foto: José Dias

Sylvia Markham, membro do painel de juízes internacionais de marcha na década de noventa, faleceu no passado dia 25 de Novembro, vítima de doença prolongada.

De irradiante simpatia e boa disposição, Sylvia era esposa de Peter Markham, presidente da Associação Inglesa de Marcha Atlética, instituição fundada em 1907.
O casal Markham, na foto, trabalhou nos últimos anos e em diversas ocasiões, na área do secretariado de provas de marcha em eventos internacionais.

Clube Português de Marcha Atlética

Fundado em 1982, o Clube Português de Marcha Atlética cumpre 28 anos a 1 de Dezembro. Na escritura realizada a 12 de Janeiro de 1983 compareceram como outorgantes José Dias, Aires Denis, Luís Dias, Paulo Alves, José Baptista, Carlos Menezes, Mário Pinto, José Belo, José Domingues e Ana Batuca.
O CPMA, como ficou conhecido, foi a primeira associação de marchadores constituída com o objectivo de divulgar a especialidade no nosso país, dando continuidade no todo nacional ao trabalho que nos primeiros anos de reimplantação da marcha em Portugal esteve centrado em Lisboa.
Apesar de praticamente desactivado, o clube dos marchadores portugueses permanece como uma espécie de reserva de independência da disciplina desde que as funções que desempenhava passaram a ser assumidas noutras esferas institucionais.
O CPMA teve estatutos publicados na III Série do «Diário da República» de 25 de Março de 1983.
O desenho gráfico do emblema do CPMA foi concebido por Carlos Menezes, um dos pioneiros, e a emissão do alfinete de lapela, na imagem, só foi possível pelo contributo de Mário Pinto, antigo dirigente e pai do marchador olímpico José Pinto.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Francisco Reis vitorioso no Belgrave Harriers Open

Na sua 91.ª edição, realizou-se em Wimbledon, Inglaterra, no dia 27 de Novembro, o torneio “Belgrave Harriers Open”, na distância de 7 milhas (11.263 metros), desta vez com o triunfo, por larga margem, do português Francisco Reis.

Competindo num dos circuitos mais difíceis da sua carreira, Reis passou ao ataque logo na primeira volta, aproveitando uma longa subida para forçar o ritmo, que manteria até final. Como consequência, todos os adversários se atrasaram irremediavelmente. O resultado final, a rondar os 54 minutos e meio, permite extrapolar um tempo na casa dos 48 minutos na passagem aos 10 km.

O Ilford AC, clube onde milita Francisco Reis, foi o vencedor colectivo do certame, com 8 pontos, seguido do Surrey WC, com 26 pontos, e do Belgrave, com 35 pontos.
7 milhas (masculinos)
1.º, Francisco Reis, Ilford AC, 54.29 m;
2.º, Trevor Jones, Steyning AC, 58.29 m;
3.º, Steve Uttley, Ilford AC, 58.45 m;
4.º, Peter Ryan, Ilford AC, 1.01.59 h;
5.º, Roger Michell, Surrey WC, 1.06.58 h.

Celorico da Beira realiza 11.º grande prémio de marcha

Carlos Amaral, numa jornada de sensibilização em 1997
A Associação de Atletismo da Guarda e a Câmara Municipal de Celorico da Beira vão organizar a 11.ª edição do Grande Prémio de Celorico da Beira, Memorial Carlos Amaral, que terá lugar a 4 de Dezembro. Nascida em 1996 por obra e dedicação do seu grande impulsionador, Carlos Amaral, esta prova cedo ficou enlutada pelo desaparecimento precoce daquele dirigente e treinador entusiasta, falecido no dia 4 de Dezembro de 1999 (no próprio dia da realização de um dos Grandes Prémios). Postumamente, a iniciativa ainda teve duas edições, já designadas de Memorial Carlos Amaral, mas dificuldades de vária ordem obrigaram a interromper o ciclo de realização do grande prémio, que já não se realizou em 1998, 2003, 2004 e 2005.
Reatada em 2006, manteve-se a designação com que se homenageia o fundador da prova, acrescentando-lhe a disputa do Campeonato Distrital de Marcha Atlética. E é interessante verificar esta preocupação associativa de fazer disputar um campeonato num distrito que não tem grande quantidade de especialistas, apesar de ser sabido que entre os que tem se contarem alguns nomes importantes da especialidade no nosso país, como são o olímpico Pedro Martins, do Centro de Atletismo de Seia, e o jovem promissor Samuel Pereira, do Feras Sportive – União Atlética da Guarda sem esquecermos Pedro Santos que actualmente representa o CIA Ilha Azul (Açores) mas possui no seu curriculum vários títulos nacionais de esperanças, conquistados em representação de clubes do distrito.
Ao longo da história, esta prova foi ocasião para a realização de iniciativas paralelas, com destaque para as jornadas de sensibilização da marcha atlética durante as 2.ª e 3.ª edições e a concentração do grupo de trabalho da selecção nacional, em 1999.
Nesta 11.ª edição, com partidas e chegadas junto ao Jardim Parque “Carlos Amaral”, as provas têm início às 14h00, com as partidas dos benjamins masculinos e femininos seguindo-se, quinze minutos depois, os 10 km absolutos masculinos, os 5 km para veteranos masculinos e os 5 km para juvenis masculinos. Os interessados podem enviar inscrições para a Associação de Atletismo da Guarda, Av. do Estádio Municipal, Bancadas do Estádio, 6300-705 Guarda, ou pelo «e-mail» aaguarda@aag.pt.
A organização da prova oferecerá no final um churrasco a todos os participantes.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Zurique sede dos Campeonatos Europeus de Atletismo em 2014

De 12 a 17 de Agosto de 2014 vão realizar-se na cidade suíça de Zurique os 22.ºs Campeonatos Europeus de Atletismo.
Zurique é a maior cidade helvética. Situa-se na margem norte do lago com o mesmo nome, sendo atravessada pelo rio Limmat. Teve a sua origem num pequeno povoado celta estabelecido no século I a.C. no Lindenhof, monte que hoje integra o centro da cidade.
É a segunda vez que a Suíça acolhe uns campeonatos europeus depois de Berna, em 1954. Helsínquia (Finlândia) será palco da edição de 2012, sem provas de marcha.
A primeira edição teve lugar em Turim (Itália), em 1934. As restantes edições foram realizadas nas seguintes cidades: Paris (1938), masculinos, e Viena (1938), femininos, Oslo (1946), Bruxelas (1950), Berna (1954), Estocolmo (1958), Belgrado (1962), Budapeste (1966 e 1998), Atenas (1969 e 1982), Helsínquia (1971 e 1994), Roma (1974), Praga (1978), Estugarda (1986), Split (1990), Munique (2002), Gotemburgo (2006), e Barcelona (2010).
De registar que os primeiros campeonatos apenas contemplaram competições masculinas (22), entre as quais, a dos 50 km marcha que deram á Suíça a primeira e única medalha (prata) desses campeonatos, por Arthur Schwab. A de ouro foi arrecadada por Janis Dalins (Letónia) e a de bronze por Ettore Rivolta (Itália).
Arthur Schwab (1896-1945), conquistaria ainda a medalha de prata nos 50 km marcha dos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936.
Curioso é verificar-se que o seu filho, Erich Fritz Schwab, também se notabilizaria internacionalmente. Medalha de prata nos 10 km marcha dos Europeus de Oslo em 1946, medalha de bronze nos 10.000 m marcha dos Jogos Olímpicos de Londres em 1948, medalha de ouro nos 10 km dos Europeus de Bruxelas em 1950, e medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Helsínquia em 1952.
Note-se, finalmente, que das oito medalhas olímpicas conquistadas no atletismo pela Suíça, quatro foram provenientes de marchadores.

domingo, 28 de novembro de 2010

Ana Cabecinha segunda em Toledo

Ainhoa Pinedo (8102) e Ana Cabecinha
foto: Aurelio Gomez
Na sua primeira competição de marcha atlética realizada esta época, a atleta olímpica Ana Cabecinha, do Clube Oriental de Pechão (Olhão), obteve a segunda posição nos 5 km marcha da 23.ª edição do prestigiado Torneio “Espada Toledana”, prova realizada sob um frio intenso (6 graus) ao final da tarde de sábado (27-11), em Toledo, cidade considerada em 1986 património mundial da humanidade, e distante apenas 70 km da capital espanhola.
Cabecinha que tem definidas como principais metas no plano internacional, a participação na Taça da Europa de Marcha, em Olhão, e nos Mundiais de Atletismo, em Daegu, Coreia do Sul, esteve sempre na dianteira cedendo apenas nos últimos metros a favor da surpreendente Ainhoa Pinedo (22.21 m), atleta madrilena que, por vezes, também participa em provas do triatlo. Esta estabeleceu novo recorde do circuito, em posse de Maria Vasco (22.23 m), desde 1997. Cabecinha terminaria a três segundos (22.24 m) da vencedora, e a larga distância da terceira a espanhola de Alicante, Sara Alonso (24.33 m).
De assinalar ainda, a interessante participação de duas jovens atletas da Escola Secundária de Tomás Cabreira (Faro). Rita Geirinhas foi quarta nos 2 Km para Infantis, com o tempo de 12.15 m, prova ganha por Alicia Castejon (ISS l’Hospitalet), e Filipa Conceição (bronze nos Nacionais de Juvenis de 2010), terceira nos 3 km para juvenis, com o tempo de 15.30 m, triunfando Nerea Fernandez (Spartak Getafe), com 15.18 m.
Na principal prova masculina, despique muito cerrado para os três primeiros com o triunfo a sorrir a José David Dominguez (San Fernando), com 20.31 m, repetindo a vitória em 2009, seguido do alemão Mike Berger, com 20.32 m, e do internacional juvenil espanhol, Álvaro Uriol  (Playas de Castellon), com 20.33 m.

sábado, 27 de novembro de 2010

Aires Denis, um dos pioneiros

Os marchadores mais jovens não têm tido oportunidade de privar com esta figura destacada da história da marcha portuguesa, mas quem se dedica à especialidade há mais anos conhece bem o nome de Aires Denis. Nos primeiros meses após o 25 de Abril de 1974 constituiu-se na Póvoa de Santa Iria, perto de Lisboa, um dos primeiros núcleos de desenvolvimento da marcha em Portugal.
O entusiasmo vinha de um cidadão francês, Raymond Ysmal, que atraiu o colega e amigo Aires Denis para a dinamização de actividade ligada a esta disciplina olímpica do atletismo. Rapidamente o amigo português tomou a acção impulsionadora a peito e, depois da constituição de um grupo de praticantes entre o pessoal das oficinas da Telemec, onde ambos trabalhavam, avançou para o apoio à criação de uma secção de marcha no União Atlético Povoense. Mas o passo mais importante estava para ser dado, com os contactos junto da Federação Portuguesa de Atletismo e da Associação de Atletismo de Lisboa com vista ao reconhecimento da marcha como disciplina do atletismo com os mesmos direitos das restantes.
A federação começou por ignorar o caso, enquanto a AAL (sobretudo através de Mário Paiva) apadrinhou o esforço de Aires Denis e companheiros, integrando o dirigente povoense na estrutura directiva. Seguiu-se a realização das primeiras provas de marcha ao fim de seis décadas de inacção (tinha havido marcha nos Jogos Olímpicos Nacionais, em 1911/1912) e, já no final de 1982, a criação do Clube Português de Marcha Atlética, o primeiro a nascer da marcha.
Por motivos de saúde, há alguns anos que Aires Denis está afastado da modalidade, mas a marcha portuguesa não o esquece.