![]() |
| Imagens: World Athletics. Montagem: O Marchador. |
Por decisão do Conselho Executivo da World Athletics, anunciada ontem, terça-feira, após a realização, em Budapeste, da sua 242.ª reunião, Nairobi, em 2029, e Munique, em 2031, serão as cidades anfitriãs dos Campeonatos Mundiais de Atletismo nesses anos, tendo superado as fortes candidaturas de Londres e Roma.
Nairobi: um marco histórico para o atletismo africano
No caso da capital queniana, trata-se de uma decisão histórica: será a primeira vez que África acolherá os Campeonatos Mundiais de Atletismo desde a sua primeira edição, realizada em Helsínquia, em 1983.
O Quénia possui uma vasta experiência na organização de grandes eventos internacionais de atletismo. Entre os mais importantes contam-se o Campeonato Mundial de Corta-Mato de 2007, realizado em Mombaça, e os Campeonatos Mundiais Sub-18, em 2017, e Sub-20, em 2021, ambos disputados no Estádio Kasarani, com capacidade para cerca de 48.000 espectadores.
Atualmente, o Kasarani encontra-se em processo de remodelação, tendo em vista a realização da 36.ª edição da Taça Africana de Nações, competição coorganizada pelo Quénia, Tanzânia e Uganda, que terá lugar de 19 de junho a 17 de julho.
Do ponto de vista desportivo, o Quénia é igualmente uma das grandes potências mundiais do atletismo, sobretudo nas disciplinas de meio-fundo e fundo. Nos últimos Campeonatos Mundiais, realizados em Tóquio, em 2025, a delegação queniana conquistou sete medalhas de ouro, num total de 11 medalhas. Ao longo da história dos Mundiais, o país soma 78 títulos mundiais.
Munique: o regresso dos Mundiais à Alemanha
Para Munique, 2031 marcará a primeira vez que a cidade recebe os Campeonatos Mundiais de Atletismo. A capital da Baviera conta, contudo, com uma importante tradição na organização de grandes competições da modalidade, tendo acolhido os Campeonatos da Europa de 2002 e 2022, ambos realizados no Estádio Olímpico.
A edição de 2022 permanece particularmente presente na memória pela qualidade da organização e pelo ambiente criado nas bancadas, com cerca de 267.000 espectadores a acompanharem as competições ao longo do campeonato.
Será a terceira vez que os Mundiais de Atletismo se realizam em território alemão, depois de Estugarda, em 1993, e Berlim, em 2009.
Munique tem ainda uma ligação histórica aos grandes acontecimentos desportivos. Em 1972, a cidade acolheu os Jogos Olímpicos, tendo o Estádio Olímpico e o Parque Olímpico constituído, desde então, uma das suas grandes referências. A unidade entre os espaços desportivos e a área envolvente poderá igualmente proporcionar um cenário privilegiado para a realização de um verdadeiro festival de atletismo, artes e cultura.
E o que acontecerá com a marcha atlética?
Fica agora a expectativa sobre aquilo que os Mundiais de Nairobi, em 2029, e de Munique, em 2031, reservarão para a marcha atlética. Os Campeonatos Mundiais são considerados o mais importante acontecimento do atletismo depois dos Jogos Olímpicos e continuam a assumir uma dimensão verdadeiramente global.
Nos Mundiais de Doha, em 2019, estiveram representadas 206 nações, enquanto em Tóquio, em 2025, participaram atletas de 198 países.
Para já, uma das alterações mais significativas previstas para o futuro prende-se com as provas de maratona. A partir de 2031, estas deixarão de integrar o programa dos Campeonatos Mundiais de Atletismo, passando a ser disputadas separadamente a partir de 2030, em campeonatos próprios.
Atenas, berço espiritual da maratona, é apontada como a cidade favorita para acolher a primeira edição, estando prevista uma alternância entre as competições masculina e feminina.
Perante esta reorganização das provas de estrada, resta saber como evoluirá o programa da marcha atlética. Que distâncias serão disputadas? Haverá alterações ao formato das competições? E que papel terá a marcha no novo modelo dos Campeonatos Mundiais?
São questões que permanecerão em aberto até que a World Athletics defina, de forma mais concreta, o futuro programa da modalidade.
Para já, uma coisa é certa: Nairobi 2029 ficará para a história como a estreia dos Mundiais de Atletismo em África, enquanto Munique 2031 representará o regresso do maior campeonato mundial da modalidade à Alemanha. Entre estas duas edições, a marcha atlética terá certamente novos capítulos para escrever — esperemos que positivos para uma disciplina verdadeiramente global, como bem demonstra o facto de, no plano olímpico e desde 2000, atletas de 27 países terem terminado entre os oito primeiros classificados, representando todas as seis áreas ou regiões continentais.
