domingo, 7 de junho de 2020

Viajando pelos Grandes Prémios de Marcha: Planície Dourada (Beja)

Há 39 anos (1981), a liderança da prova de 20 km do I G. Prémio «Planície Dourada»,
com José Pinto e o espanhol Luis Bueno. Foto: arquivo «O Marchador»
Faz hoje precisamente 39 anos. Tinha lugar em Beja a primeira edição do Grande Prémio de Marcha Atlética “Planície Dourada”, uma iniciativa do Clube de Atletismo Pax Julia, um projeto muito arrojado para a época.

Naquele dia 7 de junho de 1981, na prova de maior destaque, os 20 km masculinos, alinham 28 participantes, dos quais 23 chegam ao fim. Vence José Pinto, do Belenenses, à frente do espanhol Luis Bueno, que com Josep Vinuesa (ambos representando a equipa do Cornellá Atlètic), foram os primeiros marchadores estrangeiros a tomarem parte num evento disputado em solo nacional. No terceiro lugar aparecia a confirmação de uma revelação dos meses precedentes, Hélder Oliveira, do Sporting Clube Olhanense.

Dos vencedores das outras provas do programa, contavam-se Paula Gracioso, CCD Olivais Sul (absolutos femininos, 10 participantes), Jorge Esteves, CF Belenenses (iniciados e juvenis masculinos, 13 participantes) e Alexandre Ferreira, AD Oeiras (infantis masculinos, 28 participantes). Esta iniciativa alentejana começava a prometer, revelando condições para se transformar no mais importante grande prémio do calendário nacional da marcha atlética. No entanto, o futuro se encarregaria de frustrar as ilusões.

No ano seguinte (1982), também com a participação de atletas do país vizinho, os resultados na prova rainha do evento (20 km) foram muito bons, proporcionando ao belenense José Pinto a obtenção de mínimos para os Campeonatos Europeus de Atletismo (Atenas), na primeira vez que um marchador integrava a seleção nacional para um grande evento internacional. Na principal prova feminina triunfou Paula Gracioso, neste ano em representação do Andorinha FC.

Em 1983 teve lugar a terceira edição, neste ano já com evidentes dificuldades de ordem financeira e alguns problemas de ordem organizativa. Mas, globalmente, os resultados na prova masculina de 20 km foram os melhores das três edições. Venceu, de novo, José Pinto, enquanto no setor feminino triunfou, uma vez mais, Paula Gracioso, do Olivais Sul.

Em 1984 realizar-se-ia a quarta e definitiva edição do “Planície Dourada”, desta vez integralmente na pista municipal de atletismo, mantendo a distância de 20.000 metros masculinos, com a participação de 13 atletas. Para não variar, as vitórias nas principais provas seriam conseguidas por José Pinto e Paula Gracioso. O primeiro lugar da classificação coletiva era obtido pelo Núcleo de Atletismo de Oeiras.

Positivamente, destacamos dois nomes pelo trabalho organizativo levado a efeito, principalmente nas duas primeiras edições da competição bejense: Joaquim António Casaca da Costa, presidente do Pax Julia e principal rosto do evento, clube que seria em 1986 um dos fundadores da Associação de Atletismo de Beja. Casaca, que se dedicou, por alguns anos, à prática da marcha atlética, tendo participado numa edição do Grande Prémio de L’Hospitalet (Barcelona), foi presidente da Associação de Desportos de Beja, em 1983, mais tarde presidente da Associação de Atletismo de Beja. Outra das figuras carismáticas do evento foi Maria Luísa Faleiro Alvito Julião, sempre disponível na resolução de assuntos pendentes.

Fica o registo dos nomes dos vencedores absolutos nas principais provas:

1981: José Pinto (CF Belenenses) e Paula Gracioso (CCD Olivais Sul);
1982: José Pinto (CF Belenenses) e Paula Gracioso (Andorinha FC);
1983: José Pinto (CF Belenenses) e Paula Gracioso (CCD Olivais Sul);
1984: José Pinto (CF Belenenses) e Paula Gracioso (CCD Olivais Sul).

sábado, 6 de junho de 2020

Há 5 anos, Hong Liu batia o recorde mundial feminino dos 20 km marcha

Hong Liu e o recorde mundial de 20 km marcha batido em 6 de junho de 2015.
Foto: La Opinión - A Coruña. Montagem: O Marchador
Foi a 6 de junho de 2015, faz hoje precisamente cinco anos, que Hong Liu, estabeleceu um novo recorde mundial na prova dos 20 km marcha do Grande Prémio Internacional de Marcha Atlética Cantones de A Coruna-Sergio Vasquez, com a marca de 1:24:38.

Com mais quatro marcas abaixo da casa da uma hora e vinte e sete minutos (1:25:46; 1:25:56; 1:26:00 e 1:26:58) a atleta chinesa tem dominado o panorama mundial nos últimos largos anos. Ainda nos 20 km marcha, é a atual campeã olímpica (Rio de Janeiro 2016) e campeã mundial (Doha 2019), o seu terceiro título mundial depois dos conquistados em Pequim 2015 e Daegu 2011. Foi ainda medalha de prata nos Jogos de Londres, em 2012, e obteve mais duas medalhas (prata) em mundiais (Moscovo 2013 e Berlim 2009).

Em 2019, nos Campeonatos Nacionais da China, disputados em Huangshan, estabeleceu um novo recorde mundial na distância de 50 km, obtendo o tempo de 3:59:15, a primeira mulher no mundo a baixar a barreira das quatro horas, isto, depois de ter feito uma pausa de dois anos, devido à maternidade (teve uma menina em 20 de novembro de 2017).

Com 33 anos de idade (nasceu a 12 de maio de 1987), Hong Liu é acompanhada tecnicamente na China pelo seu marido Liu Xue. A sua grande aposta este ano seria a tentativa de revalidar o título olímpico, após o que colocaria um ponto final na brilhante carreira mas um dilema se lhe colocou com o adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio por mais um ano. Durante longos períodos do ano frequenta o Centro de Alto Rendimento de Saluzzo, no norte de Itália, juntamente com o principal núcleo de marchadores chineses, todos sob orientação técnica de Sandro Damilano, treinador que é o principal responsável pelos sucessos da marcha chinesa na última década.

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Conhecendo por dentro a organização do Grande Prémio da Corunha

O Seminário Online do Comité Nacional de Juízes da RFEA, com Antonio Pérez,
Dolores Rojas e Guillermo Sandino. Imagens: YouTube. Montagem: O Marchador
O Comité Nacional de Juízes da Federação Espanhola de Atletismo levou ontem (4/6) a efeito mais uma sessão formativa online, desta vez centrada nos aspetos organizativos de um Grande Prémio de Marcha Atlética, no caso o que se realiza na Corunha desde 1987 e que no ano passado mereceu da parte da World Athletics a distinção com a Placa de Património Mundial de Atletismo, sendo por aquele organismo considerado em 2019 o melhor evento mundial da especialidade.

Dolores Rojas e Guillermo Sandino, ambos juízes internacionais de marcha, a primeira do painel da World Athletics e o segundo do painel da European Athletics, com muita experiência na montagem dos Cantones e na planificação do júri da prova, foram os preletores da iniciativa que contou com a moderação de Antonio Pérez, Presidente do CNJ e Oficial Técnico Internacional.

Num muito interessante seminário, ricamente documentado e excelentemente apresentado, que contou com a assistência de cerca de duas centenas de amantes da modalidade, da Europa e também, pelo menos, da América Central e do Sul, falou-se da história da competição, das condições necessárias à homologação do circuito, do júri da prova nas várias facetas, da composição da equipa internacional de juízes de marcha e do trabalho futuro.

Abordaram-se especificamente todas as condições exigidas pelo regulamento da WA para a homologação de um recorde mundial (a chinesa Hong Liu estabeleceu na edição de 2015 o recorde mundial feminino dos 20 km marcha, que ainda se mantém), falou-se da zona envolvente à prova, do programa competitivo e do horário das provas, dos meios humanos e materiais colocados à disposição, dos chips, das zonas de refrescamento, da câmara de chamada, etc., etc.

Ao nível específico do ajuizamento das provas de marcha, que em 2019 tiveram uma participação recorde de 113 atletas na prova masculina e de 78 na prova feminina que obrigou, pela primeira vez, à separação das duas provas, foram apresentados mapas com a indicação dos juízes internacionais que atuaram em 2018 e os que estavam designados para a edição deste ano (6 juízes, além da juiz-chefe), entretanto anulada pelos motivos de todos conhecidos.

Igualmente útil foi a explanação de como no futuro funcionará o sistema eletrónico de comunicação das notificações das faltas (notas de desclassificação) e das raquetas amarelas, com cada juiz a dispor de um terminal e cujas informações serão direcionadas para um computador manuseado pelo Secretário do Juiz-chefe de Marcha, assim dando a indicação do momento preciso em que um atleta tenha de entrar na Zona de Penalização ou que tenha de ser desclassificado. Antonio Pérez informou que a aplicação eletrónica de comunicação das informações dos juízes de marcha, que foi criada e é usada pelo CNJ da RFEA nas principais provas de âmbito nacional, passará a estar disponível também para todos os diferentes comités autonómicos.

A sessão poderá ser visualizada no site da RFEA, na página do Comité Nacional de Juízes. A 11 deste mês, pelas 17:30 horas portuguesas, será a vez de escutarmos Jorge Salcedo (Oficial Técnico Internacional da World Athletics e membro da equipa de trabalho para a área da regulamentação da WA), que falará sobre as últimas alterações produzidas no regulamento técnico da WA, nesta muito boa iniciativa do Comité Nacional de Juízes da RFEA.

quinta-feira, 4 de junho de 2020

A propósito da comemoração do Dia Mundial do Ambiente

A Prova de Marcha no Dia Mundial do Ambiente em1978: 3500 pessoas em Lisboa,
entre o Terreiro do Paço e a Torre de Belém. Fotos: arquivo dos jornais «O Dia»,
«A Bola» e «A Luta». Montagem: O Marchador
A 4 de junho de 1978 (um domingo), a Direção-Geral dos Desportos assinalava em Lisboa (antecipando em um dia), as comemorações do “Dia Mundial do Ambiente” com a realização de uma grande prova de marcha, no âmbito das ações de sensibilização da população para a prática desportiva, com partida ´no Terreiro do Paço e chegada à Torre de Belém, na distância de 7.200 metros.

Em 1978, a disciplina da marcha vivia os seus primeiros anos de implementação em Portugal, centrada especialmente na grande região de Lisboa. A nível internacional, pela primeira vez, dois marchadores portugueses participaram numa prova no estrangeiro, integrando a seleção de Lisboa, considerada praticamente a seleção nacional participando na capital catalã no Torneio Barcelona-Madrid-Genebra, na pista do Estádio Municipal Joan Serrahima.

Ora, naquele dia, há precisamente 42 anos, três mil e quinhentos tomaram parte na prova constituindo até hoje o maior número de participantes numa atividade desportiva exclusivamente dedicada à marcha atlética. Muito público a assistir, muito público à chegada, condições atmosféricas excelentes.

Pessoas de todas as idades participaram no evento, naturalmente que para a esmagadora maioria, sem intuitos competitivos. Os jornais deram grande destaque ao acontecimento (Rebelo Carvalheira em “A Bola” fez uma grande reportagem) que contou com a participação de destacadas figuras dos meios políticos e desportivos, incluindo o próprio Secretário de Estado do Desporto, o Diretor-Geral acompanhado da família, e o presidente da Comissão Nacional do Ambiente, eng. Correia da Cunha, que foi também presidente da Federação Portuguesa de Atletismo de 1972 a 1984.

Na primeira vaga de atletas chegados à meta competiu-se a sério com o benfiquista Luís Dias a ser o mais rápido de todos, percorrendo a distância em 40 minutos, ilustrando o acontecimento com várias fotos a imprensa desportiva e generalista. Avelino Ferreira viria a ser o segundo classificado, completando o pódio Américo Silva.

A cada um dos participantes chegados ao fim, recebidos com a atuação de bandas de música, foi dado um medalhão comemorativo e um certificado de presença que incluía o tempo gasto na prova, obtido através de relógio de ponto.

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Falando de Marcha, no Brasil

Cartaz da Mesa Redonda da CBAt e foto do Instagram de Caio Bonfim.
Montagem: O Marchador
A convite do blogue «O Marchador», recebemos de Nilton Cesar Ferst, Juiz Internacional de Marcha (Painel da CONSUDATLE), o texto abaixo, que publicamos com muito gosto.

"Conversar é bom, conversar quando o tema é Marcha Atlética é melhor ainda.

Aproveitando a situação de confinamento tive a oportunidade de conhecer mais sobre uma família que vive a marcha atlética, a família Sena. O casal Gianeti Oliveira de Sena Bonfim e João Evangelista de Sena Bonfim compõem a equipe que orienta o atleta medalhista em mundial Caio de Sena Bonfim e outros vários atletas na equipe CASO, na cidade de Sobradinho no Distrito Federal.

Foram mais de 3 horas ouvindo, conversando e trocando ideias sobre a marcha e tudo que a envolve. Falamos sobre a história dos treinadores e do atleta, o começo dos trabalhos, a opção pela marcha, no caso do Caio a saída do futebol. Falamos sobre treinamento (a teoria dos 30), sobre os atletas, sobre experiências em competições, falamos sobre arbitragem.

Em um grupo de ouvintes, em que estavam presentes o presidente e vice presidente da CBAt, o Prof. Warlindo Carneiro e o Dr. Wlamir Motta Campos, vários treinadores, atletas e também árbitros (do Brasil e mais outros 6 países da América do Sul e Europa), ou seja, um grupo bastante eclético. E dessa mistura a conversa fluiu de uma maneira bastante agradável e produtiva. Descobrir que dois grandes treinadores brasileiros de saltos da atualidade já trabalharam com a marcha, os professores Nélio e Arataca foi bem interessante.

Como árbitro acredito ser importante essas trocas, por mais que o tema central não fosse a arbitragem, mas, ouvir o outro lado, ouvir a opinião de atletas e de treinadores sobre nossa atuação, sobre nossas ações é bastante importante. Sabemos que a regra é bastante clara no tocante as possíveis infrações, sobre o joelho e sobre o contato com o solo, porém existe a subjetividade no momento do julgamento e essa condição torna a prova complexa para o árbitro.

Gostaria de parabenizar a CBAt pela iniciativa, o prof. Edemar pela condução e ao Rodrigo pelo apoio técnico e esperar por outros momentos como esse."

terça-feira, 2 de junho de 2020

Evocando Kerry Saxby-Junna no dia do seu aniversário

Kerry Saxby-Junna na atualidade e quando dos mundiais de Roma 1987 (em baixo) e
de Sevilha 1999 (em cima). Fotos: Mireille Merlet-Shaw, Stu Forster/Getty Images
e Dominique Guebey. Montagem: O Marchador
Kerry Saxby-Junna não é só uma das mais ilustres representantes do desporto australiano, é também uma das mais prestigiadas figuras do desporto mundial.

Nascida em 1961, só com quase 22 anos, em 1983, viria a iniciar-se na marcha atlética. E logo com resultados nada comuns em atletas principiantes. Nesse primeiro ano registaria como melhores marcas 50.02 m nos 10 km, 24.30 m nos 5000m e 13.05 m nos 3000m. Daí para diante seria um percurso de evolução que a levaria à elite da marcha feminina mundial.

Em 1984 alcançava o primeiro título de campeã da Austrália, começando logo pela distância longa de 20 km. Repetiria o feito na distância até 1987 e, depois em 1989. A mais duradoura sucessão de títulos nacionais, registou-a nos 10 km, com 11 campeonatos consecutivos, de 1985 a 1995. Feito parecido foi registado nos 5000m, com vitórias entre 1986 e 1995. Ao todo, por um período de 17 anos, viria a conquistar 27 títulos nacionais.

Atleta de estatura física de pouco dar nas vistas, começou a notabilizar-se internacionalmente na Taça do Mundo de Douglas, na Ilha de Man, em 1985, na sua estreia em representação da Austrália, obtendo o 10.º lugar. A partir daí foi presença regular nas grandes competições internacionais de atletismo ou apenas de marcha.

Na pista coberta transformou as inquestionáveis qualidades atléticas em títulos de campeã ou lugares de honra: medalha de ouro nos mundiais de 89 e de prata nos de 91 e de 93.

Ao ar livre, foi vice-campeã nos Mundiais de Roma, em 1987, os primeiros a integrar a marcha feminina no programa. Surpreendentemente, subiria ainda em mais uma ocasião ao pódio de uma competição mundial ao ar livre, nos mundiais de Sevilha, em 1999, aqui já com 38 anos de idade, obtendo o tempo de 1:31:18, numa prova pautada por elevadas temperaturas atmosféricas.

Em eventos de dimensão menos grandiosa Karry Saxby (Saxby-Junna por casamento) conseguiu revelar a superioridade que ninguém deixava de lhe reconhecer. Venceu por duas vezes nos Jogos da Comunidade Britânica, em 1990 e 1994, e foi segunda em 1998, enquanto nos Jogos da Boa Vontade obteve uma medalha de ouro em 1986 e uma de prata em 1990. Para além disso, esteve entre as cinco primeiras em todas as edições da Taça do Mundo de 1987 a 1995.

Nascida em Ballina, Young, New South Wales, há precisamente 59 anos, Kerry Saxby-Junna, a quem endereçamos os parabéns, representou a Austrália por 27 vezes e bateu nada menos de 27 recordes mundiais ou melhores marcas mundiais. A 13 de maio de 1988, na cidade sueca de Varname, bateu o recorde mundial nos 20 km marcha com o tempo de 1:29:40 sucedendo a outra sua compatriota – Sally Pierson que detinha o anterior máximo mundial desde 1984, marca que perduraria por 7 anos, batida pela chinesa Liu Hongyu (1:27:30) no decorrer da Taça do Mundo de Pequim, em 1995.

Participou em 6 Campeonatos Mundiais de Atletismo e em 3 Jogos Olímpicos (Barcelona 1992, Atlanta 1996 e Sydney 2000), retirando-se da alta competição em 2001, após os Mundiais de Edmonton, inspirando o surgimento em força de uma jovem geração de marchadoras australianas.

Foi considerada Atleta do Ano por cinco vezes e em 1992 foi galardoada pelo governo australiano com a Medalha da Ordem da Austrália em reconhecimento pelo seu meritório trajeto desportivo. Haveria ainda de receber, em 2000, a Medalha do Desporto da Austrália, em 2001, a Medalha do Centenário, vendo o seu nome inscrito, em 2013, no "Hall of Fame".

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Marius Ziukas com relevante cargo no Parlamento da Lituânia

Marius Ziukas nos mundiais de Doha 2019 e no Parlamento da Lituânia.
Fotos: Alfredas Pliadis e Seimas Chancellery
Montagem: O Marchador
O marchador olímpico lituano Marius Ziukas foi nomeado Chanceler do Parlamento da República da Lituânia (Seimas), um importante cargo administrativo que desempenhará interinamente a partir de hoje (1/6) e até ao dia 30 de novembro.

Ziukas, que vem acumulando a sua intensa atividade desportiva com a chefia da Divisão de Finanças do Parlamento da Lituânia, refere que a decisão de aceitar o novo cargo foi particularmente difícil pois está ciente da responsabilidade inerente e das dificuldades que irá enfrentar.

Refere igualmente que, para além do dever para com a instituição, a aceitação do cargo foi influenciada pelo tempo de duração e ainda pelo adiamento para 2021 dos Jogos Olímpicos de Tóquio, evento para o qual está motivado e empenhado na obtenção da qualificação.

Recorde-se que Marius Ziukas, de 34 anos de idade, é detentor de um recorde pessoal nos 20 km marcha de 1:20:31 (Adelaide 2018) e possui significativo historial internacional, onde se inclui a participação em três edições dos Jogos Olímpicos (Pequim 2008, Londres 2012 e Rio 2016).

O blogue «O Marchador» formula a Marius votos de felicidades nas suas novas funções laborais e ainda no objetivo de qualificação olímpica para Tóquio.

Colaboração: Kristina Saltanovic

domingo, 31 de maio de 2020

Iniciativa pós-quarentena com marcha jovem em St. Petersburg

Dasha Kalinnikova, a vencedora e o original pódio.
Fotos: Mikhail Sokolovskiy. Montagem: O Marchador
Depois de um período de quarentena devido ao coronavírus imposto pelas autoridades governamentais em St. Petersburg, na Rússia, teve lugar hoje de manhã (31/5), no belo Parque Alexander (Pushkin), uma iniciativa não formal e com os devidos cuidados organizativos face à pandemia, e que juntou jovens atletas uma prova de 3 km marcha e outra de 1 km corrida.

Uma das fotos acima evidencia a vencedora na prova de marcha, Darya Kalinnikova, de 14 anos de idade, com a marca de 16.26, atleta que representa o WALKERU 24 SPb e é treinada por Mikhail Sokolovskiy, grande entusiasta da disciplina.

As segunda e terceira classificadas foram Maria Antipova, com 16.40, e Ulyana Gokova, com 18.05, enquanto o melhor concorrente masculino foi Matvey Antonov, com 16.49.

A outra foto mostra a premiação das marchadoras num «original» pódio.

Colaboração: Kristina Saltanovic

sábado, 30 de maio de 2020

No aniversário de Rubén Aguilera

Rúben Aguilera. Foto: facebook do próprio. Letras: Vexels
No dia de hoje assinala-se o aniversário do nosso amigo argentino, Rubén Aguilera,  motivo pelo qual a equipa de “O Marchador” endereça-lhe os PARABÉNS!

Rubén Aguilera, que completou 72 anos de idade, tem uma longa e rica carreira dedicada ao desporto e, especialmente, ao atletismo. Jornalista de profissão, agora aposentado, foi atleta e treinador, tendo ainda desempenhado funções relevantes na área do dirigismo e do ajuizamento. Em agosto de 2017, aquando da realização dos Campeonatos Mundiais de Atletismo, em Londres, foi distinguido, no decorrer do Congresso da IAAF (hoje WA) com o “IAAF Veteran Pin” em reconhecimento do seu meritório trabalho à causa do atletismo.

Durante vários anos integrou os principais painéis da arbitragem mundial, nomeadamente, na qualidade de Oficial Técnico Internacional, tendo integrado a equipa de oficiais que participou nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, e nos de Pequim, em 2008. Nesta edição dos Jogos, na qualidade de Juiz Internacional de Marcha (nível III) foi Adjunto do Juiz-chefe de Marcha.

É o mais antigo juiz internacional de marcha do mundo em atividade, agora integrando o painel sul-americano da especialidade onde, com regularidade de desde há vários anos, integra as equipas de ajuizamento nas mais importantes competições do continente americano. Ingressou no principal painel mundial de especialistas em 1981. Presidiu e integrou as direções de diversos organismos desportivos mas, aqui, destacamos o atual cargo de presidente da Comissão de Marcha da Associação Pan-americana de Atletismo, que exerce desde 2003, e presidente do Círculo de Jornalistas Desportivos da Cidade de Mar del Plata, desde 2014.

É autor de vários trabalhos publicados, no âmbito do atletismo, dos quais salientamos os livros editados sobra a especialidade, Marcha Atlética (1985) e História das Copas Pan-americanas de Marcha Atlética (2007).

Felicidades Rubén!

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Federação do Japão cancela os 50 km marcha de Takahata

Masatora Kawano a bater o recorde nacional do Japão na edição de 2019.
Fotos: JAAF. Montagem: O Marchador
A edição n.º 59 dos campeonatos japoneses dos 50 km marcha de Takahata, que estavam agendados para se realizarem a 25 de outubro deste ano naquela cidade da Prefeitura de Yamagata, já não terá lugar este ano.

A exemplo de muitas outras organizações que viram os seus eventos adiados ou cancelados devido à situação pandémica motivada pela Covid-19, a competição japonesa de Takahata seguiu o mesmo caminho. Uma das três grandes competições nacionais de marcha que têm lugar no Japão, esta vocacionada para os 50 km, com a certeza da seleção de um especialista para um grande evento internacional, junta-se a Wajima que também viu anulada a sua prova, que estava marcada para abril.

Em 2019, os campeonatos de Takahata proporcionaram a obtenção de dois grandes resultados: Masatora Kawano, que bateu o recorde do Japão com o tempo de 3:36:45, melhorando em 18 segundos o anterior máximo que estava na posse do campeão mundial na distância, Yusuke Suzuki, e Satoshi Maruo que se classificou na segunda posição com o tempo de 3:37:39, também superando o anterior recorde nacional de Suzuki. Ambos ocuparam as posições cimeiras na lista mundial daquele ano.

A competição é uma das que anualmente se enquadram na lista de eventos certificados pela World Athletics, válidos para o ranking mundial da disciplina, normalmente contando com a presença de, pelo menos, cinco juízes internacionais, vários europeus. Fazemos votos que toda esta situação seja ultrapassada tão breve quanto possível e que em 2021 a prova possa surgir com toda a força e qualidade a que já nos habituou, numa excelente organização que conta a participação ativa de Yukio Seki, responsável pelas Relações Internacionais da Federação Japonesa de Atletismo (JAAF), Akira Fujisaki, presidente do Comité de Juízes da JAAF, e Tomoya Ishii, juiz internacional de marcha do continente asiático, a quem agradecemos pela transmissão da notícia.

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Evocando Simon Baker (Austrália)

Simon Baker e a vitória nos 50 km da Taça do Mundo de Marcha de L’Hospitalet 1989.
Fotos: Emmanuel Tardi, Multimedia Visini e VRWC
Montagem: O Marchador
Quando as estações de televisão transmitiram a prova de 50 km da Taça do Mundo de 1989, em L’Hospitalet, Espanha, poucas pessoas não se terão surpreendido com a presença de um australiano na liderança. Desde sempre, esta era uma competição por equipas e havia muito tempo que seleções como as da União Soviética, da R.D.A. e do México exerciam domínio, levando os respetivos melhores especialistas a imporem uma competição quase limitada a esses três países.

Mas o que fazia naquele dia esse esguio australiano chamado Simon Baker no comando dos 50 km? A resposta é simples: preparava-se para ganhar.

Essa terá sido a jornada de maior glória do marchador australiano. Poucas vezes até aí se tinha apresentado em grande destaque nas principais competições internacionais, ainda que fosse uma presença já habitual no pelotão.

Treinado por Craig Hilliard, este atleta magro de quase um metro e 90 de altura participou pela primeira vez em provas da Taça do Mundo na edição de 1983, obtendo o 14.º lugar nos 20 km. Nas duas edições seguintes, Douglas-85 e Nova Iorque-87, alcançou sucessivamente os 12.º e 11.º lugares. Pelo meio tinham ficado novo 14.º lugar nos 20 km dos Jogos de Los Angeles, em 1984, e a primeira vitória internacional relevante, a registada nos 20 km dos Jogos da Comunidade Britânica de 1986, em Edimburgo. Em 1988 estreia-se internacionalmente nos 50 km, obtendo o 6.º lugar nos Jogos de Seul, poucos dias depois de ter sido 11.º nos 20 km, com um recorde pessoal de 1:21:47.

Estava aberto o caminho para uma participação especial na Taça do Mundo de L’Hospitalet. E ela ocorreu mesmo. Ainda na primeira metade da prova longa, Simon Baker destacou-se dos favoritos, entre os quais estavam praticamente todos os soviéticos, liderados por Andrei Perlov e Viacheslav Vezhel.

A surpresa não terá sido pequena e talvez tenha justificado a liberdade concedida ao australiano. Só que saiu cara a facilidade que lhe foi concedida e nunca mais ninguém o apanhou. Perlov bem se esforçou mas de nada valeu o empenho, porque a determinação de Baker era decisiva. E a motivação era ainda maior depois de ter conseguido isolar. Terminou com 3:43:13, então recorde nacional da Austrália e que hoje, passados 31 anos, apenas dois dos seus compatriotas fizeram melhor: Nathan Deakes, com 3:35:47 (1986) e Jared Tallent, com 3:36:53 (2012).

O auge da carreira estava atingido. A partir desse momento tudo se tornava mais difícil. Improvavelmente voltaria a dispor das mesmas facilidades de que desfrutou naquela manhã calorenta catalã de 28 de maio de 1989, perfazem hoje 31 anos. Em 1990 mais não conseguiu do que ser 7.º nos Jogos da Comunidade Britânica, melhorando um lugar quatro anos depois. Mas outro resultado de grande valia alcançaria dois anos mais tarde. Em 1991, nos 50 km da Taça do Mundo de San Jose, nos Estados Unidos, voltaria ao pódio com um excelente 2.º lugar, atrás do mexicano Carlos Mercenario. De regresso à Catalunha registou um dececionante 19.º lugar nos Jogos Olímpicos de 1992.

Mas não se pense que estes resultados, mesmo assim, estão ao alcance de qualquer um. Só com forte caráter e grande talento técnico se consegue o que Simon Baker alcançou durante a carreira competitiva que desenvolveu. E de par com essa atividade ainda se empenhou na criação da Comissão Australiana de Atletas, que dinamizou como mais ninguém.

Nascido no dia 6 de fevereiro de 1958, em Melbourne (Victoria), Simon Baker é o único marchador australiano, no setor masculino, que representou o seu país em quatro edições dos Jogos Olímpicos: 1984-1988-1992-1996.

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Francisco Assis e o renascimento da marcha em Portugal

Francisco Assis e a equipa de marcha atlética do SL Benfica em 1977.
Fotos: Francisco Assis e arquivo «O Marchador»
Montagem: O Marchador
No tempo em que o desporto português se revigorava na sequência da abertura social, política e cultural proporcionada pela Revolução de 25 de Abril de 1974, o técnico Francisco Assis teve um papel destacado na implementação da prática da marcha atlética num dos pólos de desenvolvimento da disciplina em Portugal: o Sport Lisboa e Benfica. Graças à sua visão e ao entusiasmo que dedicou ao projecto foi possível também pelos lados do Estádio da Luz dar passos decisivos na caminhada que se iniciava e que viria a trazer a marcha ao nível que hoje apresenta no nosso país: uma das disciplinas com maior sucesso de desenvolvimento nacional e resultados internacionais no conjunto do atletismo português, corolário de um percurso em que esta foi a disciplina atlética que mais e melhor cresceu em Portugal ao longo dos últimos 46 anos.

Há muito retirado das práticas atléticas (depois de ter sido atleta e treinador), Francisco Assis nunca perdeu, no entanto, a ligação moral a uma modalidade a que teve tão forte ligação como aquela protagonizada nesses alvores de reinstauração da democracia em Portugal. E recentemente teve a simpatia de remeter a «O Marchador» um apontamento que se publica na íntegra de seguida, com o gosto de uma retoma de contacto com uma das personalidades históricas da marcha atlética portuguesa.

A peça apresenta-se assinada por Frassino Machado, pseudónimo adoptado por Francisco Assis no mundo literário.

DESPORTO E CRIATIVIDADE – Frassino Machado

«A AURORA DA MARCHA EM PORTUGAL»

“A marcha atlética é uma disciplina olímpica da modalidade de atletismo em que os atletas têm que percorrer uma determinada distância, respeitando duas regras fundamentais: é necessário que um pé esteja em contacto com o solo antes de o outro avançar e a perna de apoio tem que estar estendida até que o pé da perna contrária pouse no solo.

A distância das provas de marcha atlética nos Jogos Olímpico tem variado ao longo da história. Actualmente existem provas de 20 e 50 km para os homens e 20 km para as mulheres.” 

Comité Olímpico de Portugal
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“Com a criação da Comissão de Marcha do Sport Lisboa e Benfica, a agremiação lisboeta fica bem colocada para dar passos em frente no projecto de divulgar uma disciplina nova para quase toda a gente.

Encabeçando o grupo de trabalho estão o treinador Francisco Assis e os atletas Luís Dias, José Dias e José Pinto.” 

O Marchador, 1977
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Pelos dois documentos, acima citados, avivamos a nossa memória com estes memorandos referentes à introdução da Marcha Atlética em Portugal.

Ocorreu este facto histórico-desportivo por meados da década de setenta do século passado, na altura em que eu iniciei as minhas actividades de treinador de atletismo, ao mesmo tempo que ainda era praticante na disciplina de meio-fundo, defendendo as cores do Sport Lisboa e Benfica.

Fi-lo convicto de que seria altamente positivo e necessário preencher uma lacuna nos calendários do Atletismo português, no que se referia à modalidade da Marcha Atlética Olímpica. Esta disciplina – relativamente ao Programa Oficial dos Jogos Olímpicos – era a única que não constava no nosso historial competitivo. E sendo eu, na altura, um dos responsáveis da formação jovem encarnada, achei que era uma boa oportunidade implementar-se esse objectivo.

Assim o pensei e assim se fez, mesmo tendo em conta as reacções contrárias de variadas entidades internas e externas. Com muito esforço e dedicação foram-se realizando algumas iniciativas que, paulatinamente, ganharam raiz e direito de representação, no âmbito do desporto nacional. Para isso foi determinante que este Projecto partisse de um dos grandes Clubes nacionais e fosse, por isso mesmo, divulgado por todo o país, de norte a sul.

À luz do exemplo que era dado pelas cores benfiquistas, em provas realizadas para todas as idades – desde as classes infantis até aos veteranos, logo muitos outros clubes e agremiações nacionais aderiram entusiasticamente.

Não demorou muito, cerca de meia dúzia de anos, que as altas Instâncias nacionais – Associação de Atletismo de Lisboa, outras Associações desportivas do país e, finalmente, a Federação Portuguesa de Atletismo – acabaram por formalizar este Projecto e aprovaram em peso a sua integração em todas as competições e em todos os Calendários nacionais.

Começou por ser uma batalha, uma guerra e uma causa a que eu chamarei intencionalmente, e por bem, a “Aurora da Marcha em Portugal”. A partir dela, o movimento geral acerca da prática da Marcha Atlética, converteu-se num fenómeno desportivo envolvente, complementar ao nosso desígnio educacional, só talvez equivalente ao grande sucesso que, em paralelo, ocorreu com o meio-fundo e fundo nacionais. Nasceram e cresceram os praticantes, nasceram e cresceram os ídolos da nossa juventude, consagrou-se a fama do Atletismo Português.

Por mim, cumprida esta missão e este sonho perfeitamente criativo e humanista, deixei seguir o Fenómeno para as mãos dos verdadeiros titulares desta tarefa desportiva. Ninguém melhor que os atletas pioneiros da prática da Marcha em Portugal para assumir naturalmente o leme desta mesma missão. E foi isso mesmo o que aconteceu. Estou convicto que valeu a pena lutar, arriscar, confrontar… porquê? Porque os resultados foram mais que evidentes: as performances competitivas e os títulos de destaque obtidos ao longo de todos estes anos até hoje, não só por atletas masculinos, como também por atletas femininas, assim o confirmaram e justificaram.

Não interessa – por fugir do estrito âmbito deste artigo – citar nomes e títulos alcançados. Seria uma listagem muito longa e fastidiosa. Para isso existem consultas que todos poderemos fazer, como também estatísticas que sobejamente são referenciadas em diversos quadrantes do nosso horizonte desportivo.

Mas não quero terminar este testemunho sem realçar, de uma forma clara: quando os «projectos» são seguros e coerentes, toda e qualquer utopia, mesmo contra oposições declaradas e poderosas, tende a derrubar barreiras e a criar novas e lógicas formas de desígnios desportivos, educacionais, sociais e culturais.

Quero ainda – por ser justa e merecida – registar aqui a minha homenagem a todos os pioneiros que referi e a desejar para eles e seus seguidores os melhores auspícios e sucessos desportivos.

Professor Francisco de Assis / Frassino Machado

terça-feira, 26 de maio de 2020

Tampere disponível para acolher os Mundiais de Veteranos 2021

Imagens: LOC Tampere 2021. Montagem: O Marchador
Com o cancelamento dos Mundiais de Toronto, que estavam aprazados para serem disputados no período compreendido entre 20 de julho a 1 de agosto deste ano, Margit Jungman, presidente da World Masters Athletics, declarou que diligenciou no sentido de encontrar uma alternativa viável a Toronto, tudo apontando para que a cidade de Tampere, na Finlândia, acolha os Mundiais de Veteranos em 2021.

A cidade de Tampere, que dista 160 quilómetros a norte de Helsínquia, a capital do país, fixara os dias 3 a 10 de julho de 2021 para a realização dos Europeus de pista ao ar livre mas agora, com a forte possibilidade de realizar os Mundiais, serão acrescentados dias ao evento atenta a maior dimensão do mesmo, ficando por se saber o que acontecerá com os Europeus.

Tampere está habituada a acolher grandes eventos internacionais de atletismo. Em 2003 aí se realizaram os Europeus Sub-20 e em 2013 foi a vez de acolher os Europeus Sub-23. Em 2018 foi palco dos Mundiais Sub-20.

Com as alterações previstas, a cidade sueca de Gotemburgo, que tinha os mundiais seguintes agendados de 16 a 28 de agosto de 2022, avançará um ano.

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Hlaváč e Drahotová repetem vitórias, desta vez em Turnov

Em cima, Martin Nedvídek, o vencedor da Taça, e a premiação de jovens. Em baixo,
a liderança  das provas de 10.000 m e 5.000 m. Foto: Atletický oddíl Vrchlabí.
Imagens de vídeo (YouTube): Tomas Vojtisek. Montagem: O Marchador
Na República Checa, e como sucedido na primeira mão da Taça de Marcha 2020 «Smola Konstrukce» em Rumburk (16/5), Vít Hlaváč e Anežka Drahotová foram os vencedores dos 10.000 metros em Turnov, no sábado passado (23/5), quando da segunda mão do evento organizado pelo AC Turnov e disputado na pista do Estádio Ludvík Daňek. Martin Nedvídek venceu os 5.000 metros e sagrou-se o vencedor absoluto da Taça no conjunto das duas provas.

Vít Hlaváč, que representa o A.C. TEPO Kladno, registou 44:10.4, enquanto Anežka Drahotová, da Univerzitní Sportovní Klub Praha, obteve 47:03.7, ambos com melhorias nas marcas conseguidas há 7 dias atrás. Iguais melhorias tiveram outras atletas, com particular referência para a vencedora sub-20, Eliška Martínková, do clube organizador, com 47:45.4, um novo recorde pessoal.

Num programa de provas para todos os escalões etários, com um total de 56 participantes, e com maior diversidade nas distâncias disputadas, registe-se ainda os desempenhos, nos 5.000 metros, do veterano M45 Martin Nedvídek (AC Rumburk), com 21:46,8, da sub-20 Jana Zikmundová (AC Turnov), com 25:25.2, e da sub-18 Klára Hlaváčová (A. C. TEPO Kladno), com 25:57.9, e nos 3.000 metros, do sub-18 Robert Hurdálek (SK Nové Město nad Metují), com 13:15.3, da sub-16 Adéla Veselková (SAK Rumburk), com 14:46.0, e do sub-14 Matěj Piták (Spartak Vrchlabí Smola Konstrukce), com 14:40.2.

Os três primeiros classificados da Taça de Marcha, no conjunto das 2 provas (masculinos + femininos), foram Martin Nedvídek, com 223 pontos, Anežka Drahotová (205) e Eliška Martínková (203).

Principais classificações
10.000 m masculinos - geral
1.º, Vít Hlaváč, 1997 (A.C. TEPO Kladno), 44:10.4
2.º, Jaromír Morávek, 2003 (SMOLA CHŮZE Praha), 46:59,9 - 1.º, sub-20
3.º, Tomáš Vojtíšek, 1973 (AC Moravská Slavia Brno, spolek), 56:47.8

10.000 m femininos - geral
1.ª, Anežka Drahotová, 1995 (Univerzitní sportovní klub Praha), 47:03.7
2.ª, Eliška Martínková, 2002 (AC Turnov, z. s.), 47:45.4 - 1.ª sub-20
3.ª, Tereza Ďurdiaková, 1991 (AK Olymp Brno, spolek), 49:56.2
4.ª, Martina Netolická, 1982 (AC Slovan Liberec, z.s.), 1:01:26.6
5.º, Lenka Slabáková, 1966 (AC Moravská Slavia Brno, spolek), 1:01:55.8

Resultados completos, aqui.

domingo, 24 de maio de 2020

Evocando Carlos Albano no dia do seu aniversário

Carlos Albano nos 20 km marcha dos Campeonatos de Portugal - Jamor 1984.
Foto: arquivo «O Marchador»
O visiense Carlos Eduardo Albano festeja hoje o seu 75.º aniversário, motivo pelo qual a equipa do blogue “O Marchador” envia-lhe um forte abraço de parabéns.

Foi o primeiro atleta português - tinha na ocasião 29 anos de idade - a especializar-se na marcha, aquando da sua reintrodução no nosso país, na época de 1974/75. Tudo começou quando assistia pela televisão, na sua casa, aos Campeonatos Europeus de Atletismo, no verão de 1974, em Roma, observando com grande entusiasmo o decorrer das provas de 20 e 50 km marcha masculinos, na companhia do seu primo Fonseca e Costa, e de Rui Mingas.

A partir daí Albano, que era funcionário da Empresa Nacional de Urânio, sediada na Urgeiriça, iniciou os treinos da forma que podia e aproveitou para colocar em prática os conhecimentos da técnica numa competição de marcha disputada a 1 de dezembro de 1974, no Parque do Fontelo, que reuniu várias centenas de atletas, uma iniciativa de José Madeira, prova que venceu.

Foi o início de uma carreira pautada por uma enorme dedicação à modalidade que o fez merecer a honra de integrar a histórica seleção portuguesa que participou na Taça do Mundo de Marcha, em Nova Iorque, no ano de 1987, na primeira vez que o país levava atletas a um grande evento coletivo da especialidade.

Carlos Albano que nos primeiros anos de atividade competitiva da marcha em Portugal era presença assídua em provas que se organizavam em várias localidades do concelho de Vila Franca de Xira, sempre em representação da Casa do Pessoal das Minas da Urgeiriça, era um dos grandes marchadores daqueles tempos.

Um bom companheiro e amigo, de ontem e de hoje, foi dele e de um outro colega de trabalho que nasceu a ideia da criação do emblemático Grande Prémio da Urgeiriça. Foi medalhado em dois Campeonatos de Portugal, na distância de 20 km: em 1980, no Restelo, terceiro atrás do José Pinto e do Dinis Santos, e em 1984, no Jamor, segundo, depois do Pinto.

José Pinto que era o melhor português na distância e que possui a melhor classificação de um português na prova de 50 km de uns Jogos Olímpicos, conhecia bem o Carlos Albano com quem privava mais assiduamente quando ambos faziam estágios em Canas de Senhorim – os dois eram orientados tecnicamente por Adriano Pereira que exerceu as funções de TNM, e não tanto nas provas pois estas, por vezes, dividiam-se em jornadas matinais (juniores e outros escalões) e vespertinas (seniores). Mas o finalista olímpico dos Jogos de Los Angeles, em 1984, recorda-nos uma prova que ficou especialmente gravada na sua memória.

“A 11 de janeiro de 1981 o Clube de Futebol “Os Belenenses”, que tinha uma grande equipa de marchadores e em que eu representei por vários anos, organizou na pista de cinza do Estádio do Restelo o 2.º Grande Prémio Sumol. No 5.000 metros marcha, com todos os melhores atletas portugueses a competir, o despique pelos primeiros lugares foi renhidíssimo e eu e o Carlos Albano terminamos a prova ao sprint. Ambos realizamos o mesmo tempo (o júri deu-me a vitória) e batemos o recorde nacional que era pertença do Paulo Alves”.

sábado, 23 de maio de 2020

Dominik Černý com renovada esperança na qualificação para Tóquio

Dominik Černý. Fotos: facebook do próprio e A Hearty Nomad
Montagem: O Marchador
Dominik Černý, promissor e internacional marchador da Eslováquia, de 22 anos de idade, foi submetido na semana passada a uma artroscopia do joelho esquerdo na esperança de ver resolvida a lesão que o vinha apoquentando desde setembro do ano passado.

Após longa espera, não só pelos necessários exames complementares mas também pela situação provocada pela pandemia do coronavírus, a operação cirúrgica foi realizada com sucesso pelo Dr. Romana Oravu no Hospital Ružinov, em Bratislava.

Černý, atleta do Dukla Banska Bystrica que é treinado pela dupla Roman Benčík/Ľuboš Machník, está ciente da importância de uma boa recuperação pós operação, que deverá demorar cerca de três meses, mas o adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio para 2021 deixa-lhe com renovada esperança de qualificação para o evento, particularmente nos 50 km. Nesta distância detém 4:01:51 obtida na cidade italiana de Reggio Emilia, em 2018, em estreia aos 20 anos de idade, com potencial de melhoria da sua marca em vários minutos.

De acordo com a peça de Gabriel Bogdány publicada no «site» da Federação Eslovaca de Atletismo [aqui], Dominik Černý é um dos cinco marchadores que anseiam pela qualificação para Tóquio. Os outros atletas são, Matej Tóth, o campeão olímpico no Rio 2016, Michal Morvay, nos 50 km, Miroslav Úradník e Mária Katerinka Czaková, nos 20 km.

O blogue «O Marchador» formula a Dominik Černý votos de boa e rápida recuperação.

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Viajando pelos Grandes Prémios de Marcha: Montijo

Autocolantes de duas edições (1991 e 1995) e a frente das principais provas em 1988,
em cima, José Urbano e José Pinto, em baixo, Lígia Gonçalves, Paula Gracioso
e Isilda Gonçalves. Fotos: arquivo «O Marchador»
O Grande Prémio de Marcha Atlética «Cidade de Montijo» foi um evento que teve muito impacto no desenvolvimento da marcha atlética no nosso país e principalmente no distrito de Setúbal, que na década de 80 viu nascer várias iniciativas do género.

Naquela época, a região do Montijo tinha um conjunto de grandes atletas no panorama nacional da disciplina: Isilda Gonçalves, que viria a atingir um plano mais destacado na disciplina ao participar nuns Jogos Olímpicos (a primeira atleta a consegui-lo, no distrito de Setúbal), a sua irmã gémea, Lígia, que competiu em Taças da Europa e do Mundo, a Sofia Avoila, que se sagrou campeã europeia de juniores em 1995 e que esteve num Campeonato Mundial de Atletismo, o Nuno Pereira, que representou o país em dois mundiais e num europeu de juniores, e o Ricardo Vendeira, que também marcou presença num europeu e num mundial sub-20 e que, ainda hoje, passados 22 anos, conserva o recorde nacional de juvenis (5.000m) em pista coberta.

A iniciativa de levar o Grande Prémio por diante nascera em 1987 com o empenhadíssimo envolvimento da Câmara Municipal do Montijo e do União do Montijo – José Ganso (dirigente) e Francisco Mariano (treinador) eram os principais “rostos” deste clube, prova que contou com o apoio da então Comissão Nacional de Marcha da Federação Portuguesa de Atletismo. Em 1988, também com as mesmas entidades ao leme, a cidade do Montijo assistia a um dos mais espetaculares e mais bem organizados Campeonatos Nacionais de Marcha em estrada de que há memória.

Os campeões da marcha não faltavam à chamada e aí fizeram-se grandes resultados. Nos primeiros anos a prova teve lugar bem no centro da cidade, atraindo a atenção de muita gente e constituindo um excelente cartaz promocional. Para se aproveitar as melhores caraterísticas do piso e se potenciar a realização de boas marcas, o evento fixou-se na área adjacente ao jardim municipal da cidade.

Em 1987, na edição inaugural, Isilda Gonçalves dominava enquanto nos homens, José Urbano impunha-se na prova da légua. Nos veteranos, o saudoso Aires Denis era um dos mais entusiastas participantes enquanto José Henriques, o presidente do Centro de Atletismo das Galinheiras, ontem como hoje, era e é um exemplo de como a marcha pode e deve ser praticada por gente de todas as idades.

Em 1988 assistiu-se a provas das mais emocionantes de sempre, decididas em cima da meta. No setor masculino, Urbano e Pinto cortaram a linha de meta em autêntico sprint, ambos registando o mesmo tempo com o júri a dar a vitoria ao primeiro, e no setor feminino, Paula Gracioso e Isilda Gonçalves haveriam de terminar com o mesmo tempo, a primeira vencendo nos seniores e a segunda nos juniores. Paulo Murta, um dos melhores treinadores de marcha, ainda competia em representação do Clube Oriental de Pechão. No plano coletivo, o Centro de Cultura e Desporto de Olivais Sul, um clube pioneiro na especialidade, destacava-se nos lugares coletivos de topo.

Entre surpresas e confirmações, foram vários os atletas que no Grande Prémio do Montijo deram contributos decisivos para definir as equipas às Taças do Mundo de Marcha e que realizaram mínimos para competições internacionais. Por exemplo, na edição de 1990, os vencedores, José Urbano e Isilda Gonçalves, carimbaram o passaporte para os Europeus de Split, a montijense acrescentando para as estatísticas um novo recorde nacional nos 10 km marcha, a primeira portuguesa a baixar da fasquia dos 50 minutos. A presença estrangeira era uma constante. Recordamo-nos, em 1991, de assistir à participação de García Bragado (foi segundo, atrás do Urbano), hoje em dia uma das referências mundiais da marcha. 

Em 2003 teve lugar a 15.ª e última edição da prova que registou uma das maiores participações de sempre e constituiu a prova final de observação para a constituição da equipa nacional para a Taça da Europa de Cheboksary.

Em relação à génese da iniciativa, José Ganso disse a O Marchador que com a constituição da Associação de Atletismo de Setúbal, na primeira metade da década de 80, a Câmara Municipal do Montijo foi das primeiras no distrito a colaborar com a Associação na realização de provas de atletismo, nomeadamente, albergando campeonatos de corta-mato. “Aproveitando a disponibilidade dos dirigentes autárquicos, reuni-me com eles e coloquei em cima da mesa a proposta de se fazer um Grande Prémio de Marcha. A aceitação foi total e constatei mesmo que havia entusiasmo em levar por diante o projeto”, concluiu o atual juiz internacional da modalidade.

Já Francisco Mariano destaca o protagonismo da Isilda e da Lígia a nível nacional, mais tarde seguidas por outros talentosos jovens, de que aponta como exemplos a Sofia Avoila e o Nuno Pereira (todos por si treinados) e o quanto isso foi importante para o apoio à realização do Grande Prémio que, nas primeiras edições se realizaram na Praça da República, em pavimento de calçada e em distâncias reduzidas. “Naquela época, a marcha atlética no Montijo era considerada como tendo a melhor escola de marcha do país e o Grande Prémio, sempre bem organizado, era o que mais público atraía, juntando bons especialistas, portugueses e estrangeiros”, acrescentou Mariano, um dos técnicos portugueses que há mais tempo treina atletas de marcha.

Para a história do Grande Prémio do Montijo fica o registo dos nomes dos vencedores absolutos nas principais provas:

1987: José Urbano (CCD Olivais Sul) e Isilda Gonçalves (U Montijo);
1988: José Urbano (SL Benfica) e Paula Gracioso (SL Benfica);
1989: José Pinto (CF Belenenses) e Lígia Gonçalves (U Montijo);
1990: José Urbano (SL Benfica) e Isilda Gonçalves (U Montijo);
1991: José Urbano (SL Benfica) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
1992: José Urbano (SL Benfica) e Isilda Gonçalves (CD Montijo);
1993: não se realizou (Campeonatos Nacionais de Marcha neste ano no Montijo);
1994: José Magalhães (AC Alfenense) e Isilda Gonçalves (CD Montijo);
1995: José Urbano (CCD Olivais Sul) e Isilda Gonçalves (CD Montijo);
1996: João Vieira (CN Rio Maior) e Sofia Avoila (CD Montijo);
1997: Sérgio Vieira (CN Rio Maior) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
1998: Sérgio Vieira (CN Rio Maior) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
1999: José Urbano (SL Benfica) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
2000: não se realizou
2001: João Vieira (CN Rio Maior) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
2002: Eduardo Mota (CO Desportivo) e Kristina Saltanovic (CN Rio Maior);
2003: Augusto Cardoso (FC Porto) e Maribel Gonçalves (GD Estreito).

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Eleonora Giorgi, uma apaixonada pela cozinha

Eleonora Giorgi. Imagens: Atletica TV e Pinterest. Foto: Colombo/FIDAL
A marchadora olímpica italiana Eleonora Anna Giorgi foi ontem (20/5) convidada da Atletica TV - FIDAL (Federazione Italiana di Atletica Leggera), onde, para além dos aspetos relacionados com a sua atividade desportiva, confessa ser uma apaixonada pela cozinha, e particularmente na confeção de doces, tendo aproveitando o período de quarentena devido à pandemia provocada pelo coronavírus para se dedicar a experimentar receitas que ainda não tinha provado.

Giorgi refere ter iniciado o treino no exterior no passado dia 4 de maio, a data definida pelo governo italiano para a retoma de atividade para os atletas de alto nível de modalidades individuais, tendo desfrutado de um sentimento de liberdade, sentindo-se até como se estivesse no seu primeiro dia de escola. Por agora tem apenas utilizado circuitos em estrada ou em parques, evitando horários de maior afluência de pessoas, e no sábado passado já concluiu uma sessão de 20 km, naturalmente ainda não a ritmos que conseguia antes da paragem forçada.

Sobre as suas opções competitivas, que passaram dos 20 km para os 50 km, distância esta que lhe proporcionou o recorde da Europa (4:04:50), vencendo na Taça da Europa de Alytus 2019, e a medalha de bronze no mundial de Doha 2019, tem muita pena que não tenha sido possível realizar este ano o Campeonato do Mundo de Seleções de Marcha em Minsk, onde ambicionada obter uma marca abaixo das quatro horas. Depois, na segunda fase da temporada, dedicar-se-ia aos 20 km dos Jogos Olímpicos de Tóquio/Sapporo.

Enquanto falava, manifestou-se emocionada com as imagens que passavam da parte final da sua prova em Doha e da subida ao pódio, referindo que, particularmente nesta fase sem competições, gosta muito de reviver esses momentos, acrescentando outros como o recorde da Europa de 50 km e o recorde italiano de 20 km (1:26:17, Múrcia 2015). Essas recordações dão-lhe motivação para os próximos objetivos, embora nesta fase ainda não se saiba o que vai acontecer nos tempos mais próximos nem quando será a próxima competição.

Quando da retoma da normalidade, entre outros aspetos, imagina um regresso competitivo no período de outubro a dezembro, o que inverte um pouco o que está habituada, e espera ter várias provas para avaliar a sua condição no confronto com outras atletas, apontando depois aos Jogos Olímpicos.

A interessante entrevista a Giorgi na Atletica TV, a par de Claudio Stecchi, saltador com vara, pode ser vista aqui.

quarta-feira, 20 de maio de 2020

A medalha de Portugal nos 50 km marcha masculinos da Taça da Europa

O evento em Cheboksary 2003 e a equipa portuguesa de 50 km, com Jorge Costa,
Pedro Martins, Mário Contreiras e Luís Gil. Fotos: LOC Cheboksary e arq. «O Marchador»
Passaram-se 17 anos sobre a conquista da primeira medalha coletiva de uma seleção portuguesa de marcha em Taças da Europa ou do Mundo da especialidade, inédita no contexto masculino.

Em maio de 2003, a cidade de Cheboksary, na Rússia, recebia a quinta edição da Taça da Europa de Marcha, numa magnífica organização do governo autónomo da Chuvásquia e à qual assistiram cerca de 75 mil pessoas.

Nos 50 km masculinos, a Rússia foi avassaladora, conquistando a medalha de ouro coletiva. German Skurygin, Aleksey Voyevodin e Semen Lovkin entraram para o pódio individual por essa ordem. A Espanha viria a garantir o segundo lugar coletivo graças às notáveis prestações dos seus três melhores atletas. Santiago Pérez, hoje o técnico nacional de marcha do país vizinho, foi o líder da equipa espanhola ao classificar-se num formidável 4.º lugar e logo atrás chegaram os seus companheiros de seleção, Francisco Pinardo (5.º) e Mario Avellaneda (7.º), com a «reserva» russa chamada Stepan Yudin intercalada na sexta posição.

A conquista da medalha de bronze pela equipa nacional de 50 km na Taça da Europa de Marcha constituiu um dos maiores sucessos internacionais da marcha portuguesa, graças a um conjunto de prestação ao nível do máximo que pode ser exigido. Tudo acabou por correr bem e estes enfermeiros, carteiros, guardas e trabalhadores hoteleiros que tiveram no bronze de Cheboksary um verdadeiro título europeu de amadores.

Pedro Martins, então o hexacampeão de Portugal da distância, fez as honras nacionais e chegou ao 10.º lugar, a melhor classificação de sempre de atletas portugueses na prova longa em Taças da Europa. Com 26 internacionalizações, viria a representar o país em 11 edições da competição, desde a estreia, na edição da Corunha, em 1996, até à edição de Múrcia, em 2015, isto de forma ininterrupta. Em Taças do Mundo foram 7 as edições em que tomou parte, de 1997 a 2012.

Jorge Costa, que começou pelos vigésimos lugares, acabou a prova precisamente em 20.º, graças a um andamento constante. Ainda assim, nas 7 edições da Taça da Europa em que participou, o seu melhor resultado foi alcançado em Metz (2009) onde foi 13.º. Com 5 Taças do Mundo no currículo, chegou às 18 internacionalizações terminando a carreira em 2011, na Taça da Europa de Olhão, precisamente na sua terra natal.

Luís Gil, que melhorou o seu recorde pessoal em quase cinco minutos, andara meio perdido na classificação até cerca dos 20 km, que cumpriu no 39.º lugar. Daí até terminar em 24.º foi uma cavalgada assente na consciência do valor e na inteligência tática. Com 6 internacionalizações divide-as por participações em três Taças da Europa e outras tantas Taças do Mundo.

Mário Contreiras foi menos feliz no regresso à seleção nacional 12 anos depois de ter estado na Taça do Mundo de San José, em 1991. Até cerca dos 30 km andou sempre em ritmo que possibilitava um recorde pessoal, mas depois dessa fase viria a abandonar queixando-se de contratura numa coxa. Representaria ainda outra vez a seleção de Portugal na Taça do Mundo de Naumburg, em 2004.

Mas não se pense que a prestação portuguesa, nomeadamente, a da equipa de 50 km, terá sido um caso meramente fortuito. Na Taça do Mundo de 2004 (Naumburg) e nas Taças da Europa de 2007 (Leamington), e 2009 (Metz), a seleção nacional classificara-se sempre em 4.º lugar. Na edição francesa ficou mesmo em igualdade pontual com a Itália que obteria a medalha de bronze por ser seu o melhor classificado na prova, resultado que teria sido diferente se, por exemplo, o mesmo facto tivesse ocorrido numa Taça do Mundo onde o critério de desempate seria em favor da equipa que primeiro fechasse com o seu terceiro elemento….

“11 vezes baixei das 4h00 e 3 vezes abaixo das 3h57”, escreveu o olímpico Pedro Martins na sua página pessoal de Facebook, ao assinalar a efeméride, acrescentando, em tom sorridente, que …fazíamos melhor a treinar que agora a maioria a competir. Outro olímpico, o Jorge Costa haveria de comentar, a propósito do tema: “Vamos vivendo das boas recordações, foi em 2003, já passaram 17 anos, e o facto é que mesmo velhos ninguém ainda fez melhor. Éramos doidos a treinar, sacrifícios que os novos não fazem e depois querem resultados.”