sexta-feira, 21 de julho de 2017

Leiria acolhe este fim-de-semana os Campeonatos de Clubes (Pista)

Maribel Gonçalves será uma das marchadoras olímpicas nos
nacionais de clubes, 13 anos após a presença em Atenas-2004.
Foto: O Marchador
Leiria vai receber este fim-de-semana os Campeonatos Nacionais de Clubes das I, II e III Divisões, em pista ao ar livre, um dos momentos altos da temporada atlética, sendo a primeira vez que se juntam, numa mesma pista, as três divisões nacionais, se bem que as diferentes provas do programa-horário sejam realizadas separadamente. A organização é da responsabilidade da Federação Portuguesa de Atletismo e da Associação Distrital de Atletismo de Leiria.

No que à marcha atlética diz respeito, assistiremos na jornada de sábado (22) à realização das seis provas, no setor masculino e feminino, das três divisões. Os 5.000 metros masculinos – III Divisão, às 13:05 horas, II Divisão, às 16:50 horas, e I Divisão, às 20:35 horas, e os 3.000 metros femininos – III Divisão, às 13:35 horas, II Divisão, às 17:20 horas, e I Divisão, às 21:05 horas.

Das 48 equipas que participam na globalidade destes campeonatos (8 em cada divisão), apenas se conhece a ausência de marchadores do Grupo de Atletismo de Fátima (II Divisão masculina e III Divisão feminina), da Escola do Movimento (III Divisão masculina) e do Gira Sol (III Divisão feminina).

No que toca à I Divisão masculina, é de realçar que estão inscritos os atletas olímpicos João Vieira (SCP), Miguel Carvalho, Sérgio Vieira e Pedro Isidro (SLB), sendo que apenas um destes três competirá pela formação benfiquista, Pedro Martins (CAS), Augusto Cardoso (ACROD) e António Pereira (SCB). Na I Divisão feminina, destacam-se os nomes das marchadoras olímpicas Vera Santos (SCP) e Maribel Gonçalves (GDE).

Na II Divisão masculina, há a destacar a presença do veterano Francisco Reis, que nos anos oitenta representou Portugal na Taça do Mundo de Marcha de Nova Iorque e participa regularmente em competições realizadas em Inglaterra, país para onde emigrou há vários anos, e em provas internacionais de masters. Na II Divisão feminina, de notar a presença da veterana Sofia Avoila, que marcou um período importante para a especialidade, tendo obtido o título de campeã europeia de juniores (era treinada por Francisco Mariano) e integrado o selecionado nacional em vários eventos internacionais.

A equipa de juízes de marcha será composta por José Ganso (chefe), José Dias, Joaquim Graça (juízes internacionais), Eduardo Gonçalves (ex-juiz internacional) e Luís Ervideira, todos integrando o painel nacional de grau A, o mais elevado a nível nacional.

Russo-neutro Shirobokov lidera juniores inscritos em Grosseto

Sergey Shirobokov, rumo à vitória nos mundiais de Cali,
em 2015. Foto: Zimbio
O russo Sergey Shirobokov será este sábado o atleta mais credenciado entre os 16 que vão alinhar à partida dos 10 mil metros marcha dos europeus de sub-20, a decorrerem em Grosseto, na Itália. Shirobokov, que foi campeão mundial de jovens em 2015 (Cali, Colômbia), surge creditado com um recorde pessoal de 40.58,00 m, num registo assinado em 28 de Fevereiro de 2016, em Sóchi (Rússia).

Tal como os demais russos admitidos a estes campeonatos, Sergey Shirobokov estará a competição como atleta neutro admitido, o que significa que não representa qualquer país. À partida é o único inscrito com marca pessoal abaixo de 41 minutos, havendo apenas mais um registo abaixo de 42 minutos, o do alemão Leo Köpp (41.33,10). O terceiro melhor recorde pessoal entre os componentes da lista de partida da prova é o do ucraniano Viktor Shumik, que apresenta 42.00,60 m, marca obtida em Lutsk a 27 do mês passado.

Recorde-se que Köpp e Shumik foram, respetivamente, primeiro e quarto classificados na prova de juniores masculinos (10 km) da Taça da Europa de Marcha realizada em Podebrady a 21 de Maio último. Desta prova estará presente em Grosseto também o terceiro classificado, o polaco Lukasz Niedzialek, que então registou 41.28 m, mas detém em pista um máximo pessoal de 42.40,02 m, obtidos recentemente.

Quanto a Shirobokov, apresenta ainda recordes pessoais de 40.00 m nos 10 km em estrada (Cheboksary, Rússia, 11/6/2017) e de 1.18.26 h nos 20 km (Sóchi, 18/2/2017).

De assinalar que mais de metade (9) dos 16 atletas constantes da lista de partida têm marcas abaixo de 43 minutos, sobrando sete com marcas nas casas dos 44 e dos 45 minutos.

Eis a lista de partida (entre parêntesis, o recorde pessoal e a melhor marca do ano):

Sergey Shirobokov (neutro, 40.58,00 / –)
Leo Köpp (Alemanha, 41.33,10 / –)
José Manuel Pérez (Espanha, 43.56,09 / 43.56,09)
David Kuster (França, 42.21,90/ 42.34,95)
Justin Bournier (França, 42.47,29 / 42.47,29)
Yeóryos Tzatzimákis (Grécia, 42.48,83 / 42.48,83)
Báliny Sárossi (Hungria, 45.14,60 / 45.14,60)
Davide Marchesi (Itália, 43.29,41 / 43.29,41)
Giacomo Brandi (Itália, 42.19,49 / 43.01,13)
Riccardo Orsoni (Itália, 44.15,43 / 44.15,43)
Lucasz Niedzialek (Polónia, 42.40,02 / 42.40,02)
Stefan Cristian Mangu (Roménia, 44.56,16 / –)
Abdulaziz Danis (Turquia, 45.52,37 / –)
Abdulselam Imük (Turquia, 45.09,91 / –)
Eduard Zabuzhenko (Ucrânia, 42.25,60 / 42.25,60)
Viktor Shumik (Ucrânia, 42.00,60 / 42.00,60)

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Yana Smerdova, campeã europeia de juniores

Yana Smerdova, rejubilando após a vitória em Grosseto.
Foto: streaming AEA
A russa Yana Smerdova sagrou-se esta manhã campeã europeia júnior de marcha atlética, ao vencer, em Grosseto (Itália), os 10 mil metros marcha das campeonatos da Europa do escalão. Smerdova, que participa nestes campeonatos como atleta neutra autorizada (não representando qualquer país), registou 47.19,69 m, tendo no pódio a companhia da alemã Teresa Zurek (47.33,20) e da turca Meryem Bekmez (48.33,88). Entre as portuguesas, Carolina Costa foi 11.ª (50.29,74) e Inês Reis, 17.ª (52.15,00).

As três primeiras e ainda a turca Ayse Tekdal formaram um quarteto que liderou a competição desde o final do primeiro quilómetro até perto dos seis mil metros, pouco antes dos quais Tekdal seria encaminhada para a área de penalização. Entretanto, tinham passado a meio da prova com 23.52,14 m, anunciando um resultado final na casa dos 47 minutos.

As quatro atletas da frente tiveram quase sempre na alemã e na russa o maior empenho no estabelecimento do ritmo, com as turcas formando uma espécie de segunda fila. Mais para trás, a espanhola María Peña mantinha uma perseguição à vista, preparada para aproveitar qualquer deslize das da frente.

Com a penalização de Tekdal (que viria mesmo a ser desclassificada nas voltas finais), o trio da dianteira reeditava o pelotão que dominou a prova das juniores da Taça da Europa de Podebrady, em Maio.

Na segunda metade da competição, Smerdova e Zurek fizeram por marcar posição na luta pela vitória, conseguindo, a oito voltas do final, destacar-se de Meryem Bekmez, que pareceu conformar-se com a terceira posição. Por um lado, estava sobrecarregada de notas de desclassificação (duas, assinaladas logo nas primeiras voltas), por outro, revelava não estar totalmente recuperada dos mundiais de sub-18 de Nairobi, onde há apenas cinco dias conquistou a medalha de prata.

Pouco depois, Teresa Zurek forçou ainda um pouco mais o ritmo, parecendo deixar a Smerdova em dificuldades. Conseguiria ganhar uma vantagem de chegou a rondar os dez metros, dando ideia de estar a caminhar para a conquista da medalha de ouro.

No entanto, a russa, revelando maior segurança do ponto de vista técnico-regulamentar, iria operar uma reviravolta, reagindo e ultrapassando a alemã já dentro do nono quilómetro, para se assenhorear em definitivo do primeiro lugar.

Até final, Yana Smerdova trataria de gerir a vantagem crescente numa manhã de calor, segurando mais um título europeu no escalão de juniores, desta vez com mais de cinquenta metros de vantagem para Teresa Zurek, que na próxima semana completa 19 anos.

Mais para trás, o impensável esteve quase a acontecer com a surpreendente recuperação da espanhola María Peña e a cedência quase ostensiva de Meryem Bekmez. Peña chegou a alcançar a turca nos últimos metros, mas um esforço final de Bekmez permitiu-lhe segurar o terceiro lugar e a consequente subida ao degrau do pódio que ainda estava por ocupar, assinando um novo recorde turco de sub-23.

De assinalar ainda que as três espanholas e a italiana Valeria Disabato também registaram novos máximos pessoais.

Quanto às portuguesas, mantiveram na primeira metade da prova um desempenho que parecia apontar às duas atletas uma classificação entre as dez primeiras, com perspectiva de marca abaixo dos 50 minutos.

Cedo se tornou evidente que o calor não permitiria resultados ao nível dos recordes pessoais, em ambos os casos na casa dos 48 minutos. Inês Reis seria a primeira a ceder em relação ao grupo em que se integrara de início, fazendo uma segundo metade em queda para lugares mais recuados.

Carolina Costa foi quem pareceu mais capaz de acompanhar as espanholas Irene Montejo e Antia Chamosa, mas também acabaria por atrasar-se, sendo ainda ultrapassada pela italiana Valeria Disabato e pela grega Sofia Alikanioti, para cortar a meta no 11.º lugar.

A prova masculina de marcha deste campeonatos tem lugar sábado, a partir das 9h25 (8h25 em Portugal continental).

Classificação
10.000 m marcha femininos
1.ª, Yana merdova (ANA), 47.19,69
2.ª, Teresa Zurek (Alemanha), 47.33,20
3.ª, Meryem Bekmez (Turquia), 48.33,88
4.ª, María Peña (Espanha), 48.34,21
5.ª, Ines Montejo (Espanha), 49.02,62
6.ª, Julia Richter (Alemanha), 49.06,03
7.ª, Antia Chamosa (Espanha), 49.08,52
8.ª, Eloïse Terrec (França), 49.19,26
9.ª, Valeria Disabato (Itália), 49.26,81
10.ª, Sofia Alikanioti (Grécia), 49.43,68
11.ª, Carolina Costa (Portugal), 50.29,74
12.ª, Annalisa Russo (Itália), 50.39,96
13.ª, Ema hacundová (Eslováquia), 50.47,31
14.ª, Camille Aurrière (França), 50.51,30
15.ª, Anthea Mirabello (Itália), 51.12,89
16.ª, Athanasía Vaítsi (Grécia), 51.33,30
17.ª, Inês Reis (Portugal), 52.15,00
18.ª, Niamh O'Connor (Irlanda), 53.36,84
19.ª, Klaudia Žárska (Eslováquia), 54.30,71
20.ª, Seçil Akpinar (Turquia), 54.44,61
Desclassificadas: Kiriaki Filtisákou (Grécia) e Ayse Tekdal (Turquia).

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Juízes portugueses nomeados para os Europeus de Sub-20

No mês de julho, com a realização de campeonatos europeus e mundiais, em diversos escalões, a arbitragem nacional vai estar representada ao mais alto nível com a presença de Juízes Internacionais de Marcha e de Oficiais Técnicos Internacionais que, como é do conhecimento público, têm estado muito bem representados nos respetivos painéis.

Apesar de se falar, quase sempre e por razões óbvias, dos atletas que representarão Portugal nesses eventos internacionais, a divulgação dos juízes internacionais para as principais competições de âmbito europeu e mundial é, praticamente, nula.

Para Grosseto, cidade italiana que acolherá a 24.ª edição dos campeonatos europeus de Sub-20 (pista ao ar livre), a realizar de 20 a 23 deste mês, a Associação Europeia de Atletismo nomeou dois oficiais internacionais portugueses.

Para as provas de marcha (10.000 metros, a 20 a prova feminina e a 22, a prova masculina), Vasco Guedes, do Conselho de Arbitragem da Associação de Atletismo de Santarém, juiz internacional desde 2014, é um dos seis juízes que intervirão no processo de ajuizamento das referidas provas, sendo que a última competição internacional em que o juiz português, já com experiência internacional, atuou foi no Grande Prémio da Corunha, disputado em junho deste ano. Da sua equipa farão parte o suíço Frédéric Bianchi (chefe), o checo Miloslav Lapka, o espanhol Sergio Solana, o francês Bruno Fougeron e o irlandês Ray Flynn.

Na supervisão das provas de Grosseto, José Paulo Moreira vai chefiar a equipa de Oficiais Técnicos Internacionais, composta por Elena Barrios (Espanha), Aleš Novotný (República Checa), Jean-Marcel Martin (França), Mats Svensson (Suécia) e Didier Foulon (Bélgica). Recorde-se que o prestigiado juiz português já atuou nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, e este ano foi o Delegado Técnico na Taça da Europa de Lançamentos.

Finalmente, assinale-se que um dos Delegados Técnicos da competição é o juiz internacional turco Can Korkmazoglu, que há alguns anos integrou o principal painel internacional de juízes de marcha da IAAF, tendo atuado, por algumas ocasiões, em provas realizadas em Portugal.

terça-feira, 18 de julho de 2017

De Demkov a Morejón: os campeões mundiais de sub-18

Três ilustres desconhecidos dos mundiais de jovens: Jared
Tallent, Matej Tóth e Takayuki Tanii, medalhados nos 50 km
dos mundiais de Pequim-2015. O japonês foi o primeiro não
europeu medalhado nos mundiais de jovens. Foto: Zimbio.
Sábado passado, quando a equatoriana Glenda Morejón terminou em Nairobi, no Quénia, a prova feminina de 5000 m marcha dos mundiais de sub-18 chegava também ao fim o ciclo de atribuições de títulos de campeões mundiais de marcha a atletas daquele escalão. Por decisão da Associação Internacional de Federações de Atletismo (AIFA), os também chamados mundiais de jovens deixam de realizar-se, dando lugar a campeonatos continentais.

A vitória de Morejón aconteceu dois dias antes de passarem 18 anos sobre a primeira prova de marcha no historial destes campeonatos, um aniversário que hoje se cumpre. Foi na manhã de 18 de Julho de 1999 que, em Bydgoszcz, na Polónia, teve lugar a competição masculina de 10 mil metros marcha dos I Campeonatos Mundiais de Atletismo para Jovens, no Estádio Zdzislaw Krzyszkowiak. O vencedor foi o russo Evgeniy Demkov, com 42.26,07 m, seguido do compatriota Aleksandr Strokov (42.36,52), na primeira das «dobradinhas» russas na marcha dos mundiais de jovens.

Horas depois, na jornada da tarde, a Rússia esteve à beira de repetir a dose, com Tatyana Kozlova a impor-se a toda a concorrência nos 5000 metros marcha femininos, com 22.31,93 m. Com Ekaterina Dergounova no terceiro lugar, com 22.54,59, a festa russa foi estragada pela «vizinha» bielorrusa Maryna Tsikhanava, que, com 22.37,54 m, se interpôs no segundo lugar do pódio, arrebatando a medalha de prata.

A Rússia voltaria a posicionar os dois representantes por prova nos dois primeiros lugares nas provas masculinas de Marráquexe-2005 (Sergey Morozov, 42.26,92; Vladimir Akhmetov, 42.32,81) e nas femininas de Marráquexe-2005 (Tatyana Kalmykova, 22.14,47; Elmira Alembekova, 22.27,17) e Ostrava-2007 (Tatyana Kalmykova, 20.28,05; Irina Yumanova, 21.21,14). Portanto, os campeonatos de 2005 renderam aos marchadores russas uma «dupla dobradinha», sendo que nenhum outro país conseguiu ocupar os dois lugares mais altos do pódio em qualquer prova de marcha dos mundiais deste escalão.
No conjunto das vinte provas de marcha levadas a cabo nas dez edições dos campeonatos, 13 foram ganhas por atletas russos, que conquistaram outras 13 medalhas (não contando com Elvira Khasanova, que no passado sábado foi terceira nos mundiais de Nairobi, mas na condição de «atleta neutra autorizada» (portanto, sem representar a sua Rússia natal).

Nas sete provas não ganhas por russos, três foram vencidas por marchadores chineses, havendo ainda uma vitória para cada um dos seguintes países: Alemanha, Irlanda, Japão e Equador. Ascende, assim, a seis o número de países que conquistaram medalhas de ouro nas provas de marcha dos mundiais de jovens, a que podem ainda juntar-se Bielorrússia, Colômbia, Turquia, México, Itália, Grécia, Ucrânia, Espanha, Etiópia e Quénia como nações sem campeões mas que obtiveram medalhas de prata ou bronze.

O mesmo é dizer que, ao longo de 18 anos e dez edições, os campeonatos mundiais de atletismo de sub-18 foram um contributo para a demonstração da universalidade da marcha atlética, com atletas medalhados provenientes de cinco continentes: Europa, Ásia, América do Norte, América do Sul e África.

Por curiosidade, assinale-se que o japonês Takayuki Tanii foi o primeiro marchador não europeu a conquistar uma medalha nos mundiais de sub-18, quando, na edição inaugural de Bydgoszcz-1999, foi terceiro classificado nos 10 mil metros marcha masculinos.

Pelos mundiais de jovens passaram de forma mais ou menos discreta alguns atletas que mais tarde vieram a afirmar-se no panorama internacional ao mais alto nível. Exemplos: o mexicano Horacio Nava, o eslovaco Matej Tóth e a espanhola Beatriz Pascual em Bydgoszcz-1999; o australiano Jared Tallent, o japonês Yuki Yamazaki, a lituana Brigita Virbalyté e a portuguesa Ana Cabecinha em Debrecen-2001; o espanhol Miguel Ángel López em Marráquexe-2005; o russo Denis Strelkov e a italiana Antonella Palmisano em Ostrava-2007; o australiano Dane Bird-Smith em Bressanone-2009; ou ainda a checa Anežka Drahotová em Lille-2011.


segunda-feira, 17 de julho de 2017

Klavdiya Afanasyeva chegou neutra e partiu campeã

A campeã Klavdiya Afanasyeva, ao centro, ladeada por María
Pérez (esq.) e Živile Vaiciukeviciute. Foto: streaming AEA
Favorita à partida e vencedora à chegada, a russa Klavdiya Afanasyeva venceu este domingo, em Bydgoszcz, o europeu de sub-23 de 20 km marcha femininos, durante os campeonatos continentais de atletismo do escalão que tiveram lugar naquela cidade polaca. A marchadora, que alinhou nestes campeonatos na qualidade de atleta neutra autorizada (portanto, sem representação do seu país de origem, a Rússia, que se encontra impedido de participar nas grandes competições internacionais de atletismo), terminou a prova com 1.31.15 h, superiorizando-se na fase decisiva à espanhola María Pérez (1.31.29). O pódio foi completado pela lituana Živile Vaiciukeviciute, que com 1.32.21 h garantiu a medalha de bronze.

Edna Barros foi a melhor portuguesa, ao alcançar a 10.ª posição (1.37.55), enquanto Mara Ribeiro (1.40.47) foi 14.ª e Mariana Mota (1.45.59) terminou no 18.º lugar.

À partida, havia alguma expectativa quanto à capacidade de desempenho da vice-campeã europeia de sub-23 de há dois anos (Tallinn-2015), a checa Anežka Drahotová, cotada com um dos melhores recordes pessoais de toda a Europa nos 20 km marcha (seniores incluídas), mas de quem nos últimos tempos não têm chegado notícias de feitos comparáveis aos registados entre 2013 e 2015. E quem apreciasse a fase inicial desta prova em Bydgoszcz até poderia iludir-se com a presença da checa na liderança no primeiro quilómetro. Mas logo se percebeu que da parte de Anežka Drahotová não haveria nenhum daqueles arranques bombásticos que algumas vezes protagonizou, nem sempre com o melhor sucesso.

Assim, o primeiro quilómetro revelou a formação de um grupo de liderança com dez a doze unidades e onde se notava a ausência da atleta creditada com a melhor marca do ano entre as presentes, Klavdiya Afanasyeva, posicionada atrás de um segundo grupo. Em compensação, no pelotão da frente estavam todas as três espanholas (María Pérez, Laura García-Caro e Lidia Sánchéz-Puebla) e as três italianas (Eleonora Dominici, Nicole Colombi e Diana Cacciotti), a bielorrussa Viktoryia Rashchupkina, a lituana Živile Vaiciukeviciute, a alemã Emilia Lehmeyer, a húngara Rita Récsei e a já referida Drahotová.

Só no segundo quilómetro Afanasyeva decidiu abandonar o grupo onde se encontravam as portuguesas Edna Barros e Mara Ribeiro, para se juntar ao grupo da frente, o que viria a suceder.

Até ao final da primeira légua seriam Sánchez-Puebla, Rashchupkina, Lehmeyer e ocasionalmente María Pérez a assumir as despesas da marcação do ritmo, enquanto as italianas e Afanasyeva se defendiam no fim do grupo.

A passagem das primeiras aos cinco quilómetros em 23.08 m, lideradas por Pérez, não prenunciava uma marca final de grande quilate. O calor que se acentuou ao final da manhã não ajudava as atletas em prova, pelo que não se estranhará que os resultados absolutos tenham sido de nível abaixo do esperado, ao contrário do sucedido duas horas antes com os marchadores masculinos, que competiram em horário mais fresco.

Na transição da primeira légua para a segunda, María Pérez tratou de forçar o andamento na frente, baixando nada menos que dez segundos na média por quilómetro, com o reflexo imediato do atraso das transalpinas. O grupo da frente alongava-se numa espécie de fila indiana, para logo começar a fracturar-se.

Pérez ficava sozinha na liderança da prova, seguida de Rashchupkina numa posição intermédia e aumentando a olhos vistos a vantagem sobre as demais ex-companheiras de pelotão.

A caminho de meio da prova, Klavdiya Afanasyeva começou a tomar as rédeas do grupo perseguidor, impondo um ritmo que resultou na fragmentação do quarteto (com a lituana e as duas restantes espanholas) e a aproximação a Viktoryia Rashchupkina. A bielorrussa entraria em fase de cedência, vendo-se ultrapassada por Laura García-Caro e Afanasyeva.

Aos 10 quilómetros, María Pérez mantinha o primeiro lugar, com 45.37 m (22.29 na segunda légua), detendo uma vantagem de 30 metros para García-Caro e Afanasyeva.

A terceira légua traria a desclassificação de García-Caro pouco depois dos 12 quilómetros, deixando Klavdiya Afanasyeva e Lidia Sánchez-Puebla a menos de dez metros de María Pérez e numa altura em que a lituana Živile Vaiciukeviciute também já tinha passado a bielorrussa Rashchupkina.

María Pérez vendeu caro aqueles dez metros, que levaram mais de um quilómetro a serem «vencidos» pelas perseguidoras e mesmo assim só seria alcançada pela russa perto dos 14 quilómetros, acabando Sánchez-Puebla também desclassificada pouco depois dos 15 quilómetros. Começavam assim a definir-se as posições finais, com a questão do pódio resolvida no início do 17.º quilómetro, momento em que Klavdiya Afanasyeva atacou e se isolou definitivamente na frente.

O desgaste da espanhola durante várias voltas na frente acabou por incapacitá-la para responder à colega russa, que se protegera na fase inicial e agora, no momento decisivo, se apresentava mais forte do que María Pérez, que teve mesmo de parar para vomitar, recompondo-se de imediato. Os quase cem metros assim perdidos tornavam quase impossível a recuperação do primeiro lugar por Pérez, apesar de, ainda assim, ter logrado aproximar-se um pouco até final.

Entre as portuguesas, o destaque vai Edna Barros, que, com personalidade e determinação, assumiu logo de início a melhor posição entre as três marchadoras da seleção nacional. Durante mais de metade da prova manteve um andamento entre 4.45 e 4.55 m por quilómetro, mas as voltas finais ao circuito de mil metros foram feitas acima dos cinco minutos cada.

Ainda assim, a marchadora algarvia conseguiu não ficar longe do recorde pessoal (mais 32 segundos) e estar na luta com a húngara Rita Récsei, que nas primeiras voltas tinha estado entre as da frente.

Um pouco abaixo do esperado ficou Mara Ribeiro, que, na 14.ª posição, acabou por não baixar da hora e quarenta, terminando com 1.40.47 h, a mais de cinco minutos da melhor marca pessoal da época (e recorde pessoal). Em todo o caso, ficou muito próxima do lugar (13.º) que se lhe perspectivava em função das marcas com que as inscritas estavam creditadas em 2017.

Mais discreta, Mariana Mota andou sempre pelo último quinto da classificação. Acabou quatro lugares acima do que prefaciavam as marcas de inscrição, apesar de ter ficado a mais de três minutos da melhor marca da época.

Classificação
20 km marcha femininos
1.ª, Klavdiya Afanasyeva (ANA), 1.31.15
2.ª, María Pérez (Espanha), 1.31.29
3.ª, Živile Vaiciukeviciute (Lituânia), 1.32.21
4.ª, Viktoryia Rashchupkina (Bielorrússia), 1.33.16
5.ª, Eleonora Dominici (Itália), 1.33.32
6.ª, Emilia Lehmeyer (Alemanha), 1.34.24
7.ª, Anežka Drahotová (Rep. Checa), 1.34.51
8.ª, Diana Cacciotti (Itália), 1.35.49
9.ª, Rita Récsei (Hungria), 1.37.20
10.ª, Edna Barros (Portugal), 1.37.55
11.ª, Olga Niedzialek (Polónia), 1.39.03
12.ª, Mariya Filyuk (Ucrânia), 1.39.35
13.ª, Monika Vaiciukeviciute (Lituânia), 1.40.07
14.ª, Mara Ribeiro (Portugal), 1.40.47
15.ª, Saskia Feige (Alemanha), 1.41.12
16.ª, Tamara Havrylyuk (Ucrânia), 1.42.56
17.ª, Mihaela Acatrinei (Roménia), 1.43.13
18.ª, Mariana Mota (Portugal), 1.45.59
19.ª, Monika Hornáková (Eslováquia), 1.48.12
20.ª, Danica Gogov (Eslovénia), 1.49.02
21.ª, Ivana Reinic (Croácia), 1.49.46
22.ª, Lucia Cubanová (Eslováquia), 1.52.26
23.ª, Jale Basak (Turquia), 1.54.20
Desclassificadas: Nicole Colombi (Itália), Laura García-Caro (Espanha), Mihaela Puscasu (Roménia) e Lidia Sánchéz-Puebla (Espanha).

domingo, 16 de julho de 2017

Diego García confirma favoritismo no europeu de Bydgoszcz

Diego García e Karl Junghannß festejam os dois primeiros
lugares nos europeus de Bydgoszcz. Foto: streaming AEA
O marchador espanhol Diego García sagrou-se este domingo, em Bydgoszcz, campeão europeu de 20 km marcha masculinos para sub-23, durante a última jornada dos campeonatos continentais do escalão que decorrem naquela cidade polaca. García cumpriu a distância em 1.22.29 h, adiante do alemão Karl Junghannß (1.22.52) e do francês Gabriel Bordier (1.23.03), seus companheiros no pódio. Com provas muito equilibradas, os portugueses Miguel Rodrigues (11.º, 1.26.05) e Hélder Santos (14.º, 1.27.00), registaram novos recordes pessoais.

Diego García esteve sempre no controlo da competição, mesmo quando ainda na primeira légua, o francês Jean Blancheteau andou destacado no comando da prova. Nunca teve mais que vinte metros de avanço sobre o grupo de oito atletas que o seguia, mas ainda assim cumpriu dois quilómetros destacado, até ser alcançado pelo octeto, rebocado por García.

Pouco depois da passagem à primeira légua, o protagonismo de García passou a ser partilhado pelo turco Salih Korkmaz, impondo ambos um ritmo que viria rapidamente a fraccionar o grupo da frente, reduzido a cinco atletas: o turco, o espanhol e os três alemães Karl Junghannß, Jonathan Hilbert e Nathaniel Seiler.

Com acelerações e desacelerações, a dianteira da competição voltou a adensar-se com a recuperação de um segundo grupo, que recolou e aumentou a composição do pelotão de liderança para 11 elementos. Era esse o cenário à passagem do meio da prova, cumprido pelos primeiros em 41.53 m.

A entrada na segunda metade da prova marcou o ponto de viragem nos destinos deste campeonato, com Diego García a assumir as despesas da imposição do ritmo, que logo começou a aumentar de forma gradual. Aos 12 quilómetros, já só o turco Korkmaz conseguia manter-se a par do espanhol, encontrando-se o alemão Junghannß a pouco mais de 10 metros.

García e Kokmaz caminharam juntos (mas sempre com o espanhol a «puxar») até perto dos 15 quilómetros, momento em que o pupilo de José Antonio Quintana já surgia isolado na frente, com uma liderança que atingia neste ponto uma folga de 20 metros mas que não mais se perderia até final.

Na luta pelo lugar mais baixo do pódio permanecia um sexteto com os três alemães, o espanhol Manuel Bermúdez, o italiano Andrea Agrusti e aquele que dos dois franceses em prova tinha revelado uma primeira metade mais discreta: Gabriel Bordier.

No entanto, se a liderança de Diego García parecia ganhar solidez crescente, o que se passava atrás dele era mais complicado de antever, com o turco a ceder de forma evidente nas voltas finais ao circuito de mil metros.

Bordier lançou um ataque a caminho dos 17 quilómetros, a que apenas Bermúdez conseguiu responder, mas a alguns metros de distância do francês. O segundo lugar de Korkmaz ficava em perigo. Mais para trás, o alemão Nathaniel Seiler acabava por ser desclassificado e o compatriota Jonathan Hilbert parecia reagir melhor do que Karl Junghannß, com o italiano Agrusti pelo meio dos dois alemães.

Pouco antes de entrar nos dois quilómetros finais, Gabriel Bordier ultrapassava Salih Korkmaz, detendo nessa fase mais de 30 metros de avanço para Manuel Bermúdez. Mas, mais para trás, Karl Junghannß iniciava uma extraordinária recuperação, que o traria do sétimo lugar na passagem aos 18 quilómetros até ao segundo posto na meta.

Até final não haveria mais alterações significativas na classificação geral, onde ficavam registados dez novos recordes pessoais, entre os quais o novo recorde nacional da Turquia de sub-23 para Salih Korkmaz (1.23.11), no quarto lugar.

Quanto ao portugueses, a nota de maior destaque vai para o facto de terem cumprido de forma muito digna esta chamada à selecção nacional, através de um desempenho sensato de quem sabia quais as reais capacidades de que dispunha. Miguel Rodrigues começou por andar perto do 20.º lugar na fase inicial, indo sempre subindo na classificação até à 11.ª posição no final.

Nas três primeiras léguas rondou sempre entre 4.15 e 4.19 m por quilómetro, cedendo um pouco nos derradeiros cinco quilómetros, cumpridos ligeiramente acima de 4.20 m por volta.

Hélder Santos foi um pouco menos regular, com ritmos entre 4.15 e 4.25 m até ao penúltimo quilómetro, acelerando nos mil metros finais para um parcial de 4.13 m. Com esta qualidade de desempenho, o benfiquista e o leiriista bem mereceram os recordes pessoais averbados, prova maior de que mais não poderiam ter feito.

Classificação
20 km marcha masculinos
1.º, Diego García (Espanha), 1.22.29
2.º, Karl Junghannß (Alemanha), 1.22.52
3.º, Gabriel Bordier (França), 1.23.03
4.º, Salih Korkmaz (Turquia), 1.23.11
5.º, Manuel Bermúdez (Espanha), 1.23.12
6.º, Jonathan Hilbert (Alemanha), 1.23.26
7.º, Andrea Agrusti (Itália), 1.23.28
8.º, Jean Blancheteau (França), 1.25.10
9.º, Zaharías Tsamoudákis (Grécia), 1.25.11
10.º, Stefano Chiesa (Itália), 1.25.21
11.º, Miguel Rodrigues (Portugal), 1.26.05
12.º, Bence Venyercsán (Hungria), 1.26.20
13.º, Gianluca Picchiottino (Itália), 1.26.43
14.º, Hélder Santos (Portugal), 1.27.00
15.º, Anatoli Homeleu (Bielorrússia), 1.27.08
16.º, Ruslans Smolonskis (Letónia), 1.27.25
17.º, Fredrik Vaeng Røtnes (Noruega), 1.27.44
18.º, Dominik Cerný (Eslováquia), 1.28.00
19.º, Iván López (Espanha), 1.28.02
20.º, Dmytro Sobchuk (Ucrânia), 1.28.07
21.º, Miroslav Úradník (Eslováquia), 1.29.44
22.º, Michal Morvay (Eslováquia), 1.30.05
23.º, Andrei Gafita (Roménia), 1.32.41
24.º, Soma Kovács (Hungria), 1.33.50
Desclassificados: Tomasz Bagdány (Hungria), Dzmitry Lukyanchuk (Bielorrússia) e Nathaniel Seiler (Alemanha).
Desistente: Fabian Bernabé (França).

sábado, 15 de julho de 2017

Glenda Morejón é a última campeã mundial sub-18

Glenda Morejón, a última campeã mundial de marcha
no escalão sub-18. Foto: Streaming IAAF/Youtube
A atleta equatoriana Glenda Morejón sagrou-se esta manhã campeã mundial de 5000 m marcha de sub-18, naquela que é a última edição dos mundiais de atletismo do escalão, a decorrer em Nairobi, no Quénia. A marchadora do Equador concluiu a prova em 22.32,30 m, batendo num emocionante despique a turca Meryem Bekmez (22.32,79) e a russa inscrita como atleta neutra autorizada Elvira Khasanova (22.35,72).

Tal como na prova masculina de marcha, terminada minutos antes, a competição feminina de marcha começou com uma atleta da «casa» a tentar dar nas vistas. Lenah Nanjala foi, assim, a primeira concorrente a ganhar evidência, lançando um ataque cerca dos 300 metros de prova, o que lhe permitiu isolar-se, para vir a ser alcançada no final do primeiro quilómetro.

Após mil metros de competição, cumpridos em 4.35,76 m pela queniana, o grupo da frente mantinha ainda 17 das 26 atletas que alinharam à partida. Era a fase em que Morejón e Bekmez começavam a querer mostrar ao que vinham, ao mesmo tempo que a chinesa Xiaole Zhang e as russas-neutras Khasanova e Ekaterina Gorshenina se aproximavam da frente da prova.

De forma pouco prudente, Nanjala voltaria a forçar o passo à passagem pelos 2000 metros, numa fase em que já se tinham tornado evidentes as deficiências técnico-regulamentares da queniana e as dificuldades para acompanhar as mais rápidas. Não foi preciso esperar mais que uma volta à pista para que Lenah Nanjala tivesse sido de novo alcançada e ultrapassada pelo grupo de dez atletas que iria continuar na luta pelos primeiros lugares.

Estavam decorridos três quilómetros quando Morejón e Bekmez produziram nova aceleração, a que responderam apenas Zhang e Khasanova, sendo evidente que a russa revelava maior segurança técnica do que qualquer das três companheiras de despique.

A luta pelas medalhas ficou confinada às finais destinatárias com o atraso da marchadora da China, que cedeu à entrada para o último quilómetro. A duas voltas do final, Khasanova tentou a sua sorte, acelerando e obrigando Morejón a mostrar que estava com dificuldades. Bekmez respondia à russa e acabaria por desferir o seu ataque já na volta final.

Desta vez respondia a equatoriana, com Khasanova a atrasar-se a conformar-se com a terceira posição. A turca voltou a atacar a meio da última curva, desta vez com resposta à altura de Glenda Morejón, que num ombro-a-ombro acabaria por superiorizar-se a Bekmez. A atleta do Equador ganharia pouco mais de um metro de vantagem já dentro dos dez metros finais, por sinal um avanço adquirido após a passagem pelo juiz-chefe, colocado a 10-12 metros da meta.

Nota final de curiosidade para o facto de apenas duas das 25 atletas classificadas terem averbado novos recordes pessoais: a colombiana Laura Cristina Chalarcá (7.ª, 23.54,01) e a própria queniana Lenah Nanjala (14.ª, 25.23,97), mesmo tendo ainda cumprido paragem na área de penalização.

A prova pode ser revista no canal do Youtube dedicado aos campeonatos, aqui.

Classificação
10.000 m marcha femininos
1.ª, Glenda Morejón (Equador), 22.32,30
2.ª, Meryem Bekmez (Turquia), 22.32,79
3.ª, Elvira Khasanova (ANA), 22.35,72
4.ª, Xiaole Zhang (China), 23.05,61
5.ª, Ekaterina Gorshenina (ANA), 23.05,77
6.ª, Mary Luz Andía (Peru), 23.39,64
7.ª, Laura Cristina Chalarcá (Colômbia), 23.54,01
8.ª, Rachelle De Orbeta (Porto Rico), 23.55,37
9.ª, Xueying Bai (China), 23.56,00
1.ª, Paula Torres (Equador), 24.15,31
11.ª, Hanna Zubkova (Bielorrússia), 24.29,52
12.ª, Mariona García (Espanha), 24.42,55
13.ª, Yenny Valeria González (Colômbia), 24.44,98
14.ª, Lenah Nanjala (Quénia), 25.23,97
15.ª, Noelia Vargas (Costa Rica), 25.27,15
16.ª, Josephine Grandi (Alemanha), 25.28,30
17.ª, Mare Betwe (Etiópia), 25.31,68
18.ª, Karima Gouider (Tunísia), 25.34,41
19.ª, Emily Villafuerte (Peru), 25.37,71
20.ª, Manon Lefresne (França), 25.43,33
21.ª, Brenda Rocío Palma (Argentina), 25.51,64
22.ª, Austeja Kavaliauskaite (Lituânia), 26.10,66
23.ª, Sintayehu Masire (Etiópia), 26.47,42
24.ª, Andra Elena Botez (Roménia), 26.54,06
25.ª, Rihem Bouzid (Tunísia), 27.18,78
Desistente: Kader Dost (Turquia).

Yao Zhang vence mundiais de sub-18 de Nairobi

Yao Zhang, pouco depois de isolar-se na frente da prova.
Foto: streaming IAAF/Youtube
O chinês Yao Zhang venceu na manhã deste sábado os 10 mil metros marcha dos campeonatos mundiais de atletismo para juvenis, a decorrer em Nairobi, no Quénia. Zhang registou a melhor marca mundial do ano no seu escalão, com 41.12,01 m, impondo-se na fase decisiva da prova a Salavat Ilkaev, atleta neutro autorizado (41.24,17) e a Dominic Samson Ndingiti, do Quénia (41.25,78).

A prova teve algumas peripécias curiosas, a começar pelo forte ritmo imposto logo à partida pelo indiano Sanjay Kumar, a que apenas Ndingiti respondeu. No final da primeira volta à pista, os dois comandantes tinham já meia recta de vantagem, um avanço que duplicou até aos mil metros, cumpridos em impressionantes (mas pouco ponderados) 3.44,75 m.

Pouco depois, o avanço começaria a diminuir para o grupo perseguidor, em que pontificavam o etíope Meseret Ayelign, o guatemalteco José Eduardo Ortiz os russos inscritos como neutros Ilkaev e Sergey Kozhevnikov e o chinês Zhang.

Entretanto, na frente, Kumar ia ficando assoberbado de faltas, recebendo a terceira nota de desclassificação  e consequente encaminhamento para a área de penalização ainda antes de passar aos quatro quilómetros. Os 120 segundos de paragem que teve de cumprir atiraram o indiano para fora dos dez primeiros, vindo a ser desclassificado dentro do oitavo quilómetro.

A segunda metade da competição foi dominado pelo duelo entre os dois russos, Ortiz, Ndingiti e Zhang. O guatemalteco seria o primeiro a ceder, a cinco voltas do fim, numa altura em que Yao Zhang, revelando técnica muito apurada, desferia o ataque decisivo.

Ficou sozinho na frente e pouco pôde Salavat Ilkaev para tentar acompanhá-lo, ao mesmo tempo que Kozhevnikov e Ndingiti tinham de limitar-se a lutar pela medalha de bronze.

Até final, nada de novo na frente, com o chinês a terminar com cerca de 60 metros de avanço sobre Ilkaev, que por pouco não ultrapassado pelo duo que pouco antes ficara para trás.

Para além da liderança mundial conferida a Yao Zhang pela marca averbada, nota ainda para o facto de russos e queniano terem registado novos máximos pessoais.

A prova pode ser revista no canal do Youtube dedicado aos campeonatos, aqui.

Classificação
10.000 m marcha masculinos
1.º, Yao Zhang (China), 41.12,01
2.º, Salavat Ilkaev (ANA), 41.24,17
3.º, Dominic Samson Ndingiti (Quénia), 41.25,78
4.º, Sergey Kozhevnikov (ANA), 41.26,65
5.º, José Eduardo Ortiz (Guatemala), 42.07,47
6.º, Lukasz Niedzialek (Polónia), 42.40,02
7.º, Sebastián Merchán (Colômbia), 42.41,07
8.º, Nikita Kaliada (Bielorrússia), 43.17,46
9.º, Carlos Emiliano Mercenario (México), 43.49,65
10.º, Anderson Callejas (Colômbia), 43.51,85
11.º, Saúl Mena (México), 43.55,76
12.º, Haifeng Qian (China), 43.57,13
13.º, José Gilberto Menjívar (El Salvador), 44.14,02
14.º, Hilmar Díaz (Peru), 44.30,56
15.º, Selman Ilhan (Turquia), 45.33,70
16.º, Kevin Andrés Farez (Equador), 45.47,58
17.º, Pavel Olkhovik (Bielorrússia), 46.02,22
18.º, Jan Moreu (Porto Rico), 46.38,16
19.º, Azad Ertas (Turquia), 46.40,96
20.º, Darwin Omar Coarita (Bolívia), 46.58,05
21.º, Lubomír Kubiš (Eslováquia), 47.03,32
22.º, Mehdi Abidi (Argélia), 47.12,56
23.º, Ryan Gognies (França), 47.16,04
24.º, Abdelrahman Tolba(Egipto), 47.25,41
25.º, Johannes Frenzl (Alemanha), 47.31,73
26.º, Yuriy Zamryha (Ucrânia), 50.23,48
27.º, Armin Shahmaleki (Irão), 53.15,46
Desclassificados: Daniel Kovác (Eslováquia) e Sanjay Kumar (Índia).
Desistentes: Meseret Ayelign (Etiópia), Minda Lagide (Etiópia) e Jan Stramka (Alemanha).

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Augusto Cardoso e Sandra Silva vencem nacionais de veteranos


Augusto  Cardoso, da Senhora do Desterro, e Sandra Silva, do Oliveira do Douro, respectivamente em masculinos e femininos, foram os autores das melhores marcas nas provas de marcha dos Campeonatos nacionais de Veteranos de atletismo em pista ao art livre, realizados no fim-de-semana passado em Torres Vedras. Augusto Cardoso teve se empenhar-se a fundo para superiorizar-se a António Pereira (SC Braga, V40), terminando em 21.44,28 m, apenas menos sete centésimas de segundo do que o ex-recordista nacional de 50 km. No sector feminino, Sandra Silva foi a única participante abaixo dos 25 minutos, creditando-se com 24.49,26 m, contra 25.01,88 m de Alexandra Lamas, do Chão Duro.

Por escalões de veterania, realce ainda para Maria Mendes, do C.A. Galinheiras, que se impôs em V65 com 29.16,49 m, prevalecendo sobre a histórica Maria Alice Fernandes, dos S.S.T. São João da Madeira, que terminou com 32.14,22 m.

Entre os masculinos, nota ainda para Luís Machado (C Galp Energia Norte), o mais velho dos atletas na meta (escalão V70), que cumpriu a légua em 38.46,57 m.

De assinalar que entre os homens houve três internacionais absolutos nas três primeiras posições, facto que não tem paralelo no lado feminino, onde os maiores expoentes da especialidade parecem pouco motivados para tomar parte em competições de veteranos.

Classificações5000 m marcha femininos
1.ª, Sandra Silva (CF Oliveira do Douro, V40), 24.49,26
2.ª, Alexandra Lamas (GDP Chão Duro, V45), 25.01,88
3.ª, Felicidade Rosa (CA Galinheiras, V35), 27.00,43
4.ª, Sandra Leitão (ADRE Palhaça, V40), 28.11,61
5.ª, Maria Mendes (CA Galinheiras, V65), 29.16,49
6.ª, Fátima Costa (CA Galinheiras, V45), 30.12,21
7.ª, Maria Peixoto (CS Gaia, V50), 31.06,03
8.ª, Maria Fernandes (SST São João da Madeira, V65), 32.14,22
9.ª, Ana Macedo (UA Povoense, V40), 33.20,69
10.ª, Helena Rodrigues (CA Tunes, V55), 33.40,56
11.ª, Teresa Mendes (CluVe, V50), 33.48,16
12.ª, Natália Santos (SST São João da Madeira, V45), 36.07,29
13.ª, Teresa Sousa (GD São Domingos, V40), 37.40,30
14.ª, Maria Martins (CA Tunes, V50), 39.41,28
15.ª, Teresa Medeiros (GD São Domingos, V55), 41.22,51

5000 m marcha masculinos
1.º, Augusto Cardoso (ACR Senhora do Desterro, V45), 21.44.28
2.º, António Pereira (SC Braga, V40), 21.44,35
3.º, Pedro Martins (CA Seia, V45), 22.10,50
4.º, Jaime Santos (Grecas, V45), 24.00,25
5.º, Luís Silva (Leiria MA, V45), 24.47,67
6.º, Luís Bidarra (CA Seia, M45), 24.58,67
7.º, Paulo Cunha (GD São Domingos, V45), 25.08,08
8.º, Ricardo Santos (GDP Chão Duro, V40), 25.11,31
9.º, Luís Sousa (SUO Vais, V40), 25.44,17
10.º, Henrique Santos (GD Diana, V50), 25.52,85
11.º, Manuel Marques (CF Oliveira do Douro, V35), 25.53,19
12.º, Carlos Paiva (CA Galinheiras, V45), 26.55,67
13.º, Paulo Ramos (CA Galinheiras, V45), 27.58,32
14.º, João Rodrigues (CA Tunes, V55), 29.20,67
15.º, Franciasco Mimoso (CA Galinheiras, V60), 31.45,52
16.º, Joaquim Leitão (GD São Domingos, V60), 32.16,31
17.º, Gonçalo Rebelo (GD São Domingos, V55), 32.47,56
18.º, José Oliveira (SFUA Benaventense, V55), 33.42,02
19.º, Luís Machado (C Galp Energia Norte, V70), 38.46,57
Desclassificados: Carlos Ferreira (Escola do Movimento, V50) e Iurii Polovshchikov (CF Belenenses, V75).

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Juízes Internacionais de Marcha nos Mundiais de Sub-18

Montagem: O Marchador
Nairobi, capital do Quénia, recebe de 12 a 16 deste mês de julho a 10.ª edição dos campeonatos mundiais de juvenis em pista, competição destinada a jovens com 16 e 17 anos de idade (nascidos em 1998 e 1999). É a primeira vez que o evento tem lugar num país de África, sendo a última edição do evento, organizado pela IAAF.

As provas de marcha dos Campeonatos Mundiais de Sub-18, em pista, vão ter lugar no sábado da parte da manhã, dia 15, a prova masculina (10.000 metros), às 9.35 horas, e a feminina (5.000 metros), às 10.45 horas (horas locais), mais duas horas em Portugal.

O português José Dias é um dos juízes internacionais de marcha nomeados pela IAAF para esta competição e assumirá as funções de juiz-chefe. Neste género de eventos, o internacional luso ajuizou igualmente na edição de Bressanone (2009), Donetsk (2013) onde também foi juiz-chefe, e em Cali (2015).

As competições de marcha serão ajuizadas por outros cinco elementos de diferentes nacionalidades, todos do nível mais elevado da Federação Internacional de Atletismo, a saber: Jean-Pierre Dahm (França), Zoe Eastwood-Bryson (Austrália), Hans Van Der Knaap (Holanda), Wang Tak Fung (Hong-Kong) e Moonkess Jola (Ilhas Maurícias).

De referir, ainda, que na outra vertente do ajuizamento das provas de Nairobi, a dos Oficiais Técnicos Internacionais, o juiz-chefe nomeado é o brasileiro Frederico Nantes, que coordenará uma equipa composta de mais sete oficiais. Do painel internacional de starters está nomeado outro juiz brasileiro, Ubiratan Martins.

Nas provas de marcha já não será novidade a utilização da regra do “Pit lane” (lançada pela primeira vez neste tipo de eventos em Cali), que consistirá numa penalização de 60 segundos na prova feminina e de cento e vinte segundos na prova masculina, quando a um ou a uma atleta sejam assinaladas 3 faltas, entrando numa área destinada para o efeito onde aguardará pelo cumprimento da dita paragem. Se sofrer uma quarta falta, o atleta será imediatamente desclassificado.

O juiz-chefe supervisionará a implementação da referida regra bem como disporá do poder de desclassificar um atleta nos derradeiros cem metros de prova, desde que infrinja, de forma óbvia, o estabelecido na regra da marcha atlética.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Bydgoszcz recebe 49 marchadores nos europeus de sub-23

A cidade polaca de Bydgoszcz está a postos para acolher os Campeonatos da Europa de Atletismo para sub-23, que decorrem de 13 a 16 de Julho, no Estádio Zdzislaw Krzyszkowiak. Como é costume, o programa inclui provas de marcha para masculinos e femininos, em ambos os casos na distância de 20 km.

Ao todo, estão inscritos 49 marchadores de 19 países, sendo a Espanha e a Itália as únicas formações com o máximo regulamentar de atletas inscritos na disciplina (três masculinos e três femininos).

No sector masculino, são 29 os atletas registados nas inscrições finais, sendo provenientes de 15 países. Nesta prova, além de Espanha e Itália, também a Alemanha e a Hungria se fazem representar por um trio de concorrentes.

O espanhol Diego García é, de todos os inscritos nos 20 km marcha masculinos, o detentor da melhor marca averbada em 2017, cifrada em 1.21.56 h. Campeão europeu de juniores de 2015, García é, de resto, o único com a ter baixado alguma vez a casa de uma hora e 22 minutos em provas da distância, apresentando um recorde pessoal de 1.21.36 h, obtido no ano transacto.

O atleta espanhol revela já um currículo internacional brilhante, tendo começado a notabilizar-se em 2013, quando foi terceiro nos 10 mil metros marcha dos mundiais de juvenis realizados em Donetsk (Ucrânia), com 42.03,32 m. Treinado por José Antonio Quintana, Diego García seria depois segundo nos mundiais de juniores de 2014 (Eugene, EUA, 10.000 m, 39.51.59); primeiro na Taça da Europa de Marcha de 2015 (Múrcia, Espanha, 10 km juniores, 40.38); e de novo primeiro nos europeus de juniores do mesmo ano 2015 (Eskiltuna, Suécia, 10.000 m marcha, 40.05,21).

Portugal estará representado na marcha masculina de Bydgoszcz através de Miguel Rodrigues e Hélder Santos. O primeiro apresenta como melhor marca deste ano 1.26.49 h, sendo o 16.º da lista de partida. Quanto a Hélder Santos, detém em 2017 1.29.11 h, marca que o posiciona como 27.º entre os 29 concorrentes.

No lado dos 20 km femininos estarão 26 atletas de 15 países e ainda um concorrente russa inscrita como neutra: Klavdiya Afanasyeva. Com três atletas, apenas Portugal se junta a Espanha e Itália entre os países com o máximo de inscrições possível.

E é precisamente a russa-neutra Klavdiya Afanasyeva a detentora da melhor marca do ano entre as presentes (1.28.29 h, Cheboksary, 10/6/2017). A atleta regista um recorde pessoal de 1.26.47 h (Cheboksary, 25/6/2016).

Campeã da Europa de sub-20 em Tallinn-2015 e primeira classificada nos 10 km juniores femininos da Taça da Europa de Múrcia-2015, Klavdiya Afanasyeva é a incontestada favorita neste europeu sub-23, partilhando com a espanhola Laura García-Caro o estatuto de únicas concorrentes com marcas abaixo da hora e meia no corrente ano. A espanhola apresenta-se creditada nesta época com 1.29.57 h, tendo um recorde pessoal de 1.29.32 h

Assim, é com alguma expectativa que se aguarda o desempenho da checa Anežka Drahotová, possuidora de um máximo pessoal de 1.26.53 h, muito próximo do de Afanasyeva, mas em 2017 ainda não foi além de 1.33.18 h.

Todas as três portuguesas comparecem em Bydgoszcz com marcas de 2017 a valerem como recordes pessoais. Mara Ribeiro tem à partida 1.35.45 h, sendo a 13.ª entre as inscritas. Edna Barros detém 1.37.23 h, sendo a 16.ª entre todas as concorrentes. Por fim, Mariana Mota apresenta 1.42.35 h, que lhe confere a 22.ª posição entre as 27 inscritas. Apenas uma atleta, a eslovaca Monika Hornáková, não tem marca sobre 20 km no corrente ano.

As duas provas de 20 km marcha dos europeus de sub-23 terão lugar na derradeira jornada, domingo, dia 16, com os masculinos a partirem às 8h00 e os femininos a saírem às 10h00 – horas de Portugal continental (menos uma hora que na Polónia).

terça-feira, 11 de julho de 2017

Nairobi vai receber os Campeonatos Mundiais de Sub-18

Montagem: O Marchador
De 12 a 16 do corrente mês de julho, Nairobi, no Quénia, será palco da décima edição dos campeonatos mundiais de atletismo Sub-18 (juvenis), para atletas nascidos em 2000 e 2001, correspondendo à última edição dos mesmos, evento que é da responsabilidade da IAAF (Associação de Federações Internacionais de Atletismo), que considera ser mais adequado a realização de provas continentais para o referido escalão.

Vários dos melhores marchadores mundiais da atualidade competiram em uma ou mais edições dos mundiais de jovens, que tiveram a sua edição inaugural em Bydgoszcz (Polónia) no ano de 1999, cidade que tem apostado na realização de eventos internacionais de atletismo, com alguma regularidade nos últimos anos. Depois, seguiram-se Debrecen (Hungria), em 2001, Sherbrooke (Canadá), em 2003, Marraquexe (Marrocos), em 2005, Ostrava (República Checa), em 2007, Bressanone (Itália), em 2009, Lille (França), em 2011, Donetsk (Ucrânia), em 2013, e Cali (Colômbia), em 2015.

Das delegações presentes em Nairobi, há a destacar a China como sendo uma das mais numerosas (51 atletas), com equipas completas nas provas de marcha e onde apresenta como candidatos a medalhas, Zhang Yao, nos 10.000 m masculinos, e Zhang Xiaole, nos 5.000 m femininos. De salientar, ainda, em referência a Espanha, aqui ao lado, que competirão com uma delegação de 10 atletas, entre os quais a marchadora Mariona García Rovira. Apesar dos mínimos obtidos pelos marchadores Daniel Gouveia e Rúben Santos, a FPA decidiu não se fazer representar nestes mundiais.

A Rússia, que como é sabido, está suspensa pela IAAF, se bem que apresentará em Nairobi quatro marchadores, na condição neutra (Ekaterina Gorshenina, Elvira Khasanova, Salavat Ilkaev e Sergey Kozhevnikov), tem sido a grande açambarcadora de medalhas nas nove edições realizadas, conquistando 13 das 18 medalhas de ouro em disputa (provas masculinas e femininas). As restantes 5 medalhas de ouro foram obtidas por Hagen Pohle (Alemanha), em 2009, Toshikazu Yamanishi (Japão), em 2013, na prova masculina, e Kun Jiang (China), em 2001, Kate Veale (Irlanda), em 2001, e Zhenxia Ma (China), em 2015, na prova feminina.

Bosworth com máximo mundial da milha em marcha

Tom Bosworth após vencer a milha de marcha atlética nos
Müller Anniversary Games, em Londres
O britânico Tom Bosworth venceu este domingo, no Estádio Olímpico de Londres, a prova da milha (1609 metros) em marcha atlética do «meeting» disputado na capital inglesa a contar para a Liga Diamante. Bosworth creditou-se com 5.31,08 m, marca que constitui o melhor registo mundial de sempre nesta distância, que não é elegível para reconhecimento de recorde mundial oficial.

Sexto classificado nos 20 km marcha dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro do ano passado, Tom Bosworth assumiu a liderança da prova londrina cerca dos 500 metros, tomando o lugar ocupado desde o tiro de partida pelo compatriota Callum Wilkinson, que se empenhou em impor um ritmo conveniente para os intentos de Bosworth. Na peugada dos primeiros estiveram sempre o jovem espanhol Diego García, o guatemalteco Erick Barrondo e o sueco Perseus Karlström, mas a meio da prova era clara a vantagem de Tom Bosworth, uns bons oito metros adiante dos perseguidores a duas voltas do final.

Até à meta, o britânico de 27 anos limitou-se a gerir o ritmo a nível claramente superior ao dos colegas de prova, terminando com quase vinte metros de avanço sobre Barrondo e bem abaixo dos 5.36,9 m que desde Maio de 1990 vigoravam como recorde mundial oficioso da distância. Uma marca que tinha já quase a mesma idade que o novo «recordista» mundial.

À alegria de Bosworth seguiu-se o desapontamento do Erick Barrondo e de Wilkinson, desclassificados, ficando assim o pódio completado por Diego García (5.36,27) e por Perseus Karlström (5.38,18).

Após a competição, Tom Bosworth explicou que «o objectivo era impor desde o início um ritmo para recorde mundial, mas achava que não conseguiria. A cerca de 500 metros do final pensei 'estarão as minhas contas certas, estará isto mesmo a acontecer?'».

E acrescentou: «Quis tornar especial o dia de hoje, dado que se tratava da primeira prova de marcha na Liga Diamante e eu ansiava por isto desde há tanto tempo! No atletismo precisamos de forte carácter e de personalidade e numa especialidade como a minha, que não se vê muito na televisão e é muitas vezes mal compreendida, acho que hoje fizemos excelente publicidade à marcha atlética.»

A prova pode ser vista em registo videográfico da BBC aqui e numa gravação de videoamador, aqui. Declarações do vencedor (em inglês), aqui.

Classificação
1 milha masculinos
1.°, Tom Bosworth (Grã-Bretanha), 5.31,08
2.°, Diego García (Espanha), 5.36,27
3.º, Perseus Karlström (Suécia), 5.38,18
4.º, Rafał Sikora (Polónia), 5.49,63
5.º, Guy Thomas (Grã-Bretanha), 6.02,30
6.º, Christopher Snook (Grã-Bretanha), 6.09.32
Desclassificados: Erick Barrondo (Guatemala), Callum Wilkinson (Grã-Bretanha), Jakub Jelonek (Polónia) e Dominic King (Grã-Bretanha).

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Doping: a vez de Matej Tóth?

Matej Tóth sagrando-se campeão olímpico dos 50 km marcha,
no Rio de Janeiro, em 2016. Foto: AP
A Associação Internacional de Federações de Atletismo (AIFA) anunciou este domingo ter suspenso preventivamente o marchador eslovaco Matej Tóth, pode irregularidades detectadas no passaporte biológico do atleta. Campeão olímpico em título dos 50 km marcha, Matej Tóth fica suspenso até decisão final sobre o processo que impende contra ele e do qual poderá resultar uma suspensão de quatro anos.

A nota emitida pela AIFA não especifica a que momento remontam as suspeitas que recaem sobre Matej Tóth, não se sabendo, por isso, desde quando pode tornar-se efectiva qualquer decisão sancionatória contra o marchador eslovaco. O documento, emitido pela Unidade de Integridade do Atletismo (UIA), adianta ainda que, «no sentido de proteger a integridade do processo, a UIA não fará mais comentários até haver uma deliberação sobre o processo».

O chamado «passaporte biológico do atleta» é um registo electrónico de dados sobre marcadores biológicos e resultados de análises de dopagem para atletas profissionais ou de alto nível competitivo, tendo sido adoptado em 2002 pela Agência Mundial Antidopagem. O principal mérito deste instrumento de combate à dopagem está na manutenção de registos de dados biológicos dos atletas durante um período de tempo (geralmente, oito anos), prazo em que se considera adequado para o desenvolvimento de testes que permitam detectar novas substâncias utilizadas por atletas em procedimentos de dopagem.

Caso se confirme a prática de dopagem por Matej Tóth, tal facto deitará por terra a credibilidade das declarações proferidas em diversas ocasiões pelo atletas contra a admissibilidade de marchadores russos nas grandes competições internacionais de atletismo em consequência do comprovado recurso à dopagem pelos atletas da Rússia.

No entanto, em declarações à Canadian Broadcasting Company (CBC), o marchador canadiano Evan Dunfee, quarto classificado nos 50 km marcha dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro (ganhos pelo eslovaco), afirmou-se convencido de que Tóth é um atleta limpo: «Anos atrás, passei alguns meses a treinar com o Matej e tenho um bom conhecimento pessoal dele. Estou plenamente convencido de que é um atleta limpo», afirmou o canadiano, poucas horas após ter sido conhecida a notícia da suspensão preventiva de Matej Tóth.

Atleta de 34 anos, Tóth registou um primeiro grande sucesso internacional em 2010, na cidade mexicana de Chihuahua, ao vencer a prova de 50 km da Taça do Mundo de Marcha. Um ano depois, na Taça da Europa de Marcha de Olhão (Portugal), repetiria a dose mas na distância mais curta (20 km). Nessa distância continuaria a frequentar o pódio nas edições seguintes da Taça da Europa – 3.º e Dudince-2013 e 2.º em Múrcia-2015 –, tendo neste último ano alcançado o título mundial dos 50 km nos Campeonatos do Mundo de Atletismo realizados em Pequim. Pelo meio, nos europeus de Zurique de 2014, foi segundo nos 50 km. Matej Tóth tem como recorde pessoal na distância longa 3.34.38 h, marca superada apenas pelo recorde do mundo do francês Yohann Diniz (3.32.33 h, nos europeus de Zurique de 2014) e pelo antigo máximo mundial do russo Denis Nizhegorodov (3.34.14, na Taça do Mundo de Marcha de Cheboksary, em 2008).