sexta-feira, 29 de maio de 2020

Federação do Japão cancela os 50 km marcha de Takahata

Masatora Kawano a bater o recorde nacional do Japão na edição de 2019.
Fotos: JAAF. Montagem: O Marchador
A edição n.º 59 dos campeonatos japoneses dos 50 km marcha de Takahata, que estavam agendados para se realizarem a 25 de outubro deste ano naquela cidade da Prefeitura de Yamagata, já não terá lugar este ano.

A exemplo de muitas outras organizações que viram os seus eventos adiados ou cancelados devido à situação pandémica motivada pela Covid-19, a competição japonesa de Takahata seguiu o mesmo caminho. Uma das três grandes competições nacionais de marcha que têm lugar no Japão, esta vocacionada para os 50 km, com a certeza da seleção de um especialista para um grande evento internacional, junta-se a Wajima que também viu anulada a sua prova, que estava marcada para abril.

Em 2019, os campeonatos de Takahata proporcionaram a obtenção de dois grandes resultados: Masatora Kawano, que bateu o recorde do Japão com o tempo de 3:36:45, melhorando em 18 segundos o anterior máximo que estava na posse do campeão mundial na distância, Yusuke Suzuki, e Satoshi Maruo que se classificou na segunda posição com o tempo de 3:37:39, também superando o anterior recorde nacional de Suzuki. Ambos ocuparam as posições cimeiras na lista mundial daquele ano.

A competição é uma das que anualmente se enquadram na lista de eventos certificados pela World Athletics, válidos para o ranking mundial da disciplina, normalmente contando com a presença de, pelo menos, cinco juízes internacionais, vários europeus. Fazemos votos que toda esta situação seja ultrapassada tão breve quanto possível e que em 2021 a prova possa surgir com toda a força e qualidade a que já nos habituou, numa excelente organização que conta a participação ativa de Yukio Seki, responsável pelas Relações Internacionais da Federação Japonesa de Atletismo (JAAF), Akira Fujisaki, presidente do Comité de Juízes da JAAF, e Tomoya Ishii, juiz internacional de marcha do continente asiático, a quem agradecemos pela transmissão da notícia.

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Evocando Simon Baker (Austrália)

Simon Baker e a vitória nos 50 km da Taça do Mundo de Marcha de L’Hospitalet 1989.
Fotos: Emmanuel Tardi, Multimedia Visini e VRWC
Montagem: O Marchador
Quando as estações de televisão transmitiram a prova de 50 km da Taça do Mundo de 1989, em L’Hospitalet, Espanha, poucas pessoas não se terão surpreendido com a presença de um australiano na liderança. Desde sempre, esta era uma competição por equipas e havia muito tempo que seleções como as da União Soviética, da R.D.A. e do México exerciam domínio, levando os respetivos melhores especialistas a imporem uma competição quase limitada a esses três países.

Mas o que fazia naquele dia esse esguio australiano chamado Simon Baker no comando dos 50 km? A resposta é simples: preparava-se para ganhar.

Essa terá sido a jornada de maior glória do marchador australiano. Poucas vezes até aí se tinha apresentado em grande destaque nas principais competições internacionais, ainda que fosse uma presença já habitual no pelotão.

Treinado por Craig Hilliard, este atleta magro de quase um metro e 90 de altura participou pela primeira vez em provas da Taça do Mundo na edição de 1983, obtendo o 14.º lugar nos 20 km. Nas duas edições seguintes, Douglas-85 e Nova Iorque-87, alcançou sucessivamente os 12.º e 11.º lugares. Pelo meio tinham ficado novo 14.º lugar nos 20 km dos Jogos de Los Angeles, em 1984, e a primeira vitória internacional relevante, a registada nos 20 km dos Jogos da Comunidade Britânica de 1986, em Edimburgo. Em 1988 estreia-se internacionalmente nos 50 km, obtendo o 6.º lugar nos Jogos de Seul, poucos dias depois de ter sido 11.º nos 20 km, com um recorde pessoal de 1:21:47.

Estava aberto o caminho para uma participação especial na Taça do Mundo de L’Hospitalet. E ela ocorreu mesmo. Ainda na primeira metade da prova longa, Simon Baker destacou-se dos favoritos, entre os quais estavam praticamente todos os soviéticos, liderados por Andrei Perlov e Viacheslav Vezhel.

A surpresa não terá sido pequena e talvez tenha justificado a liberdade concedida ao australiano. Só que saiu cara a facilidade que lhe foi concedida e nunca mais ninguém o apanhou. Perlov bem se esforçou mas de nada valeu o empenho, porque a determinação de Baker era decisiva. E a motivação era ainda maior depois de ter conseguido isolar. Terminou com 3:43:13, então recorde nacional da Austrália e que hoje, passados 31 anos, apenas dois dos seus compatriotas fizeram melhor: Nathan Deakes, com 3:35:47 (1986) e Jared Tallent, com 3:36:53 (2012).

O auge da carreira estava atingido. A partir desse momento tudo se tornava mais difícil. Improvavelmente voltaria a dispor das mesmas facilidades de que desfrutou naquela manhã calorenta catalã de 28 de maio de 1989, perfazem hoje 31 anos. Em 1990 mais não conseguiu do que ser 7.º nos Jogos da Comunidade Britânica, melhorando um lugar quatro anos depois. Mas outro resultado de grande valia alcançaria dois anos mais tarde. Em 1991, nos 50 km da Taça do Mundo de San Jose, nos Estados Unidos, voltaria ao pódio com um excelente 2.º lugar, atrás do mexicano Carlos Mercenario. De regresso à Catalunha registou um dececionante 19.º lugar nos Jogos Olímpicos de 1992.

Mas não se pense que estes resultados, mesmo assim, estão ao alcance de qualquer um. Só com forte caráter e grande talento técnico se consegue o que Simon Baker alcançou durante a carreira competitiva que desenvolveu. E de par com essa atividade ainda se empenhou na criação da Comissão Australiana de Atletas, que dinamizou como mais ninguém.

Nascido no dia 6 de fevereiro de 1958, em Melbourne (Victoria), Simon Baker é o único marchador australiano, no setor masculino, que representou o seu país em quatro edições dos Jogos Olímpicos: 1984-1988-1992-1996.

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Francisco Assis e o renascimento da marcha em Portugal

Francisco Assis e a equipa de marcha atlética do SL Benfica em 1977.
Fotos: Francisco Assis e arquivo «O Marchador»
Montagem: O Marchador
No tempo em que o desporto português se revigorava na sequência da abertura social, política e cultural proporcionada pela Revolução de 25 de Abril de 1974, o técnico Francisco Assis teve um papel destacado na implementação da prática da marcha atlética num dos pólos de desenvolvimento da disciplina em Portugal: o Sport Lisboa e Benfica. Graças à sua visão e ao entusiasmo que dedicou ao projecto foi possível também pelos lados do Estádio da Luz dar passos decisivos na caminhada que se iniciava e que viria a trazer a marcha ao nível que hoje apresenta no nosso país: uma das disciplinas com maior sucesso de desenvolvimento nacional e resultados internacionais no conjunto do atletismo português, corolário de um percurso em que esta foi a disciplina atlética que mais e melhor cresceu em Portugal ao longo dos últimos 46 anos.

Há muito retirado das práticas atléticas (depois de ter sido atleta e treinador), Francisco Assis nunca perdeu, no entanto, a ligação moral a uma modalidade a que teve tão forte ligação como aquela protagonizada nesses alvores de reinstauração da democracia em Portugal. E recentemente teve a simpatia de remeter a «O Marchador» um apontamento que se publica na íntegra de seguida, com o gosto de uma retoma de contacto com uma das personalidades históricas da marcha atlética portuguesa.

A peça apresenta-se assinada por Frassino Machado, pseudónimo adoptado por Francisco Assis no mundo literário.

DESPORTO E CRIATIVIDADE – Frassino Machado

«A AURORA DA MARCHA EM PORTUGAL»

“A marcha atlética é uma disciplina olímpica da modalidade de atletismo em que os atletas têm que percorrer uma determinada distância, respeitando duas regras fundamentais: é necessário que um pé esteja em contacto com o solo antes de o outro avançar e a perna de apoio tem que estar estendida até que o pé da perna contrária pouse no solo.

A distância das provas de marcha atlética nos Jogos Olímpico tem variado ao longo da história. Actualmente existem provas de 20 e 50 km para os homens e 20 km para as mulheres.” 

Comité Olímpico de Portugal
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“Com a criação da Comissão de Marcha do Sport Lisboa e Benfica, a agremiação lisboeta fica bem colocada para dar passos em frente no projecto de divulgar uma disciplina nova para quase toda a gente.

Encabeçando o grupo de trabalho estão o treinador Francisco Assis e os atletas Luís Dias, José Dias e José Pinto.” 

O Marchador, 1977
…………………

Pelos dois documentos, acima citados, avivamos a nossa memória com estes memorandos referentes à introdução da Marcha Atlética em Portugal.

Ocorreu este facto histórico-desportivo por meados da década de setenta do século passado, na altura em que eu iniciei as minhas actividades de treinador de atletismo, ao mesmo tempo que ainda era praticante na disciplina de meio-fundo, defendendo as cores do Sport Lisboa e Benfica.

Fi-lo convicto de que seria altamente positivo e necessário preencher uma lacuna nos calendários do Atletismo português, no que se referia à modalidade da Marcha Atlética Olímpica. Esta disciplina – relativamente ao Programa Oficial dos Jogos Olímpicos – era a única que não constava no nosso historial competitivo. E sendo eu, na altura, um dos responsáveis da formação jovem encarnada, achei que era uma boa oportunidade implementar-se esse objectivo.

Assim o pensei e assim se fez, mesmo tendo em conta as reacções contrárias de variadas entidades internas e externas. Com muito esforço e dedicação foram-se realizando algumas iniciativas que, paulatinamente, ganharam raiz e direito de representação, no âmbito do desporto nacional. Para isso foi determinante que este Projecto partisse de um dos grandes Clubes nacionais e fosse, por isso mesmo, divulgado por todo o país, de norte a sul.

À luz do exemplo que era dado pelas cores benfiquistas, em provas realizadas para todas as idades – desde as classes infantis até aos veteranos, logo muitos outros clubes e agremiações nacionais aderiram entusiasticamente.

Não demorou muito, cerca de meia dúzia de anos, que as altas Instâncias nacionais – Associação de Atletismo de Lisboa, outras Associações desportivas do país e, finalmente, a Federação Portuguesa de Atletismo – acabaram por formalizar este Projecto e aprovaram em peso a sua integração em todas as competições e em todos os Calendários nacionais.

Começou por ser uma batalha, uma guerra e uma causa a que eu chamarei intencionalmente, e por bem, a “Aurora da Marcha em Portugal”. A partir dela, o movimento geral acerca da prática da Marcha Atlética, converteu-se num fenómeno desportivo envolvente, complementar ao nosso desígnio educacional, só talvez equivalente ao grande sucesso que, em paralelo, ocorreu com o meio-fundo e fundo nacionais. Nasceram e cresceram os praticantes, nasceram e cresceram os ídolos da nossa juventude, consagrou-se a fama do Atletismo Português.

Por mim, cumprida esta missão e este sonho perfeitamente criativo e humanista, deixei seguir o Fenómeno para as mãos dos verdadeiros titulares desta tarefa desportiva. Ninguém melhor que os atletas pioneiros da prática da Marcha em Portugal para assumir naturalmente o leme desta mesma missão. E foi isso mesmo o que aconteceu. Estou convicto que valeu a pena lutar, arriscar, confrontar… porquê? Porque os resultados foram mais que evidentes: as performances competitivas e os títulos de destaque obtidos ao longo de todos estes anos até hoje, não só por atletas masculinos, como também por atletas femininas, assim o confirmaram e justificaram.

Não interessa – por fugir do estrito âmbito deste artigo – citar nomes e títulos alcançados. Seria uma listagem muito longa e fastidiosa. Para isso existem consultas que todos poderemos fazer, como também estatísticas que sobejamente são referenciadas em diversos quadrantes do nosso horizonte desportivo.

Mas não quero terminar este testemunho sem realçar, de uma forma clara: quando os «projectos» são seguros e coerentes, toda e qualquer utopia, mesmo contra oposições declaradas e poderosas, tende a derrubar barreiras e a criar novas e lógicas formas de desígnios desportivos, educacionais, sociais e culturais.

Quero ainda – por ser justa e merecida – registar aqui a minha homenagem a todos os pioneiros que referi e a desejar para eles e seus seguidores os melhores auspícios e sucessos desportivos.

Professor Francisco de Assis / Frassino Machado

terça-feira, 26 de maio de 2020

Tampere disponível para acolher os Mundiais de Veteranos 2021

Imagens: LOC Tampere 2021. Montagem: O Marchador
Com o cancelamento dos Mundiais de Toronto, que estavam aprazados para serem disputados no período compreendido entre 20 de julho a 1 de agosto deste ano, Margit Jungman, presidente da World Masters Athletics, declarou que diligenciou no sentido de encontrar uma alternativa viável a Toronto, tudo apontando para que a cidade de Tampere, na Finlândia, acolha os Mundiais de Veteranos em 2021.

A cidade de Tampere, que dista 160 quilómetros a norte de Helsínquia, a capital do país, fixara os dias 3 a 10 de julho de 2021 para a realização dos Europeus de pista ao ar livre mas agora, com a forte possibilidade de realizar os Mundiais, serão acrescentados dias ao evento atenta a maior dimensão do mesmo, ficando por se saber o que acontecerá com os Europeus.

Tampere está habituada a acolher grandes eventos internacionais de atletismo. Em 2003 aí se realizaram os Europeus Sub-20 e em 2013 foi a vez de acolher os Europeus Sub-23. Em 2018 foi palco dos Mundiais Sub-20.

Com as alterações previstas, a cidade sueca de Gotemburgo, que tinha os mundiais seguintes agendados de 16 a 28 de agosto de 2022, avançará um ano.

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Hlaváč e Drahotová repetem vitórias, desta vez em Turnov

Em cima, Martin Nedvídek, o vencedor da Taça, e a premiação de jovens. Em baixo,
a liderança  das provas de 10.000 m e 5.000 m. Foto: Atletický oddíl Vrchlabí.
Imagens de vídeo (YouTube): Tomas Vojtisek. Montagem: O Marchador
Na República Checa, e como sucedido na primeira mão da Taça de Marcha 2020 «Smola Konstrukce» em Rumburk (16/5), Vít Hlaváč e Anežka Drahotová foram os vencedores dos 10.000 metros em Turnov, no sábado passado (23/5), quando da segunda mão do evento organizado pelo AC Turnov e disputado na pista do Estádio Ludvík Daňek. Martin Nedvídek venceu os 5.000 metros e sagrou-se o vencedor absoluto da Taça no conjunto das duas provas.

Vít Hlaváč, que representa o A.C. TEPO Kladno, registou 44:10.4, enquanto Anežka Drahotová, da Univerzitní Sportovní Klub Praha, obteve 47:03.7, ambos com melhorias nas marcas conseguidas há 7 dias atrás. Iguais melhorias tiveram outras atletas, com particular referência para a vencedora sub-20, Eliška Martínková, do clube organizador, com 47:45.4, um novo recorde pessoal.

Num programa de provas para todos os escalões etários, com um total de 56 participantes, e com maior diversidade nas distâncias disputadas, registe-se ainda os desempenhos, nos 5.000 metros, do veterano M45 Martin Nedvídek (AC Rumburk), com 21:46,8, da sub-20 Jana Zikmundová (AC Turnov), com 25:25.2, e da sub-18 Klára Hlaváčová (A. C. TEPO Kladno), com 25:57.9, e nos 3.000 metros, do sub-18 Robert Hurdálek (SK Nové Město nad Metují), com 13:15.3, da sub-16 Adéla Veselková (SAK Rumburk), com 14:46.0, e do sub-14 Matěj Piták (Spartak Vrchlabí Smola Konstrukce), com 14:40.2.

Os três primeiros classificados da Taça de Marcha, no conjunto das 2 provas (masculinos + femininos), foram Martin Nedvídek, com 223 pontos, Anežka Drahotová (205) e Eliška Martínková (203).

Principais classificações
10.000 m masculinos - geral
1.º, Vít Hlaváč, 1997 (A.C. TEPO Kladno), 44:10.4
2.º, Jaromír Morávek, 2003 (SMOLA CHŮZE Praha), 46:59,9 - 1.º, sub-20
3.º, Tomáš Vojtíšek, 1973 (AC Moravská Slavia Brno, spolek), 56:47.8

10.000 m femininos - geral
1.ª, Anežka Drahotová, 1995 (Univerzitní sportovní klub Praha), 47:03.7
2.ª, Eliška Martínková, 2002 (AC Turnov, z. s.), 47:45.4 - 1.ª sub-20
3.ª, Tereza Ďurdiaková, 1991 (AK Olymp Brno, spolek), 49:56.2
4.ª, Martina Netolická, 1982 (AC Slovan Liberec, z.s.), 1:01:26.6
5.º, Lenka Slabáková, 1966 (AC Moravská Slavia Brno, spolek), 1:01:55.8

Resultados completos, aqui.

domingo, 24 de maio de 2020

Evocando Carlos Albano no dia do seu aniversário

Carlos Albano nos 20 km marcha dos Campeonatos de Portugal - Jamor 1984.
Foto: arquivo «O Marchador»
O visiense Carlos Eduardo Albano festeja hoje o seu 75.º aniversário, motivo pelo qual a equipa do blogue “O Marchador” envia-lhe um forte abraço de parabéns.

Foi o primeiro atleta português - tinha na ocasião 29 anos de idade - a especializar-se na marcha, aquando da sua reintrodução no nosso país, na época de 1974/75. Tudo começou quando assistia pela televisão, na sua casa, aos Campeonatos Europeus de Atletismo, no verão de 1974, em Roma, observando com grande entusiasmo o decorrer das provas de 20 e 50 km marcha masculinos, na companhia do seu primo Fonseca e Costa, e de Rui Mingas.

A partir daí Albano, que era funcionário da Empresa Nacional de Urânio, sediada na Urgeiriça, iniciou os treinos da forma que podia e aproveitou para colocar em prática os conhecimentos da técnica numa competição de marcha disputada a 1 de dezembro de 1974, no Parque do Fontelo, que reuniu várias centenas de atletas, uma iniciativa de José Madeira, prova que venceu.

Foi o início de uma carreira pautada por uma enorme dedicação à modalidade que o fez merecer a honra de integrar a histórica seleção portuguesa que participou na Taça do Mundo de Marcha, em Nova Iorque, no ano de 1987, na primeira vez que o país levava atletas a um grande evento coletivo da especialidade.

Carlos Albano que nos primeiros anos de atividade competitiva da marcha em Portugal era presença assídua em provas que se organizavam em várias localidades do concelho de Vila Franca de Xira, sempre em representação da Casa do Pessoal das Minas da Urgeiriça, era um dos grandes marchadores daqueles tempos.

Um bom companheiro e amigo, de ontem e de hoje, foi dele e de um outro colega de trabalho que nasceu a ideia da criação do emblemático Grande Prémio da Urgeiriça. Foi medalhado em dois Campeonatos de Portugal, na distância de 20 km: em 1980, no Restelo, terceiro atrás do José Pinto e do Dinis Santos, e em 1984, no Jamor, segundo, depois do Pinto.

José Pinto que era o melhor português na distância e que possui a melhor classificação de um português na prova de 50 km de uns Jogos Olímpicos, conhecia bem o Carlos Albano com quem privava mais assiduamente quando ambos faziam estágios em Canas de Senhorim – os dois eram orientados tecnicamente por Adriano Pereira que exerceu as funções de TNM, e não tanto nas provas pois estas, por vezes, dividiam-se em jornadas matinais (juniores e outros escalões) e vespertinas (seniores). Mas o finalista olímpico dos Jogos de Los Angeles, em 1984, recorda-nos uma prova que ficou especialmente gravada na sua memória.

A 11 de janeiro de 1981 o Clube de Futebol “Os Belenenses”, que tinha uma grande equipa de marchadores e em que eu representei por vários anos, organizou na pista de cinza do Estádio do Restelo o 2.º Grande Prémio Sumol. No 5.000 metros marcha, com todos os melhores atletas portugueses a competir, o despique pelos primeiros lugares foi renhidíssimo e eu e o Carlos Albano terminamos a prova ao sprint. Ambos realizamos o mesmo tempo (o júri deu-me a vitória) e batemos o recorde nacional que era pertença do Paulo Alves”.

sábado, 23 de maio de 2020

Dominik Černý com renovada esperança na qualificação para Tóquio

Dominik Černý. Fotos: facebook do próprio e A Hearty Nomad
Montagem: O Marchador
Dominik Černý, promissor e internacional marchador da Eslováquia, de 22 anos de idade, foi submetido na semana passada a uma artroscopia do joelho esquerdo na esperança de ver resolvida a lesão que o vinha apoquentando desde setembro do ano passado.

Após longa espera, não só pelos necessários exames complementares mas também pela situação provocada pela pandemia do coronavírus, a operação cirúrgica foi realizada com sucesso pelo Dr. Romana Oravu no Hospital Ružinov, em Bratislava.

Černý, atleta do Dukla Banska Bystrica que é treinado pela dupla Roman Benčík/Ľuboš Machník, está ciente da importância de uma boa recuperação pós operação, que deverá demorar cerca de três meses, mas o adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio para 2021 deixa-lhe com renovada esperança de qualificação para o evento, particularmente nos 50 km. Nesta distância detém 4:01:51 obtida na cidade italiana de Reggio Emilia, em 2018, em estreia aos 20 anos de idade, com potencial de melhoria da sua marca em vários minutos.

De acordo com a peça de Gabriel Bogdány publicada no «site» da Federação Eslovaca de Atletismo [aqui], Dominik Černý é um dos cinco marchadores que anseiam pela qualificação para Tóquio. Os outros atletas são, Matej Tóth, o campeão olímpico no Rio 2016, Michal Morvay, nos 50 km, Miroslav Úradník e Mária Katerinka Czaková, nos 20 km.

O blogue «O Marchador» formula a Dominik Černý votos de boa e rápida recuperação.

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Viajando pelos Grandes Prémios de Marcha: Montijo

Autocolantes de duas edições (1991 e 1995) e a frente das principais provas em 1988,
em cima, José Urbano e José Pinto, em baixo, Lígia Gonçalves, Paula Gracioso
e Isilda Gonçalves. Fotos: arquivo «O Marchador»
O Grande Prémio de Marcha Atlética «Cidade de Montijo» foi um evento que teve muito impacto no desenvolvimento da marcha atlética no nosso país e principalmente no distrito de Setúbal, que na década de 80 viu nascer várias iniciativas do género.

Naquela época, a região do Montijo tinha um conjunto de grandes atletas no panorama nacional da disciplina: Isilda Gonçalves, que viria a atingir um plano mais destacado na disciplina ao participar nuns Jogos Olímpicos (a primeira atleta a consegui-lo, no distrito de Setúbal), a sua irmã gémea, Lígia, que competiu em Taças da Europa e do Mundo, a Sofia Avoila, que se sagrou campeã europeia de juniores em 1995 e que esteve num Campeonato Mundial de Atletismo, o Nuno Pereira, que representou o país em dois mundiais e num europeu de juniores, e o Ricardo Vendeira, que também marcou presença num europeu e num mundial sub-20 e que, ainda hoje, passados 22 anos, conserva o recorde nacional de juvenis (5.000m) em pista coberta.

A iniciativa de levar o Grande Prémio por diante nascera em 1987 com o empenhadíssimo envolvimento da Câmara Municipal do Montijo e do União do Montijo – José Ganso (dirigente) e Francisco Mariano (treinador) eram os principais “rostos” deste clube, prova que contou com o apoio da então Comissão Nacional de Marcha da Federação Portuguesa de Atletismo. Em 1988, também com as mesmas entidades ao leme, a cidade do Montijo assistia a um dos mais espetaculares e mais bem organizados Campeonatos Nacionais de Marcha em estrada de que há memória.

Os campeões da marcha não faltavam à chamada e aí fizeram-se grandes resultados. Nos primeiros anos a prova teve lugar bem no centro da cidade, atraindo a atenção de muita gente e constituindo um excelente cartaz promocional. Para se aproveitar as melhores caraterísticas do piso e se potenciar a realização de boas marcas, o evento fixou-se na área adjacente ao jardim municipal da cidade.

Em 1987, na edição inaugural, Isilda Gonçalves dominava enquanto nos homens, José Urbano impunha-se na prova da légua. Nos veteranos, o saudoso Aires Denis era um dos mais entusiastas participantes enquanto José Henriques, o presidente do Centro de Atletismo das Galinheiras, ontem como hoje, era e é um exemplo de como a marcha pode e deve ser praticada por gente de todas as idades.

Em 1988 assistiu-se a provas das mais emocionantes de sempre, decididas em cima da meta. No setor masculino, Urbano e Pinto cortaram a linha de meta em autêntico sprint, ambos registando o mesmo tempo com o júri a dar a vitoria ao primeiro, e no setor feminino, Paula Gracioso e Isilda Gonçalves haveriam de terminar com o mesmo tempo, a primeira vencendo nos seniores e a segunda nos juniores. Paulo Murta, um dos melhores treinadores de marcha, ainda competia em representação do Clube Oriental de Pechão. No plano coletivo, o Centro de Cultura e Desporto de Olivais Sul, um clube pioneiro na especialidade, destacava-se nos lugares coletivos de topo.

Entre surpresas e confirmações, foram vários os atletas que no Grande Prémio do Montijo deram contributos decisivos para definir as equipas às Taças do Mundo de Marcha e que realizaram mínimos para competições internacionais. Por exemplo, na edição de 1990, os vencedores, José Urbano e Isilda Gonçalves, carimbaram o passaporte para os Europeus de Split, a montijense acrescentando para as estatísticas um novo recorde nacional nos 10 km marcha, a primeira portuguesa a baixar da fasquia dos 50 minutos. A presença estrangeira era uma constante. Recordamo-nos, em 1991, de assistir à participação de García Bragado (foi segundo, atrás do Urbano), hoje em dia uma das referências mundiais da marcha. 

Em 2003 teve lugar a 15.ª e última edição da prova que registou uma das maiores participações de sempre e constituiu a prova final de observação para a constituição da equipa nacional para a Taça da Europa de Cheboksary.

Em relação à génese da iniciativa, José Ganso disse a O Marchador que com a constituição da Associação de Atletismo de Setúbal, na primeira metade da década de 80, a Câmara Municipal do Montijo foi das primeiras no distrito a colaborar com a Associação na realização de provas de atletismo, nomeadamente, albergando campeonatos de corta-mato. “Aproveitando a disponibilidade dos dirigentes autárquicos, reuni-me com eles e coloquei em cima da mesa a proposta de se fazer um Grande Prémio de Marcha. A aceitação foi total e constatei mesmo que havia entusiasmo em levar por diante o projeto”, concluiu o atual juiz internacional da modalidade.

Já Francisco Mariano destaca o protagonismo da Isilda e da Lígia a nível nacional, mais tarde seguidas por outros talentosos jovens, de que aponta como exemplos a Sofia Avoila e o Nuno Pereira (todos por si treinados) e o quanto isso foi importante para o apoio à realização do Grande Prémio que, nas primeiras edições se realizaram na Praça da República, em pavimento de calçada e em distâncias reduzidas. “Naquela época, a marcha atlética no Montijo era considerada como tendo a melhor escola de marcha do país e o Grande Prémio, sempre bem organizado, era o que mais público atraía, juntando bons especialistas, portugueses e estrangeiros”, acrescentou Mariano, um dos técnicos portugueses que há mais tempo treina atletas de marcha.

Para a história do Grande Prémio do Montijo fica o registo dos nomes dos vencedores absolutos nas principais provas:

1987: José Urbano (CCD Olivais Sul) e Isilda Gonçalves (U Montijo);
1988: José Urbano (SL Benfica) e Paula Gracioso (SL Benfica);
1989: José Pinto (CF Belenenses) e Lígia Gonçalves (U Montijo);
1990: José Urbano (SL Benfica) e Isilda Gonçalves (U Montijo);
1991: José Urbano (SL Benfica) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
1992: José Urbano (SL Benfica) e Isilda Gonçalves (CD Montijo);
1993: não se realizou (Campeonatos Nacionais de Marcha neste ano no Montijo);
1994: José Magalhães (AC Alfenense) e Isilda Gonçalves (CD Montijo);
1995: José Urbano (CCD Olivais Sul) e Isilda Gonçalves (CD Montijo);
1996: João Vieira (CN Rio Maior) e Sofia Avoila (CD Montijo);
1997: Sérgio Vieira (CN Rio Maior) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
1998: Sérgio Vieira (CN Rio Maior) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
1999: José Urbano (SL Benfica) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
2000: não se realizou
2001: João Vieira (CN Rio Maior) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
2002: Eduardo Mota (CO Desportivo) e Kristina Saltanovic (CN Rio Maior);
2003: Augusto Cardoso (FC Porto) e Maribel Gonçalves (GD Estreito).

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Eleonora Giorgi, uma apaixonada pela cozinha

Eleonora Giorgi. Imagens: Atletica TV e Pinterest. Foto: Colombo/FIDAL
A marchadora olímpica italiana Eleonora Anna Giorgi foi ontem (20/5) convidada da Atletica TV - FIDAL (Federazione Italiana di Atletica Leggera), onde, para além dos aspetos relacionados com a sua atividade desportiva, confessa ser uma apaixonada pela cozinha, e particularmente na confeção de doces, tendo aproveitando o período de quarentena devido à pandemia provocada pelo coronavírus para se dedicar a experimentar receitas que ainda não tinha provado.

Giorgi refere ter iniciado o treino no exterior no passado dia 4 de maio, a data definida pelo governo italiano para a retoma de atividade para os atletas de alto nível de modalidades individuais, tendo desfrutado de um sentimento de liberdade, sentindo-se até como se estivesse no seu primeiro dia de escola. Por agora tem apenas utilizado circuitos em estrada ou em parques, evitando horários de maior afluência de pessoas, e no sábado passado já concluiu uma sessão de 20 km, naturalmente ainda não a ritmos que conseguia antes da paragem forçada.

Sobre as suas opções competitivas, que passaram dos 20 km para os 50 km, distância esta que lhe proporcionou o recorde da Europa (4:04:50), vencendo na Taça da Europa de Alytus 2019, e a medalha de bronze no mundial de Doha 2019, tem muita pena que não tenha sido possível realizar este ano o Campeonato do Mundo de Seleções de Marcha em Minsk, onde ambicionada obter uma marca abaixo das quatro horas. Depois, na segunda fase da temporada, dedicar-se-ia aos 20 km dos Jogos Olímpicos de Tóquio/Sapporo.

Enquanto falava, manifestou-se emocionada com as imagens que passavam da parte final da sua prova em Doha e da subida ao pódio, referindo que, particularmente nesta fase sem competições, gosta muito de reviver esses momentos, acrescentando outros como o recorde da Europa de 50 km e o recorde italiano de 20 km (1:26:17, Múrcia 2015). Essas recordações dão-lhe motivação para os próximos objetivos, embora nesta fase ainda não se saiba o que vai acontecer nos tempos mais próximos nem quando será a próxima competição.

Quando da retoma da normalidade, entre outros aspetos, imagina um regresso competitivo no período de outubro a dezembro, o que inverte um pouco o que está habituada, e espera ter várias provas para avaliar a sua condição no confronto com outras atletas, apontando depois aos Jogos Olímpicos.

A interessante entrevista a Giorgi na Atletica TV, a par de Claudio Stecchi, saltador com vara, pode ser vista aqui.

quarta-feira, 20 de maio de 2020

A medalha de Portugal nos 50 km marcha masculinos da Taça da Europa

O evento em Cheboksary 2003 e a equipa portuguesa de 50 km, com Jorge Costa,
Pedro Martins, Mário Contreiras e Luís Gil. Fotos: LOC Cheboksary e arq. «O Marchador»
Passaram-se 17 anos sobre a conquista da primeira medalha coletiva de uma seleção portuguesa de marcha em Taças da Europa ou do Mundo da especialidade, inédita no contexto masculino.

Em maio de 2003, a cidade de Cheboksary, na Rússia, recebia a quinta edição da Taça da Europa de Marcha, numa magnífica organização do governo autónomo da Chuvásquia e à qual assistiram cerca de 75 mil pessoas.

Nos 50 km masculinos, a Rússia foi avassaladora, conquistando a medalha de ouro coletiva. German Skurygin, Aleksey Voyevodin e Semen Lovkin entraram para o pódio individual por essa ordem. A Espanha viria a garantir o segundo lugar coletivo graças às notáveis prestações dos seus três melhores atletas. Santiago Pérez, hoje o técnico nacional de marcha do país vizinho, foi o líder da equipa espanhola ao classificar-se num formidável 4.º lugar e logo atrás chegaram os seus companheiros de seleção, Francisco Pinardo (5.º) e Mario Avellaneda (7.º), com a «reserva» russa chamada Stepan Yudin intercalada na sexta posição.

A conquista da medalha de bronze pela equipa nacional de 50 km na Taça da Europa de Marcha constituiu um dos maiores sucessos internacionais da marcha portuguesa, graças a um conjunto de prestação ao nível do máximo que pode ser exigido. Tudo acabou por correr bem e estes enfermeiros, carteiros, guardas e trabalhadores hoteleiros que tiveram no bronze de Cheboksary um verdadeiro título europeu de amadores.

Pedro Martins, então o hexacampeão de Portugal da distância, fez as honras nacionais e chegou ao 10.º lugar, a melhor classificação de sempre de atletas portugueses na prova longa em Taças da Europa. Com 26 internacionalizações, viria a representar o país em 11 edições da competição, desde a estreia, na edição da Corunha, em 1996, até à edição de Múrcia, em 2015, isto de forma ininterrupta. Em Taças do Mundo foram 7 as edições em que tomou parte, de 1997 a 2012.

Jorge Costa, que começou pelos vigésimos lugares, acabou a prova precisamente em 20.º, graças a um andamento constante. Ainda assim, nas 7 edições da Taça da Europa em que participou, o seu melhor resultado foi alcançado em Metz (2009) onde foi 13.º. Com 5 Taças do Mundo no currículo, chegou às 18 internacionalizações terminando a carreira em 2011, na Taça da Europa de Olhão, precisamente na sua terra natal.

Luís Gil, que melhorou o seu recorde pessoal em quase cinco minutos, andara meio perdido na classificação até cerca dos 20 km, que cumpriu no 39.º lugar. Daí até terminar em 24.º foi uma cavalgada assente na consciência do valor e na inteligência tática. Com 6 internacionalizações divide-as por participações em três Taças da Europa e outras tantas Taças do Mundo.

Mário Contreiras foi menos feliz no regresso à seleção nacional 12 anos depois de ter estado na Taça do Mundo de San José, em 1991. Até cerca dos 30 km andou sempre em ritmo que possibilitava um recorde pessoal, mas depois dessa fase viria a abandonar queixando-se de contratura numa coxa. Representaria ainda outra vez a seleção de Portugal na Taça do Mundo de Naumburg, em 2004.

Mas não se pense que a prestação portuguesa, nomeadamente, a da equipa de 50 km, terá sido um caso meramente fortuito. Na Taça do Mundo de 2004 (Naumburg) e nas Taças da Europa de 2007 (Leamington), e 2009 (Metz), a seleção nacional classificara-se sempre em 4.º lugar. Na edição francesa ficou mesmo em igualdade pontual com a Itália que obteria a medalha de bronze por ser seu o melhor classificado na prova, resultado que teria sido diferente se, por exemplo, o mesmo facto tivesse ocorrido numa Taça do Mundo onde o critério de desempate seria em favor da equipa que primeiro fechasse com o seu terceiro elemento….

“11 vezes baixei das 4h00 e 3 vezes abaixo das 3h57”, escreveu o olímpico Pedro Martins na sua página pessoal de Facebook, ao assinalar a efeméride, acrescentando, em tom sorridente, que …fazíamos melhor a treinar que agora a maioria a competir. Outro olímpico, o Jorge Costa haveria de comentar, a propósito do tema: “Vamos vivendo das boas recordações, foi em 2003, já passaram 17 anos, e o facto é que mesmo velhos ninguém ainda fez melhor. Éramos doidos a treinar, sacrifícios que os novos não fazem e depois querem resultados.”

terça-feira, 19 de maio de 2020

Isilda Gonçalves, a primeira recordista portuguesa abaixo dos 50 minutos nos 10 km marcha

Isilda Gonçalves. Fotos: José Ganso e arquivo «O Marchador»
Foi a primeira atleta portuguesa a quebrar a barreira dos 50 minutos na distância dos 10 km marcha (49:29), efeméride que assinalamos no dia de hoje, decorridos precisamente 30 anos, feito que na época teve eco na imprensa desportiva e generalista do país.

A proeza de Isilda Gonçalves aconteceu a 19 de maio de 1990 por ocasião da realização do Grande Prémio de Marcha Atlética “Cidade do Montijo”, prova que a atleta ganhou com uma vantagem de quase cinco minutos sobre a segunda classificada, Rita Silva, uma então jovem e promissora atleta do distrito de Aveiro. Sucedia à benfiquista Ana Bela Aires na lista das recordistas nacionais, que no ano anterior fixara o recorde português com o tempo de 51:40, aquando dos Campeonatos Nacionais de Marcha, realizados em Viseu.

Nesse ano de 1990, recorde-se, despontava a rio-maiorense Susana Feitor, que tinha apenas 15 anos de idade e que meses depois conquistava o título mundial júnior. Mas era Isilda Gonçalves quem dominava a distância estandardizada no setor absoluto, liderando o ranking nacional da disciplina. Campeã nacional de marcha, foi a primeira portuguesa a participar em grandes competições internacionais, naquele ano nos Europeus de Split, em 1991 nos Mundiais de Tóquio, e em 1992 nos Jogos Olímpicos de Barcelona.

Isilda Gonçalves nasceu a 11 de novembro de 1969, tal como a sua irmã Lígia, outra das destacadas marchadoras portuguesas daquela época. Representou durante a sua carreira desportiva o União do Montijo (1986 a 1990), o Clube Desportivo do Montijo (1991 a 1996, 2001 e 2002) e o Maratona Clube do Montijo (1997 a 2000).

Fonte: Estatísticas do Atletismo Português (Manuel Arons de Carvalho)

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Evocando Ana Bela Aires no dia do seu aniversário

Ana Bela Aires nos 10.000 m marcha dos Campeonatos de Portugal de 1987, que
venceu, e em representação da A.A. Lisboa em Encontro com Madrid (1986),  provas
realizadas no Estádio Nacional (Jamor). Fotos: arquivo «O Marchador»
Ana Bela Pinto Aires, que comemora hoje mais um aniversário, foi uma das mais destacadas marchadoras portuguesas nos anos 80, tendo representado a Associação Desportiva de Oeiras (1983 e 1984), o Núcleo Desportivo de Oeiras (1985), o Clube Português de Marcha Atlética (1986 e 1987) e o Sport Lisboa e Benfica (1988 a 1991).

Nascida em Oeiras, a 18 de maio de 1968, representou a seleção nacional em duas ocasiões, ambas em 1988, uma no Encontro Internacional de Marcha ESP-FRA-ITA-POR-RDA-SWE, a 4 de junho, e a outra no Encontro Internacional de Atletismo ESP-POR-ITA (Sub-23), a 20 de agosto, nas duas vezes disputada na Corunha, e ainda participou, em representação da Associação de Atletismo de Lisboa, em meetings internacionais.

Competiu pela primeira vez numa prova de marcha no dia 16 de janeiro de 1983, no Grande Prémio da AD Oeiras “Troféu Albino Silva. Viria a casar-se com o também marchador José Urbano, outro dos grandes atletas portugueses dos anos 80 e 90 e que representou o nosso país nos Jogos Olímpicos de 1988, 1992 e 1996.

Ana Bela Aires foi campeã nacional absoluta por sete vezes e campeã nacional Sub-23 por uma ocasião, tendo batido por diversas vezes o recorde nacional Sub-20 e absoluto, na distância de 10 quilómetros (a única que então figurava no programa competitivo do atletismo feminino), no período compreendido entre 1986 e 1989, quer em provas de pista, quer na estrada, bem como nos 3.000 metros de pista coberta.

MUITOS PARABÉNS!

domingo, 17 de maio de 2020

O regresso às competições de marcha em Rumburk, na República Checa

Os vencedores dos 10.000 m, Vít Hlaváč e Anežka Drahotová, e a partida dos 5.000 m
 em Rumburk. Fotos: Atletický oddíl Vrchlabí, A Hearty Nomad e Czech Athletics.
Montagem: O Marchador
Como resultado de decisões governamentais na República Checa que visam abrandar as medidas restritivas tomadas em meados de março devido à pandemia do coronavírus, teve lugar ontem, sábado (dia 16), em Rumburk, a primeira mão da Taça de Marcha 2020 «Smola Konstrukce», uma organização local do AC Rumburk com provas na pista do Estádio Municipal para todos os escalões etários.

Na prova de 10.000 metros, registe-se os desempenhos vitoriosos de Vít Hlaváč, com 44:30.2, e da credenciada Anežka Drahotová, com 47:41.0. Ocuparam os lugares imediatos, nos masculinos, o veterano M45 Martin Nedvídek, com 45:22.4, e Rostislav Kolář, com 46:10.5, e nos femininos, a sub-20 Eliška Martínková, com 49:23.3, e Tereza Ďurdiaková, com 50:53.8.

Em prova de 5.000 metros para jovens e veteranos, referência para o primeiro lugar absoluto de Adéla Veselková, de apenas 13 anos de idade, com 25:40.2, seguida de Klára Hlaváčová, sub-18, apenas 2 segundos depois, com 25:42.5. O primeiro masculino seria Matěj Piták, de 13 anos, com 26:38.6 .

A segunda mão do evento disputa-se no próximo dia 23, em Turnov.

Principais classificações
10.000 m masculinos - geral
1.º, Vít Hlaváč, 1997 (A.C. TEPO Kladno), 44:30.2
2.º, Martin Nedvídek, 1975 (AC Rumburk, z.s.), 45:22.4
3.º, Rostislav Kolář, 1987 (SK Hranice, z.s.), 46:10.5
4.º, Jaromír Morávek, 2003 (SMOLA CHŮZE Praha), 46:42.1
5.º, Josef Smola, 1964 (SMOLA CHŮZE Praha), 53:41.3

10.000 m femininos - geral
1.ª, Anežka Drahotová, 1995 (Univerzitní sportovní klub Praha), 47:41.0
2.ª, Eliška Martínková, 2002 (AC Turnov, z. s.), 49:23.3
3.ª, Tereza Ďurdiaková, 1991 (AK Olymp Brno, spolek), 50:53.8
4.ª, Jana Zikmundová, 2002 (AC Turnov, z. s.), 54:00.6

Resultados completos, aqui.

sábado, 16 de maio de 2020

Recordando o «Cantones de La Coruña» em 1998

As vitórias de Jefferson Pérez e Annarita Sidoti no Grande Prémio da Corunha
em 1998. Fotos: Dolores Rojas. Montagem: O Marchador

A 16 de maio de 1998 a Corunha recebia mais uma edição, a 12.ª, do Grande Prémio Internacional «Cantones de La Coruña», com a vitória de dois grandes nomes da marcha atlética mundial: o equatoriano Jefferson Pérez e a italiana Annarita Sidotti.

Na prova masculina, de 20 km, o nível foi de altíssima qualidade com os quatro primeiros a realizarem marcas abaixo da casa da uma hora e vinte minutos, Jefferson Pérez, com 1:19:40 (parciais em cada 5 km de 20:22, 20:07, 19:58 e 19:13, último km em 3:38), o guatemalteco Julio Martínez (1:19:42), o mexicano Joel Sánchez (1:19:45) e o polaco Robert Korzeniowski (1:19:46).

Na prova feminina, sobre 10 km, o nível qualitativo não ficou abaixo do setor masculino. Annarita Sidotti fez valer os seus créditos vencendo com a marca de 43:31 (parciais de 21.51 e 21:40 em cada 5 km, último km em 4:14) e com mais três atletas abaixo da casa dos 44 minutos: a espanhola María Vasco (43:36, a mais rápida na segunda metade, 21:36), a italiana Erica Alfridi (43:44) e a mexicana Graciela Mendonza (43:46).

Hoje aqui, passados exatamente 22 anos, destacamos, em sinal de homenagem, os nomes dos dois vencedores e grandes atletas, que foram Jefferson Pérez, nascido em Cuenca, e que, dois anos antes, sagrara-se campeão olímpico, conquistando em três anos consecutivos (2003, 2005 e 2007) o título mundial na prova dos 20 km marcha e, em outras tantas vezes a vitória em Taças do Mundo de Marcha, e Annarita Sidotti, a malograda atleta siciliana, nascida em Gioiosa Marea, que os organizadores haveriam de a homenagear no cartaz da edição de 2015, ano da sua morte, com apenas 45 anos de idade, com a foto da sua chegada vitoriosa nos Cantones de 1998. Foi campeã europeia em 1990 (pista ao ar livre) e 1994 (pista coberta) e um ano antes desta edição dos Cantones sagrara-se, em Atenas, campeã mundial.

O êxito desta edição do Grande Prémio da Corunha, evento de grande prestígio e tradição no mundo da marcha atlética, que fora palco em 1996, da primeira Taça da Europa de Marcha, levara a que a organização (Federação Galega de Atletismo e Município da Corunha) avançasse com a ideia de ali realizar uma edição da Taça do Mundo de Marcha, desejo concretizado em 2006, num evento que se revelaria de enorme sucesso desportivo e mediático.

A classificação dos 10 primeiros nas principais provas foi a seguinte:

20 km masculinos
1.º, Jefferson Pérez (Equador), 1:19:40
2.º, Julio R. Martínez (Guatemala), 1:19:42
3.º, Joel Sánchez (México), 1:19:45
4.º, Robert Korzeniowski (Polónia), 1:19:46
5.º, Francisco J. Fernández (Espanha), 1:21:19
6.º, Valentín Massana (Espanha), 1:21:21
7.º, Valentín Kononen (Finlândia), 1:21:22
8.º, Omar Cepeda (México), 1:22:26
9.º, Alejandro Cambill (Espanha), 1:22:28
10.º, Luis García (Guatemala), 1:23:07
(...)
Participação portuguesa:
29.º, António Pereira (Boavista FC, Portugal), 1:36:38
30.º, Luís Fraga (Boavista FC, Portugal), 1:37:29
42 participantes (7 desclassificados e 4 desistentes)

10 km femininos
1.ª, Annarita Sidotti (Itália), 43:31
2.ª, María Vasco Gallardo (Espanha), 43:36
3.ª, Erika Alfridi (Itália), 43:44
4.ª, Graciela Mendoza (México), 43:46
5.ª, Rosario Sánchez (México), 44:06
6.ª, Célia Marcén (Espanha), 44:06
7.ª, Encarna Granados (Espanha), 44:12
8.ª, Teresa Linares (Espanha), 44:43
9.ª, Eva Pérez (Espanha), 45:15
10.ª, Rocío Florido (Espanha), 45:30
(...)
17 participantes

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Seleção de Portugal fez história em Chihuahua há 10 anos

Pódios da marcha feminina portuguesa em Chihuahua 2010.
Fotos: Hector Vivas e blogue de Susana Feitor
Montagem: O Marchador
Há precisamente dez anos, no dia 15 de maio de 2010, a seleção portuguesa feminina de marcha conquistava o inédito título mundial na Taça do Mundo de Marcha, que se disputara na cidade mexicana de Chihuahua, sob elevadas temperaturas atmosféricas.

Portugal apresentou-se na prova de 20 km com uma brilhante equipa, formada por Ana Cabecinha, Inês Henriques, Susana Feitor e Vera Santos. Com 13 pontos amealhados em função das classificações individuais de Vera Santos (medalha de prata), Inês Henriques (medalha de bronze) e Ana Cabecinha (8.ª classificada), a seleção portuguesa ficou à frente da Espanha (22 pontos), da China (32 pontos) e da favorita Rússia (33 pontos). Susana Feitor, que tinha a preparação atrasada em virtude de uma lesão contraída no inverno foi, ainda assim, 16.ª classificada.

A marcha feminina que em 2008, também na Taça do Mundo, em Cheboksary, na Rússia, havia conseguido outro resultado de grande expressão, com a conquista da medalha de prata, atravessou em dez anos (2005 e 2015), um período dourado para as cores portuguesas onde obteve quatro medalhas coletivas em Taças da Europa (uma de ouro em 2005) e outras quatro medalhas em Taças do Mundo.

As marchadoras com maior número de participações em Taças do Mundo são: Susana Feitor, com 10 presenças (1993-2016), Inês Henriques, com 9 (2012-2018), Vera Santos, com 8 (2012-2016) e Ana Cabecinha, também com 8 (2004-2018), são as atletas com maior número de participações em Taças do Mundo de Marcha/Mundial de Seleções de Marcha.

Vera Santos falou-nos dos conturbados dias que antecederam a sua viagem para Chihuahua:

“A Taça do Mundo de Chihuahua teve um misto de emoções. Na altura, o espaço aéreo estava condicionado por uma nuvem vulcânica. Eu queria viajar, juntamente com o meu treinador, uma semana antes da competição e não conseguimos logo em Lisboa viajar para Madrid. Foi o passar dos dias, pensava que já não conseguia seguir viagem, mas consegui viajar à quinta-feira, chegando à sexta-feira de manhã para competir ao sábado de tarde”.

E das emoções vividas na competição…

“Eu estava muito bem preparada. Tinha preferido fazer o estágio no meu local habitual e realizando uma competição do Circuito Mundial só com objetivo fazer um treino forte, sem desgastar, da qual consegui ficar muito próximo do recorde pessoal e vencido. Mas Chihuahua era diferente, era em altitude com temperaturas altas. Fiz uma competição sempre no grupo da frente, a maior parte na liderança, só não conseguindo responder ao ataque da marchadora espanhola María Vasco nos últimos 800m do final. Ela sabia que eu estava muito bem, tínhamos realizado estágio no mesmo local e fez a sua parte. Fiquei muito feliz, mesmo com as dificuldades que tinha tido na viagem, sem adaptação ao clima. Só podia estar satisfeita com o meu desempenho e, de novo, dois anos depois, conseguia subir ao pódio, estando entre as melhores marchadoras do mundo”.

A atleta olímpica concluiu analisando a prestação da equipa:

“Em termos da equipa, para mim não foi uma surpresa subirmos ao pódio, porque tínhamos uma grande seleção. A grande adversária era a Rússia mas para mim, as condições atmosféricas que se faziam sentir eram favoráveis à nossa equipa. Tudo era possível, e conseguimos, passados dois anos, voltarmos a subir ao pódio, desta vez no lugar mais alto, ouvindo o nosso hino”.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Viajando pelos Grandes Prémios de Marcha: Grândola

Fotomontagem: O Marchador
O Grande Prémio de Marcha Atlética de Grândola foi um dos eventos mais emblemáticos e acarinhados de quantos os realizados no nosso país e em que num sem número de vezes proporcionaram a queda de recordes pessoais e nacionais nas principais distâncias da especialidade, tanto no setor masculino (20 km) como no setor feminino (10 km/20 km).

Foram 19 as edições realizadas, a primeira a 22 de junho de 1991 e as restantes, que se prolongariam até 2010, com uma interrupção em 2008, quase sempre disputadas na primeira quinzena de janeiro, estabelecendo-se, ao longo de várias edições, uma parceria entre o Clube Recreativo “O Grandolense” e a Câmara Municipal de Grândola.

A autarquia de Grândola assumiu-se como o grande suporte do Grande Prémio, que contou com o apoio institucional do Setor de Marcha da Federação Portuguesa de Atletismo e a colaboração técnica da Associação de Atletismo de Setúbal que juntou ao evento a realização dos seus campeonatos distritais de marcha.

Tal foi a importância do evento no conjunto das provas do calendário nacional da especialidade (e eram várias as iniciativas do género, disseminadas pelo território nacional) que era ponto de observação dos atletas com vista à definição de seleções nacionais em encontros internacionais de marcha.

Uma das caraterísticas de marca da organização da prova, que tinha por palco um agradável circuito, eram os cuidados que a Câmara Municipal colocava no seu embelezamento, na informação ao público, na escolha de adequadas faixas musicais e até no convívio final.

Aos Grandes Prémios de Grândola, que a Câmara Municipal colocava à disposição de atletas, treinadores e dirigentes um autocarro que partia de Lisboa, acorriam um número muito significativo de atletas de norte a sul do continente, das regiões autónomas e de Espanha. A própria Câmara chegou a apoiar a realização de estágios da seleção nacional de marcha.

A nível individual, José Urbano, do Sport Lisboa e Benfica, e Isilda Gonçalves, do Clube Desportivo do Montijo, foram os vencedores da edição inaugural (1991). João Vieira e Susana Feitor, em representação do Clube de Natação de Rio Maior, foram os atletas mais destacados no historial da competição, o primeiro com 9 vitórias e a segunda com 14. Susana Feitor viria mesmo a bater o recorde nacional dos 10 quilómetros na IV edição, disputada a 15 de janeiro de 1994, com o tempo de 43:30, recorde que ainda se encontra em vigor nos escalões Sub-20 e Sub-23, ela que nesse ano conquistava a medalha de prata nos 5.000m marcha dos Mundiais de Juniores, realizados em Lisboa. Curiosamente, também nessa mesma edição de 1994, Inês Henriques triunfava no escalão de iniciadas, depois de em 1993 ter ganho a prova de infantis, e Sofia Avoila vencia no escalão de juvenis sagrando-se, no ano seguinte, campeã europeia de juniores.

Para a memória bem pode ficar a história dos três velhos que numa dessa edições assistiam às provas próximo de uma das extremidades do percurso. Pacatamente encostado ao tronco de uma árvore, cana na mão, comentava um, lá do fundo da sua pachorra, enquanto via passar alguns atletas já visivelmente cansados:

- Isto é um balanço! Isto é um balanço!

Respondeu-lhe um dos companheiros:

- É, isto é um balanço. E é um balanço difícil!


Para a história do Grande Prémio de Grândola fica o registo dos nomes dos vencedores absolutos nas principais provas:

1991: José Urbano (SL Benfica) e Isilda Gonçalves (CD Montijo);
1992: José Urbano (SL Benfica) e Isilda Gonçalves (CD Montijo);
1993: José Urbano (SL Benfica) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
1994: José Magalhães (AC Alfenense) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
1995: José Magalhães (AC Alfenense) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
1996: Sérgio Vieira (CN Rio Maior) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
1997: Sérgio Vieira (CN Rio Maior) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
1998: João Vieira (CN Rio Maior) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
1999: João Vieira (CN Rio Maior) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
2000: José Urbano (SL Benfica) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
2001: João Vieira (CN Rio Maior) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
2002: José Urbano (SL Benfica) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
2003: João Vieira (CN Rio Maior) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
2004: João Vieira (CN Rio Maior) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
2005: João Vieira (CN Rio Maior) e Kristina Saltanovic (Interwalk-LTU);
2006: João Vieira (CN Rio Maior) e Inês Henriques (CN Rio Maior);
2007: João Vieira (CN Rio Maior) e Susana Feitor (CN Rio Maior);
2008: Não se realizou;
2009: João Vieira (CN Rio Maior) e Vera Santos (JOMA);
2010: Sérgio Vieira (CN Rio Maior) e Susana Feitor (CN Rio Maior).

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Dominic Ndigiti forçado a trabalhar nas obras

Dominic Ndigiti. Fotos: Citizen Digital, Oliver Ananda/Sportpicha
e Angwenyi Gighana/The STAR. Montagem: O Marchador
Dominic Samson Ndigiti, marchador queniano de 20 anos de idade, campeão de África sub-20 em Abidjan-2019 e bronze nos Campeonatos do Mundo de Atletismo de sub-18 em Nairobi-2017, vê-se obrigado a trabalhar nas obras para sobreviver face à paragem do desporto no seu país e no mundo pela situação de pandemia causada pelo covid-19.

Em entrevista publicada ontem no «The STAR» de autoria de Angwenyi Gighana, Ndigiti refere que tem como sustento o atletismo e manifesta-se ansioso por voltar às lides competitivas em pista ou estrada quando a pandemia estiver contida.

A sua rotina atual passa por levantar-se cedo para realizar uma sessão de treino antes de ir trabalhar nas obras, de forma temporária (ganha cerca de 3 euros por dia), ou construir «jikos», nome atribuído a fogões de cerâmica usados no seu país e que funcionam à base de lenha, carvão vegetal ou serradura. Já se dedicava a esta última atividade quando era mais jovem e antes mesmo de praticar o atletismo.

Ndigiti espera que alguns dos atletas mais jovens possam vir também a beneficiar da verba atribuída pela World Athletics ao Quénia para amenizar os efeitos provocados pelo coronavírus. Refere que eles representam o futuro da modalidade, muitos deles o ganha-pão das respetivas famílias.

Os Jogos Olímpicos de Tóquio em 2021 constituem um objetivo para Dominic Ndigiti.

terça-feira, 12 de maio de 2020

Érica Sena em tempos de confinamento

Erica Rocha de Sena. Fotos: Wagner Carmo/CBAt e facebook da própria
Montagem: O Marchador
A excelente marchadora brasileira, que há poucos dias - dia 3 deste mês de maio - completou 35 primaveras, aniversário pelo qual a equipa de “O Marchador” lhe endereça os parabéns (atrasados), foi a primeira atleta na modalidade do atletismo brasileiro a superar a marca mínima imposta pela World Athletics para os Jogos Olímpicos de Tóquio.

Vivendo em Cuenca, no Equador (é casada com o também marchador e seu treinador, Andrés Chocho), Érica Sena segue as decisões governamentais do país, que impôs severas medidas restritivas em face da pandemia causada pela Covid-19, treinando-se em casa. “Estão sendo momentos difíceis dentro de casa. Adaptamos alguns treinos, mas é complicado treinar só em esteira”, refere a atleta ao site da CBAt.

Sete vezes campeã brasileira e vice-campeã pan-americana em 2015 (Toronto) e medalha de bronze em 2019 (Lima) na prova dos 20 km marcha, Érica foi ainda medalha de bronze no Campeonato Mundial de Seleções, em Roma 2016 e quarta classificada nos dois últimos mundiais de atletismo, em 2017 e 2019.

É a melhor marchadora brasileira de todos os tempos tendo obtido a sétima posição nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, o melhor resultado de sempre de uma especialista brasileira em provas de marcha naquele evento. Confessa que o seu objetivo passa por lutar por uma medalha nos Jogos de Tóquio, entretanto adiados para 2021.

Com um recorde pessoal de 1:26:59, obtido nos mundiais de Londres, em 2017, Érica Rocha de Sena surge em posição de grande destaque no ranking mundial da disciplina, ocupando a terceira posição, com 1254 pontos, apenas atrás das chinesas Hong Liu e Shenjie Quiyang, as três igualmente nos lugares do pódio da classificação geral do Challenge Mundial de 2019.

Fonte: CBAt