quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Os primeiros marchadores portugueses em Campeonatos da Europa de Juniores

José Urbano, Jorge Esteves, Filomena Silva e Luísa Correia.
Fotos: arquivo «O Marchador»

Há 34 anos, que se perfazem hoje, 4 marchadores juniores portugueses, os primeiros do escalão a tomarem parte em grandes competições internacionais de atletismo, competiram nos Campeonatos da Europa de Juniores (Sub-20), que tiveram lugar em Cottbus, na então República Democrática da Alemanha (RDA).

Com a evolução da qualidade dos melhores marchadores portugueses, Portugal conseguira reunir um conjunto de 7 atletas com mínimos para os Campeonatos da Europa de Juniores. A escolha recairia sobre José Urbano, do Sport Lisboa e Benfica, e Jorge Esteves, do Clube de Futebol “Os Belenenses”, nos 10.000 metros masculinos, e sobre Luísa Correia, da Associação Desportiva de Oeiras, e Filomena Silva, do Centro de Cultura e Desporto dos Olivais Sul, nos 5.000 metros femininos.

As prestações dos nossos jovens atletas foram positivas se bem que não se tenham registado recordes nacionais. A 22 de agosto, Urbano e Esteves foram 11.º e 12.º, respetivamente, com os primeiros lugares ocupados por Mikhail Shchennikov (URSS), Daniel Plaza (Espanha) e Giovanni De Benedictis (Itália); no dia seguinte, Filomena Silva e Luísa Correia terminariam na 19.ª e 20.ª posições, com o pódio ocupado por Mari Cruz Díaz (Espanha) e Reys Sobrino (Espanha), medalhas de ouro ex-aqueo, e Svetlana Kaburkina (URSS).

Do contingente de marchadores lusos a Cottbus, o benfiquista José Urbano, que foi treinado por Luís Dias e se iniciara na especialidade há menos de um ano, viria a destacar-se no panorama nacional tendo liderado ao longo de nove anos (1987-1997) o ranking nacional dos 20 km marcha. Recordista nacional em várias distâncias, Urbano foi por 34 vezes internacional e nas mais relevantes competições mundiais destaca-se a presença em 3 Jogos Olímpicos, em 6 Campeonatos do Mundo e em 3 Campeonatos da Europa, bem como em 2 Campeonatos do Mundo de Pista Coberta e em 3 Campeonatos da Europa de Pista Coberta.

Sergey Bakulin recebe castigo de 8 anos de suspensão por dopagem

Sergey Bakulin. Foto: Min. Desp. Chuváchia

O marchador russo Sergey Bakulin viu-lhe ser aplicada uma punição de 8 anos de suspensão, com início a 3 de Abril de 2019 até 2 de Abril de 2027, por violação das regras antidopagem através de anomalias no passaporte biológico.

De acordo com informação produzida pela Unidade de Integridade do Atletismo (AIU) da Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF), o atleta é ainda desclassificado de todas as competições em que participou no período de 20 de Maio de 2018 a 3 de Abril de 2019, incluindo o Campeonato da Rússia de 50 km em Cheboksary (9/6/2018) onde conquistara o título nacional com a marca de 3.42.20.

Trata-se da segunda infração por dopagem cometida por Bakulin que, recorde-se, já cumprira uma suspensão de Dezembro de 2012 a Fevereiro de 2016, tendo-lhe sido anulados os resultados obtidos desde Fevereiro de 2011 e que tiveram como consequência a perda da medalha de ouro (50 km) nos Campeonatos do Mundo de Atletismo de Daegu-2011.

Em declarações à TASS, agência de notícias russa, Bakulin referiu desejar imenso recorrer da decisão junto do Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), podendo não ser viável fazê-lo por questões financeiras.

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Canadá supera E.U. América em Filadélfia (sub-20)

As seleções dos dois países em cerimónias de premiação
e os triunfos individuais de Joean Lu e Tyler Wilson.
Fotos: Terrance Wellman/USATF Mid-Atlantic Association
Montagem: O Marchador

A seleção do Canadá, tal como havia sucedido em Toronto 2018, venceu a congénere dos Estados Unidos da América, no 31.º Encontro de Marcha Atlética para atletas da categoria de sub-20 entre os dois países, realizado no passado sábado (17/8) em Fairmount Park, Filadélfia, no estado norte-americano da Pensilvânia.

A formação do Canadá somou 24 pontos contra 20 dos E.U. América, num sistema de 3 atletas a pontuar por país (7-5-4-3-2-1) e no global das provas de 10 km masculinos e 5 km femininos.

Nos masculinos, cuja prova foi vencida individualmente por Tyler Wilson, do Canadá, com a marca de 49.42, a vantagem coletiva foi dos E.U. América por 2 pontos (EUA 12 – AN 10). Os segundo e terceiro lugares individuais foram ocupados por Jordan Crawford (50.25) e Jacob Lawson (50.36), ambos dos E.U. América.

Nos femininos, se bem que a primeira a cortar a meta tenha sido Taylor Ewert, dos E.U. América, com 23.25, que participou na condição de não pontuável (extra), a vitória no encontro foi atribuída a Joean Lu, do Canadá, com 25.34, com a classificação coletiva a ser bem favorável ao seu país (CAN 14 – EUA 8). Grace Endy (E.U. América, 25.39) e Cassidy Cardle (Canadá, 26.08), ocuparam os lugares imediatos da classificação individual.

Classificações individuais
10 km masculinos
1.º, Tyler Wilson, 17 anos (Canadá), 49.42
2.º, Jordan Crawford, 19 anos (E.U. América), 50.25
3.º, Jacob Lawson, 16 anos (E.U. América), 50.36
4.º, Samuel Allen, 17 anos (E.U. América), 50.46
5.º, Daniel Soliven, 18 anos (Canadá), 51.04
6.º, Johnny Tse, 18 anos (Canadá), 53.21
7.º, Alexis Cote, 16 anos (Canadá), 54.01
8.º, Sean Glaze, 17 anos (E.U. América), 55.25
Extra: Paine Gronemeyer, 17 anos (E.U. América), 1.06.04.

5 km femininos
1.ª, Joean Lu, 19 anos (Canadá), 25.34
2.ª, Grace Endy, 16 anos (E.U. América), 25.39
3.ª, Cassidy Cardle, 16 anos (Canadá), 26.08
4.ª, Elisa Jean, 19 anos (Canadá), 26.38
5.ª, Anne St-Amand, 17 anos (Canadá), 26.49
6.ª, Olivia Lundman, 16 anos (Canadá), 27.00
7.ª, Chloe Engin, 17 anos (E.U. América), 28.13
8.ª, Rithika Vatturi, 17 anos (E.U. América), 29.24
9.ª, Natalie Ehlers, 18 anos (E.U. América), 29.48
Extra: Taylor Ewert, 17 anos (E.U. América), 23.25.

Classificação coletiva
Canadá, 24 pontos – E.U. América, 20 pontos
Masculinos, EUA 12 – CAN 10; femininos, CAN 14 – EUA 8

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Iniciaram-se os Jogos de África em Rabat, Marrocos

Imagens: LOC Rabat 2019 e Getty Images
Montagem: O Marchador

Com a Cerimónia de Abertura ontem (19/8) realizada em Rabat, Marrocos, no Estádio Príncipe Moulay Abdellash, iniciou-se formalmente a 12.ª edição dos Jogos de África, evento que decorre até ao próximo dia 31 e envolve mais de 6.000 atletas de 26 desportos, em representação de 54 nações africanas.

O Atletismo marcará presença no período de 26 a 30/8, e as provas de marcha, apenas sobre 20 km, abrem o dia 28 (quarta-feira), com a partida feminina às 7.30 horas (hora local) e a partida masculina 15 minutos mais tarde.

Os campeões em título nos 20 km marcha (Brazzaville-2015) são, nos masculinos, Lebogang Shange, da África do Sul, que obteve 1.26.43, com apenas 1 segundo de diferença para o segundo classificado, o queniano Samuel Ireri Gathimba, e nos femininos, Grace Wanjiru Njue, do Quénia, com 1.38.28, marca que constituiu recorde dos Jogos. O recorde masculino está na posse de Hatem Ghoula, da Tunísia, com 1.22.33 (Algiers, Argélia-2007).

A primeira edição dos Jogos de África teve lugar em Brazzaville, na República do Congo, decorria o ano de 1965.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Linke e Zurek vencem campeonatos da Alemanha em Beeskow

Os campeões germânicos, Christopher Linke e Teresa Zurek,
e fase inicial da prova masculina. Fotos: DLV/RaceWalk Pictures
Montagem: O Marchador

Os categorizados marchadores alemães do SC Potsdam Christopher Linke, nos 10.000 metros masculinos, e Teresa Zurek, nos 5.000 metros femininos, conquistaram sábado passado (17/8) os títulos nacionais absolutos de pista por ocasião dos campeonatos disputados na cidade de Beeskow, no estado de Bradenburg.

Nos masculinos, Linke, que após os dois mil metros assumiu o comando da prova, deu excelentes indicações com vista aos mundiais de Doha e terminou bem destacado com a marca de 38.57,94, ele que detém como recorde pessoal 38.40,25 conseguidos em Bühlertal-2016. Os segundo e terceiro lugares do pódio seriam ocupados pelos seus colegas de equipa, também com marcas abaixo dos 40 minutos, Hagen Pohle, com um novo recorde pessoal de 39.37,59 (antes, 39.39,45 em Diez-2017), e Nils Brembach, com 39.50,04.

Já nos femininos, Zurek, atleta ainda da categoria sub-23, juntou à folgada vitória um novo recorde pessoal de 22.08,89, retirando 6 segundos à sua anterior marca (22.14,94) conseguida em Bühlertal-2016, tinha então 17 anos de idade. Foi seguida na meta pelas veteranas Bianca Schenker (LG Vogtland), com 24.10,19, e Kathrin Schulze (ASV Erfurt), com 27.10,55, respetivamente segunda e terceira classificadas da geral.

O evento incluiu os campeonatos de veteranos nas suas várias faixas etárias, globalmente participado por cerca de uma centena de atletas.

Principais classificações
10.000 m masculinos - absolutos
1.º, Christopher Linke, 1988 (SC Potsdam), 38.57,94
2.º, Hagen Pohle, 1992 (SC Potsdam), 39.37,59
3.º, Nils Brembach, 1993 (SC Potsdam), 39.50,04
4.º, Leo Köpp, 1998 (LG Nord Berlin), 43.48,24 – sub-23
5.º, Andreas Janker, 1983 (LG Röthenbach a.d.Pegnitz e.V.), 44.48,71
6.º, Francesco-Marco Tommasino, 1993 (LG Nord Berlin), 46.30,75
7.º, Steffen Borsch, 1973 (SV Halle e.V.), 47.28,25
8.º, Marcin Reumann, 1999 (LG Nord Berlin), 51.31,52 – sub-23
Desistente: Jonathan Hilbert, 1995 (LG Ohra Energie).
Desclassificado: Karl Junghannß, 1996 (LAC Erfurt).

5.000 m femininos - absolutos e W35-W50
2.ª, Bianca Schenker, 1974 (LG Vogtland), 24.10,19 - vet.
3.ª, Kathrin Schulze, 1981 (ASV Erfurt), 27.10,55 - vet.
4.ª, Katrin Schusters, 1997 (Alemannia Aachen), 29.14,55 – sub-23
5.ª, Yvonne Bonneß, 1978 (ASV Erfurt), 30.14,40 - vet.
6.ª, Constanze Golle, 1981 (LG Vogtland), 31.28,11 - vet.
7.ª, Anneke Heuer, 1971 (Polizei SV Berlin), 31.35,30 - vet.
8.ª, Yvonne Markgraf, 1975 (LG Süd Berlin), 31.47,11 - vet.
9.ª, Angela Sänger, 1969 (DJK Blau-Weiß Annen), 33.05,20 - vet.
10.ª, Andrea Maier, 1969 (SV Breitenbrunn), 33.43,90 - vet.
Desistente: Agnieszka Garves, 1973 (MTV Stuttgart).

Classificações completas, aqui.

domingo, 18 de agosto de 2019

Qujing (China) - a organização na organização

A organização do Grande Prémio de Marcha de Qujing, China.
Fotomontagem: O Marchador

A realização, nesta última quarta-feira, do Grande Prémio de Marcha Atlética de Qujing, na província de Yunnan, no sudoeste da China, revelou-se de altíssima qualidade organizativa, não havendo nenhum pormenor que fosse descurado, isto a exemplo de outros eventos da disciplina que habitualmente têm lugar em diferentes regiões do país onde a especialidade está mais implantada.

Num circuito completamente plano com um perímetro de um quilómetro (500 metros no sentido ida e volta), delimitado por vasos de flores, milimetricamente distanciados uns dos outros, instalado no Parque Cultural e Desportivo do lindo centro histórico da cidade, o evento contou com a colaboração ativa de mais de centena e meia de pessoas, entre juízes e voluntários.

A China é nos dias de hoje uma das maiores potências mundiais da especialidade e os seus melhores marchadores têm obtido resultados de alto nível nas maiores competições planetárias, nomeadamente nos Mundiais de Atletismo e nos Jogos Olímpicos, com o ganho de medalhas tanto no setor masculino como no feminino.

Nesse sentido, o contributo do técnico italiano Sandro Damilano, contratado pela Federação de Atletismo da China após os Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, tem-se revelado fundamental. Damilano que já ultrapassou largamente a fasquia das 50 medalhas obtidas por atletas treinados por si nas grandes competições, numa carreira de quase meio século dedicada à marcha atlética, teve o seu primeiro êxito (era treinador dos seus irmãos Giorgio e Maurizio), com a medalha de ouro obtida por Maurizio Damilano nos Jogos Olímpicos de Moscovo, em 1980. Em junho deste ano, em reconhecimento do seu trabalho de mais de 10 anos à frente da seleção chinesa e pelo sucesso nas Olimpíadas de 2012 e 2016, Xi Jinping, presidente da federação chinesa de atletismo, galardoou o técnico italiano, nascido em Scarnafigi, em 24 de fevereiro de 1950.

Evidentemente que fundamental tem sido o investimento financeiro na modalidade e o consequente apoio aos atletas da seleção chinesa e técnicos locais que passam largos meses no Centro de Alto Rendimento de Marcha Atlética de Saluzzo, em Itália, creditado pela IAAF e que foi criado em 2002 pelos irmãos Giorgio, Maurizio e Sandro Damilano.

Por outro lado, na monotorização dos índices técnico-regulamentares dos seus atletas, desde 2007 que a Federação de Atletismo da China tem contado com a regular presença dos melhores juízes internacionais de marcha nos seus eventos, a maioria dos quais do continente europeu (em maior número no principal painel da IAAF) e neste ano, em todas as nove provas mais importantes do seu calendário, pelo menos três internacionais integram o júri da competição. Em setembro, nos campeonatos da China, e em outubro, na volta ao Lago Taihu, esta a última prova do Challenge Mundial da IAAF, a federação chinesa contará com a presença de juízes especialistas estrangeiros, no primeiro dos referidos eventos com 4 deles, entre os quais o português Vasco Guedes, e no segundo com outros 10 internacionais, integrando esta equipa o português José Dias.

sábado, 17 de agosto de 2019

Manchester International 2019 (resultados)

As vitórias de Erika Kelly e Cameron Corbishley, e os marchadores
medalhados no evento em Manchester. Fotos: Lissgphotography
e Erika Kelly. Montagem: O Marchador

Cameron Corbishley, em representação do All Stars, e Erika Kelly, com as vestes de Inglaterra, venceram destacados as provas de marcha (mistas) sobre 3.000 metros de mais uma edição do Encontro Internacional de Atletismo de Manchester, disputado esta quarta-feira, dia 14/8.

Corbishley, atleta sub-23 que repetiu a vitória de 2018 e que se prepara para os 50 km dos próximos mundiais de Doha, obteve a marca de 11:44.98, sendo seguido na classificação por Luc Legon (BAL/UKWL), com 13:02.27, e Matthew Crane (GB Juniors), com 13:33.84.

Kelly, que fora segunda classificada na edição do meeting em 2018, chegou agora à vitória com 13:52.36, relegando para as posições secundárias a sub-20 Pagen Spooner, (GB Juniors), com 14:46.77, recorde pessoal, e Natalie Myers (BAL/UKWL), com 15:22.72.

Classificações (provas mistas)
3.000 m masculinos
1.º, Cameron Corbishley, sub-23 (All Stars), 11:44.98
2.º, Luc Legon, sub-23 (BAL/UKWL), 13:02.27
3.º, Matthew Crane, sub-20 (GB Juniors), 13:33.84
Desclassificado: Tom Partington, sub-23 (England).

3.000 m femininos
1.ª, Erika Kelly, sénior (England), 13:52.36
2.ª, Pagen Spooner, sub-20 (GB Juniors), 14:46.77
3.ª, Natalie Myers, sénior (BAL/UKWL), 15:22.72
Desclassificada: Jasmine Nicholls, sénior (All Stars).

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Wilkinson regista 10:59.00 (3.000 m) no Meeting Internacional de Cork, Irlanda

Fase inicial da prova e o vencedor Callum Wilkinson.
Imagens de Streaming – BAM Cork City Sports
Montagem: O Marchador

O britânico Callum Wilkinson, marchador sub-23 que nos recentes Campeonatos da Europa da categoria em Gavle obteve a medalha de bronze, triunfou ontem (14/8) na prova de 3.000 metros marcha do 68.º Meeting Internacional de Atletismo de Cork, na Irlanda, obtendo a significativa marca de 10.59.00. O atleta detém como melhor registo na distância 10:52.77 obtido na pista coberta de Glasgow (2018).

O pódio da prova ficou completo com os irlandeses Alex Wright, com 11:06.28, quem vencera a anterior edição do meeting com marcha, a 65.ª, em 2016, e Brendan Boyce, com um recorde pessoal de 11:17.84, um especialista de 50 km que em Maio passado na Taça da Europa de Marcha em Alytus bateu o seu recorde na distância maior (3:48:13/5.º classificado).

Classificação
5.000 m masculinos
1.º, Callum Wilkinson, 1997 (Grã-Bretanha), 10:59.00
2.º, Alex Wright, 1990 (Irlanda), 11:06.28
3.º, Brendan Boyce, 1986 (Irlanda), 11:17.84
4.º, Cian McManamon, 1991 (Irlanda), 11:58.61
5.º, David Kenny, 1999 (Irlanda), 12:25.04

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Jiayu Yang e Wenchao Niu vencem 20 km do GP da China em Qujing

20 km em Qujing: o pódio feminino, com Jiayu Yang ao centro, e o
decorrer da prova masculina vencida por Wenchao Niu (dorsal 139).
Fotos: Zhujiang Network News (ZJW)
Montagem: O Marchador
A campeã do mundo em Londres-2017 e da Ásia em Jacarta-2018, Jiayu Yang, e Wenchao Niu, foram os vencedores das provas de 20 km femininos e masculinos, em simultâneo, do programa da quarta etapa do Grande Prémio de Marcha Atlética da China, evento realizado ontem de manhã (14/8), sob calor, em Qujing, cidade com uma altitude de 1873 metros e situada na província de Yunnan.

Nos femininos, Jiayu Yang, que detém com melhor marca pessoal 1.26.18, assegurou a vitória no decorrer da última volta ao circuito de mil metros no grandioso Parque Cultural e Desportivo de Qujing, e obteve 1.35.41 face às difíceis condições existentes (calor e altitude). Superou por 12 segundos a sua principal adversária, Yingliu Wang, segunda classificada com 1.35.53, enquanto o terceiro lugar foi decidido por uma diferença de 88 milésimos de segundo entre Liujing Yang e Maocuo Li, a favor da primeira, ambas com 1.36.07. Foram 27 as atletas chegadas à meta, tendo 7 desistido.

Nos masculinos, numa apertadíssima chegada dos três primeiros classificados, vitória atribuída a Wenchao Niu, de 21 anos, com 1.26.19, o mesmo tempo do segundo classificado, Lihong Cui, de 20 anos, com 163 milésimos a separá-los. Apenas 1 segundo depois, com 1.26.30, entrava na terceira posição o campeão asiático de Jacarta-2018, Kaihua Wang, ele que vencera em março passado em Huanshan, com 1.19.01, e que detém como melhor 1.17.54. Dos 45 atletas à partida, 35 concluíram a prova, 5 foram desclassificados e outros 5 desistiram.

Nos mais jovens, refira-se a distância pouco habitual de 30 km para os sub-20 masculinos (7 participantes), prova disputada ainda de manhã (8.30 h) e vencida por Qiong Da, com 2.23.01, ele que tem como recorde pessoal 2.18.40 em março deste ano. Tem 41.59 aos 10 km.

No programa da tarde (15 horas), saíram vencedores, nos masculinos (10 km), nos sub-20 (9 participantes), Jiaxu Zhang, com 42.08, e nos sub-18 (21 participantes), Junran Li, com 42.36, e nos femininos, nos sub-20 (10 km, 4 participantes), Yanfen Tan (50.58), e nos sub-18 (5 km, 14 participantes), Jinyu Wan, com 23.06.

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Normunds Ivzans destaca-se nos Campeonatos Bálticos de Veteranos (Vilnius)

Normunds Ivzans nos Campeonatos Bálticos em Vilnius, Lituânia.
Foto: fb Septyni Ir Dešimt Runjumpthrow
Montagem: O Marchador

O letão Normunds Ivzans, atleta da categoria M45, foi quem mais se evidenciou nas provas de marcha de 5.000 metros da 6.ª edição dos Campeonatos Bálticos (Abertos) de Atletismo para Veteranos, evento que teve lugar na pista do Estádio Vingis, em Vilnius, capital da Lituânia (10/11 Agosto).

Ivzans, que em novembro completará 48 anos de idade, obteve a marca de 21.16,28, registo que pela tabela internacional de graduação de idades corresponde a 19.24,98, conforme indicado pela organização nos resultados. Na ordenação masculina de chegada à meta, o russo Viacheslav Degtiarenko (M45), foi o segundo classificado, com 23.56,97, e o bielorrusso Leonid Semenovich (M55), o terceiro, com 24.50,87. De salientar ainda os desempenhos dos atletas M70 da Letónia, Vladimirs Orehovs, com 29.16,05, e Harijs Āboliņš, com 29.58,85.

Nos femininos, também sobre 5.000 metros, os três primeiros lugares da geral foram para atletas da Letónia, Vita Ormane (W40, 30.24,86), Rita Žuravļova (W65, 32.32,13) e Dace Saulite (W60, 34.20,81).

Colaboração: Kristina Saltanovic

Classificações
5.000 m masculinos - geral / escalão
M45
1.º, Normunds Ivzans (LAT - Jēkabpils/Lwa), 21.16,28
2.º, Viacheslav Degtiarenko ( ... - Fenix), 23.56,97
M50
1.º, Aliaksandr Aksinushkin (BLR - Rogachev/Свитанак), 31.44,44
2.º, Didzis Kalninis (LAT - Ryga), 35.15,22
M55
1.º, Leonid Semenovich (BLR - Minsk), 24.50,87
M60
1.º, Ilmars Saulgriezis (LAT - Riga/Lwa), 29.20,30
2.º, Prit Manavald (EST - Tallin), 32.55,20
M65
1.º, Tadeusz Songin (LTU - ), 37.47,82
M70
1.º, Vladimirs Orehovs (LAT - Stende), 29.16,05
2.º, Harijs Āboliņš (LAT - Gulbene/Gulbenes Novads), 29.58,85
3.º, Valeryi Kruglikov (BLR - Minsk), 33.53.54
4.º, Guntis Balodis (LAT - Gulbene/Gulbenes Novads), 35.44,37
M75
1.º, Raitis Lerme (LAT - Kocenu Nov./Lwa), 33.00,71
2.º, Broņislavs Vucēns (LAT - Jelgava), 34.09,92
3.º, Jānis Kaprālis (LAT - ), 36.15,55
M80
1.º, Gunārs Rubenis (LAT - Gulbene/Gulbenes Novads), 36.06,88
2.º, Andrejs Vācietis (LAT - Gulbene/Gulbenes Novads), 38.09,68
3.º, Ādolfs Mičulis (LAT - Gulbene/Gulbenes Novads), 40.17,79
M85
1.º, Ignats Šimkuns (LAT - Daugavpils), 40.42,25

5.000 m femininos - geral / escalão
W40
1.ª, Vita Ormane (LAT - Livani), 30.24,86
W45
1.ª, Valiantsina Aksinushkina (BLR - Rogachev), 38.04,54
2.ª, Edite Korkliša (LAT - Rezekne), 42.18,89
W60
1.ª, Dace Saulite (LAT - Madona), 34.20,81
W65
1.ª, Rita Žuravļova (LAT - Ogre/Ogre Nsc), 32.32,13
2.ª, Vaira Grigorjeva (LAT - Kocenu Nov./Lwa), 38.08,56
? Ņina Jurciņa (LAT - Gulbene/Gulbenes Novads)
W70
1.ª, Ludmila Tokareva (LAT - Daugavpils), 38.08,56
W75
1.ª, Vera Grinberta (LAT - Daugavpils), 38.09,30
W80
1.ª, Palina Katsuba (BLR - Minsk), 46.17,49

Resultados completos, aqui.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Johana Ordóñez, primeira campeã pan-americana de 50 km marcha

Johana Ordóñez, a primeira campeã pan-americana
de 50 km marcha.Foto: Fernando Vergara, AP
A equatoriana Johana Ordóñez tornou-se este domingo, 11 de Agosto, a primeira campeã feminina pan-americana de 50 km marcha, ao vencer a prova da distância dos XVIII Jogos Pan-americanos, em Lima, no Peru, com a marca de 4.11.12 h. O resultado alcançado por Ordóñez constitui novo recorde do Equador, superando a marca obtida em 5 de Maio de 2018 por Paola Pérez durante a Taça do Mundo de Marcha, em Taicang (China), então com 4.12.56 h. Paola Pérez foi agora a terceira classificada nos pan-americanos de Lima, com 4.16.54 h, atrás da guatemalteca Mirna Ortiz, creditada no segundo lugar com 4.15.21 h.

Ordóñez e Ortiz fizeram uma prova quase sempre juntas até para lá de meio da distância, tendo passado aos 25 quilómetros com 2.07.36 h, ocasionalmente com a companhia de outras concorrentes. A marchadora da Guatemala quase repetia a dose na segunda metade, cumprida em 2.07.55 h, enquanto a atleta do Equador acelerava e cumpria as cinco léguas finais em 2.03.36 h. E nessa capacidade de reagir na segunda metade da competição esteve o «segredo» da vitória para Johana Ordóñez, que, desta forma, garantiu a «dobradinha» de vitórias obtidas pelo Equador nas provas de 50 km macha na edição deste ano dos Jogos Pan-americanos, alguns minutos depois de o compatriota Claudio Villanueva ter conquistado a medalha de ouro na vertente masculina.

A primeira campeã pan-americana de 50 km, que tal como Villanueva tem 31 anos, agradeceu no final da prova o apoio que recebe da família, referindo de forma especial o marido, que, não sendo atleta, não deixa de acompanhá-la em treinos e provas. E sublinhou também o apoio recebido do Estado Equatoriano, desde logo da Secretaria do Desporto, afirmando que o sucesso alcançado em Lima é resultado do investimento feito pela administração central na promoção das diferentes vertentes do desporto.

Seguindo o exemplo do grande campeão Jefferson Pérez, os marchadores equatorianos levam desta edição dos Jogos Pan-americanos três das seis medalhas em disputa nos 50 km (masculinos e femininos), contando também três das quatro medalhas de ouro relativas às quatros provas da especialidade (20 e 50 km, masculinos e femininos), já que Brian Pintado, cunhado de Claudio Villanueva, tinha ganho uma semana antes os 20 km masculinos.

De assinalar que nestes 50 km femininos, com dez atletas à partida e ao contrário do sucedido na prova masculina realizada em simultâneo, não foram registadas desclassificações, ocorrendo apenas uma desistência, a de Kathleeen Burnett, dos Estados Unidos, depois de cumprir 35 quilómetros. Burnett é a recordista do seu país, com 4.21.51h, marca registada em 2017, durante os mundiais de atletismo de Londres.

A próxima edição dos Jogos Pan-americanos, a 19.ª, terá lugar em 2023 na capital do Chile, Santiago, mantendo-se assim na América do Sul. Será assim a primeira vez em sete décadas de existência que estes Jogos têm lugar duas vezes seguidas na parte sul do continente americano.

Classificação
1.ª, Johana Ordóñez (Equador), 4.11.12
2.ª, Mirna Ortiz (Guatemala), 4.15.21
3.ª, Paola Pérez (Equador), 4.16.54
4.ª, Viviane Santana Lyra (Brasil), 4.22.46
5.ª, Elianay Pereira (Brasil), 4.29.33
6.ª, Mayra Herrera (Guatemala), 4.30.52
7.ª, Yoci Caballero (Peru), 4.31.33
8.ª, Evelyn Inga Huaynalaya (Peru), 4.36.36
9.ª, Stephanie Casey (EUA), 4.50.31
Desistente: Kathleen Burnett (EUA)

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Claudio Villanueva vence 50 km dos Pan-americanos de Lima

Claudio Villanueva a caminho da vitória nos 50 km marcha
dos pan-americanos de Lima. Foto: Fernando Vergara, AP
O equatoriano Claudio Villanueva venceu este domingo, 11 de agosto, a prova masculina dos 50 km marcha da última jornada dos XVIII Jogos Pan-americanos, que decorreram em Lima, no Peru, desde 24 de Julho. Villanueva creditou-se com 3.50.01 h, adiante do mexicano Horacio Nava (3.51.45) e do colombiano Diego Pinzón (3.53.49), numa prova em que se classificaram apenas mais dois concorrentes de um total de 14 à partida.

Claudio Villanueva, que na semana anterior à prova completou 31 anos, acabou por não ficar muito longe do recorde pessoal na distância, estabelecido em 2017 durante os mundiais de atletismo de Londres, quando averbou 3.49.27 h.

O marchador equatoriano fez em Lima uma prova cautelosa, não se atrevendo a comandar nem a forçar ritmos na fase inicial da competição. Aos cinco quilómetros registava uma passagem de 23.29 m, bastante atrás da dupla que então seguia na dianteira, composta pelo mexicano Nava e pelo equatoriano Andrés Chocho (vencedor em Toronto-2015), ambos creditados com 22.44 m na primeira légua. A vantagem dos primeiros foi aumentando nas voltas seguintes para lá de um minuto, mas, a meio da prova, Villanueva já integrava o grupo da liderança, cumprindo os primeiros 25 quilómetros em 1.54.20 h, a par de Nava e com cerca de 10 metros de avanço sobre o peruano Luis Campos e 20 metros para o guatemalteco Erick Barrondo.

Seria na aproximação aos 40 quilómetros que Claudio Villanueva viria a isolar-se na frente, para terminar estes 50 km de marcha na condição de campeão das Américas, numa jornada marcada pela chuva e pelo (sempre bem-vindo) rigor dos juízes. Horacio Nava, vencedor nesta distância nos pan-americanos de 2011 (México), conseguiu gerir as dificuldades e garantir o segundo lugar, a um minuto e 44 segundos de Villanueva, enquanto Diego Pinzón fez uma prova ainda mais contida que a do vencedor e conquistou a medalha de bronze, com mais 3.48 minutos que o novo campeão pan-americano.

«Estava a gerir a minha prova e a ver que os juízes estavam muito rigorosos e que muita gente ia caindo», declarou Villanueva à imprensa após a vitória, em tom de modéstia, dado que não precisou das desistências e das desclassificações dos colegas de competição para sagrar-se vencedor.

Concluíram a prova também o brasileiro Caio Bonfim, com altos e baixos no ritmo e uma marca final de 3.57.54 h, e ainda Matthew Forgues, dos Estados Unidos, com 4.19.28 h. Entre os nove desistentes ou desclassificados, realce para os irmãos guatemaltecos Erick e Bernardo Barrondo e para o equatoriano Andrés Chocho, vencedor na edição anterior, Toronto-2015.

No final, o vencedor, que já teve a nacionalidade espanhola e chegou a sagrar-se campeão desse país durante os campeonatos realizados conjuntamente com Portugal na cidade portuguesa de Montijo, em 2013, dedicou de forma emocionada a vitória pan-americana ao pai, que em 2017 desapareceu nas montanhas de Cuenca sem que até hoje tivesse sido encontrado. «Pai, se estiveres vivo e a ver-me, esta medalha é para ti, mas se tiveres morrido, cuida de mim lá no céu», afirmou o marchador agora equatoriano e que, precisamente nesse ano de 2017 e também na capital do Peru, se tinha já sagrado vencedor da Taça Pan-americana de Marcha.

Classificação
1.º, Claudio Villanueva (Equador), 3.50.01
2.º, Horacio Nava (México), 3.51.45
3.º, Diego Pinzón (Colômbia), 3.53.49
4.º, Caio Bonfim (Brasil), 3.57.54
5.º, Matthew Forgues (EUA), 4.19.28
Desistentes: Erick Barrondo (Guatemala), Luis Campos (Peru), Mathieu Bilodeau (Canadá) e Nicholas Christie (EUA).
Desclassificados: Bernardo Barrondo (Guatemala), Andrés Chocho (Equador), Isaac Palma (México), Ronal Quispe (Bolívia) e Jorge Fajardo (Colômbia).

Grande Prémio de Marcha Atlética de Qujing, na China

Croqui da área onde foi definido
o circuito das provas
Vai ter lugar esta quarta-feira (14) o Grande Prémio de Marcha Atlética de Qujing, a segunda maior cidade da província de Yunnan, na China, fundada durante a dinastia Qin (221-207 a.C.), um importante centro comercial e industrial, com uma população de 6 milhões de pessoas.

As provas decorrerão num circuito de mil metros, traçado no grandioso Parque Cultural e Desportivo de Qujing, inaugurado em 2014. Na parte da manhã, está marcada para as 8:30 horas a partida conjunta de 20 km masculinos e femininos (42 masculinos e 36 femininos) e a prova masculina de 30 km para o escalão Sub-20 (7 inscritos); à tarde, pelas 15:00 horas, realizam-se as competições destinadas aos escalões de Sub-18, nas distâncias de 5 km (femininos) e 10 km (masculinos), e de Sub-20, na extensão de 10 km para ambos os sexos.

De referir a presença no evento de três juízes internacionais de marcha, provenientes do continente europeu, expressamente convidados pela Federação de Atletismo da China para atuarem nas referidas competições, nomeadamente o português José Dias, que assinalará a sua centésima prova ajuizada no estrangeiro, a espanhola Dolores Rojas e a italiana Mara Baleani.

domingo, 11 de agosto de 2019

José Pinto nos Jogos Olímpicos de Los Angeles

José Pinto nos Jogos Olímpicos de Los Angeles
Recordando: há 35 anos, José Pinto nos 50 km dos Jogos Olímpicos de Los Angeles

Completam-se hoje 35 anos sobre o dia em que José Pinto participou na prova dos 50 km marcha dos Jogos Olímpicos de 1984, realizados em Los Angeles (EUA), sendo ainda nos dias de hoje o atleta masculino na referida disciplina a ter obtido o melhor resultado no maior evento desportivo à escala mundial.

Proveniente da famosa escola de marcha atlética do Sport Lisboa e Benfica, dinamizada por Francisco Assis na década de 70 do século passado, José Luís França Abranches Pinto passou a representar o Clube de Futebol “Os Belenenses” numa estratégia que visava disseminar a especialidade por vários clubes da capital.

Foi a primeira figura da marcha portuguesa a conquistar destaque internacional. Foi o primeiro marchador português a obter mínimos para uma grande competição internacional, no caso os Campeonatos Europeus de Atenas, em 1982, e foi ele o primeiro campeão nacional dos 50 km e recordista na distância durante 21 anos.

“Isto, realmente, correu-me bem. Calcule que até os campeões, os primeiros, vieram falar comigo e dar-me os parabéns. Nunca me tinha acontecido.” Foi esta a impressão que mais marcou José Pinto após a prova de 50 km dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, a 11 de agosto de 1984.

O marchador do Belenenses fora 8.º classificado e recebera os cumprimentos dos adversários, entre os quais algumas das melhores figuras mundiais da modalidade. Dias antes, a 5 de Agosto, Pinto tinha-se tornado o primeiro marchador português a participar em provas de marcha de Jogos Olímpicos, terminando em 26.º nos 20 km. Não se adaptara ao calor, mas isso serviu-lhe de lição para a prova mais longa. E assim ganhou o respeito da elite mundial da marcha.

Terminados os Jogos, José Pinto voltava à vida do costume: erguer cedo para o treino matinal da madrugada lisboeta, ida para o trabalho em Alhandra e regresso ao fim da tarde para o segundo treino, nas imediações do Estádio do Restelo. Com esta massa se fez um campeão.

sábado, 10 de agosto de 2019

Os Campeonatos de Lisboa nos anos 80 – III

Samuel Gines, Miguel Prieto, Carlos Montes e José Dias.
Foto: arquivo O Marchador
1985. Em Belém. Na Praça do Império, mesmo em frente ao Mosteiro dos Jerónimos, num circuito com um perímetro de mil metros, teve lugar a terceira edição dos Campeonatos de Lisboa de Marcha Atlética “Troféu Aires Denis”, justíssima homenagem ao “pai” da marcha atlética portuguesa, evento que contou com a presença estrangeira recorde de nove atletas espanhóis e um italiano.

José Pinto, o nome mais ilustre da marcha atlética portuguesa naquela década, venceu a prova dos 30 km com um novo recorde nacional de 2:14:32. Meses antes, nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, conseguira a proeza de se classificar no 8.º lugar da prova dos 50 km marcha, a menos de um minuto de Jorge Llopart que em 1980, nos Jogos de Moscovo, fora vice-campeão olímpico.

Pinto foi o primeiro marchador português a obter mínimos para grandes competições internacionais de atletismo: os Europeus de Atenas, em 1982, os, Mundiais de Helsínquia, em 1983, e os Jogos Olímpicos, em 1984. Seria, nesse ano, homenageado pela Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, quando da realização do seu excelente Grande Prémio, e eleito pelo Clube Português de Marcha Atlética “O Marchador do Ano”, prémio que receberia no decorrer da festa anual da especialidade.

Ainda na prova dos 30 km masculinos, que contou com uma participação recorde de 19 atletas, os madrilenos Samuel Gines, Miguel Prieto e Carlos Montes, por esta ordem, classificar-se-iam a seguir a Pinto, enquanto, no top-10, juntar-se-iam os portugueses José Dias, José Tavares e António Rosa, o espanhol Josep Vinuesa, outro português, José Gonçalves, e o italiano Piergiorgio Andreotti, que aqui saudamos, vendo-o, ainda hoje, com toda a vitalidade, a participar em europeus e mundiais de veteranos. Na prova feminina (5 km), Paula Gracioso prosseguia, ano após ano, o seu domínio avassalador no panorama nacional, vencendo uma vez mais, numa época em que bateu vários recordes nacionais.

Ainda nesse evento, o registo de na prova dos 15 km juniores masculinos, os dois primeiros terem sido os espanhóis Olegário Regidor (1:08:38) e José Rodriguez (1:10:06) e a curiosidade de na prova destinada ao escalão de juvenis, ganha pelo benfiquista Paulo Pires, ter participado o que é hoje o presidente da Junta de Freguesia de Marvila (Lisboa), José António Videira.

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Os Campeonatos de Lisboa nos anos 80 – II

José Pinto (centro), com Aires Denis (esq.) e Mário Paiva.
Foto: arquivo O Marchador
1984. Na segunda edição dos campeonatos lisboetas de marcha atlética “Troféu Aires Denis”, realizada na Praça do Império, em Belém, o “olímpico” José Pinto, do Belenenses, que seria homenageado nesse ano pelo Grupo dos Mil do seu clube, registaria a melhor marca portuguesa de sempre nos 30 km marcha (2:15:40), ganhando oito minutos e 50 segundos ao espanhol Samuel Gines, segundo classificado e então quarto melhor atleta do país vizinho, que fora especialmente convidado para esta edição, enriquecida ainda com a presença de outro atleta espanhol, o júnior Juan de Lucas, segundo classificado.

O pódio da principal distância masculina ficou completo com Francisco Reis, atleta da compacta e histórica agremiação do Clube de Futebol Santa Iria, que veria ainda dois dos seus atletas, José Tavares e Paulo Alves, classificarem-se nas posições 5 e 6, respetivamente. O programa masculino incluiu a prova de 5 km para juvenis, ganha por Paulo Santos, e de 15 km para juniores, vencida por Jorge Esteves, ambos vindo a representar, nos anos seguintes, a seleção portuguesa em europeus e mundiais de juniores. O visiense Carlos Albano, grande pioneiro, não faltou à chamada, sendo o quarto classificado, numa prova em que também se classificaram José Gonçalves e José Dias, com 13 atletas alinhados à partida.

Na prova feminina, de 10 km, a júnior Paula Gracioso, do Olivais Sul, a mais destacada marchadora portuguesa daqueles tempos, haveria de bater a melhor marca absoluta feminina na distância em Portugal. Nas restantes provas do programa dos campeonatos da capital registar-se-iam triunfos de Ana Bela Aires, no escalão juvenil, e de Ana Batuca, no escalão sénior, ambas em representação da Associação Desportiva de Oeiras, clube que, a par do Centro de Cultura e Desporto de Olivais Sul, predominava na especialidade feminina em Portugal.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Os Campeonatos de Lisboa nos anos 80 – I

Josep Vinuesa (esq.), Eduardo Amoros (16), Francisco Reis
(65) e Hélder Oliveira (atrás), nos Campeonatos de Lisboa
de Marcha de 1983. Foto: arquivo O Marchador
1983. Já lá vão 36 anos. A 30 de janeiro daquele ano, a Associação de Atletismo de Lisboa, por proposta da então Comissão Regional de Marcha, organizou os primeiros Campeonatos de Lisboa (estrada), disputados na distância de 30 km (apenas na vertente masculina), associando-se ao programa outras provas para diferentes escalões etários e em ambos os sexos. À competição, levada a efeito, nos seus três primeiros anos, na zona de Belém, foi dado o nome de “Troféu Aires Denis”, em homenagem a um dos pioneiros e dinamizadores da especialidade em Portugal, nascida na época de 1974/1975. Aires Denis, que durante alguns anos integrou a Direção da AAL, realizou um notável trabalho de desenvolvimento da marcha atlética, não só pela região de Lisboa e arredores, mas levando a mensagem um pouco por todo o país, numa primeira fase, ajudado pelo seu colega francês Raymond Ysmal, que o contagiara com a paixão pela marcha.

José Pinto, atleta do Clube de Futebol “Os Belenenses”, o maior expoente da disciplina no nosso país nas primeiras décadas da disciplina - o primeiro marchador português a representar o país em grandes eventos internacionais, em 1982, nos Europeus de Atenas (20 km), em 1983, nos Mundiais de Helsínquia (20 e 50 km), e em 1984, nos Jogos Olímpicos de Los Angeles (20 e 50 km) -, venceu a competição que para ele representou um bom teste para os primeiros 50 km marcha realizados em Portugal e que viriam a ter lugar em Alenquer, em junho desse ano.

A apadrinhar o evento lisboeta, que teve lugar em Belém, onde agora se situa o Museu da Fundação EDP (MAAT) e que contou com o apoio e incentivo de Mário Paiva (à data presidente da AAL), estiveram entre nós dois especialistas espanhóis da região da Catalunha, onde residia a força da marcha atlética no país vizinho: Eduardo Amoros e Josep Vinuesa, ambos terminando, depois de José Pinto, os dois registando o mesmo tempo. Hélder Oliveira, José Domingues e José Dias (por esta ordem), concluíram a prova, na qual também alinharam Jorge Esteves, Manuel Piteira, Paulo Machado, José Cândida, Francisco Reis, Raúl Francisco e Francisco Alves.

Para Vinuesa, uma palavra muito especial de reconhecimento e agradecimento pelo que fez pela marcha atlética portuguesa, incentivando à sua cimentação naqueles tão difíceis anos de implantação e fazendo disso eco por essa Europa fora através do seu excelente boletim mensal “Marcha Española”, riquíssimo em notícias sobre acontecimentos relacionados com a especialidade no mundo inteiro e numa era onde a Internet ainda estava longe de ser real. Um forte abraço!

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Kevin Campion e Clémence Beretta conquistam títulos gauleses

Clémence Beretta e Kevin Campion, campeões de França
de 2019. Fotos: Remiremontinfo.fr e Culture Marche
Realizados em Saint-Étienne, tiveram lugar no último fim de semana os Campeonatos de Élite de França, disputados na distância de 10 quilómetros, em estrada, num circuito desenhado junto ao estádio de futebol do Saint-Étienne, onde o piso não se revelou propriamente um aliado dos atletas, se bem que, em contraponto, fossem boas as condições atmosféricas.

Na prova masculina, Kevin Campion voltou a conquistar o título francês, obtendo a marca de 39:44, novo máximo pessoal em estrada (na pista tem um tempo de 38:37.02, já de 2013). Havia dois favoritos. O outro, Gabriel Bordier, ficou muito próximo de Campion, ainda abaixo da casa dos 40 minutos, recebendo a medalha de prata com o tempo de 39:53, novo recorde pessoal. Na terceira posição classificou-se o tunisino Raouf Drissi, com 43:00, também recorde pessoal. Concluíram a prova 39 atletas e três desistiram.

Na prova feminina, Clémence Beretta sagrou-se campeã pela segunda vez consecutiva (esta época conquistou cinco títulos, sendo três absolutos e dois de sub-23), apagando as mágoas de uma recente desclassificação nos campeonatos suecos e terminando a prova com o tempo de 47:33, muito próximo do seu melhor registo pessoal. Foi uma boa disputa com com a internacional tunisina Shahineze Nasri, recordista africana na distância, pelo menos até metade da prova, quando esta se viu afastada da luta pela vitória com a penalização de um minuto em função de três faltas recebidas. Fez 49:27. Para o último lugar do pódio classificou-se Laury Cerantola, com 49:39, novo recorde pessoal. Terminaram a prova 42 atletas. Uma desistiu.

Entretanto, é já conhecido o primeiro conjunto de atletas franceses selecionados para os Mundiais de Doha (27 de setembro a 6 de outubro), no qual se incluem três marchadores: Yohann Diniz (41 anos), nos 50 km, detentor de um record do mundo de 3:32.33, este ano com 3:37.43, em resultado da sua vitória na Taça da Europa, que o catapultou para a liderança mundial do ano na distância, Kevin Campion (31 anos), nos 20 km, com um recorde pessoal de 1:20.28 e este ano com a marca de 1:20:49, realizada em abril deste ano, em Podebrady, e Gabriel Bordier (21 anos), nos 20 km, com um recorde pessoal de 1:21:43, estabelecido em Alytus, em maio deste ano.