terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Provas de marcha em Tijuana (MEX) e Long Island (USA)

Maria Michta-Coffee, Nick Christie e Robyn Stevens.
Fotos: Eduardo Corvera e PhotoRun (arq.)
Montagem: O Marchador
Tijuana, no México, e Long Island, nos Estados Unidos da América, foram palcos de provas de marcha no derradeiro fim-de-semana do ano de 2017.

Na pista do Centro de Alto Rendimento de Tijuana (30 Dez.), 36 marchadores tomaram parte em provas de diferentes distâncias da 1.ª edição do «Bi-National Racewalk», salientando-se nos 10.000 metros «abertos» os desempenhos dos vencedores masculino e feminino, Nick Christie, com 41.13,46, e Robyn Stevens, com 46.07,28, registos que constituem novos recordes pessoais. De referir ainda as marcas de Alex Bellavance (44.49,76) e Anali Cisneros (54.28,81), ambos de 20 anos de idade na mesma distância mas na categoria «superior/sub-23», em representação da equipa California EEUU, e ainda os 29.14,40 de Angel Gael Espinoza Castro, do BC Mexico, na prova de 5.000 metros para infantis masculinos.

Em Long Island (31 Dez.), na pista coberta do recinto escolar de St. Anthony, em South Huntington, a credenciada Maria Michta-Coffee, do WalkUSA-Oiselle, impos a sua superioridade com 13.38,1 aos 3.000 metros da prova, registando 7.21,9 como marca parcial na milha (1609,344 metros). A sub-20 Lauren Harris (Marist/WalkUSA), com 14.54,7, e Katie Michta (Molloy/WalkUSA), com 15.18,5, ocuparam os restantes lugares do pódio. Participaram 7 atletas.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

João Vieira e Inês Henriques repetem títulos nacionais de 35 km

As lideranças nos 35 km através de João Vieira e Inês Henriques.
Fotos: Erica Dias/O Marchador
Os consagrados João Vieira, do Sporting Clube de Portugal, e Inês Henriques, do Clube de Natação de Rio Maior, venceram as provas de 35 km ontem disputadas nos Campeonatos Nacionais de Marcha em estrada de Porto de Mós (7 Janeiro), em conjunto com os 50 km, revalidando os títulos nacionais na distância.

Nos masculinos, João Vieira, de 41 anos de idade, registou 2.38.18, marca próxima do seu melhor, de 2.37.59 também obtida em Porto de Mós-2016, abrindo na meta uma diferença de 3 minutos e 18 segundos para o seu principal adversário, na circunstância Miguel Carvalho (SL Benfica), com 2.41.36. Vieira realizou em cada 5 km 23.47, 23.08, 22.13, 21.56, 21.58, 22.22 e 22.54. O pódio individual ficou preenchido com Miguel Rodrigues (SL Benfica), o campeão nacional da categoria de sub-23, com 2.43.39. As marcas dos três primeiros classificados são de qualificação (2.44.30) para os 50 km do Campeonato do Mundo de Seleções a disputar em Taicang, na China, em Maio próximo.

Coletivamente, a vitória foi para a formação benfiquista, cuja equipa foi fechada com o 4.º lugar e registo parcial do Pedro Isidro, a competir nos 50 km, com o CA Seia, campeã em 2016, a obter a 2.ª posição (Rui Coelho, Pedro Martins e Luís Bidarra).

Nos femininos, Inês Henriques conseguiu 2.45.51, uma nova melhor marca pessoal e nacional por 4.18 minutos do que tinha conseguido o ano passado (2.50.09, passagem para os 50 km), com uma enorme vantagem de 16 minutos e 38 segundos para a segunda classificada. Os seus parciais por cada 5 km foram de 24.01, 23.54, 23.50, 23.45, 23.44, 23.33 e 23.04. A estrear-se na distância, Mara Ribeiro, de 22 anos (SL Benfica), obteve a segunda posição, com 3.02.29. Ambas as atletas obtiveram a qualificação (3.05.30) para os 50 km femininos do mundial de seleções de Taicang. Enquanto a terceira atleta a cortar a meta foi a espanhola María Dolores Marcos Valero, com 3.10.14, melhor marca nacional (antes 3.13.22, t.p. em Naumburg-2017) a terceira dos campeonatos foi Sandra Silva (CF Oliveira do Douro), a competir nos 50 km, com uma passagem de 3.28.21.

Disputaram-se ainda provas extra e de observação com escassa participação de atletas, realçando-se com o mais significativo desempenho a jovem leiriense, Joana Pontes, do Grupo de Amigos dos Casais do Vento, com 50.27 nos 10 km sub-20, marca de qualificação para o mundial de seleções em Taicang e ainda para o Campeonato do Mundo da categoria marcado para Tampere, Finlândia.

Classificações
35 km femininos
1.ª, Inês Henriques (CN Rio Maior), 2.45.51
2.ª, Mara Ribeiro (SL Benfica), 3.02.29
3.ª, María Dolores Marcos Valero (Millennium Torrevieja/ESP), 3.10.14 – extra
4.ª, Sandra Silva (CF Oliveira do Douro), 3.28.21 (tempo de passagem)

35 km masculinos (em atualização)!
1.º, João Vieira (Sporting CP), 2.38.18
2.º, Miguel Carvalho (SL Benfica), 2.41.36
3.º, Miguel Rodrigues (SL Benfica), 2.43.39 – 1.º sub-23
4.º, Pedro Isidro (SL Benfica), 2.49.37 (tempo de passagem)
5.º, Rui Coelho (CA Seia), 2.57.15
6.º, Pedro Martins (CA Seia), 3.02.26
7.º, Cristiano António (J Vidigalense), 3.04.53 (tempo de passagem)
8.º, Vítor Cabral (CF Oliveira do Douro), 3.12.16 – 2.º sub-23
9.º, Luís Silva (Leiria MAC), 3.14.36 (tempo de passagem)
10.º, Jonathan Hobbs (Ashford AC/GBR), 3.14.42 – extra (tempo de passagem)
11.º, Manuel Marques (CF Oliveira do Douro), 3.18.05
12.º, Henrique Santos (GD Diana), 3.23.29 (tempo de passagem)
13.º, Luís Sousa (SUOVais), 3.26.43
14.º, Luís Bidarra (CA Seia), 3.29.10
Desclassificado: Hélder Santos (Leiria MAC).
Desistentes: Amaro Teixeira (CAS), Ricardo Santos (GDP Chão Duro), Marco Amaral (J Ilha Verde) e Sérgio Vieira (SL Benfica).

Fonte dos resultados: FPA

Classificações completas, aqui.

Pedro Isidro e Sandra Silva são campeões de Portugal de 50 km marcha

As chegadas dos 50 km, com Pedro Isidro e Sandra Silva.
Fotos: Erica Dias/O Marchador
O olímpico Pedro Isidro, do Sport Lisboa e Benfica, e a internacional veterana Sandra Silva (W40), do Clube de Futebol de Oliveira do Douro, sagraram-se em 2018, e pela primeira vez nas suas carreiras, campeões de Portugal dos 50 km por ocasião dos campeonatos de estrada realizados ontem, domingo (7 Jan.), numa fria manhã na vila de Porto de Mós.

Pedro Isidro, que minutos antes da prova se iniciar soube de alteração regulamentar feita pela FPA escassos dias antes dos campeonatos, situação desconhecida da maioria dos participantes, viu-se na obrigação de concluir a distância maior (estava também inscrito para os 35 km) sendo cronometrado à chegada em 4.11.25. Registou 1.59.44 e 2.11.41 em cada metade da prova, sendo que no trajeto para o título nacional teve vários percalços físicos entre os quais paragens para vomitar que lhe custaram quase 3 minutos à marca final.

O pódio masculino ficou completo com Cristiano António (J Vidigalense), com 4.39.56 (2.10.44 e 2.29.12 em cada 25 km), que melhorou o 3.º lugar de Quarteira-2014, e Luís Silva, M45 (Leiria MAC), com 4.44.11 (2.18.48 – 2.25.23), que repetiu o 3.º lugar de Viana do Castelo-2006.

Mais 2 atletas concluíram a prova: o britânico Jonathan Hobbs, de 24 anos de idade, com um recorde pessoal de 4.45.05 (antes, 4.51.51 em 2016), e Henrique Santos, M50 (GD Diana), com 4.57.29.

Já nos femininos, com Sandra Silva a ser a única marchadora a aventurar-se na distância, terminou-a com 5.08.13, com os primeiros 25 km a serem cumpridos em 2.27.57 e a segunda metade com mais dificuldade, em 2.40.16, porventura adiando para uma próxima oportunidade o objetivo de baixar das 5 horas.

De enaltecer o envolvimento do município de Porto de Mós na organização do evento bem como a dinâmica locução a cargo da ADAL.

Classificações
50 km femininos
1.ª, Sandra Silva (CF Oliveira do Douro), 5.08.13

50 km masculinos
1.º, Pedro Isidro (SL Benfica), 4.11.25
2.º, Cristiano António (J Vidigalense), 4.39.56
3.º, Luís Silva (Leiria MAC), 4.44.11
4.º, Jonathan Hobbs (Ashford AC/GBR), 4.45.05 – extra
5.º, Henrique Santos (GD Diana), 4.57.29
Desistentes: Amaro Teixeira (CAS), Ricardo Santos (GDP Chão Duro), Marco Amaral (J Ilha Verde) e Pedro Santos (MC Vila Chã).

domingo, 7 de janeiro de 2018

Os 35 km e 50 km marcha (femininos) dos Campeonatos de Portugal de estrada

Inês Henriques nos 50 km de Porto de Mós-2017.
Foto: Pedro Isidro
Na prova dos 35 km, Inês Henriques (CN Rio Maior) assume claramente a posição de favorita à conquista de mais um título nacional na distância, que recentemente foi introduzida pela FPA nos seus campeonatos, mas que, a nosso ver, existindo já a prova dos 50 km femininos, deveria ser esta a grande prioridade do organismo federativo num momento em que se analisa a possibilidade de introdução na distância nos próximos Jogos Olímpicos e onde Portugal poderá (ou poderia) acalentar aspirações a medalha. 

Inês Henriques optará pelos 35 km de modo – segundo afirmou - a preservar-se para futuros desafios na distância de 50 km marcha. Recorde-se que a atleta de Rio Maior vai competir a 5 de maio na prova dos 50 km do Campeonato do Mundo de Seleções, que terá lugar em Taicang, na China, e a 7 de agosto, também nos 50 km, nos Campeonatos Europeus de Atletismo, que se realizarão em Berlim, partindo para ambos os objetivos com pretensões de medalha.

Além de Inês Henriques (campeã nacional na distância), que pretende bater a melhor marca nacional, que pertence a ela própria com o tempo de 2:50:09 (na lista de recordes nacionais publicados pela FPA são apenas reconhecidos os dos 10.000 m marcha, em pista, e os 20 e 50 km marcha), pautando um ritmo que lhe ateste a possibilidade de - em maio próximo - melhorar a sua marca nos 50 km, dizíamos, além da rio-maiorense, teremos ainda Mara Ribeiro (SL Benfica), em estreia na distância, Sandra Silva (CF Oliveira do Douro), e a espanhola Maria Dolores Marco Valero, recordista do seu país nos 50 km (4:48:26) e que em Porto de Mós testará o seu nível de preparação com vista à participação nos Campeonatos de Espanha de 50 km que terão lugar, pela primeira vez, a 25 de fevereiro próximo, em Burjassot (Valência).

Na prova dos 50 km, a única atleta inscrita é Sandra Silva, atleta do Clube de Futebol de Oliveira do Douro. Foi vice-campeã nacional nos campeonatos de 35 km do ano passado (3:20:07), e estreia-se nos 50 km, pretendendo, naturalmente, suceder a Inês Henriques como campeã nacional. Note-se que a FPA não determinou qualquer marca mínima de acesso aos 50 km femininos dos Europeus de Berlim. A Associação Europeia de Atletismo fixou os seguintes mínimos, de resto, secundados por algumas federações nacionais: 4:50:00 ou 1:39:00 nos 20 km.

As 10 melhores atletas mundiais do ano de 2017 nos 50 km marcha:

4.05.56 – Inês Henriques, 1980 (Portugal), Londres (GBR), 13/08 (*)
4.08.58 – Hang Yin, 1997 (China), Londres (GBR), 13/08
4.15.42 – Mayra Herrera, 1988 (Guatemala), Owego, NY (EUA), 09/09
4.20.49 – Shuqing Yang, 1996 (China), Londres (GBR), 13/08
4.21.51 – Katie Burnett, 1988 (EUA), Londres (GBR), 13/08
4.29.33 – Erin Taylor-Talcott, 1978 (EUA), Santee, CA (EUA), 28/01
4.32.14 – Shanshan Jiang, 1997 (CHN), Huangshan (CHN), 05/03
4.32.14 – Khrystina Yudkina, 1984 (UKR), Ivano-Frankivsk (UKR), 15/10
4.34.49 – Kseniya Radko, 1994 (UKR), Ivano-Frankivsk (UKR), 15/10
4.36.40 – Lixue Wang, 1996 (CHN), Huangshan (CHN), 05/03
(*) Recorde do Mundo

sábado, 6 de janeiro de 2018

Os 35 km e 50 km (masculinos) dos Campeonatos de Portugal de estrada

Ponte de Sor-2000: os polacos Robert Korzeniowski (dorsal 349)
e Roman Magdziarczyk (351) e, ao centro, o alemão Nischan
Daimer (353). Fotomontagem: O Marchador
Na prova dos 35 km, o olímpico João Vieira (Sporting), bicampeão nacional na distância, apresenta-se como o principal candidato á vitória numa prova à qual inscreverem-se 23 atletas, entre os quais os também olímpicos Pedro Isidro (Benfica), Pedro Martins (CA Seia), Miguel Carvalho (Benfica) e Sérgio Vieira (Benfica). Não se compreende o motivo da realização desta prova, conjuntamente com a dos 50 km, dispersando claramente a concorrência. Os Campeonatos de Portugal de 35 km marcha foram criados há cerca de ano e meio tendo em conta a extinção (revelar-se-ia momentânea), da prova olímpica dos 50 km marcha do programa dos campeonatos, em 2016.

Dos 11 atletas inscritos para a edição n.º 33 dos Campeonatos de Portugal de Estrada de 50 km marcha masculinos, que vão ter lugar no dia de amanhã, em Porto de Mós, Pedro Isidro (Benfica), com a marca de 3:55:44, obtida nos Mundiais de Pequim, em 2015, é o detentor da melhor marca de quantos inscreveram-se para a prova. Participou nos Jogos Olímpicos de Londres’2012 e do Rio de Janeiro’2016. Em 2017 foi 8.º classificado nos 50 km da Taça da Europa de Marcha de Podebrady.

Dos outros atletas portugueses que participarão nos 50 km, destaca-se, ainda, a presença de Amaro Teixeira (CA Seia), atual campeão nacional da distância, e do internacional Dionísio Ventura (CA Tunes), campeão nacional nas edições de 2009 (Gaia) e 2010 (Olhão).

Dos estrangeiros, saliente-se a presença do italiano Gregorio Angelini (sub-23) que no ano passado, em Porto de Mós, obteve um recorde pessoal de 4:08:22, e do inglês Jonathan Hobbs que nos campeonatos britânicos de 50 km marcha de 2014 tornou-se, aos 21 anos de idade, no mais jovem marchador a sagrar-se campeão do seu país, em 84 anos de história.

A edição dos campeonatos de Ponte de Sor, em 2000, mantém-se como a que maior número de atletas registou – 19, tendo contado na ocasião com a presença da seleção polaca que estagiava no Algarve, liderada por Robert Korzeniowski, tetracampeão olímpico e que então registou o melhor tempo na distância alguma vez realizado em solo nacional, bem como de atletas alemães e ingleses.

As 10 melhores marcas realizadas em Campeonatos de Portugal:

3.41.50 Robert Korzeniowski, Polónia, Ponte de Sor-2000
3.45.17 João Vieira, SCP, Pontevedra-2012 (*)
3.52.00 João Vieira, CNRM, Beja-2004
3.52.35 João Vieira, CNRM, Mealhada-2008
3.52.43 José Pinto, CFB, Viseu-1989
3.55.08 Tim Berrett, Canadá, Ferreira do Alentejo-2007
3.55.13 Claudio Villanueva, Espanha, Montijo-2013
3.55.54 Pedro Martins, CAS, Viseu-2001
3.55.55 Pedro Martins, CAS, Ponte de Sor-2000
3.56.14 Jorge Costa, CTT Faro, Viseu-2001
 (*) Recorde de Portugal

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Eduard Zabuzhenko e Alina Tsviliy vencem Troféu «Vladimir Golubnichy»

As principais provas e os jovens em destaque em Sumy.
Fotos: Flaso Sumy. Montagem: O Marchador
A tradicional Taça de Inverno, também designada por Troféu «Vladimir Golubnichy», realizada na pista coberta de Sumy, na Ucrânia (23 Dez.), teve como vencedores das principais provas de 5.000 metros os representantes do distrito de Kievska, Eduard Zabuzhenko, nos masculinos, e Alina Cviliy, nos femininos.

Eduard Zabuzhenko, décimo classificado nos 10 km sub-20 da Taça da Europa de Marcha de Podebrday-2017, e que em Abril próximo completará 20 anos de idade, venceu em termos absolutos com um recorde pessoal de 20.02,0, distanciando 5 segundos do credenciado Andriy Kovenko (20.07,0), marchador de 44 anos de Vinnicka. Na terceira posição entraram com o mesmo tempo de 20.17,0, Andriy Hrechkovskyy (Kievska) e o sub-23 Oleh Svystun (Sumska).

Alina Tsviliy, quarta classificada nos mundiais de sub-18 em Lille-2011 com um registo de 22.12,47 que é ainda o seu recorde pessoal, venceu em Sumy com 23.42,0, à frente de Marianna Honcharova (23.56,0) e de Yuliya Balym, sub-23 (24.13,0), ambas de Sumska. Na quarta posição da geral e primeira sub-20 entrou Iryna Chernukha (Hmelnicka, 24.48,0).

De entre os participantes nas provas para os mais jovens, destaque-se nos 2.000 metros femininos sub-14, Valeriya Sholomitska, com 9.49,9, e Yuliya Petryk, com 9.59,2, ambas de Volinska, e nos 3.000 metros masculinos sub-16, Taras Koretskyy (Volinska), com 13.40,1, e Oleksandr Mytsyk (Zhitomirska), com 13.51,3.

A edição deste ano contou com a participação de 104 atletas de 10 regiões da Ucrânia, tendo havido inovação no sistema de cronometragem através da utilização de «chips».

Colaboração: Kristina Saltanovic

Principais classificações
5.000 m masculinos - geral
1.º, Eduard Zabuzhenko, 1998 (Kievska), 20.02,0 - 1.º, sub-20
2.º, Andriy Kovenko, 1973 (Vinnicka), 20.07,0
3.º, Andriy Hrechkovskyy, 1993 (Kievska), 20.17,0
3.º, Oleh Svystun, 1997 (Sumska), 20.17,0 - 1.º, sub-23
4.º, Viktor Kononenko, 1999 (Harkivska), 20.56,0 - 2.º, sub-20
5.º, Oleksiy Shelest, 1973 (Sumska), 21.28,0
6.º, Ihor Honcharenko, 2000 (Sumska), 22.53,0 - 1.º, sub-18
7.º, Anton Kravchenko, 1999 (Sumska), 23.00,0 - 3.º, sub-20
8.º, Vladyslav Biryukov, 2000 (Harkivska), 23.04,0 - 2.º, sub-18
9.º, Stepan Pasichnyy, 1998 (Ivano-Frankivska), 23.11,0 - 4.º, sub-20
10.º, Dmytro Medvedyuk, 2000 (Volinska), 23.39,0 - 3.º, sub-18
11.º, Ihor Polyak, 2000 (Kievska), 25.00,0 - 4.º, sub-18
12.º, Maksym Voronin, 2000 (Sumska), 25.21,0 - 5.º, sub-18
13.º, Oleh Dzyon, 1999 (Ivano-Frankivska), 25.55,0 - 5.º, sub-20
14.º, Eduard Pylypchenko, 2001 (Hersonska), 27.38,0 - 6.º, sub-18
15.º, Oleksandr Shpetnyy, 2001 (Sumska), 27.53,0 - 7.º, sub-18

5.000 m femininos - geral
1.ª, Alina Tsviliy, 1994 (Kievska), 23.42,0
2.ª, Marianna Honcharova, 1986 (Sumska), 23.56,0
3.ª, Yuliya Balym, 1997 (Sumska), 24.13,0 - 1.ª, sub-23
4.ª, Iryna Chernukha, 1998 (Hmelnicka), 24.48,0 - 1.ª, sub-20
5.ª, Yana Faryna, 1999 (Volinska), 25.14,0 - 2.ª, sub-20
6.ª, Kseniya Byelova, 1998 (Sumska), 25.14,0 - 3.ª, sub-20
7.ª, Mariia Shved, 1996 (Zhitomirska), 26.36,0 - 2.ª, sub-23
8.ª, Viktoriya Pchelintseva, 1997 (Ivano-Frankivska), 26.57,0 - 3.ª, sub-23
9.ª, Mariya Hudachok, 1996 (Zakarpatska), 27.29,0 - 4.ª, sub-23
10.ª, Diana Danylyuk, 1998 (Kievska), 28.22,0 - 4.ª, sub-20
11.ª, Tetiana Budko, 1999 (Sumska), 29.57,0 - 5.ª, sub-20

Campeonatos de Portugal de 35 e 50 km Marcha, este domingo

Parte do cartaz do evento este ano em Porto de Mós.
Porto de Mós, no distrito de Leiria, vai receber, pelo segundo ano consecutivo, os Campeonatos de Portugal de 35 e 50 km marcha (estrada), num circuito de um quilómetro, desenhado no centro da vila. O evento terá lugar este domingo (dia 7 de Janeiro), a partir das 9:00 horas, percorrendo os marchadores as avenidas da Igreja e de S. Pedro e o Largo do Rossio.

Os Campeonatos de Portugal de 35 km são de criação recente. Propostos pela FPA, foram aprovados em Assembleia Geral de Associações há cerca de ano e meio. A primeira edição da prova teve lugar em 2016 (apenas para o setor masculino), com o triunfo de João Vieira, com o tempo de 2:37:59, que revalidaria o título em 2017 (2:38:40). Neste ano, realizou-se pela primeira vez a distância no setor feminino com a vitória de Inês Henriques, no tempo de 2:50:09.

Os Campeonatos de Portugal de 50 km masculinos, que tiveram a sua edição inaugural no ano de 1985, em Lisboa (na zona de Belém), vão para a sua 33.ª edição tendo tido uma interrupção quando a FPA decidiu lamentavelmente pela sua não realização em 2016. São 9 os atletas que conquistaram títulos nacionais: Pedro Martins (8 títulos), em 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2005 e 2015, José Pinto (6), em 1985, 1987, 1989, 1990, 1991 e 1993, José Magalhães (4), em 1988, 1994, 1995 e 1996, João Vieira (3), em 2004, 2008 e 2012, Dionísio Ventura (3), em 2006, 2009 e 2010, José Urbano (2), em 1992 e 1997, Jorge Costa (2), em 2007 e 2011, Luís Gil (2), em 2013 e 2014, e Amaro Teixeira (1), em 2017. A edição feminina, disputada pela primeira vez no ano passado, foi vencida pela Inês Henriques que, como é do conhecimento geral, estabeleceria o primeiro recorde do mundo (oficial) na especialidade, com o tempo de 4:08:26.

João Vieira detém o recorde nacional dos 50 km marcha, com a marca de 3:45:17, realizada na edição ibérica dos campeonatos disputados fora do território nacional e que tiveram lugar na região galega de Pontevedra, em 2012. Desde a edição inaugural (1985) os campeonatos de 50 km marcha visitaram 12 distritos do país: Aveiro (6 edições), Setúbal (5), Porto (3), Viseu (3), Santarém (3), Lisboa (2), Beja (2), Algarve (2), Leiria (2), Portalegre (1), Viana do Castelo (1) e Castelo Branco (1).

Atletas inscritos e detalhes sobre o evento, aqui.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Melville e Gruttadauro vencem campeonatos de pista coberta dos E.U. América

As cerimónias de premiação dos campeonatos em Rochester.
Fotos: David Swarts - USA Race Walker
Montagem: O Marchador
Miranda Melville, da Sketchers Performance/New York AC, com 23.04,85, e Anthony Joseph Gruttadauro, do Shore Athletic Club, com 22.01,79, marcas parciais aos 5.000 metros obtidas em prova de 10.000 metros, sagraram-se campeões dos Estados Unidos da América de pista coberta, por ocasião dos campeonatos realizados dia 30 de Dezembro passado em Rochester, no estado de Nova Iorque. O canadiano Mathieu Bilodeau, da AA Sketchers, a participar extra-competição, foi o primeiro a cortar a meta na prova masculina, com 20.51,65.

Nos femininos, Melville, com liderança incontestada, passou aos 3.000 metros em 13.48,39, somando mais 9.16,46 até cruzar aos 5.000 metros que lhe conferia o título nacional. Prosseguiu até aos 10.000 metros para concluir a distância em 46.03,08, marca que é recorde nacional, registando na segunda metade da prova 22.58,23, ou seja, ainda melhor do que havia conseguido na primeira metade (23.04,85). As segunda e terceira posições do pódio foram ocupadas pelas marchadoras do Shore Athletic Club, a veterana W35 Erin Taylor-Talcott (25.29,96) e Chelsea Conway (26.06,50). Kayla Allen (LA Racewalkers, 26.25,88) obteve o título sub-20 e a veterana W65 Marianne Martino (High Altitude Racewalk Team) na passagem das 2 milhas bateu o recorde nacional da categoria com 20.27,6.

Nos masculinos, o «convidado» Bilodeau não contou com oposição na prova de 5.000 metros, registando 12.20,37 na passagem dos 3.000 metros. Já Gruttadauro, com 13.02,61 nos 3.000 metros e 22.01,79 nos 5.000 metros, evidenciou problemas físicos na continuação para os 10.000 metros, que terminou em 45.50,16, com 23.48,37 na segunda metade da prova. David Swarts, 1.º M50 (Pegasus Athletic Club, 23.48,78) e Logan Roberts, 1.º sub-20 (Thriller Track & Field, 25.47,62), foram os segundo e terceiro classificados absolutos dos campeonatos. Referência ainda para os recordes nacionais de veteranos na passagem das 2 milhas para Dave Talcott (Shore Athletic Club, M55, 18.01,7), Vince Peters (Chicago Walkers, M60, 19.58,9) e Joel Dubow (Atlanta Track Club, M70, 22.22,6).

Classificações
5.000 m femininos (t.p. 3.000 m / 10.000 m)
1.ª, Miranda Melville, 28 anos (Sketchers Perf./NY AC), 23.04,85 t.p. (13.48,39 / 46.03,08)
2.ª, Erin Taylor-Talcott, 39 anos (Shore Athletic Club), 25.29,96 - 1.ª, W35 (15.02,66)
3.ª, Chelsea Conway, 28 anos (Shore Athletic Club), 26.06,50 (15.32,97)
4.ª, Katie Miale, 20 anos (Marist College), 26.11,15 (15.32,51)
5.ª, Kayla Allen, 18 anos (LA Racewalkers), 26.25,88 - 1.ª, sub-20 (15.32,54)
6.ª, Kayla Shapiro, 18 anos (Walk USA), 26.44,22 - 2.ª, sub-20 (15.54,03)
7.ª, Rachel Zoyhofski, 26 anos (Individual), 27.32,41 (16.31,65)
8.ª, Marianne Martino, 67 anos (High Altitude RW Team), 32.02,67 - 1.ª, W65 (19.06,98)
9.ª, Amanda Schneider, 28 anos (extra - Ontario Racewalkers), 34.05,16 (20.26,76)
10.ª, Olivia Harbol, 20 anos (Buffalo State University), 35.08,24 (20.55,23)
11.ª, Nicky Slovitt, 57 anos (extra - Ontario Racewalkers), 35.17,86 (20.56,91)

5.000 m masculinos (t.p. 3.000 m / 10.000 m)
1.º, Mathieu Bilodeau, 34 anos (extra - AA Sketchers), 20.51,65 (12.20,37)
2.º, A.J. Gruttadauro, 20 anos (Shore Athletic Club), 22.01,79 t.p. (13.02,61 / 45.50,16)
3.º, David Swarts, 52 anos (Pegasus Athletic Club), 23.48,78 - 1.º, M50 (14.11,25)
4.º, Logan Roberts, 17 anos (Thriller Track & Field), 25.47,62 - 1.º, sub-20 (15.17,47)
5.º, Dan O'Brien, 52 anos (Pegasus Athletic Club), 26.51,42 - 2.º, M50 (15.59,34)
6.º, Dave Talcott, 57 anos (Shore Athletic Club), 28.17,88 - 1.º, M55 (16.46,52)
7.º, Benjamin Young, 26 anos (extra - Rochester, NY), 29.42,42 (17.26,18)
8.º, Vince Peters, 63 anos (Chicago Walkers), 31.41,53 - 1.º, M60 (18.36,43)
9.º, Thoreau Kilbourne, 17 anos (Ind. - North Carolina), 31.45,67 - 2.º, sub-20 (18.58,43)
10.º, Joel Dubow, 74 anos (Atlanta Track Club), 34.49,67 - 1.º, M70 (20.50,67)

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Hong Kong abre 2018 com provas de 50 km marcha

As cerimónias de premiação dos 50 km em Hong Kong.
Fotos: Hong Kong Racewalking Association
Montagem: O Marchador
Numa das primeiras competições da especialidade realizadas em 2018, após as festividades da passagem de mais um ano (a outra teve lugar em Tóquio), a Associação de Marcha Atlética de Hong Kong levou a efeito, no primeiro dia do ano novo, na Ilha de Stonecutters, provas de 5, 10, 20, 50 km  e as 6 horas marcha, num circuito de um quilómetro.

Os 50 km marcha foram destinados a homens e mulheres. No setor masculino (4 participantes), Peter James Back (Singapura) foi primeiro, concluindo com o tempo de 5:54:27, em segundo Walker Wong (Hong Kong), com 6:03:51, e em terceiro Can Wai-on (Hong Kong), com 6:22:25. O recorde de Hong Kong mantém-se na posse de Ken Cheung, com 5:03:23 (vencedor da edição de 2017).

No setor feminino, com a participação exclusiva de marchadoras de Hong Kong (5 atletas), Billie Kwok foi a vencedora com 6:14:06, Wendy Choi, a segunda com 6:24:18, e Linda Fung, a terceira com 6:28:31.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Matsunaga e Kumagai destacaram-se no Festival de Ano Novo do Japão

Imagens do evento em Tóquio no primeiro dia do ano.
Fotos enviadas por Tomoya Ishii
Montagem: O Marchador
A 66.ª edição do Festival Anual, que marcou a abertura da temporada de marcha atlética no Japão, teve lugar em Tóquio (mas ainda não no circuito dos Jogos Olímpicos de 2020, cujo Estádio está a ser construído) logo no primeiro dia do Ano Novo, com resultados de elevado nível técnico. A expressiva participação de marchadores nipónicos no evento – só na prova masculina dos 20 km compareceram à partida 94 atletas – dificilmente tem paralelo em outro país.

Nos 20 km masculinos, Daisuke Matsunaga impôs-se claramente e a uma distância considerável da concorrência ao triunfar com a bela marca de 1:20:12, melhor do que a que realizou nos Jogos do Rio, em 2016 (1:20:22) e que lhe valeu a sétima posição, mas, ainda assim, algo distante do “supersónico” recorde de 1:18:53, obtido a 20 de março de 2016, em Nomi. Kazuki Takahashi (1:23:45) e Hayato Sakakibara (1:25:03) preencheram os restantes lugares do pódio.

Nos 10 km femininos, que registou a participação de 38 atletas, a vitória foi alcançada por Nami Kumagai, com 46:24, seguida de Sunga Ching, de Hong Kong, com 46:55, e de Chiaki Asada, com 47:12.

Para o corrente ano, a Federação de Atletismo do Japão tem agendada a realização de quatro importantes eventos da especialidade, todos eles contando com a atuação (já habitual) de juízes internacionais de marcha do Painel da IAAF e que, segundo responsáveis da JAAF têm tido um papel importante no sucesso internacional – mais acentuado nos últimos dois anos – dos marchadores nipónicos. A 18 de fevereiro, em Kobe, disputa-se a 101.ª edição dos Nacionais de 20 km, a 18 de março, em Nomi, terão lugar os campeonatos asiáticos de 20 km e duas provas de 50 km, em abril, em Wajima, e em outubro, em Takahata, com a primeira edição dos campeonatos femininos na distância.

Colaboração: Tomoya Ishii

Classificações
20 km masculinos
1.º,  Daisuke Matsunaga, 1.20.12
2.º,  Kazuki Takahashi, 1.23.45
3.º,  Hayato Sakakibara, 1.25.03
4.º,  Yuki Onoue, 1.25.16
5.º,  Hitoshi Warita, 1.25.24
6.º,  Yutaro Murayama, 1.25.27
7.º,  Kyohei Dairaku, 1.25.35
8.º,  Yuya Suganami, 1.25.41
94 participantes, 15 desclassificados e 4 desistentes.

10 km femininos
1.ª,  Nami Kumagai, 46.24
2.ª,  Sunga Ching, 46.55
3.ª,  Chiaki Asada, 47.12
4.ª,  Yuki Yoshizumi, 47.13
5.ª,  Yukiho Mizoguchi, 48.01
6.ª,  Natsumi Kurahara, 48.05
7.ª,  Miyabi Kurihara, 48.13
8.ª,  Sae Matsumoto, 48.40
38 participantes

Resultados completos aqui.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Nos 40 anos de Yohann Diniz

Yohann Diniz sagrando-se campeão mundial em Londres-2017.
Fotos: RaceWalk Pictures/Philipp Pohle

Montagem: O Marchador
O campeão mundial dos 50 km marcha cumpre neste dia de ano novo o 40.º aniversário. Tendo sido uma das figuras de maior destaque no ano de 2017, pela expressiva vitória nos mundiais de Londres, Yohann Diniz entra em 2018 com a expectativa de mais uma época em pleno.

Em Londres, tudo correu bem a Diniz: a participação nos 50 km saldou-se finalmente pela conquista de uma medalha de ouro, com o consequente primeiro título de campeão do mundo, dez anos depois do segundo lugar conseguido nos mundiais de Ósaca (2007). Para trás ficavam desempenhos brilhantes em campeonatos europeus de atletismo (Diniz é campeão europeu de 50 km desde 2006), em taças da Europa de marcha, mas as participações em campeonatos do mundo tinham até agora terminado com desempenhos menos conseguidos.

Toda a prova de Londres foi uma demonstração de superioridade do marchador francês, que aos 39 anos se tornou o mais velho campeão mundial de atletismo, terminando a longa caminhada com nada menos que oito minutos e cinco segundos de vantagem sobre o fantástico japonês Hirooki Arai, que por dois segundos se impôs ao compatriota Kai Kobayashi na luta pela medalha de prata. Pouco faltou para que Diniz desse uma volta (dois quilómetros) de avanço aos colegas de pódio.

O comportamento competitivo de Yohann Diniz em Londres pode até considerar-se de certo modo displicente, uma vez que teve a oportunidade de bater o recorde mundial da distância, que lhe pertence desde 2014 (europeus de Zurique), com 3.32.33 h, mas preferiu entreter-se nos metros finais a atar uma bandeira gaulesa à volta do pescoço e a cumprimentar os espectadores próximos da linha de chegada. Consequência: ficou a 39 segundos do seu máximo mundial, facto que por um lado parece revelar desinteresse pela marca mas ao mesmo tempo demonstra a enorme qualidade do marchador nascido em Épernay, 30 km a sul de Reims e 140 km a leste de Paris).

Na celebração do 40.º aniversário, Yohann Diniz pode muito bem ter em vista a obtenção de um inusitado quarto título europeu consecutivo nos 50 km marcha. Depois de ter-se tornado o mais velho campeão do mundo de atletismo, com 39 anos, o francês está em linha para ser o mais velho campeão da Europa, assim os adversários estejam pelos ajustes.

«O Marchador» felicita Yohann Diniz pela brilhante época de 2017 e cumprimenta-o pelo aniversário que hoje assinala.

FELIZ 2018

 Fotos: Pinterest e «site» Berlin2018. Montagem: O Marchador

domingo, 31 de dezembro de 2017

50 km femininos, acontecimento internacional de 2017

As participantes nos 50 km de Londres-2017.
Fotos: RaceWalk Pictures/Philipp Pohle e Alamy
Montagem: O Marchador
O ano de 2017 ficará na história do atletismo como aquele em que homens e mulheres passaram a dispor nos programas dos campeonatos mundiais da modalidade do mesmo número de provas (24+24). Com a inclusão dos 50 km marcha femininos, a equiparação ficou consumada, ainda que com diferenças «de pormenor», como as alturas das barreiras, os pesos dos engenhos de lançamento e o número de eventos nas provas combinadas.

A propósito do assunto, muitas vozes surgiram a questionar se aquele era o momento adequado para que os 50 km marcha femininos fossem objeto de atribuição de um título de campeã mundial, notando que poucas mulheres têm experimentado a distância em competição, poucas provas de 50 km têm sido destinadas a mulheres e poucos países (provavelmente nenhum) atribuem títulos nacionais nessa distância para as mulheres.

Em sentido contrário houve quem aplaudisse a iniciativa da Associação Internacional de Federações de Atletismo (AIFA), vendo nela um passo no sentido do reconhecimento da igualdade de direitos, conferindo a uma parte da população atlética uma oportunidade de que dispunha apenas outra parte dessa população.

A decisão da AIFA foi anunciada pelo seu presidente, Sebastian Coe, que numa conferência de imprensa realizada a 23 de Julho, informou também sobre as condições em que as atletas interessadas poderiam ser inscritas e participar na prova em questão.

O momento da tomada de decisão pelo Conselho da AIFA e a forma que terá decorrido o processo que levou à inclusão dos 50 km femininos no programa dos mundiais de Londres foram aspectos criticados no plano internacional. Por um lado, não se compreendia que uma decisão desta importância fosse tomada e anunciada pouco mais de uma semana antes do início dos campeonatos na capital britânica, tendo as federações nacionais dois dias para inscrever eventuais interessadas. Por outro lado, estranhava-se a forma pouco clara como o processo tinha decorrido, resultando numa decisão de última hora que beneficiava claramente as envolvidas, em detrimento de outras potenciais interessadas, que, confrontadas com uma decisão em cima do momento, ficaram impedidas de preparar-se devidamente para uma competição que podia ter sido estabelecida como objectivo de uma época caso tivesse sido anunciada com a devida antecedência.

De pouco serviu Sebastian Coe ter esclarecido que a decisão do Conselho vinha na sequência da participação de uma atleta dos Estados Unidos (Erin Taylor-Talcott) na edição de 2016 dos Mundiais de Marcha por Selecções (em Roma) e ter reconhecido que se tratava de uma decisão de última hora, com base no pedido feito por um «pequeno grupo de atletas». No final, o que ficou foi um processo opaco, cujos pormenores só aos poucos foram sendo conhecidos.

Esta situação devia ter sido evitada, acabando por deixar uma nódoa numa decisão positiva, que veio equiparar o número de oportunidades de sucesso para homens e mulheres nos campeonatos do mundo de atletismo, abrindo caminho para que outros níveis do atletismo procedam de igual modo (competições continentais e nacionais e até Jogos Olímpicos).

O futuro dirá se o sector feminino adere ou não à distância longa de competição em marcha (é de admitir que sim) e dará a conhecer os verdadeiros contornos do processo que levou á decisão. Em todo o caso, para o bem e para o mal, a inclusão dos 50 km marcha femininos no programa dos campeonatos do mundo de atletismo foi o acontecimento internacional de 2017 no âmbito da marcha atlética.

sábado, 30 de dezembro de 2017

Desleixo federativo, acontecimento nacional de 2017

Pormenores dos campeonatos de 20 e 50 km.
Fotos: Município de Porto de Mós e Mário Pinho Rocha
Portugal conheceu no dia 15 de Janeiro de 2017 o primeiro recorde mundial oficial de marcha atlética obtido no seu território. Concretizando um objectivo divulgado com antecedência, Inês Henriques venceu nesse dia o campeonato nacional feminino de estrada de 50 km marcha, com a marca de 4.08.26 h.

O resultado obtido perfilava-se em excelentes condições para ser reconhecido como primeiro recorde mundial da distância para o sector feminino, no âmbito do processo desenvolvido com esse fim pela Associação Internacional de Federações de Atletismo (AIFA). Ao mesmo tempo, a marca poderia vir a permitir a participação nos mundiais de Londres, caso a distância viesse a ser integrada no programa desses campeonatos (como de facto aconteceu).

Menos de dois meses mais tarde, no dia 4 de Março, coube a São João da Madeira acolher outros campeonatos nacionais de marcha em estrada, neste caso na distância de 20 km. Aqui, o vencedor masculino (João Vieira, 1.23.46) ficou a escassos 46 segundos dos mínimos para Londres (mínimos FPA de 1.23.00, já que os mínimos internacionais de 1.24.00 foram superados por 14 segundos), enquanto as duas primeiras femininas (Ana Cabecinha, 1.32.14, e Inês Henriques, 1.32.28) superaram os mínimos femininos para os campeonatos do mundo (1.34.00).

Em ambos os casos (Porto de Mós e São João da Madeira) estavam reunidas algumas das condições regulamentares para a validação internacional das marcas que viessem a ser alcançadas: as medições dos circuitos estavam devidamente certificadas e os juízes de marcha presentes tinham a quantidade e a qualidade exigidas pela AIFA. No entanto, o procedimento administrativo prévio de pedido de registo das provas na lista de torneios aceites para o reconhecimento de mínimos para os mundiais de Londres não tinha sido desenvolvido pela FPA, como era seu dever.

Mais uma vez, a Federação Portuguesa de Atletismo não esteve à altura das responsabilidades que deve assumir em situações como as vividas em Porto de Mós e São João da Madeira, onde era previsível a obtenção de marcas relevantes (recordes ou mínimos), até porque em alguns casos constituíam objectivos previamente anunciados e para os quais deveriam ter sido reunidas as devidas condições.

A inacção da federação voltou a ser marca negativa, desconsiderando o esforço dos atletas e comprometendo o reconhecimento dos feitos alcançados ou que poderiam tê-lo sido. Basta lembrar que o sucesso de Inês Henriques nos 50 km, com a obtenção da marca que veio a ser reconhecida como primeiro recorde mundial feminino da distância, poderia ter ficado em perigo não só por não se ter garantido a presença na prova de atletas em quantidade mínima para efeito de validação de recorde mundial (regulamentação da federação internacional) mas também por falta de controlo de dopagem no local (a atleta acabou por deslocar-se horas depois a outro local para proceder ao indispensável controlo). E também não deve ser esquecido o grande empenho do município de Porto de Mós, dando um apoio a que a FPA, com as referidas falhas, não soube corresponder da forma mais adequada.

Por estes motivos, a incompetência da Federação Portuguesa de Atletismo foi o acontecimento nacional de 2017 no que se refere à marcha. E seria interessante saber que responsabilidades teriam sido assumidas caso a AIFA não tivesse validado (por incumprimentos administrativos da FPA) o recorde de Inês Henriques ou os mínimos das vintistas alcançados nos nacionais de 4 de Março.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Eider Arévalo, figura internacional de 2017

Eider Arévalo. Foto: IAAF/Getty Images
A marcha atlética sul-americana passou quase desapercebida no plano internacional até há pouco mais de duas décadas. Salvo raras excepções, os nomes mais destacados até esse momento foram os dos (muitos) irmãos Moreno, da Colômbia, que marcaram presença nas pistas e nos circuitos mundiais sobretudo nos anos 80 e início do 90, mas que se destacaram muito pouco fora do âmbito continental (sul-americano, pan-americano ou ibero-americano). Os feitos mais ressonantes da marcha da América do Sul chegaram já na segunda metade da década de 90, com os grandes desempenhos do extraordinário equatoriano Jefferson Pérez (campeão olímpico em Atlanta-1996 e vice-campeão em Pequim-2008, campeão do mundo em Paris-2003, Helsínquia-2005 e Ósaca-2007), complementados mais recentemente pelos do colombiano Luis López (campeão nos mundiais de Daegu-2011) e dos brasileiros Caio Bonfim (3.º nos mundiais de Londres-2017) e Érica de Sena (3.ª nos mundiais de seleções de Roma). Mas, em 2017, quem mais se destacou foi Eider Arévalo, que levou para a sua Colômbia natal o título de campeão do mundo dos 20 km, conquistado em Londres com a marca de 1.18.53 h, novo recorde nacional.

No percurso até ao sucesso na capital britânica, a 13 de Agosto, Arévalo cumpriu uma época bastante homogénea, tendo vencido todas as três provas do Challenge Mundial de Marcha em que tinha tomado parte: Ciudad Juárez (12 de Março), Rio Maior (1 de Abril) e Taça Pan-americana de Marcha (Lima, 13 de Maio). Considerando a etapa londrina do Challenge, Eider Arévalo contou, portanto, por vitórias todas as quatro presenças nas diferentes competições integradas no programa deste circuito mundial de marcha de 2017, que incluiu ainda provas na Austrália (Adelaide), no México (Monterrey), no Japão (Nomi), na China (Taicang), na República Checa (Podebrady) e em Espanha (Corunha).

Apesar de competir em «apenas» quatro das dez provas do total, Arévalo beneficiou do facto de obter só vitórias e sagrou-se vencedor do Challenge, com 36 pontos, bem adiante de outros dois sul-americanos, o brasileiro Caio Bonfim e o equatoriano Andrés Chocho, ambos com 25 pontos.

Pela regularidade da forma ao longo de meio ano consecutivo, pela valia dos resultados obtidos, pela qualidade dos adversários superados e ainda pela mentalidade ganhadora demonstrada ao longo da época, Eider Arévalo é a figura internacional da marcha em 2017. Só uma época como a de Arévalo lhe permitiria chegar ao fim da temporada e ser considerado melhor do que o francês Yohann Diniz, também campeão em Londres mas nos 50 km e com uma inimaginável margem superior a oito minutos sobre os colegas japoneses de pódio. O feito do gaulês ganha ainda mais expressão quando se tem em conta que, com 39 anos, Diniz se tornou assim o mais velho dos campeões mundiais de atletismo. Mas Eider Arévalo teve a vantagem de demonstrar grande nível ao longo de todo o ano e não apenas no auge da época.

Depois de ter sido campeão mundial de juniores em 2012 (Barcelona), ano em que ganhou também (pela segunda vez!) a prova de juniores da então chamada Taça do Mundo de Marcha, Arévalo perfila-se agora no panorama continental da disciplina como potencial sucessor de Jefferson Pérez como nome de grande prestígio no mundo da marcha. No entanto, nesse aspecto, terá ainda um longo caminho a percorrer, que os feitos de Pérez são dificilmente igualáveis. Mas... quem sabe? Por agora, o primeiro passo está dado.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Inês Henriques, figura nacional de 2017

Inês Henriques logo após cortar a meta nos mundiais de Londres.
Foto: Matthew Childs/Reuters
Estabeleceu o primeiro recorde mundial feminino oficialmente reconhecido para os 50 km marcha; sagrou-se primeira campeã do mundo da distância, com o segundo recorde mundial em meio ano; foi a portuguesa melhor posicionada na classificação final do Challenge Mundial de Marcha da AIFA de 2017; recebeu a medalha de excelência desportiva do Comité Olímpico de Portugal (a par do canoísta Fernando Pimenta), em reconhecimento pela excelência da época competitiva realizada - o ano não podia ter sido mais positivo para Inês Henriques, uma das figuras de maior prestígio da marcha atlética portuguesa, que a todos estes sucessos juntou invejáveis prémios monetários, de valor que dificilmente algum atleta português alguma vez terá conseguido, qualquer que fosse a sua disciplina.

No ano de maior protagonismo de sempre alcançado pela atleta do Clube de Natação de Rio Maior, Inês Henriques teve o reconhecimento que porventura lhe faltou ao longo de mais de vinte anos de actividade competitiva na marcha atlética. Pelo meio, sobretudo após o sucesso registado nos mundiais de Londres, não teve mãos a medir para os convites que lhe chegavam para entrevistas, homenagens, acontecimentos sociais, iniciativas solidárias e tantos outros eventos, catapultada pelo prestígio granjeado pelo mediatismo do feito londrino.

A abrir o ano, a 15 de Janeiro, Inês Henriques obteve em Porto de Mós, durante os Campeonatos de Portugal de Marcha em estrada, a marca de 4.08.26 h, superando o tempo mínimo que a AIFA estabelecia para reconhecer um recorde mundial nos 50 km marcha femininos (4.30 h) e obtendo um resultado de maior valia que a melhor marca conhecida na distância, espécie de recorde oficioso, da sueca Monica Svensson (4.10.59, em 2007). Nesse mesmo dia e nessa mesma prova, a atleta de Rio Maior conquistou não só o título nacional da distância longa como também o título de campeã nos 35 km, distância intermédia em que a Federação Portuguesa de Atletismo igualmente atribuía título de campeão masculino e feminino.

Em 1 de Abril, no decorrer do 26.º Grande Prémio Internacional de Rio Maior em Marcha Atlética, Inês Henriques obteria a 100.ª marca pessoal nos 20 km abaixo de 1.40 h. Viria depois a confirmação da realização da prova de 50 km para senhoras nos mundiais de Londres e a consequente participação de uma Inês Henriques em forma e esmagadora perante a concorrência.

Perante este desempenho, Inês Henriques é a figura nacional da marcha atlética de 2017.