quinta-feira, 24 de julho de 2014

Anežka Drahotová com recorde e título mundiais em Eugene

A partida da prova e Anežka Drahotová em grande destaque.
Fotos: Universal Sports e IAAF/Getty Images
Montagem: O Marchador
A checa Anežka Drahotová estabeleceu esta quarta-feira um novo máximo mundial de juniores femininos dos 10 mil metros marcha ao vencer em Eugene a final da distância na segunda jornada dos Campeonatos Mundiais de Atletismo para Juniores, que decorrem naquela cidade dos Estados Unidos até domingo. Drahotová registou 42.47,25 m e superou a marca obtida pela russa Elena Lashmanova a 21 Julho de 2011, durante os Campeonatos da Europa de Juniores de Tallinn (Estónia), então com 42.59,48 m. Como é lógico, o registo de Drahotová supera igualmente o recorde dos campeonatos, que estava na posse da também russa Tatyana Mineeva, com 43.24,72 m, a marca com que em 2008 se sagrou campeã do mundo da categoria na cidade polaca de Bydgoszcz. De notar que tanto Lashmanova como Mineeva, as autoras das marcas agora batidas por Drahotová, foram posteriormente suspensas por dois anos devido a dopagem.

Anežka Drahotová assumiu a liderança da prova desde a partida, tendo nos primeiros quatro quilómetros a companhia da russa Oksana Golyatkina, com quem há um ano, em Rieti (Itália), disputou até final a vitória nos europeus de juniores. Desta vez, a russa resistiu apenas dez das 25 voltas, acabando desclassificada ainda antes de metade da competição.

Com a primeira légua cumprida por Drahotová em 21.21,15 m, posicionavam-se a seguir as chinesas Na Wang e Yuanyuan Ni, a espanhola Laura García-Caro e a segunda russa, Olga Shargina, formando um pequeno grupo. A checa foi aumentando de forma gradual a vantagem sobre as perseguidoras e, depois dos oito quilómetros, García-Caro atrasou-se das três colegas de grupo, que logo a seguir iriam reduzir-se a Shargina e Na Wang.

As medalhas pareciam atribuídas mas a prova ainda conheceria desenvolvimentos importantes, com o ataque de Shargina antes de entrar na volta final. Enquanto Anežka Drahotová terminava destacadíssima com 42.47,25 m (12 segundos tirados ao recorde de Lashmanova), Shargina era a segunda na meta, mas seria de imediato informada de que tinha sido desclassificada. Era o golpe de misericórdia nas aspirações da equipa russa, que assim registava um invulgar «zero» em provas de marcha de mundiais de juniores.

Ficavam então as medalhas de prata e bronze para, respectivamente, Na Wang (44.02,64) e Yuanyuan Ni (44.16,72), ambas com recordes pessoais, acabando Laura García-Caro à porta do pódio, com um novo recorde espanhol de juniores de 44.32,84 m. Completando um magnífico desempenho das duas atletas do país vizinho, María Pérez chegava na quinta posição, ainda abaixo do 45 minutos (44.57,30).

No final, a vencedora manifestava-se satisfeita com a competição e não muito surpreendida pelo recorde mundial. «Estou mesmo contente. Treinei-me de maneira muito empenhada para estes campeonatos e gostei muito da prova», declarou, acrescentando: «Não tive este ano oportunidade de competir em pista, mas não vou dizer que este recorde me surpreendeu. Mesmo assim, a prioridade era ganhar a prova. Vou comemorar, no entanto... talvez vá amanhã aos 3000 m obstáculos.»

Ainda que noutro nível competitivo, foi também muito bom o desempenho das duas representantes de Portugal, ambas registando bons progressos nos respectivos recordes pessoais. Mara Ribeiro concluiu na 16.ª posição, com 47.48,33 m (antes, 48.07,88, de 2013), retirando quase vinte segundos ao máximo pessoal. Sete lugares depois chegava Mariana Mota, com um salto ainda maior no recorde pessoal: marcou 49.07,82 m, contra os anteriores 50.05 em estrada (Taça do Mundo de Taicang, 2014) e 50.11,41 m em pista (no início deste mês, nos nacionais de juniores).

Pode, por isso, considerar-se que o saldo da presença portuguesa nesta prova foi muito positivo, não podendo haver melhor forma de honrar uma chamada à selecção nacional do que superar (e pelas diferenças verificadas!) as melhores marcas conseguidas anteriormente.

Numa prova muito rápida, para além do recorde checo de Drahotová, assinale-se os recordes nacionais de Espanha, Bolívia, Peru, Equador e Guatemala – curiosamente, todos países de língua espanhola –, com nada menos que 29 recordes pessoais em 32 atletas classificadas, a que se juntaram quatro desclassificações e uma desistência.

Todas as nove primeiras classificadas integram agora a lista das dez melhores juniores mundiais do ano na distância, onde apenas a sétima colocada não melhorou em Eugene a marca pessoal do ano - a bielorrussa Viktoryia Rashchupkina, por sinal décima classificada nestes mundiais e que à partida detinha a liderança mundial da distância em pista.

Apenas mais uma nota curiosa: das 37 atletas que alinharam à partida, seis formavam três pares de gémeas (16,2%) - as checas Anežka e Eliška Drahotová, as lituanas Živilé e Monika Vaiciukeviciuté e as casaques Diana e Dana Aydosova.

Para verificação do ritmo da vencedora quilómetro a quilómetro, aqui ficam os registos parciais: 4.24,56 - 4.14,90 - 4.11,21 - 4.13,67 - 4.16,81 (1.ºs 5.000 m em 21.21,15) - 4.18,51 - 4.17,37 - 4.20,90 - 4.18,52 - 4.10,80 (2.ºs 5.000 m em 21.26,10).

Classificação
10.000 metros femininos
1.ª, Anežka Drahotová (República Checa), 42.47,25
2.ª, Na Wang (China), 44.02,64
3.ª, Yuanyuan Ni (China), 44.16,72
4.ª, Laura García-Caro (Espanha), 44.32,84
5.ª, María Pérez (Espanha), 44.57,30
6.ª, Rena Goto (Japão), 45.54,07
7.ª, Kana Minemura (Japão), 46.22,88
8.ª, Stefany Coronado (Bolívia), 46.42,06
9.ª, Jéssica Hancco (Peru), 46.47,31
10.ª, Viktoryia Rashchupkina (Bielorrússia), 47.00,30
11.ª, Katarzyna Zdzieblo (Polónia), 47.10,01
12.ª, Živilé Vaiciukeviciuté (Lituânia), 47.19,80
13.ª, Eleonora Dominici (Itália), 47.24,48
14.ª, Nicole Colombi (Itália), 47.38,82
15.ª, Mihaela Acatrinei (Roménia), 47.47,64
16.ª, Mara Ribeiro (Portugal), 47.48,33
17.ª, Karla Jaramillo (Equador), 47.59,90
18.ª, Tayla-Paige Billington (Austrália), 48.40,01
19.ª, Ganna Suslyk (Ucrânia), 48.48,46
20.ª, Monika Vaiciukeviciuté (Lituânia), 48.50,07
21.ª, Anel Oosthuizen (África do Sul), 48.55,26
22.ª, Carmen Bianca Molnar (Roménia), 49.06,42
23.ª, Mariana Mota (Portugal), 49.07,82
24.ª, Sonia Irene Barrondo (Guatemala), 49.15,32
25.ª, María Guadalupe Sánchez (México), 49.47,04
26.ª, Diana Aydosova (Casaquistão), 49.50,28
27.ª, Da-Seul Lee (Coreia do Sul), 49.50,90
28.ª, Monika Hornáková (Eslováquia), 49.52,26
29.ª, Rita Récsei (Hungria), 50.31,88
30.ª, Daniela Pastrana (Colômbia), 51.04,22
31.ª, Dana Aydosova (Casaquistão), 51.09,74
32.ª, Katharine Newhoff (E.U. América), 51.40,42
Desclassificadas: Jasmine Dighton (Austrália), Oksana Golyatkina (Rússia), Eliška Drahotová (República Checa) e Olga Shargina (Rússia).
Desistente: Derya Karakurt (Turquia).

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Anežka Drahotová bate recorde mundial em Eugene

Anežka Drahotová a nova recordista mundial júnior.
Foto: Jan Kucharcik
A checa Anežka Drahotová estabeleceu esta quarta-feira um novo máximo mundial de juniores femininos dos 10 mil metros marcha ao vencer em Eugene a final da distância na segunda jornada dos Campeonatos Mundiais de Atletismo para Juniores, que decorre naquela cidade dos Estados Unidos até domingo. Drahotová registou 42.47,25 m e superou a marca obtida pela russa Elena Lashmanova a 21 Julho de 2011, durante os Campeonatos da Europa de Juniores de Tallinn (Estónia), então com 42.59,48 m. Como é lógico, o registo de Drahotová supera igualmente o recorde dos campeonatos, que estava na posse da também russa Tatyana Mineeva, com 43.24,72 m, a marca com que em 2008 se sagrou campeã do mundo da categoria na cidade polaca de Bydgoszcz.

Anežka Drahotová assumiu a liderança da prova desde a partida, tendo nos primeiros quatro quilómetros a companhia da russa Oksana Golyatkina, com quem há um ano, em Rieti (Itália), disputou até final a vitória nos europeus de juniores. Desta vez, a russa resistiu apenas dez das 25 voltas, acabando desclassificada ainda antes de metade da competição.

Com a primeira légua cumprida por Drahotová em 21.21,15 m, posicionavam-se a seguir as chinesas Na Wang e Yuanyuan Ni, a espanhola Laura García-Caro e a segunda russa, Olga Shargina. A checa foi aumentando de forma gradual a vantagem sobre as perseguidoras e, depois dos oito quilómetros, García-Caro atrasou-se das três colegas de grupo, que logo a seguir iriam reduzir-se a Shargina e Na Wang.

As medalhas pareciam atribuídas mas a prova ainda conheceria desenvolvimentos importantes, com o ataque de Shargina antes de entrar na volta final. Enquanto Anežka Drahotová terminava destacadíssima com 42.47,25 m (12 segundos tirados ao recorde de Lashmanova), Shargina era a segunda na meta, mas seria de imediato informada de que tinha sido desclassificada. Era o golpe de misericórdia nas aspirações da equipa russa, que assim registava um invulgar «zero» em provas de marcha de mundiais de juniores.

Ficavam então as medalhas de prata e bronze para Na Wang (44.02,64) e Yuanyuan Ni (44.16,72), respectivamente, ambas com recordes pessoais, acabando Laura García-Caro à porta do pódio, com um novo recorde espanhol de juniores de 44.32,84 m. Completando um magnífico desempenho das duas atletas do país vizinho, María Pérez chegava na quinta posição, ainda abaixo do 45 minutos (44.57,30).

No final, a vencedora manifestava-se satisfeita com a competição e não muito surpreendida pelo recorde mundial. «Estou mesmo contente. Treinei-me de maneira muito empenhada para estes campeonatos e gostei muito da prova», declarou, acrescentando: «Não tive este ano oportunidade de competir em pista, mas não vou dizer que este recorde me surpreendeu. Mesmo assim, a prioridade era ganhar a prova. Vou comemorar, no entanto... talvez vá amanhã aos 3000 m obstáculos.»

Numa prova muito rápida, para além do recorde checo de Drahotová, assinale-se os recordes nacionais de Espanha, Bolívia, Peru, Equador e Guatemala – todos países de língua espanhola – com nada menos que 29 recordes pessoais em 32 atletas classificadas, a que se juntaram quatro desclassificações e uma desistência.

Todas as nove primeiras integram agora a lista das dez melhores juniores mundiais do ano da distância, onde apenas a sétima colocada não melhorou em Eugene a marca pessoal do ano – a bielorrussa Viktoryia Rashchupkina, por sinal décima classificada nestes campeonatos do mundo e que à partida detinha a liderança mundial da distância em pista.

[texto em actualização]

Classificação
10.000 metros femininos
1.ª, Anežka Drahotová (República Checa), 42.47,25
2.ª, Na Wang (China), 44.02,64
3.ª, Yuanyuan Ni (China), 44.16,72
4.ª, Laura García-Caro (Espanha), 44.32,84
5.ª, María Pérez (Espanha), 44.57,30
6.ª, Rena Goto (Japão), 45.54,07
7.ª, Kana Minemura (Japão), 46.22,88
8.ª, Stefany Coronado (Bolívia), 46.42,06
9.ª, Jéssica Hancco (Peru), 46.47,31
10.ª, Viktoryia Rashchupkina (Bielorrússia), 47.00,30
11.ª, Katarzyna Zdzieblo (Polónia), 47.10,01
12.ª, Živilé Vaiciukeviciuté (Lituânia), 47.19,80
13.ª, Eleonora Dominici (Itália), 47.24,48
14.ª, Nicole Colombi (Itália), 47.38,82
15.ª, Mihaela Acatrinei (Roménia), 47.47,64
16.ª, Mara Ribeiro (Portugal), 47.48,33
17.ª, Karla Jaramillo (Equador), 47.59,90
18.ª, Tayla-Paige Billington (Austrália), 48.40,01
19.ª, Ganna Suslyk (Ucrânia), 48.48,46
20.ª, Monika Vaiciukeviciuté (Lituânia), 48.50,07
21.ª, Anel Oosthuizen (África do Sul), 48.55,26
22.ª, Carmen Bianca Molnar (Roménia), 49.06,42
23.ª, Mariana Mota (Portugal), 49.07,82
24.ª, Sonia Irene Barrondo (Guatemala), 49.15,32
25.ª, María Guadalupe Sánchez (México), 49.47,04
26.ª, Diana Aydosova (Casaquistão), 49.50,28
27.ª, Da-Seul Lee (Coreia do Sul), 49.50,90
28.ª, Monika Hornáková (Eslováquia), 49.52,26
29.ª, Rita Récsei (Hungria), 50.31,88
30.ª, Daniela Pastrana (Colômbia), 51.04,22
31.ª, Dana Aydosova (Casaquistão), 51.09,74
32.ª, Katharine Newhoff (E.U. América), 51.40,42
Desclassificadas: Jasmine Dighton (Austrália), Oksana Golyatkina (Rússia), Eliška Drahotová (República Checa) e Olga Shargina (Rússia).
Desistente: Derya Karakurt (Turquia).

10.000 m femininos – lista de saída (Eugene-2014)

37 atletas, em representação de 26 países, confirmaram a saída na prova de 10.000 m marcha femininos agendada para hoje, dia 23, pelas 10.30 horas em Eugene - Oregon (18.30 horas em Portugal).

O recorde do mundo está na posse de Elena Lashmanova (Rússia), com 42.59,48, marca estabelecida nos Campeonatos da Europa de Juniores em Tallinn-2011 (21 Julho), enquanto a sua compatriota Tatiana Mineeva detém o recorde dos campeonatos desde a edição de Bydgoszcz-2008 com 43.24,72.

No que se refere à lista do corrente ano, a líder é Viktoryia Rashchupkina (Bielorrússia), com 46.08,68, marca obtida na cidade de Brest no passado dia 23 de Junho. Note-se, contudo, que chinesa Dandan Duan, ausente de Oregon, conseguiu 43.05 em estrada, vencendo a prova de juniores da Taça do Mundo de Marcha em Taicang-2014 (4 Maio), tendo no pódio desse evento a companhia de Jiayu Yang (China, 43.37) e Anežka Drahotová (República Checa, 43.40).

A lista de saída é a seguinte:
Dorsal, nome, ano nasc., país, marca PB
173: Tayla-Paige Billington, 1997 (Austrália), 49.08
175: Jasmine Dighton, 1996 (Austrália), 50.39,41
264: Viktoryia Rashchupkina, 1995 (Bielorrússia), 46.08,68
267: Stefany Coronado, 1996 (Bolívia), 48.15,36
385: Yuanyuan Ni, 1995 (China), 45.21
387: Na Wang, 1995 (China), 44.17
401: Daniela Pastrana, 1996 (Colômbia), 51.53,27
466: Anežka Drahotová, 1995 (República Checa), 44.15,87
467: Eliška Drahotová, 1995 (República Checa), 47.28
488: Karla Jaramillo, 1997 (Equador), 49.05,84
536: Laura García-Caro, 1995 (Espanha), 47.04,04
543: María Pérez, 1996 (Espanha), 47.25,82
768: Sonia Irene Barrondo, 1995 (Guatemala), 49.25,43
793: Rita Récsei, 1996 (Hungria), 50.05,75
863: Nicole Colombi, 1995 (Itália), 49.54,19
865: Eleonora Dominici, 1996 (Itália), 48.34,32
950: Rena Goto, 1995 (Japão), 47.02,60
959: Kana Minemura, 1996 (Japão), 47.26
965: Dana Aydosova, 1995 (Casaquistão), 49.59,0
966: Diana Aydosova, 1995 (Casaquistão), 51.05,06
1004: Da-Seul Lee, 1996 (Coreia do Sul), 49.54
1031: Živilé Vaiciukeviciuté, 1996 (Lituânia), 50.23,06
1032: Monika Vaiciukeviciuté, 1996 (Lituânia), 50.23,41
1075: María Guadalupe Sánchez, 1995 (México), 50.31,05
1169: Jéssica Hancco, 1995 (Peru), 48.00,82
1212: Katarzyna Zdzieblo, 1996 (Polónia), 49.01,15
1220: Mariana Mota, 1995 (Portugal), 50.11,41
1222: Mara Ribeiro, 1995 (Portugal), 48.40,22
1244: Mihaela Acatrinei, 1995 (Roménia), 49.57,61
1253: Carmen Bianca Molnar, 1996 (Roménia), 50.50,15
1281: Anel Oosthuizen, 1995 (África do Sul), 48.59
1304: Oxana Golyatkina, 1995 (Rússia), 45.05
1312: Olga Shargina, 1996 (Rússia), 45.59
1381: Monika Hornáková, 1995 (Eslováquia), 51.46,62
1485: Derya Karakurt, 1996 (Turquia), 49.04
1516: Ganna Suslyk, 1996 (Ucrânia), 49.38,17
1609: Katharine Newhoff, 1997 (E.U. América), 52.33,06
Fonte: IAAF

terça-feira, 22 de julho de 2014

Árbitros portugueses fazem o pleno nos mundiais de juniores

Jorge Salcedo, António Costa e Joaquim Graça
A Associação Internacional de Federações de Atletismo (AIFA) nomeou três juízes internacionais portugueses para exercerem funções de direção técnica e de arbitragem dos campeonatos mundiais de juniores em atletismo, que decorrem na cidade norte-americana de Eugene, de hoje até dia 28 do corrente mês.

Não sendo caso inédito no panorama internacional da arbitragem, é, contudo, inabitual que a um mesmo país seja concedida a oportunidade de distinguir três dos seus mais cotados elementos para o exercício de funções da maior responsabilidade num evento internacional sob a égide da federação internacional da modalidade.

A competição, destinada a atletas com idades inferiores a 20 anos, terá, pois, os seguintes oficiais portugueses:

Joaquim Graça — desde a entrada no painel de juízes internacionais de marcha, em 2010, é a segunda vez que é nomeado para uma competição do âmbito da AIFA. Em 2011 atuou em Lille, nos mundiais de juvenis, tendo este ano, a convite da federação japonesa, atuado nos seus campeonatos nacionais. Completam a equipa de juízes internacionais de marcha o norte-americano Gary Westerfield (juiz-chefe), o espanhol Jordi Estruch, o porto-riquenho Cándido Velez, o guatemalteco Carlos Barrios e o queniano Joseph Ochieng;

Jorge Salcedo — presidente do comité técnico da AIFA, é o mais internacional dos árbitros portugueses, considerando não apenas o universo do atletismo nacional mas no contexto desportivo nacional. Em Eugene será o delegado técnico, a par da sua colega Esther Maynard, de Barbados. Salcedo, o mais bem-sucedido árbitro desportivo da atualidade, tem desempenhado relevantíssimas funções nas mais importantes competições internacionais da modalidade. Tem já viagem assegurada para Pequim, nos mundiais de 2015, e para o Rio de Janeiro, nos Jogos Olímpicos de 2016, onde vai exercer um trabalho ao mais alto nível técnico;

António Costa — o mais novato dos oficiais técnicos internacionais do atletismo luso – neste painel internacional, Portugal conta ainda com José Paulo Moreira e Samuel Lopes, além de Jorge Salcedo - estará em Eugene com a função de supervisionar o trabalho dos juízes locais. Este ano atuou em Budapeste, na qualidade de delegado técnico, no Grande Prémio da Hungria, Memorial István Gyulai. Os outros oficiais técnicos internacionais nomeados para o evento são: Peter Hamilton (Austrália), que chefiará a equipa, Elena Barrios (Espanha), John Cronin (Irlanda), Klaus Hartz (Alemanha), Frederico Nantes (Brasil), Chunde Shen (China), Linda Turner (Grã-Bretanha), Luca Verrascina (Itália) e David Weicker (Canadá).

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Giorgio Rubino e Antonella Palmisano conquistam títulos italianos

O trio masculino com Tontodonati (83), Giupponi (69) e
Rubino (81), e o pódio feminino com Curiazzi (2.ª),
Palmisano (1.ª) e Pruner (3.ª). Fotos: Giancarlo Colombo.
Montagem: O Marchador
Os campeonatos italianos absolutos de atletismo, realizados no último fim-de-semana em Rovereto, província de Trento, no norte do país, consagraram, pela primeira vez, Giorgio Rubino e Antonella Palmisano, como campeões italianos, percorrendo a última etapa antes dos campeonatos europeus de atletismo, que terão lugar no próximo mês de agosto, em Zurique.

Na prova masculina, de 10 km, que tal como a feminina foi realizada num circuito em estrada, bem no centro da cidade, Rubino triunfou obtendo a marca de 40.13 seguido, de muito perto, por Federico Tontodonati, que concluiu no tempo de 40.21. O terceiro lugar do pódio foi ocupado por Matteo Giupponi (40.44).

Na prova feminina, Antonella Palmisano, com 45.15, impôs-se claramente a Federica Curiazzi (46.21), ainda assim, estas duas a destacarem-se da terceira classificada, Serena Pruner (49.02). Uma referência para Rossella Giordano, a quarta classificada, agora do escalão de veteranos W40, com a marca muito interessante de 49.13, e que, entre outras posições de relevo em grandes eventos internacionais, classificou-se na segunda posição na I Taça da Europa de Marcha, em 1996, levada a efeito na Corunha.

Classificações
10 km masculinos
1.º, Giorgio Rubino (1986), 40.13
2.º, Federico Tontodonati (1989), 40.21
3.º, Matteo Giupponi (1988), 40.44
4.º, Francesco Fortunato (1994), 41.00
5.º, Vito Di Bari (1990), 41.16
6.º, Leonardo Dei Tos (1992), 41.19
7.º, Marco De Luca (1981), 41.31
8.º, Massimo Stano (1992), 42.18
9.º, Daniele Paris (1984), 42.54
10.º, Riccardo Macchia (1990), 43.18
11.º, Teodorico Caporaso (1987), 43.52
12.º, Alessandro Maltoni (1993), 44.08
13.º, Mirko Dolci (1985), 44.18
14.º, Marco Amati (1994), 44.37
15.º, Roberto Defendenti (1968), 44.44
16.º, Giuseppe Inglese (1996), 45.11
17.º, Ruggero D'Ascanio (1984), 45.12
18.º, Tommaso Romagnoli (1991), 45.44
19.º, Alessandro Cusmai (1994), 45.54
20.º, Giacomo Brandi (1998), 46.08
21.º, Simone Mansutti (1998), 46.28
22.º, Vincenzo Verde (1982), 46.30
23.º, Luca Montoleone (1990), 46.50
24.º, Andrea Romanelli (1986), 47.08
25.º, Giacomo Vigano' (1991), 47.32
26.º, Leonardo Baldacchini (1995), 47.53
27.º, Massimiliano Colangelo (1997), 49.37
Desclassificados: Pietro Zabbeni (1998) e  Federico Boldrini (1988).
Desistente: Stefano Mansutti (1995).

10 km femininos
1.ª, Antonella Palmisano (1991), 45.15
2.ª, Federica Curiazzi (1992), 46.21
3.ª, Serena Pruner (1986), 49.02
4.ª, Rossella Giordano (1972), 49.13
5.ª, Cecilia Stetskiv (1991), 50.19
6.ª, Mariavittoria Becchetti (1994), 50.47
7.ª, Ilaria Galli (1987), 50.56
8.ª, Nicoletta Dell'Aquila (1988), 51.05
9.ª, Daniela Mancini (1983), 51.20
10.ª, Alessia Zapparoli (1988), 51.31
11.ª, Andrea Morelli (1993), 51.48
12.ª, Marta Stach (1995), 51.58
13.ª, Giada Francesca Ciabini (1997), 52.11
14.ª, Giorgia Menis (1996), 52.38
15.ª, Gladys Moretti (1991), 52.55
16.ª, Eleonora Done' (1992), 53.50
17.ª, Viviana Valsecchi (1992), 53.56
Desclassificada: Sibilla Di Vincenzo (1983).
Desistentes: Ilaria Mariotti (1991) e Elena Martinozzi (1987).

domingo, 20 de julho de 2014

Mundiais de juniores de Lisboa foram há 20 anos

Susana Feitor no início dos 5000 m
marcha femininos dos mundiais
de juniores de Lisboa, em 1994
Por estes dias cumprem-se vinte anos sobre a realização em Lisboa dos V Campeonatos do Mundo de Atletismo para Juniores. Ontem, sábado, passaram duas décadas sobre a cerimónia de abertura, assinalando-se hoje a efeméride do início das provas, que se desenrolaram entre 20 e 24 de Julho de 1994.

No que à marcha atlética diz respeito, estes foram campeonatos de significativa relevância. Foi nos 5000 m metros marcha femininos que Portugal obteve a única medalha ganha no torneio, na sequência do segundo lugar de Susana Feitor, com a correspondente medalha de prata. Mas tanto nos 5000 m femininos como nos 10 mil metros masculinos participaram alguns dos atletas que haveriam de notabilizar-se ao mais alto nível da marcha mundial nos anos seguintes.

Nos rapazes, cuja prova teve lugar na segunda jornada (21 de Julho), o mexicano Jorge Segura, o russo Evgeniy Shmaliuk e o bielorrusso Artur Meleshkevich mantiveram animado duelo ao longo de toda a prova, honrando a condição de representantes de duas das mais importantes escolas mundiais da especialidade, a mexicana e a russa (antiga escola soviética, de que era «herdeiro» também o bielorrusso). Na volta final, Segura conseguiria livrar-se da companhia do dois eslavos e garantir a vitória, com 40.26,93 m, sucedendo ao equatoriano Jefferson Pérez como campeão mundial de juniores. Shmalyuk seria o segundo, com 40.32,72 m, e Meleshkevich fechava o pódio, com 40.35,52 m.

Nesta prova, outros atletas houve que, não se destacando especialmente, estavam na antecâmara de maiores façanhas a protagonizar nos anos vindouros. Entre eles, o segundo mexicano, Alejandro López, que, apesar de nunca ter atingido o destaque de outros compatriotas que se sagraram campeões olímpicos, mundiais ou pan-americanos, haveria de alcançar o terceiro lugar nos 20 km da Taça do Mundo de Marcha de Turim, em 2002, naquele que foi o seu mais relevante sucesso internacional. Em Lisboa foi sexto classificado (41.28,14), imediatamente à frente de uma das figuras mais enigmáticas que a marcha mundial revelou: o russo Oleg Ishutkin. Se na capital portuguesa Ishutkin passou mais ou menos desapercebido nesse final de tarde de Julho de 1994 (7.º, 41.46,30), viria três anos depois, em Podebrady (República Checa) a protagonizar um brilhante desempenho nos 50 km, comandando a prova isoladamente quase desde o princípio. Mas num final marcado por grande dramatismo, depois de quase todos se terem convencido de que o russo tinha a prova ganha naquela manhã que começara com neve e acabou com sol, ver-se-ia impedido de festejar a vitória quando, com uma légua final insuperável, o espanhol Jesús García logrou aproximar-se, alcançar e, por fim, ultrapassar o Ishutkin, acabando por triunfar na competição e levar o russo a um comovedor final em lágrimas, inconformado com a partida que o destino lhe pregara.

Pouco mais se haveria de conhecer de Oleg Ishutkin a partir daí, mas o mesmo não pode dizer-se, por exemplo, de Andreas Erm. O longilíneo alemão (1,87 m de altura), sempre bem visível no pelotão internacional da marcha atlética masculina, «pairando» acima das cabeças dos colegas de prova, iria revelar-se mais do que poderia fazer supor o nono lugar em Lisboa (42.21,72). Logo no ano seguinte, ainda júnior, tornar-se-ia campeão europeu do escalão, ao vencer na cidade húngara de Nyíregyháza os 10 mil metros marcha. Em Lisboa fora já o quinto atleta da Europa, mas em 1995 ninguém conseguiria travá-lo na sua marcha rumo ao título continental.

Erm levou alguns anos a afirmar-se entre os seniores, mas em 2000 alcançaria o segundo lugar nos 20 km da Taça da Europa de Eisenhüttenstadt e o quinto nos Jogos Olímpicos de Sydney, também em 20 km. Voltaria a brilhar no ano seguinte de novo na Taça da Europa de Marcha (Dudince, Eslováquia), com o terceiro lugar nos 20 km, classificação que repetiria nos 50 km dos mundiais de Paris de 2003, com a marca fabulosa de 3.37.46 h. Com esse resultado, permanece ainda como o 14.º melhor mundial de sempre.

A representação de Portugal nesta prova esteve a cargo dos gémeos João e Sérgio Vieira, que então davam os primeiros passos na alta roda mundial da marcha atlética. João terminou a prova em 11.º lugar (42.26,17) e Sérgio foi o 22.º (43.50,07). Entre os dois, João Vieira viria a notabilizar-se mais que o irmão, alcançando dois terceiros lugares nos 20 km de europeus de atletismo (Gotemburgo-2006 e Barcelona-2010) e um quarto lugar nos mundiais de Moscovo de 2013, ao cabo (mas não o cabo definitivo) de uma carreira já com mais de 20 anos de internacionalizações.

No entanto, a prova mais aguardada entre todas as que compunham o programa dos mundiais de juniores de 1994 era a dos 5000 m marcha femininos. Nela alinharia a grande esperança portuguesa de uma medalha (de ouro, porventura), que poderia surgir no final da tarde da penúltima jornada de provas (23 de Julho).

À época, a marchadora de Rio Maior era já uma coqueluche do desporto português, uma menina-prodígio que ao fim de apenas alguns meses de treino conseguia bater-se com as melhores marchadoras do mundo dois escalões acima. Com apenas 15 anos tinha-se sagrado campeã do mundo de juniores em Plovdiv-1990, ficando até hoje como a mais jovem atleta a ter alcançado tal feito. No ano anterior aos mundiais de Lisboa, com 18 anos, tinha protagonizado outro feito notável durante a Taça do Mundo de Monterrey (México, 1993), comandando destacada boa parte da prova feminina de 10 km, que haveria de concluir num mesmo assim surpreendente oitavo lugar.

A expectativa em Lisboa era elevada. Nesse final de tarde de sábado, o Estádio Universitário de Lisboa apresentava-se quase cheio para ver competir Susana Feitor, Sofia Avoila e mais 25 atletas. Nunca tanta gente tinha sido atraída em Portugal por uma prova de marcha atlética. Nunca tanta gente assistira a provas de atletismo no estádio pertencente à Universidade de Lisboa, por estes dias com capacidade de assistência aumentada por uma bancada provisória ao longo da recta oposta à da meta.

Logo na fase inicial da prova ficou claro quem poderia estar na luta pela medalhas: a portuguesa Susana Feitor, a espanhola María Vasco e as russas Irina Stankina e Natalya Trofimova. Tal como Susana, María Vasco era outra menina-prodígio que vinha dos mundiais de Plovdiv-1990, onde obteve o 15.º lugar. Em Seul-92 tinha sido sexta (Susana desclassificada) e em Lisboa apresentava-se como uma das favoritas. Mas as russas e a portuguesa foram mais fortes e ainda antes de metade da prova já estavam sozinhas na frente, reservando para si as medalhas. María Vasco teve de contentar-se com o quarto posto.

Na luta pelo título mundial, Natalya Trofimova seria a primeira a ceder entre as «já» medalhadas. Com o público exultante e as emoções ao rubro, Susana Feitor resistiu quanto pôde até ceder, na volta final, a uma Irina Stankina imparável e destinada a voos que o futuro haveria de confirmar. A russa terminaria vitoriosa com 21.05,41 m, um ano antes de sagrar-se campeã mundial absoluta em Gotemburgo, vindo a ganhar também na Taça do Mundo de Podebrady de 1997. Susana terminou a prova de Lisboa na segunda posição (21.12,87) e Trofimova fecharia o pódio (21.24,71).

Mais para trás, Sofia Avoila chegava no 10.º lugar (22.48,00) e deixava escrito o prefácio do que haveria de ser, um ano depois, a inesquecível vitória no europeu de juniores de Nyíregyháza. Quanto a Susana Feitor, a história iria levá-la nos anos seguintes ao terceiro lugar na 1.ª Taça da Europa de Marcha (Corunha-1996), nos europeus de Budapeste (1998) e nos mundiais de Helsínquia (2005), ao segundo lugar na Taça da Europa de Miskolc (2005) e ainda ao quarto lugar nos mundiais de Sevilha (1999).

Mas outras participantes iriam passar um tanto incógnitas por Lisboa, antes de granjearem a fama nos anos seguintes. Não seria tanto o caso de María Vasco, já quarta em Lisboa (21.41,47) — antes de ser medalhada de bronze nos Jogos Olímpicos de Sydney (2000), na Taça da Europa de 2003 (Cheboksary), na Taça do Mundo de Naumburg (2004) e nos mundiais de Ósaca (2007) e ainda vencedora da Taça da Europa de Metz (2009) e da Taça do Mundo de Chihuahua (2010) — mas sobretudo de outras duas figuras.

Por um lado, a chinesa Liu Hongyu iria terminar no oitavo lugar (22.23,69), mas um ano depois seria terceira nos 20 km femininos da Taça do Mundo de Pequim, saindo vencedora quatro anos depois na Taça do Mundo de Mézidon (França) e nos mundiais de Sevilha (Espanha).

Por outro lado, com uma classificação muito mais discreta, a irlandesa Gillian O'Sullivan quedou-se em Lisboa pelo 22.º lugar (24.19,38). Com este resultado (sexta a contar do fim), poucos seriam capazes de prever que a ruiva irlandesa haveria de ser vice-campeã do mundo nove anos depois, em Paris-2003.

Nos mundiais de juniores de Lisboa, a marcha atlética portuguesa marcou ainda um ponto noutro domínio, o do ajuizamento, com a estreia de José Dias como juiz internacional de marcha. Era a primeira de muitas presenças deste que foi o primeiro juiz de marcha português em importantes competições internacionais, abrindo uma porta por onde já passaram outros sete juízes portugueses de marcha.

Valerá a pena recordar ainda que o comité organizador do mundiais de Lisboa de 1994, liderado por Jorge Salcedo, honrou a capacidade organizativa da marcha atlética portuguesa integrando alguns dos seus dirigentes, atletas, treinadores e juízes entre os responsáveis pelo evento, designadamente do departamento de logística (transportes e alojamento). Para além dos três autores deste blogue, a marcha atlética levou à organização de Lisboa-94 marchadores e ex-marchadores como Paulo Alves, Jorge Esteves, José Urbano, José Ganso, Joaquim Graça e Paulo Esteves, figuras com papéis indeléveis na história da marcha em Portugal mas também na organização do V Campeonatos do Mundo de Atletismo para Juniores.

sábado, 19 de julho de 2014

O ABC da Marcha (2/7) - Raquetas amarelas

Utilizadas obrigatoriamente pelos juízes no exercício das suas funções de fiscalização de provas de marcha, de acordo com a regra 230 do regulamento técnico, aplicável à especialidade, as raquetas, de cor amarela, um conjunto de duas unidades, têm o símbolo da suspensão “~”, numa delas e nas suas duas faces, e o da flexão “<” na outra, e igualmente nas duas faces.

Deste modo, treinadores, dirigentes e público em geral, conseguem percecionar qual o sinal de advertência com que foi avisado determinado atleta, sendo essencial que o juiz se certifique de que aquele se apercebeu do ato.

Os juízes podem advertir um atleta no decorrer da competição, mostrando-lhe a raqueta amarela, por uma vez, ou uma segunda vez, neste caso desde que por motivo diferente. Em teoria, por exemplo, numa prova de marcha realizada num circuito em estrada com um perímetro de 2.000 metros e uma reta de 1.000 metros, com 8 juízes de marcha, poderá um atleta ser advertido em 16 ocasiões sem que tal implique a sua desclassificação.

É como se o juiz, no ato de advertir um atleta, afirmasse algo do género: “Estou particularmente atento à tua marcha, que não me agrada totalmente. Necessitas de melhorar a técnica. Tem cuidado.” Num paralelismo com o futebol, equivaleria à exibição, pelo árbitro, do cartão amarelo.

Não se deve confundir uma advertência, simbolizada com a amostragem da raqueta amarela, com uma falta ou uma nota de desclassificação. Um juiz pode evitar que um atleta cometa a falta, mostrando-lhe, no momento certo, uma raqueta amarela antes de poder, eventualmente, decidir-se por anotar uma nota de desclassificação.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Federação russa afasta Viktor Chyogin de Zurique

Viktor Chyogin, com Valeriy Borchin, nos mundiais de 2011,
em Daegu. Foto: RusAthletics
A Federação Russa de Atletismo decidiu não incluir o treinador Viktor Chyogin na comitiva que representará a Rússia nos Campeonatos da Europa de Atletismo, a realizar em Zurique, na Suíça, de 12 a 17 de Agosto. O técnico de marcha atlética está a ser alvo de investigação na sequência dos numerosos casos de dopagem que nos últimos anos envolveram prestigiados marchadores por ele treinados, incluindo, recentemente, a campeã olímpica e mundial dos 20 km marcha, Elena Lashmanova.
 
Segundo divulgado por agências de notícias, a Agência Russa Antidopagem deu início a um processo de investigação visando determinar as responsabilidades de Chyogin e da sua equipa nos casos de dopagem que envolveram pelo menos 13 dos atletas de marcha que orientou nos anos mais recentes. O caso de Lashmanova, suspensa há poucas semanas por dois anos, constitui o exemplo mais recente num universo que já envolveu outros marchadores russos campeões olímpicos, mundiais e europeus, incluindo do escalão de juniores.
 
Em declarações ao jornal russo «Desporto Soviético, o presidente da Federação Russa de Atletismo, Valentin Balakhnichev, garantiu que Chyogin não integrará a delegação russa aos europeus de Zurique, dado que o recente escândalo causado pelo anúncio da suspensão imposta a Lashmanova tinha «manchado a carreira de Chyogin». No entanto, ainda de acordo com Balakhnichev, o técnico vai continuar a treinar atletas na Rússia.
 
Viktor Chyogin tem sido o responsável técnico pelo centro de treino de marchadores de Saransk, que já produziu atletas medalhados nas mais importantes competições internacionais de atletismo, como Valeriy Borchin, Sergey Kirdyapkin, Igor Erokhin, Aleksey Voyevodin, Vladimir Kanaykin ou Tatyana Mineyeva, estes e tantos outros já apanhados nas malhas do «doping».

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Duas marchadoras na equipa dos mundiais de Eugene

Do trio de Taicang, Mara Ribeiro e Mariana Mota vão aos
mundiais de Eugene. Edna Barros também fez mínimos
Mara Ribeiro e Mariana Mota, jovens atletas do distrito de Santarém, integram a seleção nacional de juniores (10 atletas) que de 22 a 27 deste mês participará nos mundiais da categoria. Os 10.000 m marcha femininos estão agendados para o dia 23 de julho, pelas 18.25 horas (hora de Portugal continental). A prova masculina, de igual distância, será realizada a 25, pelas 18.00 horas portuguesas.

Mara Ribeiro, treinada por Jorge Miguel, representa o Clube de Natação de Rio Maior. O seu recorde pessoal na distância é de 48.07,88 (2013). Na edição de Barcelona, há dois anos, ainda juvenil, participou nos 10.000 m marcha (33.º com 53.31,29), sendo a única da delegação portuguesa que repete a presença num mundial. Campeã nacional de juniores (pista), esteve na Taça do Mundo de Marcha, em Taicang, tendo sido a primeira portuguesa, ao classificar-se no 26.º posto, com o tempo de 49.39.

Mariana Mota, treinada por Luís Mota, o seu pai, representa o Sport Lisboa e Benfica. Sagrou-se, em fevereiro deste ano, campeã nacional de estrada tendo representado, este ano, a seleção nacional na Taça do Mundo. Realizou aqui o seu melhor registo pessoal (50.05), o que lhe valeu o 30.º posto na competição. Muito acarinhada na sua terra natal, foi a rainha do Carnaval de Tomar este ano, nas festividades tomarenses.

Além das duas referidas atletas, que cumpriram os mínimos, previamente estabelecidos, também Edna Barros (Clube Oriental de Pechão), na sua primeira época de juniores, obteve igual objetivo mas por poderem ir apenas dois atletas em cada especialidade, a atleta algarvia terá de esperar pelos europeus da categoria, no próximo ano. Outro marchador a ficar de fora da seleção, agora no setor masculino, foi Hélder Santos (Gira Sol-RC), que nos nacionais da categoria esteve muito próximo dos mínimos, a cerca de cinco segundos.

A competição, que terá lugar, pela primeira vez, nos EUA, na cidade de Eugene, estado de Oregon, tem registado uma presença constante de especialistas nacionais. Apenas nas edições de Grosseto (Itália), em 2004, e de Moncton (Canadá), em 2010, não houve participação de marchadores.

Na primeira edição, em Atenas, no ano de 1986, Paulo Santos, que vivia em Alenquer (companheiro de treinos do internacional Francisco Reis), integrou o selecionado luso participando nos 10.000 m marcha. Concluiu a prova no 15.º lugar, com a marca de 43.57,68, lugar apenas superado por João Vieira, 11.º em 1994, e João Maral, 13.º em 1988.

No setor feminino há um nome que marca a diferença na história dos mundiais: Susana Feitor. A atleta de Rio Maior foi a única, em 14 edições, a conquistar para Portugal a medalha de ouro. O feito foi alcançado na terceira edição dos campeonatos, em Plovdiv, na Bulgária, em 1990, averbando a marca de 21.44,30 nos 5.000 m marcha. Quatro anos depois, na edição de Lisboa, sagrar-se-ia vice-campeã mundial. Também é á única que representou o país por três vezes.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Álvaro Martín e Júlia Takacs destacam-se em Alcorcón

Álvaro Martín e Júlia Takacs, cortando a meta em Alcorcón.
Fotos: RFEA
Realizaram-se este fim-de-semana os campeonatos de federações autonómicas de Espanha, em pista, com a inclusão no programa de competições das provas de 5.000 metros marcha, masculinos e femininos. Este ano houve emoção até à última prova, num novo formato, juntando os pontos amealhados pelas equipas masculina e feminina, com o triunfo a sorrir à seleção da Catalunha, seguida da de Madrid, a seleção anfitriã, e da da Andaluzia.

Nos 5.000 m marcha masculinos, o nível global foi muito bom. Álvaro Martín (Extremadura), com 19.25,69, Marc Tur (Ilhas Baleares), com 19.27,98, Diego García (Madrid), com 19.32,37, e Luís Alberto Amezcua (Andaluzia), com 19.40,98, realizaram marcas abaixo dos 20 minutos, numa prova que contou com a participação de atletas de 16 federações autonómicas.

Na prova feminina dos 5.000 m marcha registou-se claro domínio de Júlia Takacs (Madrid), a fazer a marca de 20.41,47. Nas posições imediatas classificaram-se Raquel González (Catalunha), com 21.43,67, María José Poves (Aragão), com 22.18,94, Lorena Luaces (Galiza), com 22.54,81, e Amanda Cano (Múrcia), com 22.57,01. Concluíram a prova mais 10 atletas.

Para os melhores marchadores espanhóis segue-se a continuação da preparação para os europeus de Zurique, na Suíça, e para outros a presença nos ibero-americanos de São Paulo, no Brasil.

Classificações
5000 m marcha masculinos
1.º, Álvaro Martín (Extremadura), 19.25,69
2.º, Marc Tur (Ilhas Baleares), 19.27,98
3.º, Diego García (Madrid), 19.32,37
4.º, Luis Alberto Amezcua (Andaluzia), 19.40,98
5.º, Francisco Arcilla (Castela e Leão), 20.22,28
6.º, Luis Manuel Corchete (Comunidade Valenciana), 20.23,08
7.º, Francisco José Durán (Galiza), 20.44,78
8.º, Manuel Bermúdez (Múrcia), 20.48,37
9.º, Mikel Odriozola (País Basco), 21.03,71
10.º, Nil Rodes (Catalunha), 21.24,94
11.º, David Reyes (Canárias), 21.28,81
12.º, Rodrigo Domínguez (Navarra), 21.51,62
13.º, Luis Javier Casas (Aragão), 21.57,43
14.º, Luis Cambronero (Castela a Mancha), 22.37,22
15.º, Rafael Sánchez (Astúrias), 24.47,38
16.º, Oleg Ortiz (Cantábria), 29.31,71


5000 m marcha femininos
1.ª, Júlia Takacs (Madrid), 20.41,47
2.ª, Raquel González (Catalunha), 21.43,67
3.ª, María José Poves (Aragão), 22.18,94
4.ª, Lorena Luaces  (Galiza), 22.54,81
5.ª, Amanda Cano (Múrcia), 22.57,01
6.ª, Ainhoa Pinedo (Andaluzia), 23.03,08
7.ª, Eva María Tur (Ilhas Baleares), 23.11,67
8.ª, María Larios (Castela a Mancha), 23.27,94
9.ª, Laura Gutiérrez (Extremadura), 24.39,52
10.ª, Paula Martínez (Astúrias), 24.51,32
11.ª, María Dolores Marcos (Comunidade Valenciana), 25.26,90
12.ª, María Isabel Pérez (Canárias), 25.37,14
13.ª, Sara Ramírez (Castela e Leão), 25.48,56
14.ª, Coral Aja Pérez (Cantábria), 26.18,26
15.ª, Idoia Atxaga (País Basco), 36.40,45

terça-feira, 15 de julho de 2014

Yohann Diniz e Émilie Tissot conquistam títulos de França

Émilie Tissot e Yohann Diniz, campeões de França de marcha
em pista. Fotos: VO2 Runinlive e Marcia Italiana
Realizaram-se em Reims, este fim-de-semana, os campeonatos franceses de atletismo em pista, com a presença das maiores figuras gaulesas da atualidade, definindo, em boa parte, a seleção para os campeonatos europeus de Zurique. As provas de marcha foram disputadas na distância de 10.000 metros.

Nos homens o destaque vai para o campeão europeu de 50 km, Yohann Diniz, que, competindo em casa e muito acarinhado pelo público, concluiu vitoriosamente a distância no magnífico tempo de 38.08,13. Kevin Campion foi o segundo, com 40.01,50, e Antonin Boyez o terceiro, com 40.58,12, todos selecionados para Zurique, Campion e Boyez nos 20 km marcha. Dos 16 atletas presentes à partida da prova de Reims, previamente selecionados, 14 terminaram-na, registando-se uma desistência e uma desclassificação.

Diniz já se prepara para os 50 km dos campeonatos europeus, estagiando em Font Romeu, local também escolhido por vários marchadores europeus para a realização de estágios de altitude.

Nas senhoras, Émilie Tissot foi a primeira, com o tempo de 46.36,92, seguida de Violaine Averous, com 46.51,40, e de Émilie Menuet, com 47.27,48. Tissot, de 21 anos, que alcançou o seu primeiro título na distância, bateu o recorde francês de sub-23, que estava fixado em 46.56,22. Falhando o objetivo de alcançar os mínimos para Zurique (1.34.45) por dificuldade em conciliar os estudos com a alta competição, a jovem atleta tem, no entanto, uma larga margem de progressão à sua frente.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Vitória e Miguel triunfam nos nacionais de sub-23

Pódio da marcha feminina dos nacionais de esperanças:
Edna Barros, Vitória Oliveira e Elisabete Pinho (esq. para dir.).
Foto: facebook de Vitória Oliveira
Vitória Oliveira e Miguel Carvalho sagraram-se este sábado campeões nacionais de esperanças em marcha atlética, ao triunfarem nas provas de 10 mil metros dos campeonatos do subescalão, realizados em Braga (12 e 13 de Julho). A atleta da Juventude Vidigalense registou 50.56,06 m nas duas léguas, enquanto o marchador do Clube de Natação de Rio Maior averbou 44.57,41 m.

Na prova feminina, a primeira na meta foi uma atleta extracampeonato, a espanhola Eva María Iglesias, com o tempo de 49.34,33 m, depois de uma competição em que pouco foi importunada pelas portuguesas. Depois do terceiro lugar nos nacionais de juniores de há uma semana, onde estabeleceu o recorde pessoal de 50.17,81 m e superou os mínimos para os mundiais de juniores em Eugene (EUA), Edna Barros (CO Pechão) alcandorou-se desta vez ao segundo posto entre as sub-23, não precisando para esse efeito de marca tão avultada como a obtida no Luso, registando desta vez 52.58,23 m. Mais recuada, Elisabete Pinho (CS Gaia) fechou o pódio em 56.39,30 m

No sector masculino, Miguel Carvalho averbou a terceira vitória consecutiva em Campeonatos Nacionais de Esperanças. Depois de em 2012 (Pombal) ter vencido com 46.57,38 m e de em 2013 (Fátima) ter registado 45.45,38 m, desta vez impôs-se em Braga com 44.57,41 m, após ter dado voltas de avanço a todos os colegas de prova excepto o colega de clube Miguel Rodrigues, segundo, com 46.18,73 m. No terceiro lugar terminou Fábio Conceição, do Clube Oriental de Pechão, creditado com 47.16,98 m.

Com onze concorrentes à partida na prova masculina e sete na feminina, é curioso notar que todos os 14 atletas classificados terminaram com grandes diferenças entre si, sendo a mais curta de 44 segundos, o tempo que separou o terceiro masculino (Fábio Conceição) do quarto colocado (Rui Coelho, CA Seia).

Classificações
10.000 m marcha femininos
Extra, Eva María Iglesias (Espanha), 49.34,33
1.ª, Vitória Oliveira (J Vidigalense), 50,56,06
2.ª, Edna Barros (CO Pechão), 52.58,23
3.ª, Elisabete Pinho (CS Gaia), 56.39,30
4.ª, Laura Leal (CO Pechão), 57.50,50
5.ª, Rita Ribeiro (CN Rio Maior), 59.52,08
Desistente: Bianca Amaral (CDE Fuzeiros).

10.000 m marcha masculinos
1.º, Miguel Carvalho (CN Rio Maior), 44.57,41
2.º, Miguel Rodrigues (CN Rio Maior), 46.18,73
3.º, Fábio Conceição (CO Pechão), 47.16,98
4.º, Rui Coelho (CA Seia), 48.00,31
5.º, Pedro Santos (SL Benfica), 49.04,77
6.º, Marco Amaral (CDCJ Ilha Verde), 50.15,09
7.º, Samuel Pereira (CA Seia), 51.48,60
8.º, Manuel Alves (GCA Donas), 54.28,41
Desclassificados: João Martins (CA Ferreira do Zêzere), Luís Pássaro (GCA Donas) e André Pagaime (CF Belenenses).

domingo, 13 de julho de 2014

Selecção de marchadores suíços para Zurique gera polémica


Marie Polli ainda pode ser seleccionada para os europeus
de Zurique. Foto: O Marchador
Está envolvido em polémica o processo de decisão sobre a composição da equipa da Suíça para os europeus de Zurique, a terem lugar de 12 a 17 de Agosto nesta cidade precisamente daquele país da Europa central. A questão está na escolha de marchadores, tendo sido seleccionada apenas Laura Polli entre 34 atletas já escolhidos nas diferentes disciplinas, ficando de fora da selecção da federação helvética os restantes dois marchadores que se esperava fossem integrados: Marie Polli (irmã mais velha de Laura) e Alex Florez.

Tal como previsto no documento que estabeleceu os critérios de selecção, a decisão foi comunicada aos atletas a 30 de Junho, após a decisão da Comissão de Selecção da Federação Suíça de Atletismo (FSA). Logo no dia seguinte, o Comité Executivo da Federação Suíça de Marcha (FSM) manifestou a intenção de se pronunciar sobre a matéria. E a tomada de posição surgiu na forma de reclamação contra a decisão, argumentando em defesa da selecção dos três atletas, atendendo a que todos cumpriram os mínimos no prazo estabelecido pela federação de atletismo - 1 de Janeiro de 2013 a 29 de Junho de 2014. De acordo com os critérios de selecção, os atletas que obtivessem mínimos no decorrer de 2013 deveriam confirmá-los em 2014.

A Federação Suíça de Atletismo tinha estabelecido para os europeus de Zurique uma tabela de mínimos igual à da Associação Europeia de Atletismo, que no caso da marcha são os seguintes: 20 km femininos, 1.37.00 h; 20 km masculinos, 1.26.30 h; 50 km, 4.10.00 h. Segundo a argumentação da federação de marcha, estrutura representativa dos marchadores suíços, os três atletas tinham superado os mínimos em 2013: Alex Florez com 1.25.20 h; Laura Polli com 1.34.07 h; e Marie Polli com 1.36.31 h. Em 2014, Florez tem como melhor 1.33.31 h; Laura, 1.39.35 h; Marie, 1.41.22 h.

A federação de marcha acrescenta que Alex Florez teve uma preparação dificultada por lesões, mas demonstrou no recente Encontro das Seis Nações, na Bélgica, melhoria de forma em comparação com o início da época, e que Marie Polli se apresenta num estado de forma cada vez mais apurado, tendo nas últimas semanas revelado bons desempenhos em provas realizadas em Itália e na Bélgica. Marie Polli encontra-se em estágio com a irmã Laura em Saint-Moritz.

Em reunião mantida a 4 de Julho com uma delegação da Federação Suíça de Atletismo, a Comissão Executiva da federação de marcha pediu a reavaliação dos dois marchadores não incluídos na selecção para os europeus de Zurique. Considerando os argumentos apresentados tanto pela FSM como pela própria atleta Marie Polli, a federação de atletismo aceitou reapreciar a situação da atleta, mas não a de Alex Florez.

Aguarda-se agora a divulgação da decisão da Comissão de Selecção da Federação Suíça de Atletismo, que deve ocorrer a qualquer momento a partir deste domingo.

sábado, 12 de julho de 2014

O ABC da Marcha (1/7) - A regra

O blogue «O Marchador» publica a partir de hoje um conjunto de sete textos dedicados a questões regulamentares. Trata-se de um trabalho que pretende, de forma simples, recordar os aspetos do regulamento das provas de marcha conforme estabelecidos nas normas de competição da federação internacional. Neste primeiro texto é desenvolvido o tema da regra da marcha.


Os atletas da marcha devem ter em conta dois aspetos essenciais, estabelecidos na regra:

1 – A manutenção do contacto permanente com o solo de tal modo que não seja visível (a olho nu) qualquer perda de contacto.
2 – A perna que avança deve estar estendida, isto é, não fletida pelo joelho, desde o momento em que entra em contacto com o solo à frente, normalmente pelo calcanhar, até à passagem pela posição vertical.

Quem garante o cumprimento da regra são os juízes especialistas de marcha que, dada a especificidade da função, têm formação própria que lhes possibilita a integração em painéis com um número definido e limitado de elementos. São avaliados a cada quatro anos, pelo menos.

Ao juiz não lhe é permitida a utilização de meios acessórios (câmaras de vídeo ou máquinas fotográficas), sendo a sua observação baseada no que de facto observa, recomendavelmente alicerçada na visualização de várias competições durante o ano.

A condição física é, também, factor importante no desempenho do juiz, nomeadamente quando há que permanecer no posto de observação, por vezes, em períodos superiores a 5/6 horas seguidas, com a exigência permanente de elevados níveis de concentração.

O juiz de marcha, numa competição, não estabelece diálogo com o atleta, nem com os seus colegas, exceptuando o juiz-chefe, quando é necessário receber ou transmitir alguma indicação. Usa os instrumentos que tem em seu poder: as raquetas amarelas e as notas de desclassificação.

Nas competições internacionais, o perímetro do circuito pode variar entre um a dois quilómetros. Por exemplo, a última Taça do Mundo disputada, este ano, na China, as competições foram realizadas num amplo e plano circuito de dois quilómetros, numa mesma estrada, com o sentido de ida e volta. Oito juízes de oito diferentes nacionalidades foram colocados, pelo juiz-chefe, separados, sensivelmente, a cada 125 metros, atuando de forma independente, sem contacto com outros juízes e sob supervisão do juiz-chefe.