segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Portuguesas com ouro nos 5.000 m de Izmir (EVACS)

Alexandra Lamas e Maria Orlete Mendes.
Foto: facebook de Andreia Pinto.
Montagem: O Marchador
Alexandra Lamas (W40) e Maria Orlete Mendes (W60) conquistaram as medalhas de ouro, nos respetivos escalões etários, dos 5.000 metros marcha em pista, provas que ontem (25/8) se disputaram, sob muito calor, em Izmir (Esmirna na forma portuguesa), na Turquia, a contar para os Campeonatos da Europa para Veteranos em pista.

Alexandra Lamas, com a marca de 26.03,70, não só superou as concorrentes da sua categoria etária, a ucraniana Vira Zozulya (26.31,39) e a húngara Edit Varasdy (33.23,06), como ainda se cotou como a detentora da melhor marca absoluta, ganhando terreno durante a prova e batendo em chegada muito apertada, por apenas 2 centésimos de segundo, a alemã Brit Schroeter (W35, 26.03,72).

Maria Orlete Mendes, com 31.24,38, não esperou por ninguém e no final distanciou-se em mais de um minuto da francesa Claudine Anxionnat (32.34,25) e da espanhola Maria Jose Briz (32.52,97).

Teresa Mendes (W50) foi a quinta classificada do seu escalão com 33.10,84, a sua melhor classificação em provas internacionais (antes o 7.º lugar), com a vitória a sorrir a Veronique Cochereau (França, 29.10,65).

No «top-10» das marcas absolutas que fecha ainda antes de completados os 31 minutos de prova (30.47,96), para além da liderança portuguesa já referida, é de notar a presença da menos jovem, a marchadora do escalão de 55-59 anos, Daniela Ricciutelli, de Itália, com 28.51,55.

A Itália obteve o maior número de medalhas na distância, com 5 (1 de ouro, 3 de prata e 1 de bronze), seguida da Alemanha (2-1-1) e da Ucrânia (1-1-1). Portugal, com 2 medalhas de ouro, eleva para 17 o total de medalhas desde sempre conseguidas nos campeonatos.

Classificações
W35: 5.000 metros femininos
1.ª, Brit Schroeter, 1974 (Alemanha), 26.03,72

W40: 5.000 metros femininos
1.ª, Alexandra Lamas, 1972 (Portugal), 26.03,70
2.ª, Vira Zozulya, 1970 (Ucrânia), 26.31,39
3.ª, Edit Varasdy, 1973 (Hungria), 33.23,06

W45: 5.000 metros femininos
1.ª, Ellinor Hogrell, 1968 (Suécia), 28.25,03
2.ª, Roberta Mombelli, 1968 (Itália), 28.35,64
3.ª, Andreja Poklar, 1966 (Eslovénia), 30.47,96
4.ª, Mara Rinasa, 1966 (Letónia), 33.17,82
5.ª, Meral Calli, 1967 (Turquia), 35.34,23
6.ª, Gulhayat Guler, 1965 (Turquia), 37.25,37
7.ª, Hayriye Duraganli, 1966 (Turquia), 37.28,50

W50: 5.000 metros femininos
1.ª, Veronique Cochereau, 1959 (França), 29.10,65
2.ª, Carmen Garcia Frontons, 1960 (Espanha), 29.39,83
3.ª, Olena Veremiichuk, 1959 (Ucrânia), 30.06,32
4.ª, Catherine Pongin, 1963 (França), 31.46,09
5.ª, Teresa Mendes, 1964 (Portugal), 33.10,84
6.ª, Macarena Uriol, 1960 (Espanha), 34.25,03
7.ª, Anne Gormley, 1963 (Irlanda), 36.17,19
8.ª, Fatma Turkkal, 1962 (Turquia), 43.48,51

W55: 5.000 metros femininos
1.ª, Daniela Ricciutelli, 1956 (Itália), 28.51,55
2.ª, Natalia Marcenco, 1954 (Itália), 31.02,21
3.ª, Maria Paola Formiconi, 1956 (Itália), 31.15,67
4.ª, Monika Schwantzer, 1955 (Áustria), 33.48,15
5.ª, Dace Saulite, 1959 (Letónia), 34.12,20
6.ª, Fiona Jane Bishop, 1959 (Grã-Bretanha), 35.49,32
7.ª, Linda Farrow, 1955 (Grã-Bretanha), 36.39,62
8.ª, Olga Agisheva, 1957 (Rússia), 39.06,16
9.ª, Tarja Siren, 1958 (Finlândia), 41.02,96

W60: 5.000 metros femininos
1.ª, Maria Orlete Mendes, 1951 (Portugal), 31.24,38
2.ª, Claudine Anxionnat, 1951 (França), 32.34,25
3.ª, Maria Jose Briz, 1951 (Espanha), 32.52,97
4.ª, Vera Avilova, 1952 (Rússia), 36.02,06
5.ª, Alev Janetzka, 1953 (Alemanha), 36.17,50
6.ª, Pilar Adan, 1952 (Espanha), 36.29,18
7.ª, Nina Jurcina, 1949 (Letónia), 36.59,70
8.ª, Kazele Demiray, 1950 (Turquia), 46.56,16

W65: 5.000 metros femininos
1.ª, Antonina Tyshko, 1947 (Ucrânia), 32.12,56
2.ª, Rita del Pinto, 1949 (Itália), 34.34,16
3.ª, Heidrun Neidel, 1947 (Alemanha), 34.43,62
4.ª, Brigita de Coppet, 1946 (Suíça), 35.34,37
5.ª, Suzanne Loyer, 1947 (França), 36.16,53
6.ª, Marie-louise Wahlberg, 1945 (Suécia), 52.54,54

W70: 5.000 metros femininos
1.ª, Heidi Maeder, 1943 (Suíça), 31.44,85
2.ª, Gisela Theunissen, 1942 (Alemanha), 36.08,21
3.ª, Vera Grinberte, 1940 (Letónia), 36.20,43
4.ª, Ursula Herrendoerfer, 1940 (Alemanha), 37.57,02
5.ª, Larysa Lebedieva, 1940 (Ucrânia), 39.01,68

W75: 5.000 metros femininos
1.ª, Helga Draeger, 1939 (Alemanha), 40.18,82
2.ª, Janina Fijalkowska, 1936 (Polónia), 41.11,47

EVACS – presença portuguesa 1986 – 2014

Maria Alice Fernandes, a marchadora portuguesa
mais medalhada nos EVACS. Fotos: fb de Andreia
Pinto e Emmanuel Tardi. Montagem: O Marchador
Com a 19.ª edição dos Campeonatos da Europa de Atletismo para Veteranos em pista (EVACS) a decorrer em Izmir, na Turquia, o blogue «O Marchador» apresenta um pequeno historial da presença portuguesa nos campeonatos.

Adriano Gomes e Avelino Ferreira figuram como os primeiros atletas portugueses a tomar parte em provas de marcha dos campeonatos, o que aconteceu na 5.ª edição, na cidade sueca de Malmö, decorria o ano de 1986. Adriano (M60) fê-lo nos 5.000 m em pista disputados no dia 29 de Julho (16.º com 30.37,95) e Avelino (M50) nos 20 km em estrada, dia 1 de Agosto (14.º com 1.56.45).

Desde então, são 16 os internacionais da marcha atlética em campeonatos da Europa de Pista, cujos nomes são os seguintes: Adriano Gomes (1986-2004), Aires Denis (1988), Avelino Ferreira (1986-1988-1990-1992), Cecília Pires Silva (1998), João Silva (1998), Jorge Serra Almeida (2010), José Pinto (1996), José Bom (2002-2004-2006-2008-2010), José Elias (2008), José Henriques (1990), Luís Silva (2010), Maria Alice Fernandes (1998-2000-2002-2004-2006-2008-2010-2012), Manuel Ribeiro (1996), Olívia Monraia (1996-1998), Paula Fernandes Maurício (2002) e Teresa Mendes (2008-2010-2012).

Com as participações de Alexandra Lamas e Maria Orlete Mendes, a fazerem a sua estreia em Izmir, subirá para 18 o número total de marchadores nos campeonatos.

Quanto às sempre desejadas medalhas, a primeira, e logo a de ouro, foi conquistada em Malmö (Suécia), na 10.ª edição dos campeonatos, por José Pinto (M40) nos 5.000 metros com 21.47,9.

Das 20 medalhas conseguidas até agora (15 de ouro, 2 de prata e 3 de bronze), 15 delas (14 de ouro e 1 de bronze) são da autoria de Maria Alice Fernandes, feito de grande significado para uma atleta que participou em 8 edições (16 provas), em diferentes categorias etárias (de 45 a 60 anos), a última das quais em 2012 em Zgorzelec (Polónia) / Hrádeck nad Nisou (Rep. Checa). Infelizmente a atleta falha a presença nos campeonatos de Izmir por falta de apoio financeiro que cubra as despesas de viagem e estadia.

Os outros medalhistas são Luís Silva, com 2 de prata em 2010, Adriano Gomes, com bronze em 2004, e Cecília Pires Silva, com bronze em 1998.

Aguardemos, pois, pelos resultados de Izmir-2014 (dias 25 e 28) para actualizar o quadro de medalhas da marcha atlética portuguesa.

domingo, 24 de agosto de 2014

Japonês Onogawa vence marcha masculina dos Jogos de Nanquim

A prova masculina, com destaque para Minoru Onogawa, e a
cerimónia de premiação. Fotos: «site» da organização local.
Montagem: O Marchador
Minoru Onogawa venceu esta tarde em Nanquim (fim da manhã em Portugal) os 10.000 m marcha masculinos dos 2.os Jogos Olímpicos da Juventude, que decorrem naquela cidade chinesa. O atleta japonês cumpriu a distância num novo recorde pessoal de 42.03,64 m, deixando nos lugares imediatos o russo Vladislav Saraikin (42.10,95, rec. pessoal) e o mexicano Noel Chama (42.14,11).

A prova iniciou-se com a liderança de Chama, quase sempre na frente nos primeiros quilómetros. Aos dois mil metros, o grupo da frente era composto pelos que viriam a ser os três medalhados e ainda pelo peruano César Rodríguez, pelo espanhol Manuel Bermudez e pelo boliviano Pablo Rodríguez. Logo a seguir, espanhol e boliviano atrasaram-se, restando um quarteto que se manteve intacto até meio da prova.

Na segunda metade, César Rodríguez acabou por perder o contacto com os três companheiros da frente, ficando de imediato definido quem iria subir ao pódio, restando saber que medalha conquistaria cada um dos três da frente.

A situação foi-se mantendo com o passar das voltas e só nas duas rondas finais se verificaram alterações. A 800 metros do final, Onogawa lançou um primeiro ataque, passando para a frente, sendo esse o momento em que Noel Chama ficou sem remédio para trás. À entrada para a última volta foi a vez do russo Saraikin fazer a sua jogada, passando para a frente de Onogawa, mas o japonês contratacou a 300 metros da meta, isolando-se definitivamente, para triunfar com quase 30 metros de avanço sobre Saraikin, que manteve o segundo lugar.

Detentor à partida da melhor marca entre todos os participantes, com 41.57,90 m (o único recorde pessoal abaixo dos 42 minutos), o peruano César Rodríguez acabaria na quarta posição, não confirmando os créditos com que se apresentara.

Com a vitória de Minoru Onogawa, a Ásia assegurou as duas medalhas de ouro na marcha destes Jogos Olímpicos da Juventude, depois da vitória de ontem da chinesa Ma Zhenxia.

Classificação
10.000 m marcha masculinos
1.º, Minoru Onogawa (Japão), 42.03,64
2.º, Vladislav Saraikin (Rússia), 42.10,95
3.º, Noel Chama (México), 42.14,11
4.º, Cesar Rodríguez (Peru), 42.26,49
5.º, Hyeonmyeong Joo (Rep. Coreia), 43.51,89
6.º, Manuel Bermúdez (Espanha), 44.12,55
7.º, Wei-Lin Chang (Formosa), 44.27,87
8.º, Arturs Makars (Letónia), 46.29,07
9.º,  Pablo Rodríguez (Bolívia), 46.45,49
10.º, Xianghong He (China), 48.21,67
11.º, Ionut Postoaca (Roménia), 48.29,10     
12.º, Gemechu Birtu (Etiópia), 48.54,97
Desistentes: Giacomo Brandi (Itália) e Jeferson Chacón (Venezuela).
Desclassificado: Djaber Bouras (Argélia).

sábado, 23 de agosto de 2014

Ma Zhenxia é a nova campeã olímpica da juventude 5000 m marcha

O pódio da marcha feminina e a chinesa Ma Zhenxia em destaque.
Fotos: «site» da organização local.
Montagem: O Marchador.
A atleta chinesa Ma Zhenxia sagrou-se esta manhã campeã olímpica da juventude de marcha atlética, vencendo destacada, em Nanquim, a prova de 5000 m da especialidade, com 22.22,08 m. A marca é a melhor da atleta no corrente ano por larga margem, mas não supera o recorde pessoal de 22.19,00 m com que Zhenxia surgiu creditada nestes Jogos. Nos lugares imediatos terminaram a mexicana Valeria Ortuño (23.19,27) e a italiana Noemi Stella (23.38,10).

As três atletas compuseram um grupo de liderança desde início, mas na segunda metade, a marchadora chinesa forçou o andamento, isolou-se no comando e as duas companheiras foram ficando para trás, Stella adiante de Ortuño. Nas voltas finais, a mexicana conseguiria impor-se à italiana e garantir o segundo lugar e a medalha de prata, a primeira conquista em atletismo pelo México em duas edições dos Jogos Olímpicos da Juventude. Quanto a Noemi Stella, acabava por garantir uma medalha (bronze) para o seu país, dando continuidade ao sucesso transalpino de Singapura-2010, quando a compatriota Anna Clemente se tornou a primeira campeã olímpica da juventude na marcha atlética.

À partida para a prova disputada no Estádio Olímpico Central de Nanquim, estas três primeiras classificadas eram as únicas atletas que detinham recordes pessoais abaixo dos 23 minutos, com vantagem para o máximo pessoal já referido da concorrente chinesa. Ainda assim, Noemi Stella detinha a melhor marca do ano, com apenas mais um segundo que o recorde de Zhenxia, graças aos 22.20,46 m estabelecidos em Bari a 10 de Maio e que constituem o seu recorde pessoal.

Após a prova, Ma Zhenxia afirmou ter feito uma prova descontraída, seguindo o conselho do seu treinador: «Só precisas de marchar à tua maneira.» E acrescentou: «Foi apenas o desempenho habitual, como faço nos treinos. Não tive outros pensamentos, foi só marchar e lutar pelo melhor possível.»

Relativamente a estar a participar numa importante competição, tal não a perturbou: «Estou habituada a este tipo de atmosfera e já participei em muitas competições nacionais. Portanto, estou mais ou menos habituada a isto.»

Já a mexicana Valeria Ortuño manifestou-se satisfeita com a medalha de prata. «Estou muito contente com o segundo lugar. É uma classificação muito importante porque as minhas colegas da China e de Itália eram muito fortes. Dedico esta medalha à minha família, ao meu treinador e ao meu país.»

Terceira classificada, Noemi Stella queixou-se do calor e da humidade, que tornou a prova muito difícil, mas mostrou-se contente com o resultado. «Foi muito difícil desde o princípio por causa da humidade.»

Já fora do pódio, a japonesa Sayori Matsumoto garantiu o quarto lugar sem dificuldade, não muito longe de Stella mas com grande vantagem sobre Athanasia Vaitsi (Grécia, 24.22,21) e Irene Vázquez (Espanha, 24.22,76), quinta e sexta, respectivamente. A grega e a espanhola concluíram a prova ao «sprint», acabando a vantagem de Vaitsi por traduzir-se num novo recorde pessoal por 69 centésimas de segundo.

Classificação
5000 m marcha femininos
1.ª, Ma Zhenxia (China), 22.22,08
2.ª, Valeria Ortuño (México), 23.19,27
3.ª, Noemi Stella (Itália), 23.38,10
4.ª, Sayori Matsumoto (Japão), 23.54,71
5.ª, Athanasia Vaitsi (Grécia), 24.22,21
6.ª, Irene Vázquez (Espanha), 24.22,76
7.ª, Karla Jaramillo (Equador), 24.33,05
8.ª, Chaehyun Kim (Rep. Coreia), 24.36,53
9.ª, Olga Niedzialek (Polónia), 24.39,53
10.ª, Axelle Ham (França), 25.01,26
11.ª, Neena Kamba Thankan (Índia), 25.02,19
12.ª, Yu-Chi Liu (Formosa), 25.14,62
13.ª, Nicoleta Lungu (Roménia), 25.49,03
14.ª, Beza Birhanu Zegeye (Etiópia), 26.21,58
15.ª, Natallia Malchanava (Bielorrússia), 26.32,83

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

169 marchadores nos Europeus de Veteranos (EVACS) em Izmir, Turquia

A cidade turca de Izmir será palco da 19.ª edição do Campeonato da Europa de Atletismo para Veteranos em pista (EVACS), evento que se disputa de 22 a 31 do corrente mês e que reúne a presença de 2027 atletas (1418 masculinos e 609 femininos) em representação de 42 países.

As provas de marcha estão agendadas para o dia 25, a partir das 16 horas locais, com os 5.000 metros masculinos e femininos na pista do estádio Seha Aksoy, e para o dia 28, à mesma hora, com os 10 km femininos e os 20 km masculinos em circuito de estrada instalado no parque Kent Ormani, a 7 km do centro de Izmir. O horário fixado para o início das provas de marcha tende atenuar o problema de se competir sob temperaturas acima dos 30 graus centígrados, valores habituais durante o mês de agosto.

São 169 os marchadores inscritos (110 masculinos e 59 femininos) que exibirão as vestes de 24 países, com os maiores contingentes a pertencerem às formações da Alemanha (22), Itália (19), e depois, Turquia e Rússia (ambas com 16). A categoria etária mais participada (M+F) é a dos 50-54 anos, com 25 atletas, sendo de notar que 67 % dos participantes na marcha têm entre 50 e 64 anos de idade.

De entre os 28 atletas portugueses inscritos nas várias provas do atletismo, perfilam-se na marcha atlética, Alexandra Lamas (W40), Teresa Mendes (W50), Maria Orlete Mendes (W60) e José António Bom (M80), sendo mais do que previsível a conquista de medalhas.

Para o ajuizamento das provas de marcha estão escalados juízes especialistas do painel internacional, a saber: José Dias (Portugal), Mara Baleani (Itália), Dolores Rojas (Espanha) e Manfred Bott (Alemanha).

A lista de inscritos (por país e por ordem do dorsal) é a seguinte:

AUT - Áustria: (3) Roman Brzezowsky, M45; (13) Franz Kropik, M45; (18) Rudolf Michlfeit, M65; (20) Ludwig Niestelberger, M65; (24) Markus Reifinger, M50; (27) Monika Schwantzer, W55; (29) Johann Siegele, M65.

BUL - Bulgária: (90) Tani Ivanchev, M60; (96) Petar Petrov, M75; (103) Yordan Yordanov, M65.

CZE - República Checa: (117) Zdenek Bittengl, M50; (123) Zdenek Gonsiorovsky, M70; (133) Rostislav Kovar, M60.

ESP - Espanha: (190) Luis Abadias, M50; (191) Pilar Adan, W60; (201) Maria Jose Briz, W60; (204) Francisco Julio Carmona, M35; (206) David Cervello, M35; (223) Carmen Garcia Fronton, W50; (248) Jose Perales, M40; (250) Miguel Perianez, M50; (253) Ruben Pinera, M35; (258) David Pueyo, M40; (263) Jose Manuel Rodriguez, M35; (273) Santiago Segui, M60; (278) Macarena Uriol, W50.

EST - Estónia: (309) Ants Palmar, M70; (315) Rein Sumberg, M60.

FIN - Finlândia: (389) Kauko Pekkarinen, M55; (392) Jorma Pirinen, M70; (410) Tarja Siren, W55.

FRA - França: (433) Claudine Anxionnat, W60; (439) Louis Bellevegue, M65; (451) Veronique Cochereau, W50; (458) Bernard Delayre, M65; (478) Marie-laure Jacquin, W45; (484) Marc Lassus, M60; (489) Suzanne Loyer, W65; (498) Jean-pierre Pin, M65; (500) Francois Poncin, M65; (501) Catherine Pongin, W50.

GBR - Grã-Bretanha: (538) Fiona Jane Bishop, W55; (540) Peter Boszko, M65; (576) Linda Farrow, W55; (630) Roger Michell, M65; (657) Ian Richards, M65; (660) Alan Roberts, M50;  (666) Edmund Shillabeer, M75.

GER - Alemanha: (706) Jens Peter Artmann, M45; (721) Steffen Borsch, M40; (731) Klaus Dietsche, M50; (734) Helga Draeger, W75; (750) Wilfried Gaube, M55; (778) Gerhard Herbst, M90; (781) Ursula Herrendoerfer, W70; (788) Christoph Hoehne, M70; (800) Alev Janetzka, W60; (837) Horst Lenz, M75; (857) Steffen Meyer, M45; (859) Gernot Mittag, M75; (869) Heidrun Neidel, W65; (876) Claudia Otte, W50; (882) Helmut Prieler, M55; (900) Wolfgang Schaefer, M75; (907) Bianca Schenker, W35; (920) Brit Schroeter, W35; (921) Uwe Schroeter, M50; (927) Alfons Schwarz, M60; (943) Gisela Theunissen, W70; (945) Uwe Tolle, M55.

HUN - Hungria: (1025) Ferenc Major, M50; (1036) Edit Varasdy, W40.

IRL - Irlanda: (1044) Anne Gormley, W50.

ITA - Itália: (1065) Piergiorgio Andreotti, M70; (1068) Walter Arena, M50; (1088) Gabriele Caldarelli, M55; (1094) Ernesto Croci, M40; (1099) Gennaro De Lello, M35; (1105) Rita Del Pinto, W65; (1111) Silvio Dorigo, M50; (1121) Maria Paola Formiconi, W55; (1143) Natalia Marcenco, W55; (1153) Roberta Mombelli, W45; (1156) Gabriele Moretti, M55; (1162) Romolo Pelliccia, M75; (1167) Roberto Piaser, M65; (1177) Daniela Ricciutelli, W55; (1185) Igor Sapunov, M35; (1186) Francesco Scafuro, M35; (1195) Daniele Strano, M45; (1203) F Venturi Degli Esposti, M55; (1204) Alessandro Volpi, M50.

LAT - Letónia: (1210) Harijs Abolins, M65; (1212) Madars Breide, M45; (1214) Vladimirs Dribincevs, M70; (1218) Vera Grinberte, W70; (1220) Normunds Ivzans, M40; (1221) Nina Jurcina, W60; (1226) Raitis Lerme, M70; (1227) Modris Liepins, M45; (1234) Mara Rinasa, W45; (1235) Aija Rogale, W45; (1236) Gunars Rubenis, M75; (1237) Dace Saulite, W55; (1242) Bronislavs Vucens, M70.

NOR - Noruega: (1319) Arthur Lillefosse, M70; (1329) Jan Arvid Rolstad, M60.

POL - Polónia: (1352) Janina Fijalkowska, W75.

POR - Portugal: (1392) José Bom, M80; (1400) Alexandra Lamas, W40; (1404) Maria Orlete Mendes, W60; (1405) Teresa Mendes, W50.

ROU - Roménia: (1424) Marian Ion, M50.

RUS - Rússia: (1445) Igor Agishev, M50; (1446) Olga Agisheva, W55; (1452) Vera Avilova, W60; (1454) Vladimir Barabash, M55; (1472) Viacheslav Degtyarenko, M40; (1503) Alla Kolesnikova, W70; (1520) Vladimir Kuzmin, M55; (1521) Galina Lapaeva, W60; (1530) Sergey Lyzhin, M55; (1538) Igor Menshenin, M50; (1545) Sergei Murashev, M65; (1551) Liudmila Nityagovskaya, W60; (1553) Anatolii Onuchin, M70; (1568) Aleksei Riabov, M35; (1575) Alexandr Sartakov, M70; (1588) Anatolii Shipitsin, M60.

SLO - Eslovénia: (1638) Andreja Poklar, W45; (1641) Fabio Ruzzier, M60.

SRB - Sérvia: (1656) Nebojsa Stefanovic, M50; (1657) Vlada Stevanovic, M80.

SUI - Suíça: (1661) Bernard Binggeli, M65; (1664) Walter Brandenburg, M65; (1665) Daniel Brot, M60; (1668) Alexis De Coppet, M75; (1669) Brigita De Coppet, W65; (1680) Heidi Maeder, W70; (1682) Roby Ponzio, M65.

SWE - Suécia: (1710) Memo Abbeholm, M40; (1725) Ellinor Hogrell, W45; (1751) Christer Svensson, M40; (1754) Marie-louise Wahlberg, W65.

TUR - Turquia: (1774) Osman Nuri Aksu, M60; (1792) Barlas Baris, M35; (1797) Zuhal Bozokalfa, W40; (1807) Hakan Caliskan, M45; (1808) Meral Calli, W45; (1827) Kazele Demiray, W60; (1837) Hayriye Duraganli, W45; (1856) Gulhayat Guler, W45; (1886) Aykut Karabulut, M55; (1910) Abdulkadir Oz, M50; (1928) Icten Sahset, M60; (1934) Oktay Sensoy, M75; (1954) Celalettin Izze Turkkal, M60; (1955) Fatma Turkkal, W50; (1957) Sadi Turkkal, M55; (1984) Erguder Yont, M75.

UKR - Ucrânia: (1994) Liubov Hlushko, W60; (1997) Galyna Kozlova, W55; (2004) Larysa Lebedieva, W70; (2011) Ivan Pushkin, M80; (2012) Ievgen Shabanov, M70; (2018) Antonina Tyshko, W65; (2020) Olena Veremiichuk, W50; (2022) Oleksandr Volskyi, M70; (2027) Vira Zozulya, W40.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Jogos Olímpicos da Juventude em Nanjing

Foto: Zhang Minghua. Montagem: O Marchador
Na segunda edição dos Jogos Olímpicos da Juventude, que estão a decorrer em Nanjing, na China, estão agendadas as provas de marcha atlética para o dia 23 deste mês (sábado), os 5.000 m femininos, pelas 19:00 horas locais, e no dia seguinte a prova masculina de 10.000 m, pelas 19:05 horas locais, ambas em pista.

Na prova feminina, a Europa tem direito à participação de 7 atletas, seguindo-se a Ásia (4), América (2), África (1), e Oceânia (1). Na prova masculina a Europa conta com 5 participantes, seguindo-se a América e a Ásia, com 4 cada um, a África e a Oceânia, com 1 cada. 

A Federação Internacional de Atletismo aplicará, pela primeira vez em grandes eventos internacionais, a regra do “pit lane”, destinada a atletas com idades inferiores a 16 anos de idade, significando que o atleta após receber três faltas não será de imediato desclassificado, sendo-lhe dada nova oportunidade de prosseguir em competição mediante paragem obrigatória, em lugar previamente designado pela organização, por um tempo de 1 minuto, na distância de 5.000 metros, e de 2 minutos, na distância de 10.000 metros. Note-se, no entanto, que a uma quarta falta sofrida corresponderá a desclassificação do atleta.

Os juízes internacionais de marcha, designados para o evento, serão os seguintes: Khoo Chong Beng (Malásia), que assumirá as funções de juiz-chefe, Miloslav Lapka (República Checa), Rolf Müller (Alemanha), Hans Van Der Knaap (Holanda), Peter Wrigley (Nova Zelândia) e Man Chun Yeung (Hong Kong).

Na primeira edição, em 2010, sagraram-se campeões olímpicos da juventude, no setor feminino, a italiana Anna Clemente (22.27,38), e no setor masculino, o ucraniano Ihor Lyashchenko (42.43,93).

As listas de saída (ordenadas pelo dorsal) são as seguintes:
Dorsal, nome, ano de nasc., país (melhor marca/marca em 2014)

5.000 metros femininos
139: Natallia Malchanava, 1997, Bielorrússia (24.56,47/24.56,47);
168: Zhenxia Ma, 1998, China (22.19,00/23.59,22);
197: Karla Johana Jaramillo Navarrete, 1997, Equador (23.43,64/23.45,50);
207: Irene Vazquez Gea, 1998, Espanha (24.01,45/24.01,45);
215: Beza Birhanu Zegeye, 1997, Etiópia (24.54,01/24.54,01);
221: Axelle Ham, 1997, França (24.02,38/24.02,38);
246: Athanasia Vaitsi, 1998, Grécia (24.22,90/24.22,90);
260: Neena Kamba Thankan, 1997, Índia (24.11,70/24.11,70);
273: Noemi Stella, 1997, Itália (22.20,46/22.20,46);
288: Sayori Matsumoto, 1997, Japão (23.03,00/23.03,00);
304: Chaehyun Kim, 1998, Koreia (25.24,79/25.24,79);
325: Valeria Ortuno Martinez, 1998, México (22.55,35/22.55,35);
351: Olga Niedzialek, 1997, Polónia (24.06,00/24.06,00);
363: Nicoleta Lungu, 1998, Roménia (26.08,05/26.08,05);
401: Yu-Chi Liu, 1997, Taipé Chinês (25.40,84/25.40,84).

10.000 metros masculinos
504: Djaber Bouras, 1997, Argélia (46.48,67/46.48,67);
543: Pablo Rodriguez, 1997, Bolívia (44.16,00/44.16,00);
572: Xianghong He, 1998, China (43.51,00/43.51,00);
597: Manuel Bermudez Jimenez, 1997, Espanha (42.29,00/42.29,00);
612: Gemechu Amanuel Birtu, 1998, Etiópia (45.30,6/45.30,6);
659: Giacomo Brandi, 1998, Itália (44.21,81/44.21,81);
679: Minoru Onogawa, 1997, Japão (42.07,00/42.07,00);
692: Hyeonmyeong Joo, 1997, Coreia do Sul (44.49,00/44.49,00);
700: Arturs Makars, 1997, Letónia (43.46,00/43.46,00);
721: Noel Ali Chama Almazan, 1997, México (42.07,18/42.07,18);
732: Cesar Rodriguez, 1997, Peru (41.57,90/41.57,90);
753: Ionut Adrian Postoaca, 1997, Roménia (47.27,68/47.27,68);
760: Vladislav Saraikin, 1997, Rússia (43.45,38/43.45,38);
786: Wei-Lin Chang, 1998, Taipé Chinês (45.48,82/45.48,82);
826: Jeferson Chacon, 1997, Venezuela (45.13,17/45.55,50).
Fonte: LOC Nanjing

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Zurique-2014: balanço nacional das provas de marcha

Os marchadores portugueses em Zurique: Ana
Cabecinha, Inês Henriques, Pedro Isidro, Sérgio
Vieira e João Vieira. Fotos: Emmanuel Tardi.
Montagem: O Marchador
Depois do rescaldo internacional ontem publicado, «O Marchador» apresenta hoje o balanço da participação portuguesa nas provas de marcha dos 22.os Campeonatos da Europa de Atletismo, realizados em Zurique, na Suíça. Este balanço assenta na análise breve do desempenho de cada atleta e na inserção dessas prestações no historial da presença dos marchadores portugueses em campeonatos europeus, iniciada em 1982, com a participação de José Pinto nos 20 km dos europeus de Atenas (14.º, 1.34.19).

13 de Agosto, 20 km masculinos
Foi pouco eufórica a participação portuguesa nos 20 km masculinos destes europeus. Com a representação a cargo dos gémeos Vieira, Portugal sabia que dificilmente João Vieira poderia repetir as façanhas de Gotemburgo-2006 e Barcelona-2010, quando alcançou o pódio e correspondentes duas medalhas. Lesionado desde há muitas semanas e mesmo sabendo-se que do marchador do Sporting pode a qualquer momento surgir uma surpresa, era baixa a expectativa para esta quinta presença, logo confirmada com a desistência nas voltas iniciais ao percurso de mil metros. Igual destino teria Sérgio Vieira, ainda que a meio da prova estivesse relativamente bem classificado (14.º aos 10 km), com os primeiros à vista. Também à vista esteve uma clara melhoria na classificação e na marca obtidas há quatro anos em Barcelona, mas tudo foi por água abaixo na segunda metade da prova, com a pouco previsível desistência. De positivo da presença portuguesa nesta prova fica o facto de João Vieira ter atingido as cinco participações em campeonatos da Europa de atletismo.

Nas anteriores quatro presenças de João Vieira e uma de Sérgio Vieira, nunca nenhum dos irmãos tinha desistido ou sido desclassificado. As classificações variavam entre o segundo lugar de João Vieira em Barcelona-2010 e o 20.º posto de João e Sérgio, respectivamente em Budapeste-1998 e Barcelona-2010. O histórico da participação de Portugal nos 20 km marcha dos europeus de atletismo registava até aqui apenas uma desistência, quando, em Split-1990, José Pinto abandonou a prova.

Em todo o caso, João Vieira mantém não apenas a melhor classificação dos portugueses nesta prova (2.º lugar em Barcelona-2010), mas também a melhor marca aí obtida: 1.20.09 h, quando em Gotemburgo-2006 foi terceiro.

14 de Agosto, 20 km femininos
Bastante mais positivo foi o desempenho das raparigas portuguesas nos 20 km femininos. Ana Cabecinha esteve na luta pelos primeiros lugares até perto do final, terminando na sexta posição, enquanto Inês Henriques, com uma segunda meia prova para esquecer, acabou no 13.º lugar. Ambas tinham este ano resultados mais expressivos obtidos na Taça do Mundo de Taicang, mas ainda não foi desta vez que conseguiram juntar-se a Susana Feitor como portuguesas medalhadas em grandes competições individuais.

Ao registar a segunda presença em europeus, Ana Cabecinha alcançou uma classificação que representou um progresso de dois lugares em relação a Barcelona-2010 (de 8.ª para 6.ª), ao mesmo tempo que retirava nada menos que três minutos e oito segundos à marca aí registada, obtendo em Zurique 1.28.40 h. Por sua vez, Inês Henriques, mesmo fazendo a segunda pior classificação em quatro presenças (fora 15.ª em Munique-2002, 12.ª em Gotemburgo-2006 e 9.ª em Barcelona-2010), concluiu a prova da semana passada com a sua melhor marca de sempre em europeus: 1.31.32 h (antes tinha 1.31.58, de 2006).

As ausentes Susana Feitor e Vera Santos continuam a ser as melhores classificadas de sempre entre as marchadoras portuguesas em europeus de atletismo. Susana foi terceira no último ano em que a distância da prova feminina foi de 10 km (Budapeste-1998, com 42.55); Vera terminou em sexto lugar os 20 km de Barcelona-2010, mas foi em Gotemburgo-2006 que teve o melhor registo (1.30.41, para o 8.º lugar).

15 de Agosto, 50 km
Também aqui a representação portuguesa ficou aquém das expectativas. Pedro Isidro, o único atleta luso em prova, cumpriu bem nas primeiras léguas, com tempos parciais que até cerca dos 20 quilómetros apontavam para recorde pessoal. Depois, surgiram os velhos problemas do sistema digestivo e tudo se deitou a perder. Regra geral, o marchador do Benfica tem saído das chamadas à selecção nacional com desempenhos positivos, apesar de nalguns casos os resultados terem sido prejudicados por situações como esta experimentada em Zurique. Só que desta vez as consequências foram mais negativas e o penúltimo lugar final (25.º) correspondeu a tudo menos ao que podia antever-se como desempenho de Pedro Isidro na sua estreia em campeonatos da Europa.

Na globalidade das presenças portuguesas nas provas de marcha de europeus de atletismo, Portugal nunca tinha ficado atrás do 24.º posto, ficando Pedro Isidro com uma espécie de prémio-limão para a presença em Zurique (isto, naturalmente, não contando com as cinco desistências no total das dez participações anteriores em 50 km, mais duas em 20 km no passado e duas nos 20 km deste ano).

Historicamente, a melhor classificação de portugueses na distância longa foi obtida por Augusto Cardoso em Barcelona-2010: 14.º lugar. O seu treinador de tantos anos, José Magalhães, permanece com o autor da melhor marca, a única que Portugal registou abaixo de quatro horas em campeonatos da Europa: 3.59.46 h, no 17.º lugar de Budapeste-1998.

Conclusão
No plano nacional, estes campeonatos tiveram desfechos desequilibrados, de que se aproveitaram os resultados nos 20 km femininos, em especial o lugar de finalista de Ana Cabecinha. Mas de tudo sobra ainda a nuvem negra da não selecção de Susana Feitor após a lesão de Vera Santos, mancha que o tempo também não apagará da história da participação de Portugal nos europeus de Zurique.

Em 2018, os próximos europeus de atletismo com provas de marcha terão lugar em Berlim. Nos quatro anos que hão-de passar até lá, muitas mudanças deverão acontecer na marcha portuguesa. Fica a expectativa de saber quantos destes cinco marchadores que estiveram em Zurique vão competir na capital alemã. E quantos outros, mais jovens, conseguirão seguir-lhes as pisadas.

Para finalizar, três curiosidades estatísticas. A primeira para assinalar que as edições de Munique-2002, Gotemburgo-2006 e Barcelona-2010 foram as que registaram maior número de marchadores portugueses - sete (em nove possíveis). A segunda para recordar que o pioneiro José Pinto permanece como o único marchador português a ter competido nas duas distâncias dos masculinos numa mesma edição dos campeonatos da Europa: em Split-1990 (infelizmente, ambas saldadas por desistência). Por fim, a terceira para seguir as contas do jornalista Arons de Carvalho e constatar que lista de internacionalizações de portugueses em campeonatos europeus de atletismo é liderada por Fernanda Ribeiro (seis participações), seguida pelos marchadores João Vieira (5), Susana Feitor (4, que deveriam ser 5) e Inês Henriques (4) e ainda pela corredora Ana Dias (4). E estaria a faltar aqui o nome de Vera Santos, se a lesão não tivesse obrigado a ficar-se, por agora, pelas três presenças.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Zurique-2014: balanço internacional das provas de marcha

Os pódios da marcha em Zurique-2014.
Fotos: Ian Walton e Michael Steele (Getty Images), e Hagen Pohle.
Montagem: O Marchador
Concluídos os 22.os Campeonatos da Europa de Atletismo, realizados em Zurique, na Suíça, vale a pena fazer o balanço das três provas de marcha aí realizadas, assinalando para cada uma os aspectos mais relevantes numa abordagem geral. Para amanhã fica reservada a análise do desempenho dos marchadores portugueses.

13 de Agosto, 20 km masculinos
A primeira das provas de marcha do programa dos europeus de Zurique confirmou Miguel Ángel López como a grande figura da marcha espanhola do presente e do futuro próximo, revelando todas as capacidades para dar continuidade aos campeões que a Espanha tem apresentado desde que em 1978 Jorge Llopart se sagrou campeão europeu dos 50 km em Praga. Depois de, em 2013, ter alcançado o segundo lugar na Taça da Europa de Dudince e o terceiro nos mundiais de Moscovo, López era um dos favoritos nos 20 km de Zurique e não deixou os créditos por mãos alheias, relegando para os lugares mais baixos do pódio precisamente os dois russos que no ano passado tinham vencido aquelas duas provas: Aleksander Ivanov (campeão em Moscovo) e Denis Strelkov (vencedor em Dudince).

A marca do espanhol (1.19.44) não superou o recorde pessoal por 23 segundos, mas tal facto não tira nenhum brilho ao sucesso do atleta de Múrcia, que, patenteando excelente técnica, foi capaz de impor-se no momento decisivo ao trio que o acompanhou até aos metros finais. Aliás, nesse aspecto, cabe salientar o elevado desempenho de Ivanov e de Strelkov, bem assim como do ucraniano Ruslan Dmytrenko, que merecia tanto uma medalha como qualquer dos colegas de prova que subiram ao pódio.

Nesta prova, alguns dos mais jovens participantes demonstraram que vem aí uma geração que há-de causar furor no mundo da marcha dos próximos anos. Aleksander Ivanov, no segundo ano de sénior, é um deles, mas também os outros dois espanhóis (Álvaro Martín, 6.º, e Luís Alberto Amezcua, 10.º) e o alemão Hagen Pohle (15.º), ainda que este último pareça mais demorado na afirmação no escalão mais elevado.

14 de Agosto, 20 km femininos
A vitória da russa Elmira Alembekova veio confirmar a parte do favoritismo que poderia ser-lhe atribuída à partida. De resto, entre as atletas presentes em Zurique que tinham alinhado também na Taça do Mundo de Taicang, Alembekova era a que tinha obtido melhor classificação, com o terceiro lugar, atrás da compatriota Anisya Kirdyapkina (ausente por doença) e da chinesa Hong Liu (que não é europeia, está claro).

Mas a tarefa de Elmira Alembekova não foi nada fácil, dada a resistência que teve de enfrentar até perto do final, sobretudo da parte da checa Anežka Drahotová e da ucraniana Lyudmyla Olyanovska. Drahotová acabaria ultrapassada na luta pela medalha de prata e Olyanovska confirmava com o segundo lugar o excelente desempenho da Taça do Mundo, em que fora sétima.

Estas duas atletas são também elas garantias de um futuro de grande qualidade da marcha feminina europeia. Anežka Drahotová só em 2015 ascenderá a sénior depois de uma brilhante carreira de júnior (e juvenil) recheada de títulos e recordes europeus e mundiais do escalão, a que se juntaram fabulosas classificações em campeonatos absolutos (e não só de marcha, como se sabe); Lyudmyla Olyanovska entrou há já ano e meio no escalão superior, mas continua a ser uma muito jovem atleta que por certo não deixará de dar grandes alegrias desportivas à Ucrânia. Já a sair das sub-23, Antonella Palmisano também terá cartas a dar em matéria de juventude, mas por agora tem de assistir à ascensão meteórica de outra italiana, Eleonora Anna Giorgi, quinta na Taça do Mundo e também neste campeonato europeu.

15 de Agosto, 50 km
Os 50 km marcha foram uma das grande provas destes europeus de Zurique e o seu vencedor, Yohann Diniz, foi seguramente o atleta que alcançou o maior feito. Desde logo, por ter batido de forma inesperada um recorde mundial que, naquelas condições atmosféricas, poucos se atreveriam a prever que pudesse cair. Depois, porque o fez por uma diferença muito significativa, retirando um minuto e 41 segundos ao máximo que estava na posse de Denis Nizhegorodov desde há seis anos. Ainda por uma terceira razão: conseguiu bater um recorde mundial terminando cheio de energia e depois de ter parado durante uns bons dez segundos a cerca de 150 metros da meta para pedir aos elementos da mesa de abastecimento de Portugal uma bandeira do país dos seus avós. E se quisermos uma quarta razão podemos invocar o facto de Yohann Diniz ter alcançado um insólito terceiro título europeu consecutivo em provas de marcha.

O novo melhor registo mundial dos 50 km foi o culminar de uma prova também ela quase tão emotiva como a dos 20 km masculinos. Os russos Ivan Noskov e sobretudo o mais jovem Mikhail Ryzhov fizeram grande parte das despesas da prova, em especial nos primeiros dois terços da competição. Com acelerações e desacelerações, colagens, descolagens e recolagens entre os atletas da frente, o desfecho da prova foi sendo uma incerteza. Mesmo quando, por volta dos 35 quilómetros, Diniz se isolou definitivamente, ninguém poderia afirmar que o vencedor estava encontrado naquele momento. Perceber-se-ia depois que nada haveria a fazer e que as derradeiras voltas do francês mais não eram do que uma cavalgada para aquela fantástica marca final.

Para os quatro primeiros, verdadeiro quarteto de heróis de uma prova disputada em condições adversas, as marcas foram de grande qualidade, não sendo vulgar encontrar um tão bom e tão grande conjunto de marcas (quatro) abaixo das 3.40 h. Mais impressionante foi verificar que uma das maiores figuras da marcha mundial, o eslovaco Matej Tóth, bateu largamente o recorde do seu país com 3.36.21 h, marca que há pouco mais de dez anos seria recorde mundial mas que, apesar disso, em Zurique não chegou para evitar que o seu autor terminasse a prova com quase quatro minutos de atraso do vencedor.

Conclusão
Apesar da estreiteza dos circuitos escolhidos e da existência de carris a dificultar a progressão dos atletas, Zurique proporcionou três grandes espectáculos de marcha atlética levados a cabo no centro da cidade, protagonizados por marchadores da melhor qualidade, eles próprios do melhor que estes europeus de atletismo puderam apresentar ao mundo. Uma demonstração da vitalidade da marcha atlética e da sua capacidade para atrair público para as competições. Os europeus de Zurique vieram também confirmar que a Europa dispõe de um conjunto de jovens marchadores prontos para receber o testemunho da actual geração e conservar para a Europa um papel de protagonismo na cena da marcha mundial.

Resta esperar que os resultados obtidos, os títulos conquistados e as medalhas distribuídas não venham no futuro a ser objecto de reajuste por via de qualquer descoberta desagradável.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

As reportagens de Emmanuel Tardi em Zurique

Tardi e o registo de imagens da marcha em Zurique.
Fotos: Emmanuel Tardi. Montagem: O Marchador
Presença assídua em muitas provas de marcha, onde desde há anos realiza desenvolvidas reportagens fotográficas e onde também, nalguns casos, alinha como atleta, Emmanuel Tardi não deixou de acompanhar «in loco» as provas de marcha dos europeus de Zurique, concluídos este domingo, criando robustos álbuns de imagens que retratam a participação de provavelmente todos os atletas que competiram nas provas de marcha.

Os interessados em apreciar as imagens produzidas naqueles três dias podem aceder a outras tantas galerias, uma para cada prova. A dos 20 km masculinos aqui, a dos 20 km femininos aqui e a dos 50 km aqui.

Vale a pena fazer esta visita. Imagens representativas não faltam. E até momentos menos esperados lá aparecem.